segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Quase, quase...
Amanhã há novidades 😀Quase, quase tratado! #novidades #coisasboas
Uma foto publicada por Menina (@ameninadajoaoxxi) a
Local:
Oeiras, Portugal
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Smartphone Detox
Estou grávida e prestes a entrar no terceiro trimestre, pelo que me parece uma excelente altura para me ir "desintoxicando" do mundo virtual. Vou começar por repetir este desafio que fiz em 2015. Quem me acompanha? Não parece muito difícil, pois não?
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| Imagem retirada daqui |
Quando o fiz soube-me muito bem. Foram pequenas e simples mudanças na utilização do telemóvel (que se estendem aos tablet e computadores - não vale fazer batota!) e que me souberam mesmo muito bem.
A seguir a este desafio quero experimentar um com a duração de 1 mês, tenho é de o adaptar à minha realidade antes de o partilhar. Entretanto, aproveito este para ir fazendo o aquecimento.
A seguir a este desafio quero experimentar um com a duração de 1 mês, tenho é de o adaptar à minha realidade antes de o partilhar. Entretanto, aproveito este para ir fazendo o aquecimento.
É só uma semana, mas será tão fácil quanto parece?
De acordo com um estudo inglês, da Agência de Marketing Tecmark:
1. Em média, um utilizador pega no telemóvel mais do que 1500 vezes por semana.
2. O utilizador regular utiliza o telemóvel durante cerca de 3h16m por dia. O equivalente a quase 1 dia por semana!
3. Quase quatro em cada 10 utilizadores admitiu sentir-se perdido quando não tem o seu aparelho. (eu sou um deles!)
4. Muitos utilizadores também confessaram que dão por si a usar o telemóvel sem reparar que o estão a fazer, sendo que dois terços dizem que entraram e usaram o Facebook sem sequer pensar
5. Quatro em dez, afirmaram que em certas alturas, consultaram os e-mails automaticamente, sem pensar no que estavam a fazer.
Uma app Android de bloqueio de ecrã, monitorizou 150 mil dos seus utilizadores e verificou que, em média, consultamos os nossos telemóveis cerca de 110 vezes POR DIA, numa média de 9 vezes POR HORA.
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| Imagem retirada daqui |
Em ambos os casos, acho que está evidente a dependência que actualmente neste pequeno aparelho.
Imaginem este cenário: Chegam ao trabalho e reparam que se esqueceram do telemóvel. Qual a probabilidade de isto vos acontecer e como se sentiriam? Ou é impossível porque confirmam que o têm na mala ou no bolso antes de fecharem a porta de casa?
Ninguém questiona a importância deste meio de comunicação, quer seja para nos informarmos, para aprender ou para chamar o 112.
Mas alguém duvida que damos uma importância exagerada na nossa vida?
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quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Filmes de terror
Sempre fui fã de filmes de terror, embora nunca me tenham tirado o sono ou dado pesadelos.
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| Imagem retirada daqui |
O que mais me perturbou foi o "pet sematary", tinha para aí 10 anos quando o vi e quando voltei para casa (uma moradia no campo onde passava férias com os meus avós) tive de verificar se não estava nenhum bebé-zombie com um bisturi, debaixo da cama, para me cortar o calcanhar e rasgar os lábios. Este comportamento ainda durou uns dias, chegando ao ponto de saltar para a cama para evitar que o Gage me atacasse.
Tirando este que me afectou os restantes que vi (e não foram poucos) sempre me aceleraram, mais ou menos, o batimento cardíaco.
Tirando este que me afectou os restantes que vi (e não foram poucos) sempre me aceleraram, mais ou menos, o batimento cardíaco.
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| Que bebé fofinho (Fonte) |
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| O ar de zangado é delicioso. Eu, que não sou muito dada a crianças, seria uma vítima. De certeza! Fonte (spoiler alert!) |
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| Fonte |
Mas, ultimamente, estes filmes não me andam a assustar minimamente. Pergunto-me se:
- Sou eu que já estou dessensibilizada por ter visto tantos?
