quinta-feira, 12 de julho de 2018

Um bocadinho de solidariedade, please

Ilustração por Norman Rockwell

Nem sei bem como começar este artigo. Estou cansada.
Mas isso estamos todas. Não conheço uma mãe que não esteja cansada. Mais não seja porque quando deixa de ter os filhos sob a sua asa continua a preocupar-se, a querer ajudar, e já não tem idade para que o corpo aguente a curtição da liberdade recém-adquirida.
Estou cansada porque "Eu não tenho opção", porque sou mãe a tempo inteiro.

E fico cansada com a falta de solidariedade.

"Olha-me a lata desta! Está em casa todo o dia de papo para o ar com a sua filhota e ainda se queixa!", pensam algumas pessoas.
Relaxem, não há nenhuma competição para ver quem está mais cansado. Vocês queixam-se da vossa vida e eu da minha sem tentarmos ganhar a coroa de "Miss Exaustão 2018", combinado? Até porque se fosse uma competição, eu diria que ganham os que não dormem. 
Antes de pensar em ter filhos, sempre que ouvia lamúrias de mães domésticas o meu pensamento era "Difícil é ter um trabalho e no final do dia ainda ter de tratar dos filhos e da casa! Não fazem nada todo o dia e ainda se queixam. O que é que custa?"
Estava longe de imaginar que o destino se haveria de encarregar de me fazer responder a essa questão.
Na minha cabeça (e na de muitas pessoas que não passam por esta circunstância), uma mãe a tempo inteiro passava o dia de papo para o ar a comer bombons, a ver televisão e a brincar com a cria. QUEM. ME. DERA!


MATI = Mãe A Tempo Inteiro

















Sabem porque é que custa tanto ser mãe a tempo inteiro? Porque não espairecemos. Porque não saímos nunca deste cenário. Todos os dias da semana são iguais. O cansaço não é tanto físico, é psicológico. A Carminho não está na creche, por isso estou sempre em modo mãe. Os meus dias são passados a falar e a cuidar de um bebé. E quando ela se deita eu já não tenho energias para fazer mais nada, a não ser babar durante uma horinha no sofá até adormecer.
Os pais que trabalham ou que têm os filhos na creche têm uma mudança de cenário. O Duarte já me chegou a dizer "isto ao fim de semana consegue ser mais cansativo do que uma semana de trabalho."

Quanto à falta de solidariedade de que falei no início, é um assunto que já foi falado entre nós, pais e casal, por isso é que agora falo do assunto no blogue.

Tenho um excelente marido e a Carminho tem um pai fantástico. No entanto, por vezes sinto que há uma enorme falta de solidariedade.
Nem todas as MATI são ricas ou dondocas. Nós não somos ricos, no entanto sou mãe a tempo inteiro. Isso significa que é o trabalho do Duarte que sustenta financeiramente o nosso lar. Foi uma escolha consciente que fizemos. Havendo possibilidade financeira, não me importei de deixar a minha vida profissional em pausa, para providenciar à minha filha um acompanhamento permanente da minha parte.
Esta escolha, a nível individual, resulta numa grande pressão para cada um de nós. Por um lado, eu lidar com a minha dependência total do meu marido (e se lhe acontece alguma coisa? E se ele me decide trocar por uma gaja mais nova? Ou mais velha? Ou se se farta?) e ficar numa situação delicada em relação ao mundo do trabalho actual que terá impacto na minha reforma (se a tiver). Por outro lado, o Duarte fica com a pressão de ser o único a ganhar dinheiro para providenciar uma boa vida à mulher e à filha. Enquanto pais estamos ambos certos e seguros da nossa escolha, enquanto indivíduos temos de lidar com as nossas inseguranças. É um equilíbrio delicado.



Da minha parte, não só tenho de lidar com a questão da minha situação profissional e o seu impacto na minha velhice, mas ao dedicar-me a tempo inteiro à minha filha, significa que fico com muito pouco tempo para cuidar de mim e eu sempre fui uma pessoa solitária. Gosto muito dos meus amigos e da minha família, mas a sociabilização esgota-me e sempre precisei de ter tempo sozinha para recuperar energias. Estar sempre com outra pessoa (por mais que a ame mais do que a tudo o resto neste mundo) deixa-me exausta e não tenho oportunidade para recuperar, porque quando deito a Carminho, vou jantar e a seguir adormeço.

