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quinta-feira, 20 de junho de 2019

Birras: estratégias para as evitar

De todas as etapas por que a Carminho passou desde que nasceu esta foi a que me fez quebrar e perder o controlo. A amamentação foi difícil, mas superei-a e tornei-me numa pro; as noites foram domadas e desde cedo que as dormiu por inteiro; a introdução da alimentação complementar foi tranquila e divertida. Tudo isto, mais ou menos difícil, mas feito com relativa tranquilidade.
Mas as birras? Não sei... É algo que profundamente irritada. Nem sei explicar. Já lá vamos. Primeiro vou falar um pouco sobre as birras e estratégias para as evitar ou lidar com elas.


Ilustração por Elizabeth McNair - Fonte

Sobre as birras
Tal como quando são bebés de meses e é possível evitar que chorem por fome, por sono ou qualquer outra necessidade, também é possível evitar birras. E, tal como nas outras situações, a forma de as evitar é estarmos atentos e agir antes que se instalem.

Quando a Carminho começou com as birras, rapidamente me apercebi que a medição de forças não nos leva a lado nenhum. Em momento de birra instalada, não vale a pena contrariar a criança porque só estaremos a alimentar a vontade de se demonstrar independente.

Quero dizer com isso que temos de dizer que "sim" a tudo ou que não devemos dizer "não"?
Não. Quero dizer que as crianças são criaturas independentes, com vontade própria, que estão a aprender e a testar os limites (de si, dos pais e do mundo que as rodeia), que gostam e precisam de compreender o que se passa (e para isso temos de lhes explicar) e que gostam e precisam de conhecer o mundo e todas as leis que o constituem (sejam sociais, da física ou outras).

Sim, as crianças devem (e precisam!) de aprender a lidar com a frustração, mas não é preciso fazer de propósito para que o aprendam e, nós adultos, nem reparamos quantas vezes ao longo de um dia elas são confrontadas com o não ter escolha, com a imposição de mil e uma coisas, como o serem tocadas, lavadas, transportadas, alimentadas, vestidas, etc. São mesmo dezenas de situações ao longo do dia em que sujeitamos as crianças a isso e nem reparamos pois são coisas que têm de ser feitas e nós temos horários para cumprir, sítios para ir e temos que nos despachar.

Proponho-vos um exercício: enquanto adultos como lidariam se alguém vos tratasse como tratamos as crianças? Se vos impusessem roupas, passeios, comida, banhos, etc., sem vos explicar? Se vos interrompessem, sem aviso nem explicação, para vos impor algo, mesmo que esse algo seja importante para o vosso bem-estar? 
Provavelmente começariam por resistir, por se afastar da pessoa (imaginem então se fosse um gigante!), por querer ganhar algum controlo da situação, por querer perceber o que se passa antes de dar o vosso consentimento.
As crianças não são diferentes nesse aspecto, com a característica de ainda estarem a aprender o que as rodeia, que são independentes. E qual é a palavra mais poderosa de todas? Aquela que nos faz ter o controlo, que tem o poder de nos proteger numa interacção com os outros? O "não"!
Se a criança consente algo, mal ligamos porque é o que queremos que seja suposto que faça. Mas se uma criança nos responde com um "não", vamos reagir muito mais. Seja a rir, seja com choque, seja de que maneira for. Isto torna o "não" numa palavra apetitosa e com muito poder. Poder da criança sobre ela (e ainda bem!) e poder sobre a reacção do outro.
O problema acontece quando se torna numa medição de forças: a criança diz "não", mas nós queremos que "sim", e quanto mais ela diz "não", mais nós dizemos "sim" e a coisa vai escalando porque ela já não nos vai dar o "sim".