- Serão os filmes que estão mais fracos? Sinto que têm muito menos suspense, antecipação, cortam no crescer da tensão e vão directos a uma morte qualquer, fazendo com que o clímax seja mais fraquinho (sim, pode-se fazer a comparação com um acto sexual, força nisso!). Parece que entre ir verificar que barulhos estranhos são aqueles e o morrer-se passam 10 segundo com muita gritaria pelo meio. Já o fim é expectável: ou sobrevive um ou morrem todos. E nunca há telemóveis ou quando há não há rede. Como é que podemos ter medo se já sabemos o que vai acontecer a seguir? O medo é, precisamente, causado pela incerteza do que vai acontecer a seguir; ou
- Será que o que me assusta agora é mesmo a realidade? Ser assassinada por um psicopata seria menos aterrorizador do que a incerteza do meu futuro enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto trabalhadora, enquanto portuguesa, enquanto Lisboeta…
Enfim… gostava de filmes de terror e do suspense que tinham. Agora é tudo um bocado "meh, ‘tá giro”.
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| Fonte |
Enfim… gostava de filmes de terror e do suspense que tinham. Agora é tudo um bocado "meh, ‘tá giro”.
Por exemplo, ontem fui ao MoteLX ver o 31, do Rob Zombie. Gostei, mas não me aumentou tanto o ritmo cardíaco como aumenta ver os preços das casas em Lisboa. O filme envolvia gente a ser cortada aos pedaços, muita pancada, muito sangue, mas o seu efeito em nada se comparou à taquicardia que tive quando vi um anúncio de uma casa de 60m2 e que custava 280 mil euros, ou quando vi uma casa igualzinha à minha, num prémio gémeo, com uma renda 500€ superior à que pago. Isso sim é assustador, é a incerteza do que vai acontecer a seguir. Será que, eventualmente, acabarei a morar nos subúrbios?
Aqui fica o trailer do filme:
E o clip dos Ramones (é melhor do que o trailer):
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| Fonte |
Aqui fica o trailer do filme:
E o clip dos Ramones (é melhor do que o trailer):
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Local:
Lisboa, Portugal
sábado, 19 de março de 2016
Memórias de Meu Pai - Revisto
Tal bom cliché psicanalítico, sempre fui "Menina do Papá". Tanto que o único alvo do meu carinho enquanto criança era o Meu Pai. Bem, o meu cão também, mas o que interessa neste momento é o Meu Pai.
Os meus pais separaram-se quando eu tinha 3 anos e, como me parece a coisa mais justa e acertada, a minha mãe ficou comigo e o Meu Pai ficou com o cão.
Quem me educava e aturava as minhas birras (que dizem serem das piores a que já se assistiu - prenúncio do feitio maravilhoso que se aprimorou com os anos) era a minha mãe e quem me levava a passear, brincar, jantar fora, etc., era o Meu Pai.
Quando a minha mãe se zangava comigo ou me obrigava a fazer coisas que eu não queria, como acordar cedo para ir para a escola (sempre tive um péssimo acordar, por favor não falem comigo antes do pequeno-almoço, e sempre fui avessa a obrigações - eu faço o que quero, quando quero e ninguém manda em mim!), lá me punha eu a fazer chantagem emocional enquanto gritava em plenos pulmões "Eu quero o Papá! Eu quero o Meu Papá!!!!!!".
Um pequeno parêntesis (quem me conhece sabe que adoro fazer parêntesis nas conversas, porque me lembro de coisas que estão relacionadas e que explicam melhor o contexto do que estou a falar): Nunca tratei os meus pais por "mamã" ou "papá". Durante um período até os tratava por "mãe" e "pai", quando as circunstâncias exigiam que cumprissem o seu papel parental como mudar fralda, dar comida, dores de barriga, ou os tratava pelo nome quando era para brincar. Mas "mamã" e "papá", não.
Adorava quando o Meu Pai me ia buscar à escola e me levava a passear (e ao cão) ao jardim de Belém e a comer gelados na Vela Latina, levando-me depois a ver uma loja que tinha caixas de música e, ocasionalmente, oferecendo-me uma, deixando-me completamente encantada.
(No meu casamento ofereceu-me mais uma caixa de música e só não me levou às lágrimas porque fiz um enorme esforço para me conter e não borrar a maquilhagem).
O Meu Pai levava-me às cavalitas, aos baloiços, deixava-me comer entradas e sobremesa nos restaurantes. O Meu Pai levava-me a esplanadas para beber groselha enquanto ele se resfrescava com uma imperial. O Meu Pai ensinou-me a conduzir. O Meu Pai ensinou-me a boiar, "É muito importante, porque se algum dia estiveres aflita no mar e ficares cansada, assim podes recuperar energias", disse-me enquanto nadávamos nas águas geladas e perigosas de Santa Cruz, onde é raro o mar permitir que nele nos banhemos. O Meu Pai levava-me a bares à noite quando se juntava com os amigos e dava-me moedas para as arcadas. O Meu Pai avisou-me veemente para não encostar o dedo ao incandescente cinzeiro do carro, coisa que fiz mal ele saiu. E claro que me queimei, e, obviamente, sofri em silêncio porque o meu pai nunca se tinha zangado comigo e não ia ser por causa daquilo.
