quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Meu Parto II - Plano VS Parto

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Há duas semanas deixei-vos aqui o Plano de Parto que desenhei, hoje confronto o plano com a realidade. A realidade foi bastante diferente, bem mais dura do que esperava, mas ainda bem que tinha noção de que era só um Plano e que a realidade pode ser bastante diferente, senão tinha sido bem pior.

Ora, antes de contar a história, vamos lá confrontar o Plano com a Realidade.

PLANO DE PARTO
Desejo que todo o processo seja o mais natural possível, desde parto vaginal até à amamentação. No entanto, tenho plena consciência de que o que idealizo poderá não ser possível por algum motivo, pelo que deposito total confiança nas decisões da equipa hospitalar, pedindo apenas que me expliquem no caso de ser necessária alguma alteração ao plano inicial.

Tenho total confiança na equipa que me acompanhará no parto, mas gostaria que me fossem dizendo/explicando os procedimentos ao longo de todo o processo, desde que entro na maternidade até ao pós-parto.
Realidade - Ou eu não ouvi ou certas coisas não me foram explicadas na altura: como o porquê de não levar o último reforço da epidural ou o porquê de ter sido levada para o bloco operatório.

Equipamento
  • Que me seja facultada a bola de exercícios Realidade: Quando, finalmente, cheguei à sala de partos nem me lembrei da bola de exercícios (ou dos óleos essenciais) 
Trabalho de parto e parto
  • Sem pressão, para que seja o mais rápido possível, deixar o corpo decidir;
  • Mobilidade: gostaria de ter liberdade de movimentos, possibilidade de andar e adoptar posições que me sejam mais confortáveis (de cócoras, em pé, de gatas, etc...) - Realidade: A certa altura tentei pôr-me de pé para andar, mas não só os tubos e fios do soro e CTG não me permitiam grande mobilidade (estava toda enrolada, com CTG de um lado e soro do outro), como estava tão cansada que as minhas pernas não tinham forças para me suportar;
  • Sem indução: se possível - Realidade: Aqui umas das médicas não esteve muito bem. Duas semanas antes do parto fez-me o toque e descolamento de membranas, sem me explicar concretamente o que estava a fazer e quais as possíveis consequências desse procedimento. Apenas me disse que era "uma maldade" para ver a dilatação e o estado do colo. Só na semana seguinte é que outra médica me disse que ela o tinha feito. Este procedimento foi repetido nas consultas e idas às urgências até ao parto. E atenção: o meu parto começou no dia em que fazia precisamente 40 semanas de gravidez;
  • Alívio da dor: gostaria de tentar evitar qualquer tipo de fármacos, mas mantendo essa possibilidade em aberto - Realidade: Depois de cerca de 24 horas com contracções de 10 em 10 minutos e a certa altura de 5 em 5, em que eu chorava de dores a dar voltas à maternidade, assim que me perguntaram se queria epidural, respondi um "sim!!!". Já chegava de dores;
  • Expulsão: Se possível, evitar a episiotomia, que o períneo seja lubrificado, massajado e suportado - Realidade: Não deu para evitar pelo tipo de parto que acabou por ser;
  • Gostava de ter liberdade de adoptar a posição que o meu corpo pedir quando chegar à altura da expulsão (agachada, de gatas, em pé, etc.) - Realidade: Fui para o bloco operatório, nem se colocou esta questão;
  • Placenta: Aceito que me sejam administrados fármacos para ajudar na dequitadura.
Pós-parto imediato
  • Contacto pele com pele imediato, durante o máximo de tempo possível;
  • Amamentação durante o contacto pele com pele, antes de qualquer outra intervenção, e gostaria de tentar o breast crawl; Realidade: Eles puseram-na ao meu colo, mas não deu para fazer o breast crawl porque ela começou a ficar muito fria e tiveram de a levar para a aquecer.
  • Clampeamento do cordão apenas quando parar de pulsar;
  • Se possível que seja o pai a cortar o cordão umbilical, se o pai não estiver corto eu; Realidade: O pai não esteve presente no momento do nascimento. Como fui para o bloco operatório e o parto foi considerado de risco, não assistiu ao nascimento da filha. Só lamento que tenha ficado cerca de hora e meia sem saber de nós. Pelo menos quando conseguiu perguntar a alguém disseram-lhe que estávamos bem, foi assim que ficou a saber que a filha já tinha nascido
  • Pretendo que a minha filha seja alimentada com recurso exclusivo ao leite materno através da amamentação (sem recurso a biberões, etc.);

Obrigada pela vossa compreensão.


Vou tentar publicar amanhã a história do meu parto (a miúda dorme sempre uma grande sesta de manhã e vou tentar aproveitar). Era suposto estar incluída nesta publicação, mas como já devem ter percebido a minha vida está repleta de peripécias e, neste momento, não só tenho uma bebé de 6 semanas para cuidar, como tenho um marido que foi operado ao pé e está muito limitado nas ajudas que pode dar cá em casa.
Entre, mamadas, fraldas, arrumar a casa, ir às compras, etc., tira-me bastante tempo para escrever. 

Muita sorte tenho eu de ter família e amigos dispostos a ajudar. Com tudo o que tenho passado, admiro cada vez mais as mães que enfrentam esta viagem sozinhas! Sinceramente, não sei como seria a minha vida se não tivesse o apoio que tenho. Apesar de tudo, dentro dos muitos azares que tenho tido, sou uma grande sortuda.



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