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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Fraldas Reutilizáveis - Parte III: Noites


O último artigo sobre fraldas foi há demasiado tempo.
Nessa altura, a Carmita já só estava a usar um absorvente grande de microfibra em cada fralda de dia e íamos começar a fazer experiências com fraldas reutilizáveis à noite.
A coisa não correu muito bem e aprendi que por volta dos 12 meses os xixis mudam. Passam a ser muito maiores. Literalmente, da noite para o dia. Voltámos a usar dois absorventes durante o dia e a experiência à noite não correu bem.
As noites são do pai, por vários motivos. Por um lado, o Duarte precisa de menos horas de sono do que eu; por outro, a Carmita ainda amamenta e, se for eu, não acalma sem ser na mama. Nos dias em que ela não acalma com o pai, então lá vou eu. Como as noites são do pai, ele tem poder de veto nas decisões que afectam as noites ou de decisão se aquela altura é boa para experiências.
Portanto, quando a experiência começou a não funcionar, o pai fechou a loja.

Entretanto, decidi pedir ajuda num grupo do Facebook e mandei uma mensagem para a meekbum.
A opinião generalizada é de que as fraldas de bolso e as All-in-One, que eram as que tinha, não funcionavam durante a noite. Pela experiência da grande maioria, estas fraldas acabavam por sofrer fugas de compressão por estarem demasiado cheias e as melhores para as noites eram as ajustadas, reforçadas e com capa. Comecei logo a desanimar e a pensar se, nesta altura do campeonato, valeria a pena o investimento financeiro e tempo gasto em experiências com novas fraldas.
Uma amiga que também está nesse grupo (olá, Luana!) e que já tinha passado por estas fases de experiências, prontificou-se a emprestar-me 3 fraldas ajustadas, reforçadas com absorventes extra e com uma capa de lã fria (adequada para o verão). Era a solução que resultava com a filhota dela.
Funcionaram lindamente. Estudei a quantidade e tipo de absorventes e pensei que estava disposta a dar uma segunda oportunidade às fraldas (All-in-One e de bolso) e aos absorventes (bambu e cânhamo) que tinha mandado vir para este efeito.

Este artigo é sobre as experiências feitas, falando em materiais, marcas e lojas.
Não há nenhuma publicidade paga, ninguém me encomendou isto, ninguém me ofereceu o que quer que seja (mas podiam... olá!! Se quiserem oferecer-me ou emprestar-me para testar, estou disponível ahahah).
As marcas e lojas que aqui mencionarei foram as que "calharam". Foram as amigas e família me emprestaram, foram as que comprei para experimentar, etc. Não recebi rigorosamente nada pelo que aqui escrevo ou escreverei num futuro.

Experiências e resultados
Ajustadas (emprestadas) - sucesso!
  • Fralda ajustável ALVA com absorvente integrado de bambu; reforçada com 2 absorventes de algodão, 1 de cânhamo (comprido e dobrado à frente) e um absorvente trifold em algodão - basicamente, 7 camadas de absorventes -; uma capa de lã knit wool da sloomb;
  • Fralda ajustável Sloomb BFF; reforçada com um absorvente trifold em algodão, um comprido dobrado em dois de bambu/algodão e um de algodão (6 camadas de absorventes, sendo que a própria fralda é grossa e absorvente); a capa knit wool;
  • Fralda Grovia O.N.E com absorvente integrado de microfibra; reforçada com trifold em algodão da mita, 2 absorventes da fralda em algodão (total de 6 camadas de absorventes); a capa de lã.
Fralda Alva
All-in-One e All-in-2 (mandadas vir do AliExpress, como sempre)


All-in-One OhBabyKa
  • Fralda All-in-One (AIO) OhBabyKa com absorvente integrado de carvão de bambu e microfibra; reforçada com 2 absorventes de cânhamo da Elifant (dentro do bolso) e 1 absorvente fino de microfibra da Gyzzo embrulhado em musselina (fora do bolso) - Sucesso!
  • Fralda AIO OhBabyKa com absorvente integrado de carvão de bambu e microfibra; reforçada com 2 absorventes de cânhamo da Elifant (dentro do bolso) e uma musselina dobrada (fora do bolso) - Sucesso!;