Ilustração por Luke Pearson - Fonte

Estratégias para evitar as birras
1. Escolher as nossas "batalhas"
É algo que faço muitas vezes: avaliar a situação e perguntar a mim mesma "porque é que a Carminho não pode fazer aquilo? Quais são as consequências de fazer o que está a fazer?"
Na maior parte das vezes, são experiências em forma de disparates inofensivos e cuja maior consequência é uma varridela rápida ou uma muda de roupa. Poucas vezes são algo de uma dimensão que exija uma interrupção do comportamento. Ou então são coisas que ela pode fazer, desde que cumpra algumas regras: como por exemplo, pode espreitar pela janela enquanto eu estendo a roupa ou a tiro do estendal, desde que não se empoleire na janela e mantenha os pés bem assentes no seu banquinho.

2. Distrair
Estão no parque, a criança está a brincar com algo emprestado e o dono do brinquedo vai embora ou estão a sentá-los na cadeirinha do carro e eles não querem apertar o cinto. Já se adivinha drama, não é? Para além de explicar à criança porque é que tem de devolver o brinquedo ou porque é importante apertar o cinto, tentem distraí-la com outro brinquedo ou actividade.

3. Não fazer perguntas, ou seja, evitar a possibilidade de responderem "não".
O "não" é das palavras preferidas das crianças e não é por acaso que é das primeiras que muitas aprendem a dizer. Por isso, se fizermos uma pergunta de resposta em formato "sim/não", há uma grande probabilidade de que a resposta seja "não".
Por isso, o que faço (ou tento fazer, já que ainda me estou a treinar) é informar em vez de perguntar. "vamos mudar a fralda", "vamos vestir", etc. Quando há resistência (e mesmo sem perguntar há muitas vezes) ajuda explicar porque temos de o fazer. "Temos de mudar a fralda antes de sair".

4. Evitar dizer "não"
Às vezes o "não" não é um "não", mas um "não agora, mas a seguir já podes".
Por exemplo, a Carminho quer ir à rua, mas tem de mudar a fralda antes. Ela começa a pedir "rua! rua! rua!" e a recusar mudar a fralda. Em vez de dizer "não podes ir já à rua, temos de mudar a fralda antes" digo "vamos à rua, mas primeiro temos de mudar a fralda". Se começarmos pelo "não", é a única coisa que vão ouvir e começa a medição de forças. Vamos negociar, vamos dizer que pode fazer o que quer (porque pode!), tem é de fazer uma coisa antes.
Isto até permite que aprendam a esperar. A Carminho já aceita coisas para "amanhã" ou para "quando chegarmos a casa". Percebe que naquele momento não pode, mas que depois vai conseguir. Para isto resultar temos é de cumprir. Eles compreendem o que dizemos, mesmo que não o saibam dizer, pelo que não podemos dizer "quando chegarmos" apenas para distrair e depois falhar. Vamos deixar os incumprimentos para quando há algum imprevisto e tem mesmo de ser. E mesmo nesses momentos explicamos.

5. Como dizer "não"
Sim, há momentos em que "não" é a resposta. A Carminho gosta de me ajudar a tirar a loiça da máquina e às vezes vai lançada para as facas. Como podem adivinhar, a minha reacção não é de negociar. Não há negociação possível para uma criança de dois anos que quer brincar com facas. Nessas situações é sempre ter calma, dizer "Carminho, dá a faca à mãe. Não se pode brincar com facas. As facas são perigosas e fazem dói-dói.".
Parecendo que não, explicar, calmamente, às crianças o que se passa ajuda muito a que o aceitem.

6. Pedir um abraço
Esta é linda e maravilhosa.
Funciona bem quando a birra se começa a instalar e a criança já faz aqueles sons/choro de irritação e impaciência. Antes que escale, um "Carminho, dás-me um abraço?" serve como uma pergunta que surpreende naquele momento e o abraço apertadinho, com festinhas e beijinhos ajuda a fazer "reset".

Claro que se a criança recusar, não devemos andar atrás dela, com ela a tentar afastar-nos e nós a querermos tocar nela. Se a criança nos afasta devemos respeitar o seu espaço, o seu tempo e o seu corpo e, nessa situação, ou tentamos outra estratégia ou nos sentamos a assistir à birra.