Como o Duarte é quem ganha o dinheiro, tentei sempre não o impedir de fazer as outras coisas de que gosta. E ele não se corta a nada. Aproveita tudo. E, se por um lado eu acho fantástico, por outro sinto uma falta de solidariedade enorme, porque eu tenho de viver nos buracos de tempo dos outros. Tenho de viver enquanto a Carminho dorme e tenho de programar a minha vida para os intervalos do meu marido (para ele poder ficar com ela). Ver que ainda tenho de me adaptar aos passatempos dele, às vezes incomoda-me.
Será egoísmo? Inveja? Se calhar... E qual é o problema? A minha vida mudou radicalmente desde que fui mãe e toda a minha vida está dedicada a criar deste ser extraordinário que é a minha filha.

Há uns meses, voltei a ocupar-me profissionalmente com alguns projectos. Portanto, deixei de ter oportunidade para cuidar de mim, porque quando há um intervalo na vida do Duarte, tenho de aproveitar para trabalhar.  E eu vou ficando para trás. Ver uma mudança tão grande na minha vida e a dele continuar com as mesmas diversões, incomoda-me. Isto porque acho que de vez em quando deveria haver um pouco de solidariedade parental e ficar comigo em vez de ir a qualquer lado. Sim, é verdade que ambos diminuímos a frequência com que estamos com amigos, mas de resto ele continua com os seus hobbies e eu tive de abdicar dos meus.

Uma coisa que eu fiz foi juntar-me a outras MATI e falar à boca cheia de como me sinto. De vez em quando, juntamo-nos no parque com os nossos filhotes. Aquelas horas são a pensar no bem estar deles, para brincarem ao ar livre, meterem os pézinhos na relva, andarem nos baloiços e estarem com outras crianças. Mas acredito que para todas nós, apesar de nunca termos falado nisso, é um grupo de auto-ajuda. Um espaço em que somos todas iguais e podermos falar com outros adultos, saindo do nosso casulo mãe-bebé. Naquele momento, somos um clã e cuidamos das crias umas dos outras, relaxando.

A certa altura disto de ser MATI, tinha a Carminho uns 6 meses, comecei a sentir que ia enlouquecer. Sentia-me presa no mesmo dia, todos os dias. Não sei se já viram o filme "O Feitiço do Tempo", com o Bill Murray, mas era precisamente assim que eu me sentia. Decidi que tinha de me aplicar no meu futuro profissional e fazer dinheiro. Ia aliviar muito do stress da minha vida - ganhava dinheiro e ocupava a cabeça com assuntos não relacionados com a maternidade. No entanto, trabalhar em casa ou sermos os nossos próprios chefes significa exactamente o mesmo do que ser MATI: os outros acham que não fazemos um bacalhau. Que não fazemos nada durante o dia, que o nosso trabalho não tem tanto valor, que o nosso trabalho se pode interromper, que se algum trabalho tiver de ser re-agendado tem de ser o nosso. E o próprio Duarte entrou neste registo. Como trabalhava e queria espairecer, começava a agir como se o lazer ou descanso dele fosse prioritário em relação ao meu trabalho. Certo dia, ao telefone com uma amiga, que também é mãe a tempo inteiro e também se tinha dedicado a alguns projectos por conta própria, perguntei: "Sinto que o todo o meu trabalho é completamente desvalorizado e que  é passado para segundo plano". "E é mesmo. Aqui também, o que é que julgas? Parece que nos põem à prova", respondeu-me ela. E aí eu percebi que não estava sozinha. Também percebi que o Duarte não o fazia conscientemente. E, nesse momento, aceitando as diferenças biológicas entre homens e mulheres (a mulher é a cuidadora e o homem é o provedor), percebi também que a falta de solidariedade não era intencional ou por falta de atenção, era mesmo uma incapacidade biológica de perceber o que é ser mãe. Do que é ser mãe a tempo inteiro. Do que é ser mãe a tempo inteiro no século XXI. Só havia uma forma de ultrapassar isto e era falando.