  • Fralda All-in-2 (AI2) OhBabyKa com 1 absorvente de bambu e 2 de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso - Sucesso!;
  • Fralda AI2 OhBabyKa com 1 absorvente grande de microfibra e 2 de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso; - Sucesso!;
  • Fralda AI2 OhBabyKa com 2 absorventes de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso; - Sucesso? (Quando acordou estava seca, só que algures entre o pequeno-almoço e mudar a fralda, o pijama ficou um bocadito molhado. Cheira-me que não poderei retirar mais camadas, mas as experiências continuam).

Custos
Fraldas
  • ALVA, ajustável: tamanho único (a partir dos 3kg), material 80% bambu e 20% poliester. Inclui absorvente integrado de 3 camadas de fibra de bambu. Ajusta-se e fecha-se com molas. Não tem camada impermeável, pelo que precisa de uma capa. Custa cerca de 7,22€ na loja da marca no AliExpress. Entretanto há uma nova versão desta fralda, sensivelmente pelo mesmo valor, mas em fibra de café. Encomendei para experimentar, bem como 2 capas PUL;
  • Sloomb BFF, ajustável: tamanhos do XS ao L, material 70% viscose de bambu e 30% algodão orgânico. Inclui um absorvente do mesmo material, com 3 camadas e que pode ser dobrado, duplicando o número de camadas. Fecha-se com molas. Não tem camada impermeável, precisa de capa. Custa 29,75€, na meekbum. Podem encontrar em segunda mão. Há outras lojas, é verdade, mas gosto muito do apoio ao cliente personalizado da meekbum; 
  • Grovia O.N.E, All-in-One (AIO): tamanho único (a partir dos 4,5kg), exterior em TPU, interior em microfleece (polar), absorvente integrado em microfibra e absorventes exteriores em algodão e microfleece. Eu usei a capa de lã, mas não li nada sobre isso. Ajusta-se e fecha-se com molas. Custa 25,75€ ou 26,75€ na meekbum;
  • OhBabyKa, AIO: tamanho único (a partir dos 3kg), exterior impermeável de PUL e interior em mistura de carvão de bambu e microfibra. Inclui absorvente integrado de 2 camadas de carvão de bambu e 2 camadas de microfibra. Inclui bolso (aberto à frente e atrás) para se reforçar com mais absorventes. Ajusta-se e fecha-se com molas. A vantagem que eu vejo nesta fralda é a dupla barreira na zona das pernas, que impede as fugas ao se reforçar a fralda para as noites. Custa cerca de 6,50€ a fralda, na loja da marca no AliExpress. Esta marca diz-se certificada.
  •  OhBabyKa, AI2: tamanho único (a partir dos 5kg). De resto é igual à All-In-One, mas sem ter o absorvente incluído. Também tem dupla barreira, mas é diferente da da AIO. Confesso que não percebo a diferença entre esta fralda e a de bolso, a não ser a abertura à frente.  O preço varia entre os 4,50€ e os 6,00€, conforme venha sem absorvente, com absorvente de microfibra ou com absorvente de carvão de bambu.
Fralda AIO - pormenor da dupla barreira na zona da perna
Capa
  • Knit Wool, da Sloom: de lã, dá para todo o ano. 93% lã, 7% licra. A vantagem que eu acho que esta opção tem em relação às capas de PUL é ser orgânico e respirável. Para ficarem com o rabinho tantas horas húmido e tapado, com as capas de lã a pele respira mais e o xixi vai evaporando, sem molhar a cama. Durante o dia, basta apanhar ar e aguenta duas semanas sem ser lavado porque a lã é auto-limpante. Vai ser a minha opção para quando usar as ajustáveis. Vendem-se, por exemplo na meekbum, por 48€ ou 52€, mas podem encontrar em segunda mão por metade do preço (comprei duas, em segunda-mão, por 55€).