Ilustração por Brooke Smart - Fonte

Lidar com as birras
A realidade é que nem sempre conseguimos evitar as birras. Seja porque estamos distraídos, seja porque estamos cansados, seja porque já passou a hora de ir para a cama e estão exaustos e a birra é a forma de comunicar... seja pelo que for, há birras que não evitamos e temos de lidar com elas.
Estarmos calmos (mesmo que nos obriguemos a tal) é fundamental para conseguirmos acalmar a criança. Entrar numa medição de forças não ajuda, antes pelo contrário, só aumenta a intensidade da birra.
Quando a birra está instalada, mas ainda não chegou ao descontrolo, às vezes pegar na criança e abraçá-la com alguma firmeza pode ajudar. Simplesmente, pegar nela e dar um abraço apertado e securizante. Novamente, se a criança recusar, temos de respeitar. Insistir ou agarrá-la enquanto esperneia para se livrar de nós, não vai ajudar à birra.
A única situação em que isto é aceitável é se precisarmos de a retirar de um lugar onde esteja em perigo. Não sei se já passaram pela temível "birra na passadeira". É es.pec.ta.cu.lar. Está tudo bem e  decidem que a passadeira é o melhor palco do mundo. Aliás, devem achar que aquela quantidade de carros está parada, numa avenida super movimentada e à hora de ponta, para assistir à sua performance. De repente, vemos que o sinal passou a vermelho para os peões, imploramos à criança para que avance e saia do meio da estrada. "Não!", "É perigoso, temos de ir", "Não". Decidimos pegar nela e faz aquela cena fabulosa, de levantar os braços, ficar mole, peso morto. Nesse momento o corpo escorrega-nos por entre as mãos ao som de um choro agudo "nããããããooooo". Bem... aí é pegar na criança como for possível, rezando para não provocar quaisquer luxações e fugimos para a passadeira enquanto nos questionamos como é que eles conseguem fazer aquilo com o corpo.

Quando não conseguimos evitar, interromper ou acalmar a birra, pode acontecer escalar tanto que, naquele momento, a criança já não está a ouvir, não quer ouvir, não consegue ouvir, e já precisa é de gritar, chorar, espernear e deitar tudo cá para fora. É deixar-nos estar presentes, mostrando-nos tranquilos e disponíveis, dando-lhe espaço. Aos poucos podemo-nos ir aproximando, colocando-nos à altura dela, falando num tom apaziguador, sem esperar que nos responda, dizendo que está tudo bem, que estamos ali, que queremos ouvir.
Nestas situações temos mesmo de estar disponíveis, não podemos ter pressa em acabar com aquilo. Temos de ter calma e ser a calma que as crianças precisam.

Autor desconhecido - Fonte

O dia em que falhei miseravelmente
Há quem diga que não existem mães perfeitas. Eu digo que sim!
Tirando algumas excepções que serão caso para a CPCJ, todas as mães são a mãe perfeita para os seus filhos. Na nossa imperfeição, com todos os nossos defeitos e feitios, somos a mãe ideal para os nossos rebentos.
Eles não querem outra. É à volta do nosso pescoço que eles querem abraçar. É no nosso cabelo que querem enrolar os dedos quando começam a ficar com sono. É no nosso colo que se querem aninhar. Não nos trocariam por nenhuma outra mãe. Nós somos a mãe perfeita!

Mesmo assim, há dias em que falhamos e, na semana passada, houve uma noite em que me deitei lavada em lágrimas. Falho muitas vezes e falharei muitas mais, mas naquele dia deitei-me com a sensação de que era má mãe, de que tinha falhado em absoluto no papel mais importante que assumi até hoje: o papel de cuidar, amar, nutrir física e emocionalmente, e no de ser um porto de abrigo para a minha filha.