"Mas podes ir, desde que não demores mais do que 3 horas", "Mas podes ir depois de ela adormecer", "Esta manhã não te chegou?" - são falsas escolhas. E já as ouvi.
Ir com um limite de tempo, não é ter tempo de qualidade. Deixa-me em stress, a olhar para o relógio se quiser ir a qualquer lado, tenho de chegar para sair logo a seguir.
Ir depois de ela adormecer não é opção, porque ao final do dia não tenho energia nem para fazer o jantar de raiz, quanto mais ir sair. E sair com quem? Quem é que sai durante a semana? Agora nas férias é mais fácil.
Sair uma manhã com uma amiga não me chega. Não! Eu passo a semana inteira em "modo" mãe e às vezes quero (e preciso) de sair deste registo. De não ter essa responsabilidade, de andar preocupada se come, se dorme, se bebe, se mama, se não está a comer a ração das gatas. Passo a semana inteira a comunicar com um bebé todo o dia, todos os dias, preciso de convívio com adultos a falar de outros assuntos, para manter a minha sanidade mental. Preciso de re-aprender a estar com adultos sem lhes estar a falar permanentemente das gracinhas da Carminho ou a pegar no telemóvel para ver as fotos que tirei durante o dia.
Preciso de convívio com adultos fora de minha casa, porque normalmente os convívios são aqui porque a D. Carmo está a dormir.


Às vezes sinto que eu abdiquei de tudo e o Duarte não abdicou de nada. E quero solidariedade! Pode nem ser 100% verdade, mas é o que sinto. Quero que, de vez em quando, ele diga "olha, hoje não vou à bola, para ficar aqui contigo". Quero que ele pense um bocadinho antes de dizer "Sim!" ao ser desafiado para alguma coisa. Só de vez em quando. Nem eu quero que ele fique sempre em casa, como eu. Porque estar sozinha de vez em quando é fixe - a Carminho ferra à noite e eu não me importo de ficar sozinha, seja a anhar, seja a ler, seja a escrever no blogue.

Mas gostava de, de vez em quando, não ser a castradora quando lhe digo que algo não é possível porque é exactamente na hora de deitar da Carminho e só dá para fazermos coisas juntos antes ou depois. Gostava que em vez de me perguntar se pode ir a qualquer lado, me dissesse "eu sei que estás cansada, mas vai haver um concerto e gostava de ir". 
Ok! O meu grande problema em relação aos tempos livres do Duarte é com a sua obsessão com futebol. E a forma como os tempos livres dele andam à volta disso.
Vai aos jogos, vê os jogos, lê sobre os jogos, vê os programas desportivos, joga à bola (chegou a ser 3x por semana!). É bola, bola, bola, bola...
Ter me sujeitar aos intervalos do trabalho e ainda aos intervalos da bola é demais para mim.

Mas já nos sentámos e falámos. Já estabelecemos prioridades: a prioridade é o trabalho do Duarte porque, de momento, é o que nos paga a renda; segue-se o meu trabalho; depois os tempos livres do Duarte (porque é mesmo algo que o deixa feliz). Entretanto, uma vez por semana a Carmita vai uma manhã para casa da minha mãe, deixando-me livre para ser e/ou fazer o que for preciso.
E os programas de comentadores desportivos estão proibidos!

Pronto! Está feito o desabafo! Está resolvida a questão.
Bom, bom, era ter uma empregada que limpasse e cozinhasse todos os dias, todo o dia. Isso é que era fabuloso. Assim dava para eu ser mãe dondoca NA. BOA!
Se eu ganhar o Euromilhões já sei. Uma governanta/ama (para quando eu tenho de ir tratar de algum assunto), empregada/cozinheira (para cozinhar os meus menus semanais) e um motorista/jardineiro (para não ter de andar à procura de lugares de estacionamento e ter alguém que me cuidasse das plantas, que eu deixo morrer tudo). Já tenho tudo planeado. O raio do Euromilhões é que 'tá quieto! Talvez amanhã.


sábado, 7 de julho de 2018

Lista de Artigos sobre Alimentação

Baby-Led Weaning
Baby-Led Weaning (BLW) - O que é e medos frequentes?
Baby-Led Weaning (BLW) - Porquê?
Baby-Led Weaning (BLW) - Quando?
Baby-Led Weaning (BLW) - Como?
O Nosso Baby-Led Weaning (BLW)

Introdução de Sólidos - Alimentos a evitar

Receitas, Organização e Preparação
Receitas da Menina - BLW: Organização e Preparação
Receitas da Menina - BLW: Bolinhas Salteadas

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Desafio - Alimentação Saudável (Semana 1)


Vamos então dar início ao Desafio - Alimentação Saudável!
A ideia é motivarmo-nos a ter uma alimentação saudável, mudando os nossos comportamentos alimentares, e, secretamente, esperando perder algum peso.