Absorventes
  • Gyzzo, microfibra: vieram com as fraldas que usamos para o dia e costumam ser os absorventes que vêm com as fraldas de bolso. Há um maior e mais grosso (com 3 camadas) e outra mais pequeno e mais fino (com 2 camadas). Usei o absorvente pequeno e fino porque a Carmita faz xixis grandes e repentinos, e assim absorve logo e vai passando para os absorventes de outros materiais.
  • Carvão de bambu, OhBabyKa: 4 camadas de carvão de bambu e microfibra. Largam tinta nas primeiras lavagens, mas sai com as seguintes. Há packs de 10 no AE, por 14,46€.
  • Cânhamo, Elifant: 3 camadas de cânhamo e algodão. No nosso caso, não são bons para serem usados sozinhos porque têm pouca velocidade de absorção, mas combinados com outros, aguentam imensa urina. Óptimos para a noite. Esta marca tem loja no AE e é certificada. Um pack de 10 absorventes custa 17,43€. Entretanto, encomendei 2 fraldas ajustáveis, absorventes de algodão/bambu e absorventes trifold de algodão, para experimentar.
  • Musselinas: 100% algodão, comprados numa loja de fábrica, algures em Barcelos. São aqueles fraldas de pano típicas, quadradas, que usamos para tudo e mais alguma coisa. São baratas.
Da esquerda para a direita: microfibra fino (2 camadas), microfibra grosso (3 camadas), bambu/microfibra e cânhamo


Porquê o AliExpress? E a ética? E a ecologia?
Há muitas marcas por aí, umas de mais confiança do que outras e os preços variam e muito.
O AliExpress, com tudo fabricado na China, tem preços imbatíveis quando comparados com outras marcas.
A minha ideia inicial de mandar vir do AE, nem sequer foi de poupança. A minha ideia foi testar se isto das fraldas reutilizáveis poderia servir para todos os bolsos porque, sejamos honestos, a maioria das pessoas não pode pagar os preços que são praticados e se se for a comprar aos poucos, não compensa financeiramente.
Se esses preços são justos? São! Não é essa a minha questão. Se têm possibilidades financeiras sugiro que, por consciência, optem pelas marcas conhecidas e reconhecidas. São de confiança e de qualidade, certificadas, algumas de marcas nacionais, sabemos que são realmente ecológicas e sustentáveis a vários níveis, que não são produto de exploração laboral e estamos a ajudar um negócio local (seja a loja, seja a marca).

Em relação à questão da mão de obra barata, a verdade é que muitas marcas conhecidas e reconhecidas como boas são desenhadas num país e mandadas fabricar noutro, inclusivamente na China. E isto acontece não só nas fraldas reutilizáveis como em tudo. Basicamente, todo o nosso estilo de vida e consumo actual está assente em mão de obra barata noutros continentes.

Não havendo possibilidade financeira para comprar as marcas mais conceituadas, nem encontrando a preços imbatíveis em segunda mão, mandar vir da China é uma possibilidade que em nada nos deveria envergonhar. A ideia de se usarem fraldas em reutilizáveis assenta na economia financeira, na ecologia e em rabiosques com menos assaduras.
Ora, fraldas reutilizáveis "made in China" serão sempre mais ecológicas do que fraldas descartáveis (pelos motivos já referidos aqui). Se a opção é entre descartáveis ou AliExpress - AliExpress! Quem fala em AE, fala em Ebay ou Amazon, mas procurem referências em sites, blogues, grupos de facebook.  Eu confesso que estava com algum receio de que o material das fraldas não fosse bom para estar em contacto com a pele da Carminho (já todos ouvimos/vimos histórias escandalosas de produtos mandados vir da China), mas comecei por testá-las durante o dia, aumentando o tempo que estavam vestidas, para controlar se havia alguma reacção. Até agora, nada!

Por isso, há opções de fraldas reutilizáveis para todos os gostos e todas as carteiras. Basta procurar!
Em breve, um update das experiências com fraldas reutilizáveis à noite.