Há birras e birras e, se calhar, o problema foi eu estar num momento menos bom quando esta se deu.
Eu não soube ter a calma suficiente para a acalmar. A Carminho gritou, eu gritei. Começou a acalmar e pediu mama antes de deitar. Foi para a mama. A certa altura começou a enrolar os dedos no cabelo e a puxá-lo. Pedi para parar. Continuou, magoou-me e eu reagi dando-lhe uma palmada na mão. Ela nem ligou e deu-me outro puxão de cabelo. Aí, não sei que tom de voz usei. Sei que não gritei, mas algo no meu tom mudou porque largou a mama e começou a chamar pelo pai. E foi ele que a deitou.

Senti-me na merda. Senti que assustei a minha filha, que ela teve medo de mim. Eu sou a adulta. Eu é que tenho o dever e as competências para me saber acalmar e acalmá-la. Eu tenho de saber tranquilizar-me, afastar-me e proteger a minha filha.
A Carminho só tem dois anos. Eu é que permiti que a coisa escalasse. Eu é que não soube evitar que a situação agravasse. Eu é que não soube acalmar, ser um ponto de abrigo.
Senti que a minha filha teve medo de mim e isso foi devastador.

Mas há dias assim. Dias em que aprendemos lições dolorosas e valiosas sobre nós. Sobre os nossos fantasmas, sobre os nossos limites.
Lição aprendida! Não quero, nunca mais!, que a minha filha reaja assim a algo que eu faça ou diga. Não quero nunca mais que ela se sinta assim, nem quero eu voltar a sentir aquilo.


Ilustração por Natalie Matthews-Ramo - Fonte

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Rotina do Deitar

Fonte

Os bebés e as crianças gostam (e precisam) de rotinas.
As rotinas proporcionam-lhes segurança e tranquilidade pela previsibilidade e a nós, mães e pais, possibilidade de organizarmos o nosso dia a dia. Quando os bebés começam a perceber que há uma determinada sequência ficam mais calmos e ficam mais disponíveis para explorar o mundo, desenvolverem-se e serem mais independentes. Que é, exactamente, o que se passa com os adultos.

A primeira rotina que instituí cá em casa foi a do deitar, por volta das 6 semanas. Cedo percebi que a Carminho gostava de dormir, pois nas primeiras semanas era dificílimo acordá-la para que mamasse. Estávamos sempre a despi-la e a fazer cócegas para que despertasse. Então decidi aproveitar a "embalagem" para experimentar criar a rotina do deitar.
Embora haja quem considere que não vale a pena tentar instaurar rotinas antes dos 3 meses, porque se regem por ciclos de sono diferentes e porque não ligam a essa coisa do dia e da noite, eu considerei que não fazia mal tentar. Mesmo que ela não entendesse a rotina como hora de dormir à noite, pelo menos ia-se habituando.

Havia três coisas para decidir:
  1. Qual a hora de deitar;
  2. Quais as componentes e ordem das mesmas para a rotina;
  3. Qual o método de "treino de sono".



Uma premissa fundamental
O que decidirem experimentar têm de manter durante uns tempos, de uma semana a 10 dias, não esperem que o bebé adira a qualquer coisa à primeira, é preciso que aprenda. Há dias em que eles estão mais chateados ou estão num pico de desenvolvimento e a coisa complica-se e parece regredir, mas é fundamental a persistência e consistência durante um bom período de tempo. Se ao fim de duas ou três noites desistirem ou não seguirem à risca a rotina (hora/componentes/método) terão, simplesmente, perdido o vosso tempo e causado instabilidade ao vosso bebé, em vão. Se, ao fim de uma semana, não houver qualquer melhoria ou adesão a qualquer parte da rotina, então está na altura de experimentar outra coisa.
Assim, e conhecendo os vossos bebés, escolham o que julgam que resulta e se adapte à vossa vida familiar e mantenham-no durante um bom período de tempo. Custe o que custar. Por isso, paciência e força!

Nós tivemos sorte que em duas ou três noites a Carminho aprendeu a rotina e a coisa pegou. Pelo menos até agora.



