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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Parabéns a mim! Parabéns a nós!


Faço anos hoje! 33!

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É o nosso aniversário de casamento! 2 aninhos!

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São os primeiros aniversários com a minha "bebécas boas da mãe" e o Duarte perguntou-me o que eu queria. A minha primeira e mais genuína resposta foi:

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Como isso é praticamente impossível (a miúda dorme muito bem durante a noite e, por isso, durante o dia as sestas são uma raridade), disse-lhe que quando puder andar me compensa. Até lá nem quero saber de prendas ou planos.
Acho que lhe vou pedir o iPhone 7. Ele vai estrebuchar, dizer que é muito caro (e é...), mas eu vou responder-lhe com chantagem emocional, "Estou há mais de um mês a tratar de tudo nesta casa, porque tu não podes andar. Deves-me à grande. O que é um iPhone comparado com isso?".
Provavelmente não vai resultar, mas tentar não custa.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Fashion - Casamento II

Se pudesse teria escolhido estes sapatos para usar no meu casamento <3

quinta-feira, 16 de março de 2017

A minha gravidez III: Preparação e concepção

No dia 01 de Agosto de 2015 casámos.
Logo a seguir, conforme acordado, deixei de tomar a pílula e comecei a alterar alguns hábitos para preparar o meu corpo o melhor possível.
Foi-me logo dito que, para a nossa idade, demoraria cerca de 6 meses a um ano até ser bem sucedida. Como adoro desafios e sou incapaz de os recusar, decidi que conseguiria em muito menos tempo - 3 a 6 meses. A Mini Mi deu-me a cabo dos planos porque fui bem sucedida demais.



Parte 1: A Preparação

1.1. Regras básicas

Há uma regra básica para preparar o organismo para uma gravidez e para facilitar a concepção. É uma regra que é válida para tudo e mais alguma coisa nas nossas vidas: ter um estilo de vida saudável!
Alimentação equilibrada, beber água, exercício físico (não é preciso ir para o ginásio, apenas levantar o rabo do sofá), cortar com o consumo de substâncias que não nos fazem nada bem (tabaco, café em excesso, álcool, outras coisas - naturais ou químicas), dormir bem!
Serve para quem quer engravidar e serve para tudo o resto.

Com isto voltei a ganhar motivação para fazer uma mudança nos meus hábitos alimentares e fazer aquilo que deveria fazer sempre (eu e qualquer pessoa): uma alimentação equilibrada, variada, sem exageros de carne ou peixe, com bastantes verduras, etc.
Cortei com os cafés e chás em exagero que bebia por dia. Um café e duas ou três chávenas de chá (bom, de qualidade, sem ser dos pacotinhos do supermercado) por dia. Isto ajudou-me a andar mais tranquila, menos stressada e até a dormir melhor. A diferença que fez!
Forcei-me a beber água. Hidratação, hidratação, hidratação! E tentava atingir o litro e meio (chás incluídos) até às 20h00, para não andar a fazer passeios à casa de banho durante a noite.
Deixei os substitutos dos lacticínios, embora tenha optado por produtos sem lactose (intolerâncias.....), para aumentar as reservas de cálcio.



Diminuí o consumo de álcool. Não é que bebesse álcool todos os dias, mas pelo menos uma vez por semana era à grande. Criámos uma "Tertúlia" com amigos e juntam-nos todas as quintas, para debater efusivamente temas actuais, de relevo ou não. Tanto podemos discutir a nossa posição em relação à eutanásia como debater se um vegan pode ingerir fluidos do parceiro. Claro que este ritual semanal, implica que se bebam umas quantas garrafa de vinho e algo mais espirituoso (descobri o Absinto quando fui a Praga e a minha vida mudou). Quando comecei a preparar o meu organismo para a gravidez, o consumo de álcool nestes dias teve de diminuir substancialmente. Incrivelmente, o grau de parvoíce das nossas conversas manteve-se inalterado.
Diminuir o consumo de tabaco. Sempre fui uma fumadora parva, ou seja, uma fumadora social. Portanto, foi diminuir isto e motivar o marido a cortar com o número de cigarros que fumava por dia.
Quem consome substâncias recreativas, como a marijuana, é melhor parar. Não era o meu caso, porque apesar de gostar do sabor e do cheiro, passava a vida a sentir-me mal, então há muitos anos que me tinha deixado dessas coisas. Mas tudo o que é droga (ilícita ou não) é para cortar: a não ser que sejam medicamentos necessários à vossa saúde, 'tá? E já agora: o THC, presente na Maria, torna os espermatozóides preguiçosos: até eles ficam pedrados e depois têm dificuldades em concentrar-se na sua tarefa.