Artigos relacionados:

sábado, 5 de maio de 2018

Fraldas Reutilizáveis - Parte II: Passo a Passo


Passo a passo
Este tipo de fraldas, de bolso, deve ir à máquina com todos as partes separadas.

1. Sempre que tiro uma fralda suja, retiro os absorventes, abro as molas, fecho a fralda do avesso para que fique bem lavada e para que o velcro não prenda noutras peças. Eu acho que o velcro é o melhor para ajustar na cintura, mas tem o inconveniente de poder ficar preso noutras peças de roupa. Quanto ao revestimento, se tiver cocó vai para a sanita, se tiver só xixi, vai para o cesto da fraldas sujas. Actualmente os revestimentos que uso, dão para ser lavados até 6 vezes (de acordo com algumas mães);

2. Quando tenho 3 dias de fraldas sujas, meto tudo na máquina juntamente com o resto da roupa suja. Faço um ciclo grande, de 2h30 e a 40º (se for tudo peças que possam ser lavadas a essa temperatura), para ter a certeza de que o detergente sai todo. Depois, estendo de forma a que as partes mais sujas apanhem sol directo;

3. Quando tiro as fraldas do estendal, aproveito para ajustar logo as molas e juntar os absorventes (1 grande e 1 pequeno);

4. Pego no cesto das fraldas limpas, nos revestimentos e vou para a sala preparar tudo - esta é a parte mais chata. É a desvantagem das fraldas de bolso, ter de "montar" a fralda. Há fraldas (as tudo em um) que não necessitam deste passo, mas demoram bastante mais tempo a secar. À medida que as vou montando, vou colocando no cesto, já prontas a usar. É chato, mas quando entramos na rotina faz-se bem. Às vezes trato desse assunto enquanto vejo televisão, converso com o pai ou supervisiono a brincadeira da bebé.



Excepções ao uso das reutilizáveis e resolução de problemas
Fugas
Como já disse, há fugas com todas as fraldas, reutilizáveis ou descartáveis. E com as reutilizáveis até há menos de cocó, embora possa haver mais de xixi.
As fugas podem ser causadas por diversos factores e só a experiência de utilização ou experimentar mudar comportamentos nos permitem perceber o que as provocou.
Causas de fugas:
- A fralda estar mal ajustada ao tamanho do bebé e ficar demasiado larga (fazendo com que o xixi ou o cocó "escapem") ou demasiado apertada (causando pressão nos absorventes, que acabam por libertar xixi);
- Não se trocar a fralda com a frequência adaptada à quantidade e número de xixis que o bebé;
- A fralda estar entupida, ou seja, acumulação de detergente (ou cremes) que provoca a impermeabilização da fralda, fazendo com que o xixi seja repelido em vez de absorvido

Como desentupir as fraldas e prevenir que aconteça futuramente
- Se acham que as fraldas estão entupidas, lavem-nas normalmente e depois façam ciclos sem adicionar detergente e até deixar de verem "bolhinhas" ou espuma de detergente na máquina. A água ao ser agitada também provoca bolhinhas, mas rebentam logo. Quando isto me aconteceu (2 vezes), tive de fazer uns 3 ciclos longos só de água, tal não era a acumulação de detergente. E com fraldas lavadas que já estavam secas!
- Para prevenir é usar detergente adequado e, como descrevi anteriormente, ciclos longos para ter a certeza de que sai o detergente todo.