No artigo anterior "Desafio - Alimentação Saudável (Introdução)", deixei-vos os princípios pelos quais me regi para desenhar os menus semanais, o plano alimentar e as quantidades diárias de cada tipo de alimento para se ter uma alimentação saudável. Nesse artigo também podem ler as quantidades de cada tipo de alimento a cada refeição.
Se os menus semanais não vos parecerem apelativos, podem ajustá-los ou pegar no plano alimentar e fazer o vosso: substituir alimentos, adicionar ou suprimir refeições, fazer uma distribuição diferente dos grupos alimentares, aumentar ou diminuir quantidades, etc.



Confeccção
Apesar de, inicialmente, ter dito que vos iria dar receitas, vou deixar que a vossa inspiração vos guie, mas vou deixar aqui o que estou a planear fazer.
  1. Pequeno-almoço: Este não precisa de grande explicação. Apenas um "não abusem da manteiga!", porque não é a gordura mais saudável, mas tal como vos disse "baby steps". Eu sou muito agarrada ao meu ritual matinal. A partir da próxima semana o pequeno-almoço já será diferente;
  2. Lanche da manhã e da tarde: Também não há grande coisa a dizer... Fruta e frutos secos;
  3. Almoços de peixe: Aqui é que já dá para ser mais inovador. Para o primeiro dia estou a pensar em saltear juntamente com o arroz, no segundo dia fazer estilo salada russa com uma pitadinha de maionese (baby steps... mas podem temperar com azeite e vinagre) e para o terceiro talvez na onda do empadão de atum (só preciso de lhe adicionar gema batida e noz moscada antes de ir ao forno);
  4. Almoço de ovoEstou indecisa entre os muffins e os bolinhos de ovo. A diferença entre ambos é que nos primeiros o ovo é batido e os vegetais estão em pedaços e nos segundos está tudo batido e triturado;
  5. Almoço vegetariano: Volto ao estilo salada russa, mas desta vez temperada com azeite (1 colher de chá), vinagre e especiarias (ainda não decidi quais, mas talvez orégãos); 
  6. Almoços de carneNada como peito de frango grelhado com legumes e massa salteados (talvez com uma pinguinha de sake e vinagre de cidra ou balsâmico). No outro almoço, muito provavelmente farei um molho de natas, queijo e pimenta;
  7. Jantar: Sopa é sopa, mas vai ser toda passada, com excepção do feijão-frade. A salada é temperada com azeite (uma colher de chá) e vinagre balsâmico
  8. Ceia: É o que é. Uma torrada e um iogurte, também não há grande coisa a inventar. Simplesmente, não a carreguem de gordura ou doce. Uma boa hipótese é uma fatia de queijo que, quando se mete por cima da torrada acabada de fazer, fica meio derretido e eu adoro.
Lista de compras
Basta imprimir e levar para o supermercado.
Ah! As leguminosas (neste caso o feijão-frade) compram-se sempre secas. As de lata não são nada adequadas para os bebés por causa da grande quantidade de sal. Por isso, enquanto as demolharem troquem de água com bastante frequência - 24h costuma ser o suficiente.


Nota importante: este plano para bebés é feito para a Carminho que tem 1 ano. De acordo com o método Baby-Led Weaning, a partir dos 6 meses já podem comer quase tudo, mas mandem-me mensagem ou questionem o pediatra se tiverem alguma dúvida em relação a qualquer alimento.

Artigos relacionados:
Desafio - Alimentação Saudável (Introdução)

Desafio - Alimentação saudável (introdução)


No fim de semana passado, fiz-vos uma proposta: acompanharem-me no regresso aos desafios semanais e a uma alimentação saudável e equilibrada.