Exercício físico: eu fui para o ginásio e arranjei um PT para me motivar. Mas não é necessário tanto exagero, eu é que sou de obsessões e faço destas coisas. Basta apenas caminhar 30 minutos todos os dias. Mexer um bocadinho é sempre melhor do que ficarmos "aparrados" no sofá. Além do mais o exercício físico tem efeitos semelhantes ao corte do consumo de cafeína: mais tranquilidade, menos stress, melhor sono.
Apanhar sol: Um bocadinho de vitamina D faz sempre bem e, aparentemente, o sol pode ter influencia na produção de hormonais importantes para a concepção. Não me perguntem quais, que não faço ideia. Eu não sou de apanhar sol, mas tive de forçar a barra. Portanto, depois de almoço ia sempre dar um passeiozito. Sol + exercício físico!!!
Evitar o stress. Bem, com a questão da cafeína e do exercício já abordei isto. Mas tentem viver mais tranquilas. Inscrevam-se no yoga, meditem, façam o que precisarem. Claro que a alimentação equilibrada, a hidratação, o sol e tudo o que define um estilo de vida saudável contribuem muito para este ponto.


1.2. Um percalço e mais dicas

Assim que terminou a lua de mel, fui logo ao ginecologista e disse-lhe que estava na altura de deixar a pílula. Ele aconselhou-me a começar logo a tomar ácido fólico em vez de esperar pelo resultado positivo, para ir criando já uma boa reserva no meu organismo.

Entretanto houve um percalço nisto tudo! Claro, porque comigo é sempre assim. Nunca pode ser fácil, nunca....!!! Já nem me surpreendo.
O nosso casamento foi a 1 de Agosto, usufruí dos meus 15 dias de licença, voltei ao trabalho e duas semanas depois ouvi um zum-zum de que me queriam "dispensar". Oh, felicidade! Mas espera... Se me despedirem, fico sem trabalho e talvez não seja a melhor altura para engravidar... Lá ficámos mais uns tempos em stand-by a debater o que fazer. Em Outubro/Novembro, decidimos que iríamos ver se a coisa pegava até ao final do ano, se até lá não engravidasse os planos ficariam interrompidos durante um ano, para que a minha situação profissional se definisse, mas não demorarmos demasiado tempo.
A ideia era preparar o organismo e ir "praticando" até a coisa pegar. Não pegou.


No entanto, não deixei de andar a tomar o ácido fólico e, embora tenha ficado mais desleixada, continuei a preocupar-me minimamente com o estilo de vida que tinha.
Tinha até Julho para ir preparando o meu organismo para, nessa altura, voltarmos a tentar de uma forma tranquila. Mas aqui a menina é uma controladora e não acha piada a esta coisa do "deixar a natureza seguir o seu curso" sem se meter ao barulho. Ei! Eu faço parte da natureza, portanto, se der uma mãozinha ela estará na mesma a seguir o seu curso!

Decidi que, já que tinha deixado a pílula era uma excelente altura para conhecer melhor o meu ciclo menstrual. Saquei várias apps, até achar aquela que tinha mais a ver comigo, comprei um termómetro basal (com duas casas decimais), mandei vir testes de ovulação e comecei a registar tudo religiosamente: temperatura ao acordar, mudanças no corpo, mudanças no humor, resultados dos testes de ovulação, muco cervical, altura do cervical... Nunca comprei os testes de ovulação da farmácia, são estupidamente caros e não valem a pena.