Quando eu tinha 8 anos, o Meu Pai levou-me à Eurodisney! À Eurodisney!! Eu tive um boné que era a cara da Margarida, bonecos da Minnie e do Mickey! Com 8 anos? Uma maravilha!
O Meu Pai não estava todos os dias, mas quando aparecia era uma festa! Eu corria que nem uma seta para o colo dele e não o largava mais. O que invariavelmente deixava a minha avó cheia de ciúmes, "só quer o pai, só quer o pai! É uma loucura pelo pai! Não o larga!". Ficava enciumada porque andava sempre atrás de mim para me beijar e eu fugia, porque nunca fui dessas lamechices de abraços e beijinhos, só com o Meu Pai (e o cão).
Houve uma altura, na minha adolescência (claro!), em que me "incompatibilizei" com a minha mãe e fui morar uns tempos com o Meu Pai. Um espectáculo! Tinha um andar inteiro só para mim, com casa de banho, sala e televisão no quarto! Isso é que era privacidade. Ficava a ver filmes e séries até às tantas, uma maravilha. Claro que acabei por fazer as pazes com a minha mãe e voltei para casa dela.
Certo dia o Meu Pai ligou-me e, quando não atendi, deixou-me uma mensagem que me levou às lágrimas "Olá Filhota... Bem... Era só para ouvir a tua voz."
Ora, porque é que esta mensagem foi tão importante para mim? Bem, a seguinte história demonstra-o.
Tinha eu 13 anos (reparem, é "treze" que se diz e não "treuze") quando fui com uma amiga de férias para Amesterdão, ficar em casa de uma amiga dos meus pais. Ora, nós tínhamos o nosso dinheiro e fomos deixadas por nossa conta durante o dia para fazer o que quisessemos durante esse tempo. O que é que uma miúda gulosa e entregue a si própria faz? Come porcaria. Durante três semanas o meu dia, falando apenas em alimentação, era à base de puré de maçã, pudins de chocolate e caramelo e sandes de manteiga de amendoim. Três semanas. Todos os dias. 21 dias de luxúria alimentar.
No dia em que regressámos a Lisboa, as nossas famílias foram buscar-nos ao aeroporto. E lá estava o Meu Pai! o Meu Papá! Que surpresa! Que contente que eu fiquei! E como de costume, corri para os seus braços. O Meu Pai abraçou-me, ao largar-me olhei-o com um sorriso e com aquele todo o meu carinho que sempre foi apenas só para ele, e ele com um enorme sorriso nos lábios e, em alto e bom som para toda a gente ouvir, disse algo que nunca me esquecerei:
"ESTÁS GORDA QUE NEM UM TEXUGO!!!!"
Aquela mensagem de voz foi importante para mim porque é ao meu pai que saio uma besta emocional, incapaz de falar sobre sentimentos e cenas. "Sentimentos e cenas", que bonito.
Nunca precisei que o meu pai dissesse o que sentia por mim, essas coisas sentem-se quando uma pessoa está. E a pessoa não precisa de estar sempre presente para ser presente, precisa apenas de estar disponível. Só isso.
Não precisamos de passar o tempo a verbalizar o quanto gostamos uns dos outros, nem sequer precisamos de estar com eles todos os dias. Apenas precisamos de estar quando estamos. E essas coisas sentem-se e passam para os outros. É daqui que vem a segurança emocional, afectiva, é do sentir e não do dizer.
Nunca tive dúvidas de que o meu pai me amava, ele nunca precisou de o dizer. Nem ele, nem a minha mãe. São pessoas que, independentemente de tudo, souberam (cada um à sua maneira) transmitir-me o seu afecto.
Mas a verdade é que, de vez em quando, mesmo que seja uma única vez na vida: sabe tão bem ouvir o quanto gostam de nós. O meu pai não o verbalizou, mas bolas. Quando uma besta emocional nos deixa uma mensagem a dizer que era só para ouvir a nossa voz, o que é isso se não dizer que nos ama e que tem saudades nossas?