O objectivo não é perder peso, é... Ok... Vou ser honesta comigo mesma e convosco.
O objectivo é perder peso. Mas sem passar fome, sem deixar nutrientes de fora, sem declarar guerra ao glúten, aos hidratos de carbono ou ao açúcar e sem milagres!
O objectivo não é fazer uma dieta, mas ter (ou voltar a ter, no meu caso) uma boa alimentação.

Não sou nutricionista, embora tenha frequentado várias formações em nutrição. Fi-lo, não para seguir um rumo profissional, mas para aprender a alimentar-me e a esclarecer várias dúvidas e/ou mitos que por aí se lêem.

Assim, vou partilhar convosco o plano alimentar que desenhei para mim e para os cá de casa e que tem por base as nossas necessidades e actividade física (sedentários). Talvez se adapte a vós ou talvez tenham de lhe fazer algum ajuste. "Em caso de dúvida consulte o seu médico ou nutricionista".

Para o construir segui as seguintes premissas:
  1.  Um prato equilibrado é composto por: 30% vegetais, 30% cereais, 20% fruta e 20% proteína;
  2. A não ser que tenham alguma intolerância, alergia ou doença, não há porque deixar de fora algum alimento ou o glúten ou a lactose;
  3. Os lacticínios são importantes, mas já não são considerados obrigatórios numa alimentação saudável (pelo menos nos adultos), depende das preferências ou necessidades de cada um. A água, sim. É fundamental;
  4. Ideal e semanalmente, numa dieta omnívora, deveríamos fazer 3 a 4 refeições de peixe, 2 a 3 refeições de carne branca (carne vermelha apenas 1 a 2 vezes por mês) e um dia vegetariano. Eu opto por fazer 3 dias de peixe, 2 de carne, 1 de ovo e 1 vegetariano;
  5. Consumimos muito mais proteína animal do que a necessária - cerca de 14 vezes por semana (ao almoço e ao jantar), quando deveria ser apenas 5 a 6 vezes por semana;
  6. Em Portugal temos uma excelente educação alimentar em relação ao consumo de alimentos frescos, sopa e variedade alimentar (basta pensarmos no que os nossos avós comiam). O que eu acho que está a falhar são as proporções adequadas ao consumo energético do estilo de vida (mais sedentário);
  7. Quanto maior a variedade de cores num prato, melhor. Significa uma maior variedade de micronutrientes. O prato deve ser bem colorido, até fica mais apelativo;
  8. Os cereais integrais são os melhores - saciam mais e são mais ricos em fibras, vitaminas e minerais;
  9. O jantar deveria ser a refeição mais ligeira, porque vamos estar muitas horas em repouso (a dormir) e sem tanto consumo energético, no entanto trocamo-la com o almoço (quando ainda temos a tarde pela frente). Vamos tentar mudar isto;
  10. Se forem saudáveis e quiserem optar por experimentar uma dieta vegetariana, experimentem alterar a carne e o peixe por quinoa, feijão com arroz, seitã, pão com manteiga de amendoim, e outras combinações conhecidas para se obter uma proteína completa;
  11. Condimentem ao vosso gosto, com atenção ao sal e nada de adicionar açúcar (já chega o que se encontra naturalmente nos alimentos);
  12. Água, água, água. Ao acordar e entre cada refeição, um copo de água só faz bem. Não são dados a água? Comecem por chá ou infusões e, à medida que se vão habituando, vão diluindo cada vez mais. Atenção às águas com sabores, costumam estar cheínhas de açúcar. Mas se é o que gostam, podem fazer o mesmo que eu fiz: ir diluindo cada vez mais. Hoje em dia já só me sabem a açúcar, nem lhes consigo tocar;
  13. O ideal são pequenos passos - "baby steps". Nada de mudanças radicais, isso não costuma ajudar à alteração de estilos de vida, antes pelo contrário. Optem por uma ou duas mudanças de cada vez, como por exemplo, diminuição de porções, diminuição da quantidade de sal, introdução de snacks saudáveis ou cortar com refrigerantes e doces. Quando já estiverem adaptados a uma mudança e estiverem confortáveis, aí sim, escolham a próxima;