Qual a hora de deitar
A hora de deitar é algo que depende muito do vosso bebé (como tudo): depende da idade e depende do feitio do bebé. Há bebés que têm sono mais cedo, outros mais tarde. Quando são muito pequeninos não é assim tão importante a hora, mas à medida que vão crescendo passa a ser.
Quando começámos a experimentar, a rotina tinha início pelas 21h00 e ela deitava-se pelas 22h00, ficando a dormir até às 10h00 ou 11h00 da manhã seguinte.
A certa altura reparámos que ela, a partir das 18h00, começava a ficar super resmungona e chorosa e a acordar mais cedo, logo a dormir menos. Um dia, ao acalmá-la, comecei mais cedo a preparar a rotina dela com ela ao meu colo, só para que estivesse já tudo pronto para quando chegasse a hora. Ao entrar no quarto dela, já com a luz mais ténue, ela tranquilizou instantaneamente. E percebi-a! Estava a pedir-me a sua rotina, estava a pedir-me para ir para a cama. Ajustou-se, então, a hora do deitar: passou a ser entre as 20h00 e as 21h00. Ela aderiu bem e voltou a dormir bastante.

Passadas umas semanas, voltou a resmunguice e eu voltei às pesquisas. Concluí que os bebés e as crianças devem deitar-se cedo e que, por vezes, quanto mais cedo as deitamos mais elas dormem. Fizemos uns ajustes e, neste momento, a Carminho tem a sua rotina entre as 19h00 e as 19h30, conforme a hora de mamar e o seu humor, deitando-se entre as 19h30 e as 20h00.
Há artigos que aconselham que a rotina de deitar se inicie entre as 18h00 e as 18h30, mas ela dorme cerca de 11h00 e eu não quero acordar às 06h30 da manhã, confesso.

Sei que há pais que pensam que é o bebé que se deve adaptar aos horários deles e não o contrário. Que preferem que o bebé vá para a cama o mais tarde possível, para que acorde o mais tarde possível. Eu prefiro sofrer agora com a falta de sono, mas habituá-la a adormecer e a acordar a horas saudáveis. Quanto mais bebés, mais horas de sono necessitam. À medida que vão crescendo, vão diminuindo o número de horas que precisam de dormir, principalmente durante o dia.



Componentes da rotina
Há várias e podemos criar uma rotina mais curta ou mais longa, podem-se adicionar ou retirar componentes. Toda a rotina é feita no quartinho dela, para que se habitue ao ambiente, e escolhi uma poucas componentes para que habituasse a poucas coisas para adormecer:
  1. Baixo os estores, acendo uma luz ténue e ligo o iPad com música calma (gosto desta playlist);
  2. Visto-lhe o pijama e coloco uma fralda limpinha (mesmo que tenha mudado a fralda há 30 minutos);
  3. Sento-me na cadeira de baloiço e dou-lhe maminha;
  4. Quando ela acaba de mamar, deito-a no berço (que ainda está no nosso quarto). 
Nas primeiras noites reclamava sempre que a deitava no muda-fraldas para lhe vestir o pijama. Disse "reclamava"? Era mesmo chorar! Sou adepta do dar colo para acalmar e depois continuar a fazer o que estávamos a fazer, mas há momentos em que não dá mesmo. Ainda há noites em que, se deixarmos passar o momento certo, ela desata num pranto e não vale a pena pegar e largar porque ela só se vai acalmar na maminha. Por isso, o que faço é ir falando com ela no tom mais terno possível, descrevendo o que estou a fazer ("agora vamos vestir a fralda. Agora o pijama, um bracinho, o outro bracinho...." etc), fazendo uns "shhh", dando festinhas e beijos. Às vezes tranquiliza, outras vezes eu que aguente os tímpanos.
Há pouco tempo introduzimos o banho no início da rotina, em alguns dias só mesmo águinha, sem creme, e se estiver irritadiça ou chorona, não há banho. Quando for maiorzinha, quero introduzir as leituras.
"Então, mas eu sempre ouvi dizer que a mama não deve ser a última coisa, para não se habituarem", já comento.