Qual é o detergente adequado
Quando comecei a usar as fraldas reutilizáveis a minha mãe aconselhou-me a fazer saponária com sabão azul e branco, pois era o que tinha feito às minhas, 32 anos. Ora, acontece que neste tipo de fraldas, a saponária é altamente desaconselhada (tal como o uso de barras de sabão) porque provoca entupimento. Lá tive de fazer uma carrada de ciclos, que me desentupiu eficazmente as fraldas.
Deixei de cometer um erro, mas continuei com outro que me levou ao segundo desentupimento em poucos meses: usar detergente líquido. Pois é. Achava eu que era treta das lojas e marcas, para nos fazerem comprar o detergente deles (mais caro), mas a experiência comprovou-me que não.
O detergente adequado é o detergente em pó. Pelo que decidi voltar a fazer o meu detergente, que é ecológico e que uso na nossa roupa e na dela. Os detergentes líquidos que tinha cá em casa, dei a uma instituição que precisava.
Já tive pedidos da receita e confesso que estou num dilema: publicar ou não. É que eu faço para vender. No entanto, a verdade é que receitas dessas estão por toda a internet e quem quiser fazer faz na mesma. Outra questão é que há muitas receitas que são más e não limpam o suficiente, pelo que a minha consciência me diz que mais vale partilhar a receita do que ter mães a experimentar receitas más na roupa dos seus bebés. Por isso, em breve a receita. (Já sabem é que o meu "em breve" pode demorar um pouco...)

Usar fraldas reutilizáveis à noite
Aqui vem a minha maior confissão: a Carminho nunca usou fraldas reutilizáveis à noite. Só descartáveis.
O motivo é muito simples, como já repeti várias vezes, ela é muito xixizeira e nunca as reutilizáveis durariam a noite inteira. Todas as manhãs as fraldas pesam imenso, de tanto xixi que têm. Se usasse as reutilizáveis iriam transbordar, molhando lençóis e acordando a pequena.
Só agora, que o tempo está a melhorar (para a roupa secar) e ela faz menos xixi, estou confiante para experimentar. Mas vou esperar que cheguem as de bambu e de cânhamo, que dizem ser as mais indicadas.

Quando não usar fraldas reutilizáveis
Com a excepção da noite, já houve outras alturas em que não usei fraldas de pano:
- Quando foi vacinada contra o rotavírus
- Quando teve candidíase
Em relação à vacina, esta trata-se da administração de um vírus vivo e que pode ser eliminado pelas fezes. Assim optei por não usar fraldas reutilizáveis e evitar que uma fralda ficasse mal lavada e, posteriormente, contagiar-me ou a ela.
Em relação à candidíase, o meu pensamento foi semelhante. A Carminho foi diagnosticada com uma candidate (numa fase muito inicial) e eu achei que estava a demorar demasiado tempo a passar. Optei por encostar as fraldas reutilizáveis durante duas semanas (até estar completamente segura de que tinha passado) e lavá-las todas com um pouco de anti-séptico feminino (lactacyd, no meu caso).




E pronto, até ao momento é o que tenho a dizer da minha boa experiência com fraldas reutilizáveis.
Sim, dão trabalho, mas valem a pena: ecológica, financeira e dermatologicamente.
Ah! E são giras. No verão basta terem a fralda posta, uma t-shirt ou um vestido e ficam super fashion.


Artigos relacionados:

Fraldas Reutilizáveis - Parte I: A Minha Escolha

Uma publicação partilhada por Menina (@ameninadajoaoxxi) a

Fraldas há muitas!
Há tanto tipo de fraldas de pano, tantas marcas e tanto artigo sobre elas que acho não ser necessário estar a repetir o que já foi escrito por essa internet fora.

Encontrei este artigo que achei ser o que melhor explicava cada tipo de fralda: o que são, como se usa, prós e contras.
Esta loja/página, não só tem este artigo que vos pode ajudar a decidir qual o melhor tipo para vocês (ou se fraldas de pano são para vocês), como tem muitos mais sobre mitos, resolução de problemas, etc.
Garanto-vos que não tenho nada a ver com a Meekbum, simplesmente gostei da forma como abordavam e explicavam o que tem a ver com as fraldas reutilizáveis.

A minha escolha
Como foram escolhidas as fraldas que usamos com a Carminho? A minha mãe encontrou, no OLX, 30 fraldas Gyzzo por 100€ e comprou.
Não tive grande opinião no assunto, não tive oportunidade de fazer pesquisa sobre tipos de fraldas, nada. Tinha 30 fraldas em casa, de bolso, giras, novas e só tinha de as usar.