  14. Esqueçam as calorias. É verdade que para perder peso temos de ingerir menos calorias do que as que queimamos e para ganhar peso temos de ingerir mais, mas é uma preocupação desnecessária quando se tem uma alimentação saudável e equilibrada. Basta um ajuste nas porções e quantidades. E as dietas drásticas não são as mais eficazes para atingirmos o peso que pretendemos de uma forma estável e mais permanente. Não há como alteração do estilo de vida e dos comportamentos alimentares. E acreditem: 80% alimentação e 20% exercício. O exercício é óptimo para o corpo e para a mente, mas para alterações no peso a alimentação é muito mais importante;
  15. Comer o que se gosta, não se fazer sacrifícios. Há tantos alimentos, tantas alternativas que quando não se gosta de algum a solução é apenas trocar e não deixar de comer. Por exemplo, eu não gosto das saladas habituais de alface, cenoura, tomate, azeite e vinagre, acho-as super aborrecidas, mas uma simples salada de rúcula com tomate cherry com azeite e vinagre balsâmico já me enche as medidas. Também fico super enjoada com tomate normal como duas rodelas e não aguento mais, mas tomate cherry já marcha bem;
  16. O nosso estômago é elástico e quando comemos demais aumenta de tamanho, o que significa que necessita de mais alimento para ficarmos com a sensação de saciados. No entanto, se diminuirmos porções (aos poucos) a sua elasticidade vai fazendo com que volte a ficar mais pequeno e num curto espaço de tempo (3 a 5 dias, pela minha experiência). Para isto também é importante criarmos rotinas e comermos antes de ficarmos com fome. Se só comermos quando tivermos fome, vamos comer mais e mais depressa. Comer a cada 2 ou 3 horas e hidratarmo-nos pelo meio é o ideal;
  17. Se quiserem seguir o desafio, parte de vocês o discernimento para adaptar as quantidades e alimentos às vossas necessidades, gostos e carteiras. Se quiserem fazer substituições, tentem fazer por alimentos do mesmo grupo/cor;
  18. As quantidades de alimentos foram calculadas tendo por base a minha taxa metabólica basal (as calorias que o meu organismo necessita para funcionar): Cerca de 1360;
  19. Não sou vegetariana, acredito que idealmente o ser humano é omnívoro e, além do mais, tenho anemia e estou a amamentar. Por favor, não me tentem explicar como o organismo sobrevive bem sem carne ou que há alternativas para os anémicos. Eu não quero que os vegans ou vegetarianos deixem de o ser, já fiz "n" análises para saber a origem da minha anemia, pelo respeito que tenho aos animais já tentei ser vegetariana e não dá. Sei que certas combinações de leguminosas com cereais providenciam proteínas completas, que há alimentos cheios de ferro como as leguminosas, beterrabas, espinafres, etc., mas para mim não é suficiente. A carne proporciona uma absorção que as alternativas não conseguem;
  20. Os valores que vos deixo são aproximados e em caso de alteração, que seja pelo excesso. Principalmente em relação à Carminho. Bebés saudáveis controlam bem as porções, sabem interpretar os sinais do corpo. Além do mais, a Carminho não só faz as refeições todas como ainda mama. Se quiserem usar as mesmas porções para os vossos bebés, perguntem ao pediatra.
Posto isto, deixo-vos aqui os quadros que sigo para organizar o nosso plano alimentar e o da Carminho. No sábado de manhã, dia de desafio, vou publicar os menus semanais (nossos e da Carmita) e a lista de compras.