Deixo algumas ideias para incluírem na rotina:
  • Massagem
  • Dar banho
  • Ler um livro/contar uma história
  • Ruído branco
  • Mamar ou dar biberão
  • Rezar
  • Dar colo
  • Embalar
  • Cantar
  • Swaddle (só até ele se começar a virar sozinho, depois não é aconselhado) ou saco de dormir
  • Dizer "boa noite" aos bonecas
  • Dar as boas noites ao bebé



Métodos de "treino de sono"
Mais uma vez, há várias possibilidades e depende da mãe e do pai qual o método a usar. É muito importante que o casal esteja em consonância e se apoie e aplique a mesma estratégia, que deverá ser escolhida conforme o que tem mais a ver consigo e com o seu bebé.
Uma coisa eu tinha decidido, não ia deixá-la a chorar até que se calasse. Os últimos estudos indicam que isso é prejudicial para o desenvolvimento do bebé, que ele não aprende a acalmar-se sozinho, mas que se cala porque aprende que foi abandonado e que não vale a pena chorar. Só de pensar nisso, fico com o coração despedaçado.

Aqui estão alguns métodos de Treino de Sono:
  • "Pegar/Deitar" ("Pick Up/Put Down"): Consiste em pegar no bebé quando chora e, quando acalma, voltar a deitá-lo. As vezes que forem necessárias até que deixe de chorar e, eventualmente, adormeça;
  • O Método Ferber, conhecido como "Deixar Chorar": Consiste em deixá-los sozinhos, a chorar, por períodos cada vez mais longos de tempo (períodos com uma duração certa e desde que não estejam inconsoláveis). Depois do que li sobre este método não é tão cruel como pensava;
  • A Extinção: Independentemente de como chore, é não pegar no bebé até que adormeça. Nas primeiras noites, está-se ao lado do berço e vai-se aumentando cada vez mais a distância. Pode-se tentar tranquilizar o bebé com "shhhh".
  • Os 5 "S" (do Dr. Harvey Karp): A ideia é utilizar todos os tipos de conforto, que eles sentem quando estão na barriga da mãe, até que adormeçam - Sucking, Swaddling, Swinging, Shushing e Side/Stomach - Sucção (chucha, polegar, etc), aperto, embalo, "shhh" e deitar de lado ou de barriga para baixo.
O que eu usei e resultou, embora já tivesse lido artigos a dizer que não faz nada e que é uma perda de tempo, foi o "pegar/deitar" ("Pick Up/ Put Down"). Deitava-a, quando ela começava a chorar pegava nela e, mal tranquilizava, deitava-a novamente. Repetindo as vezes que fossem necessárias, as noites que fossem precisas. Isto ensinava-a que, se precisasse, a mãe estava lá para ela. Estava preparada para repetir isto até cair para o lado ou até ela me vencer e adormecê-la nos meus braços. Na primeira noite, mal a encostei ao colchão começou a chorar, tive de repetir o "pegar/deitar" umas sete vezes, até que ela ficasse simplesmente a chuchar nas próprias mãos. Na segunda noite, foram três vezes. Na terceira noite, não conseguia acalmá-la nos meus braços, ela não parava de chorar. "Será que..." pensei eu, deitei-a na caminha e calou-se. Ela estava era a barafustar por não estar deitada e a dormir.
Depois disso aconteceu, nalgumas noites, resmungar um bocadito. Eu (ou o pai) só aparecia quando ela estava mesmo a chorar ou quando já estava a resmungar há muito tempo. Não adianta pegar nela se estiver apenas a resmungar, senão não aprende a acalmar-se sozinha. Há que saber distinguir o que é choro do que é resmunguice. Se aparecerem ao menor som, não os estão a ajudar a aprender a estarem sozinhos. E é importante que eles saibam a acalmar-se sozinhos.