As Gyzzo são de tamanho único, o que significa (em teoria) que servirão durante todo o tempo em que a Carminho usar fraldas. Na prática, as fraldas de tamanho único não são as melhores para recém-nascidos, ficam muito grandes, porque só começam a servir por volta dos 3,5kg. Mas isso é algo que depende de cada bebé. Há bebés que nascem com esse peso ou mais.

Disseram-me, numa loja que só vendia outras marcas, que tinham deixado de vender estas porque havia muitas queixas de fugas, mas também já percebi que estas queixas ultrapassam a questão da marca e é mais uma consequência de se usar fraldas de pano. As fugas dependem não só da marca, mas dos materiais que se escolhem e da experiência que os pais vão adquirindo com a prática ao perceber o ritmo dos bebés, de como devem lavar melhor as fraldas, etc.
Eu estou bastante satisfeita com as Gyzzo.

No meu caso, as fugas eram apenas um bocadinho das calças ou body molhados e provocadas pelo tratamento errado que eu dava às fraldas (já explico mais à frente). De qualquer modo, como a cada 3 dias faço uma máquina de roupa, não me fazia qualquer mossa ter de substituir as peças de roupa com mais frequência. 3 calças ou 6, vai dar ao mesmo. Era só andar com 2 ou 3 mudas na mala.
Mesmo com as descartáveis há sempre o risco de fuga, basta não apertarmos o suficiente ou ela ficar meio torta e já está sujo. E digo-vos que as piores fugas (de cocó quase até ao pescoço) foram com as fraldas descartáveis.



Partes das fraldas
No caso das Gyzzo, tratam-se de fraldas de bolso e são compostas por 2 partes (fralda e absorventes) e 1 acessório (revestimento ou liner).

Fralda:
Nestas fraldas, o exterior é de material impermeável e forra em lã. A forra em lã, que é a que está em contacto com a pele do bebé é óptima por secar rápido e por ser um material delicado para estar em contacto com a pele sensível. O exterior, impermeável, funciona como capa que impede o xixi de sair da fralda e molhar a roupa do bebé.
Como são fraldas de tamanho único, vêm com molas e velcro para que se adaptem ao tamanho e crescimento do bebé.

Absorventes:
Estes são feitos de microfibra, que é um material que absorve muito rapidamente o xixi, mas não é o mais indicado para aguentar muito tempo sem mudar a fralda, logo não é o melhor para noites. Imaginem os panos amarelos de cozinha: absorvem a água num instante, mas se ficarmos a pressionar ela sai com muita facilidade. Há outros materiais, como o bambu ou o cânhamo, que não são tão rápidos a absorver os líquidos, mas que os contêm mais. Encomendei absorventes destes materiais, porque quero que a C. comece a usar as de pano durante a noite e quando fizer a experiência venho fazer um update e contar tudo.
Cada fralda vem com dois, um mais fino e um mais grosso. Se usam apenas um ou os dois, dependerá dos xixis do vosso bebé. Por aqui sempre usámos um de cada, porque a Carmita estava sempre a fazer xixi e grandes. Agora que já está mais crescida e eu reparo que não faz tanto, vou começar a usar apenas o maior, enquanto não chegam os novos (se dão para a noite, também dão para o dia).

Revestimentos:
São uma espécie de papelinho que se coloca entre a fralda e o rabiosque do bebé. São opcionais e perfeitamente dispensáveis enquanto o bebé apenas bebe leite.
Enquanto não se faz a introdução dos sólidos, o cocó do bebé (especialmente o de leite materno), sai muito bem com as lavagens e um pouco de sol (o sol é milagroso!). Quando começam os alimentos sólidos, os revestimentos dão jeito porque é só pegar no papelinho e deitar fora (lixo ou sanita, conforme a marca) e impedem que suje tanto a fralda.
Outra utilidade do revestimento tem a ver com a aplicação de cremes para o rabiosque. Mesmo que as fraldas de pano provoquem menos assaduras, elas acontecem sempre ou o bebé tem de fazer algum tratamento e precisamos de usar cremes. Os cremes não devem ficar em contacto com a fralda de pano, porque provocam entupimento/impermeabilização do material que resulta em fugas e podem estragar a fralda. Portanto, é um acessório que convém ter à mão, nem que seja para usar apenas nessas alturas.
Se quiserem fazer os vossos próprios revestimentos (e porque não?), utilizem tecidos naturais que permitam a respiração da pele e não absorvam a humidade, como algodão. Já li mães que fizeram revestimentos com tecido polar (por exemplo), não é uma boa ideia porque é um material muito sintético, quente e que absorve a humidade natural da pele e não a deixa respirar. Por exemplo, flanela é um bom material: é confortável, suave e natural.