E pronto, agora basta esperar por sábado de manhã para verem o menu semanal e a lista de compras para a próxima semana.
Nota importante: este plano para bebés é feito para a Carminho que tem 1 ano. De acordo com o método Baby-Led Weaning, a partir dos 6 meses já podem comer quase tudo, mas mandem-me mensagem ou questionem o pediatra se tiverem alguma dúvida em relação a qualquer alimento.
Entretanto, vou criar um grupo no Facebook para discutirmos estes tópicos e dar-mos ideias uns aos outros.
Até sábado.
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Receitas da Menina - BLW: Bolinhas Salteadas


As fotos das refeições da Carmita fazem sempre imenso sucesso e as bolinhas são capazes de ser o maior deles!
Vou, então, dar-vos a minha receita.

Como sabem, organizei um calendário de menus semanais e todas as refeições são preparadas do mesmo modo. Podem ver aqui como.
Como referido no artigo sobre a preparação, faço quantidade logo para 3 ou 4 dias e todas as refeições de almoço têm vegetais, cereais e proteína animal.
Ultimamente, como a Carminho é um poço sem fundo, optei por diminuir a quantidade das porções, mas aumentar o número de refeições. Assim, distribuí a quantidade de cereais e de proteínas que dava ao almoço, pelo o almoço e jantar. 15 gramas de cereais ao almoço e ao jantar e 15 gramas de proteína animal ao almoço + 15 gramas de proteína vegetal (leguminosas) ao jantar.

Actualizando o que foi falado no artigo anterior, as porções para 3 dias são:
- 30 gramas de vegetais (10 gramas de brancos, 10 gramas de verdes e 10 gramas de laranjas);
- 45 gramas de cereais (arroz ou massa);
- 60 gramas de proteína animal (carne ou peixe).

Passemos, então, à receita das bolinhas.

Bolinhas Salteadas
Ingredientes (para 3 refeições/almoços):
  • Batata-doce: 10 gramas
  • Cenoura: 10 gramas
  • Brócolos: 10 gramas
  • Arroz (já cozido): 45 gramas
  • Frango: 60 gramas
  • Azeite: 1 fio
Utensílios
  • Bimby (ou panela)
  • Trituradora (1-2-3)
  • Frigideira
Preparação
  1. Retirar a batata-doce, a cenoura, os brócolos e o frango do congelador e colocar directamente na Bimby ou panela para cozer a vapor (cerca de 20 a 25 minutos na Bimby, temperatura varoma, velocidade 2,5);
  2. Quando estiverem cozidos, passar para o 1-2-3, adicionando os 45 gramas arroz. Ter atenção para não triturar demais, senão fica em pasta e já não dá para formar bolinhas. Quem tem Bimby se calhar interroga-se porque não a uso para triturar. Porque é muito pouca quantidade, fica tudo agarrado às paredes. O 1-2-3 ou a varinha mágica são mais eficazes.
  3. Tirar da trituradora e fazer bolinhas. O tamanho é mais ou menos de um grão-de-bico. Podem ser maiores, mas faz menos bolinhas, demoram menos a comer, logo demoram mais a ficar com a sensação de saciados e quererão comer mais.
  4. Na frigideira colocar 1 fio de azeite. Pouco, porque a ideia é apenas dar um saborzinho às bolinhas, salteando-as. Não as queremos fritar.
  5. Adicionar as bolinhas e ir mexendo, para que não colem e para que alourem à volta, criando uma camadinha chocante.
  6. Se exagerarem no azeite e as bolinhas ficarem a escorrer (às vezes acontece), basta colocá-las em papel de cozinha para que o excesso seja absorvido.
  7. Deixar arrefecer um pouco e servir.

Notas
  • Ajuda muito se as bolinhas forem feitas em dias de vegetais mais "farinhentos", como a batata, e ou proteínas menos aguadas, como a carne ou salmão. Outros alimentos, como folhas, nabo, tomate, pescada, não formam uma pasta suficientemente consistente que permita bolinhas. Não têm de ser todos "farinhentos" e podemos fazer algumas batotas, como diminuir a quantidade de uma coisa para aumentar outra, ou em vez de fazer só couve-branca, dividir em couve-branca e batata. É uma questão de experimentarem;
  • Outra coisa que acontece é no primeiro dia ficar muito aguado, mas nos seguintes ou no terceiro já dar porque a "pasta" já secou um pouco.Esta semana, por exemplo, com nabo, abóbora, grelos, pescada e arroz, consegui fazer bolinhas desde o primeiro dia. Tive muito cuidado ao triturar e o arroz ajuda sempre. E também deixei os alimentos na Bimby algum tempo antes de os triturar (a Carminho estava a dormir). O que permitiu que escorresse mais água;
  • Seja pelos alimentos ou por me entusiasmar com o 1-2-3, se ficar em pasta ou puré a Carminho não se importa muito e vai à colherada;
  • Se quiserem transformar numa refeição vegetariana, basta substituírem a proteína animal por proteína vegetal. As leguminosas até são boas para a consistência das bolinhas, mas a Carmita não ficou fã.

E pronto, é tão simples quanto isto, embora a parte de fazer as bolinhas seja uma seca! Principalmente, porque demoro muito mais do que ela demora a comê-las.
Qualquer dúvida, é só perguntar.


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