Local:
Lisboa, Portugal
sábado, 12 de março de 2016
O valor de um tupperware
Acabei de me aperceber qual o bem mais precioso para os meus pais. Aquele objecto fundamental para a sua felicidade. Aquela coisa que não podem nunca, jamais!, perder. O tesouro pelo qual são capazes de cometer filicídio. Ou quase. Tupperware!!
Nunca me faltou nada. Boas escolas, actividades extracurriculares, viagens, noitadas, mesada, computadores, boa roupa. Enfim, tudo o que o que precisasse e os meus pais concordassem era pago por eles, se pudessem. Como qualquer pai ou mãe, tudo o que me pudessem dar.
Quando finalmente saí de casa da minha mãe, não me faltaram conjuntos de copos, de pratos, talheres, "leva este armário", "leva este sofá", "queres este conjunto de chá e este de café?", tudo coisas que a minha mãe tinha desde sempre. Não sei onde as guardava, muitas delas nunca as tinha visto, mas estavam a ser-me impingidas, numa mistura de amor de mãe que quer a ajudar a construir o ninho da filha e o "leva lá isto que já estou a precisar de espaço". Tivemos mini sessões de gritaria que acabavam em gargalhada, só porque eu não queria levar alguma coisa. "Mãe, eu não preciso disso!", "Mas leva que é giro! Não é giro? Não gostas? Achas feio?", "Não, mãe. Gosto. É muito giro, sim.", "Então leva!!", "Mas, mãe, eu não preciso disso!!!".
O meu pai também me perguntou se queria coisas. Principalmente agora, que está em processo de mudar de casa. "Queres um armário? Não tenho onde o por na outra casa, mas é um bom armário!", "E uma cómoda? E mais um sofá? Olha, e este quadro?". Menos efusivo e insistente do que a minha mãe, mas sempre disponível.
É comum os pais "emprestarem" coisas. "Emprestam" por nós, sem ser propositadamente, nos abarbatamos da coisa e eles não se importam nada: "Faz-te falta, fica com isso." Mas há uma coisa que os meus pais só emprestam e fazem questão de que volte sempre: tupperwares. Não querem um novo, não querem um substituto.
Quando emprestam ou quando os trazem, a primeira coisa que me dizem quando entram cá em casa é "trouxe-te isto, mas o tupperware é para levar. Aliás, mete já num dos teus, que o meu é muito bom, gosto muito dele e depois ficas-me com ele.". E nós olhamos para o tupperware, todo riscado, com aquele tom amarelado de décadas de uso. "Mas mãe, é só um tupperware.", "Mas esse dá-me muito jeito!". É sempre assim, sempre que vamos a casa uma da outra, como boa mãe, gosta de me dar comida. Mas ai de mim que lhe fique com um tupperware.
Numa das vezes em que fomos para a casa de férias do meu pai ficámos lá uns dias e quando chegou a hora de ir embora precisámos de um tupperware para levar comida que tinha sobrado. Chegados a nossa casa, o tupperware foi lavado e posto em cima da mesa para não nos esquecermos de devolver. Poucos dias depois recebo um telefonema: "Estou? Pai? Hello!! :D", "Olha lá, menina, o meu tupperware?". Nem ai, nem ui! Nem bom dia, nem boa tarde! "Onde está o meu tupperware?", "Precisámos de um e trouxemos, mas está aqui pronto a ser devolvido.", "Esse tupperware dá-me muito jeito! Agora precisava dele e como é que vou fazer?", "Então, usas outro.", "Mas esse é que é bom. Vocês são muito espertinhos...", "Pai, é só um tupperware...", "Mas esse é especial.", "Não te preocupes, ser-te-á devolvido. Olha, também temos aqui umas toalhas que trouxemos para lavar, depois damos-te tudo.", "Quais toalhas? Não dei por nada. O tupperware é que eu quero de volta".
A moral é: Os nossos pais dão-nos tudo o que podem e com prazer, menos tupperwares. Podemos levar-lhes sofás, carros, dinheiros, comida, jóias de família... Tudo! Eles até ficam felizes por gostarmos de coisas que lhes pertenciam e guardavam com carinho.
Menos tupperwares. Não se pode tocar num tupperware. Será sempre "aquele" tupperware. Aquele que "é bom" e que "dá muito jeito".
Aquela música da Ágata, se fossem os meus pais a escrever seria sobre tupperwares. Qual filha, qual quê. O tupperware é que interessa.