A minha experiência
Antes de usar:
Ainda a Carmita não tinha nascido e já tínhamos as fraldas cá em casa, prontas a serem usadas.
As fraldas costumam vir com instruções e, tal como muitos electrodomésticos, precisam de ser lavadas antes de usar. Aliás, toda a roupa (de bebé e nossa) deve ser lavada antes de usar pela primeira vez. Simplesmente, no caso das fraldas não é apenas dar uma lavagem rápida e seguir com a nossa vida.
Neste caso, aconselhavam uma lavagem com detergente e duas sem detergente. Basicamente é o tratamento que se faz às fraldas entupidas (ver mais à frente). Portanto, 3 lavagens e colocar no estendal a apanhar solinho.

Quando começar a usar:
Só conseguimos começar a usar as fraldas reutilizáveis quando a Carmita tinha entre mês e meio e dois meses, não sei precisar melhor. Antes disso, ficavam-lhe gigantes, mesmo apertadas no máximo.
Até lá, usámos descartáveis. Sim, há fraldas de pano próprias para recém-nascidos, mas poupem-me. Mãe pela primeira vez, com um pós-parto terrível em que só comecei a andar como deve de ser 6 semanas depois, acham mesmo que me ia preocupar com fraldas? Com lavar fraldas? E o pai? O pai ainda hoje nem consegue prepará-las (algo que vai ter de aprender em breve, porque ele tem de saber fazer tudo). Há momentos em que temos é de pensar em simplificar a nossa vida e o ambiente fica em segundo plano.
Até começar com as reutilizáveis, usei as Libero. Falaram-me muito bem e eu acho que com recém-nascidos é melhor não inventar muito.

Como secar:
As Gyzzo, como quase todas as outras (se não forem todas), podem ir à máquina de secar roupa.
Pessoalmente, não sou fã de máquina para secar a roupa. Gosto que a roupa seque ao ar e exposta ao sol. Estou sempre a falar do sol, mas acreditem, não há melhor do que o sol para desinfectar e tirar manchas.
É mais chato é no inverno e, se tivesse máquina, provavelmente passaria as fraldas por um programa rápido de secagem e a seguir iam para o estendal para terminar e apanharem sol. Ou apanhavam primeiro sol e acabavam na máquina. Estamos num país onde há sol todo o ano, inclusivamente no inverno. É de aproveitar.

Os absorventes - quantos usar:
Como falei acima, depende do bebé e do tempo com que ele vai ficar com a fralda.
Durante o dia, sou apologista de se mudar a fralda com frequência. Mesmo que os absorventes sejam bons e o interior da fralda fique seco, houve xixi em contacto com a pele e ela estará suja. De qualquer forma, à medida que vão ficando mais cresciditos, vão fazendo menos xixi e sujando menos fraldas.
Mesmo espaçando os xixis, a Carmita sempre fez grande quantidade, pelo que usamos dois (um grande e um pequeno). Agora, vou experimentar deixar apenas o grande e ver como resulta. Tenho reparado que as fraldas estão menos "cheias", quando as mudo. Quando chegarem os absorvente novos também terei mais comparações a fazer: noite e dia, materiais (microfibra, cânhamo e bambu).


Na Parte II, falo da minha rotina passo a passo, das minhas excepções ao uso de fraldas reutilizáveis e de resolução de problemas (como fugas, desentupimento de fraldas, candidíases e vírus). 

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