Considerações/Notas
  • Cada caso é um caso, cada pai sabe o que está disposto a experimentar e o que faz sentido para si. Escolham aquilo com que se sentem mais confortáveis e lembrem-se que, com maior ou menor dificuldade, podem mais tarde alterar as rotinas;
  • Uma vez aprendida a rotina, não esperem que o bebé fique para sempre a adormecer bem. Isso até pode acontecer, mas não se surpreendam se houver noites ou dias em que ele parece ter regredido. Calma! Não entrem em pânico e não se metam logo a alterar a rotina. Em princípio será apenas uma fase: um pico de desenvolvimento (cognitivo ou motor), a alteração dos sonhos (por volta dos 3/4 meses deixa de ter um sono de recém-nascido e passa a ter ciclos como os adultos), pode estar doentinho, etc;
  • À medida que eles vão crescendo, poderão ter de ir fazendo ajustes na rotina, seja na hora, seja nas componentes ou até no método de "treino do sono", caso o bebé sofra alguma regressão;
  • Devem ser deitados acordados. Grogues, mas acordados. Não convém que estejam a dormir profundamente, porque se acordarem vão assustar-se por estar num ambiente diferente daquele em que adormeceram;
  • Há quem diga que não se deve dar mama ou biberão antes de dormirem, para não ficarem dependentes disso para dormirem. A questão aqui é que eu não faço por que ela adormeça na mama, idealmente quando é deitada no berço vai grogue e não a dormir profundamente, por isso habituou-se a adormecer por ela mesma. Sim, às vezes acontece ferrar completamente enquanto mama. Outra coisa é que eu quero que ela se deite com a barriguinha cheia (para que não acorde mais cedo com fome) e não quero dar-lhe banho ou mexer muito nela quando acabou de mamar, ainda bolsa e depois tenho de trocar a roupa e isso desperta-os;
  • Durante a noite evito mudar a fralda, porque é algo que a desperta. Imaginem o que é acordarem a meio da noite e alguém vos passar com uma toalha húmida e fria. Só se ela tiver feito um cocó explosivo ou se estiver a resmungar (isso indica-me que ela acordou porque está desconfortável);
  • Boas sestas durante o dia vão facilitar uma boa rotina de deitar e uma boa noite de sono. Temos tendência para pensar que se dormirem muito durante o dia, depois à noite não vão dormir. Mas isso não é bem assim. Dependendo da idade, há um número de horas que devem dormir durante o dia e durante a noite;
  • Não vale a pena sermos muito rígidos com as horas, mas se mantivermos mais ou menos a mesma hora o corpinho deles vai pedir para ir para a cama aquela hora. Convém é que a diferença não ultrapasse os 30 minutos;
  • Evitem contacto visual e sorrisos durante a rotina do deitar - esta é difícil! Não digo que os ignorem, mas se fizerem isto eles vão despertar porque querem interagir connosco. A questão é que é hora de dormir e não de brincar. Quando ela está muito agitada e chorona, aí sim, olho bem nos olhos dela e falo de forma apaziguadora. De resto, muitos miminhos, mas pouco olhar. Bem que reparo que ela às vezes, na mama, está com os seus olhões a fitar-me, à espera que olhe para ela. Custa muito não retribuir o olhar, mas se o fizer, logo a seguir ela fecha os olhinhos.

Actualização (28.set.2017)
No seguimento deste artigo acabei por escrever outro - "Ainda sobre o Sono" - com mais algumas questões sobre o sono que não abordei neste.

  • Quem dorme mal?
  • Promoção de um ano saudável
  • Quanto tempo devem dormir os bebés e crianças?
  • A que horas se devem deitar os bebés e crianças?
  • Quando é que se deve começar a instituir rotinas?
  • Quão leve é o sono de um bebé?
  • E se acordar durante a noite?
  • Já rebola! E se ficar de cabeça para baixo enquanto dorme?
Podem lê-lo aqui.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Um toque pessoal

Um quarto tem de ser uma espécie de santuário. Tem de me transmitir tranquilidade, conforto e vontade de aninhar.

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