"Podes ficar com as jóias, o carro e a casa, mas não fiques com ele. E até as contas do banco e a casa de campo, mas não fiques com ele. (...) Tira-me tudo na vida e o mais que consigas, mas não fiques com ele".
Nunca me faltou nada. Boas escolas, actividades extracurriculares, viagens, noitadas, mesada, computadores, boa roupa. Enfim, tudo o que o que precisasse e os meus pais concordassem era pago por eles, se pudessem. Como qualquer pai ou mãe, tudo o que me pudessem dar.
Quando finalmente saí de casa da minha mãe, não me faltaram conjuntos de copos, de pratos, talheres, "leva este armário", "leva este sofá", "queres este conjunto de chá e este de café?", tudo coisas que a minha mãe tinha desde sempre. Não sei onde as guardava, muitas delas nunca as tinha visto, mas estavam a ser-me impingidas, numa mistura de amor de mãe que quer a ajudar a construir o ninho da filha e o "leva lá isto que já estou a precisar de espaço". Tivemos mini sessões de gritaria que acabavam em gargalhada, só porque eu não queria levar alguma coisa. "Mãe, eu não preciso disso!", "Mas leva que é giro! Não é giro? Não gostas? Achas feio?", "Não, mãe. Gosto. É muito giro, sim.", "Então leva!!", "Mas, mãe, eu não preciso disso!!!".
O meu pai também me perguntou se queria coisas. Principalmente agora, que está em processo de mudar de casa. "Queres um armário? Não tenho onde o por na outra casa, mas é um bom armário!", "E uma cómoda? E mais um sofá? Olha, e este quadro?". Menos efusivo e insistente do que a minha mãe, mas sempre disponível.
É comum os pais "emprestarem" coisas. "Emprestam" por nós, sem ser propositadamente, nos abarbatamos da coisa e eles não se importam nada: "Faz-te falta, fica com isso." Mas há uma coisa que os meus pais só emprestam e fazem questão de que volte sempre: tupperwares. Não querem um novo, não querem um substituto.
Quando emprestam ou quando os trazem, a primeira coisa que me dizem quando entram cá em casa é "trouxe-te isto, mas o tupperware é para levar. Aliás, mete já num dos teus, que o meu é muito bom, gosto muito dele e depois ficas-me com ele.". E nós olhamos para o tupperware, todo riscado, com aquele tom amarelado de décadas de uso. "Mas mãe, é só um tupperware.", "Mas esse dá-me muito jeito!". É sempre assim, sempre que vamos a casa uma da outra, como boa mãe, gosta de me dar comida. Mas ai de mim que lhe fique com um tupperware.
Numa das vezes em que fomos para a casa de férias do meu pai ficámos lá uns dias e quando chegou a hora de ir embora precisámos de um tupperware para levar comida que tinha sobrado. Chegados a nossa casa, o tupperware foi lavado e posto em cima da mesa para não nos esquecermos de devolver. Poucos dias depois recebo um telefonema: "Estou? Pai? Hello!! :D", "Olha lá, menina, o meu tupperware?". Nem ai, nem ui! Nem bom dia, nem boa tarde! "Onde está o meu tupperware?", "Precisámos de um e trouxemos, mas está aqui pronto a ser devolvido.", "Esse tupperware dá-me muito jeito! Agora precisava dele e como é que vou fazer?", "Então, usas outro.", "Mas esse é que é bom. Vocês são muito espertinhos...", "Pai, é só um tupperware...", "Mas esse é especial.", "Não te preocupes, ser-te-á devolvido. Olha, também temos aqui umas toalhas que trouxemos para lavar, depois damos-te tudo.", "Quais toalhas? Não dei por nada. O tupperware é que eu quero de volta".
A moral é: Os nossos pais dão-nos tudo o que podem e com prazer, menos tupperwares. Podemos levar-lhes sofás, carros, dinheiros, comida, jóias de família... Tudo! Eles até ficam felizes por gostarmos de coisas que lhes pertenciam e guardavam com carinho.
Menos tupperwares. Não se pode tocar num tupperware. Será sempre "aquele" tupperware. Aquele que "é bom" e que "dá muito jeito".
Aquela música da Ágata, se fossem os meus pais a escrever seria sobre tupperwares. Qual filha, qual quê. O tupperware é que interessa.
"Podes ficar com as jóias, o carro e a casa, mas não fiques com ele. E até as contas do banco e a casa de campo, mas não fiques com ele. (...) Tira-me tudo na vida e o mais que consigas, mas não fiques com ele".
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