Reparem, os testes de ovulação funcionam identificado um aumento da hormona luteinizante (LH) que ocorre antes da ovulação, não no momento, e para detectar este aumento pode haver apenas uma janela de tempo muito reduzida, de cerca de 12 a 24 horas (pode ser maior, varia de mulher para mulher). Portanto, na semana em que se espera a ovulação convém fazer-se o teste duas vezes por dia, para uma melhor identificação do período fértil. O que se vende nas farmácias custa uns 35€ e só traz 7 testes, e para conhecermos bem o nosso ciclo é preciso estudá-lo durante uns meses. Eu, por 8€, mandei vir 100 testes de ovulação do Reino Unido. Ah! É quando há um resultado positivo neste teste que é a melhor altura de se ter sexo. O ideal é que seja antes de ocorrer a ovulação e não durante ou depois. Sem stress, o sémen aguenta algum tempo lá dentro - até 72 horas.

Outra coisa que ajuda é haver alguma frequência de actividade sexual, duas a três vezes por semana. É outro dos aspectos que não faço a mínima ideia porquê. Mas não custa tentar, não forcem é muito a barra. Já basta na semana de ovulação em que aí tem mesmo que se fazer senão nada feito e pode ser algo bastante aborrecido. De resto, divirtam-se, sejam criativos, explorem coisas novas!
Ah! E não vale a pena o estar a fazer-se todos os dias, a toda a hora. A frequência ajuda, mas se for a mais não vale de nada, porque convém que se dê tempo a que o esperma seja produzido, ok?

E lá andámos assim uns tempos: eu a estudar-me, a ser simultaneamente o estudante e o objecto de estudo; e o marido com a parte divertida, completamente à nora com os testes e registos que eu fazia diariamente.


Parte 2: A Concepção

Havia duas coisas que eu gostava de conseguir numa gravidez, mas que estavam fora do meu controlo: 
1. Ter uma menina;
2. Ter um leãozinho nascido em Agosto, como eu (perguntem a Leões nascidos em Agosto e todos vos dirão que, apesar de terem passado muitos aniversários sem amigos, não há melhor altura do ano).

Eu tinha-me proposto a conseguir engravidar em metade do tempo que os médicos indicavam para a minha idade. Portanto, tinha 3 meses para ser bem sucedida na concepção.
Para se ter um leãozinho, dizem as contas que se convém conceber em Novembro - Dezembro. Portanto, convinha começar a tentar três ou quatro meses antes.

Pois é, a cria decidiu, desde o início, mostrar que há coisas que uma mãe não pode controlar e a 31 de Agosto concebemos! Não vai ser uma leoazinha como a mãe, mas pelo menos o espermatozóide vencedor era um X e consegui que fosse uma menina!

Atribuo todas as culpas à boa preparação que fiz ao meu organismo e que impingi ao meu marido.
Mas bolas! Na segunda tentativa! No segundo mês! Não foi de 6 a 12 meses como dizem os médicos, nem de 3 a 6 como eu meti na cabeça que ia conseguir, foi logo no segundo mês.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A minha gravidez II: Epifania, obstáculos e decisões

Parte 1: Epifania


Certo dia de Janeiro, estava eu a estender a roupa e fui assolada por um pensamento.
Nunca, mas nunca, me iria sentir preparada para abdicar de mim, para deixar de dormir bem, para tomar em mim a maior responsabilidade que existe neste mundo que é ter um filho. Nunca me sentiria preparada para fazer algo que mudaria de forma tão permanente a minha vida.
Por isso, se queria ter filhos, tinha de ser num ímpeto de "ou vai ou racha".

Acabei de estender a roupa e fui directa à sala.
"Tomei uma decisão. Nunca me sentirei preparada para ter filhos, portanto, tomei uma decisão racional e calculada de que não esperarei por esse momento.". Adivinhando o que aí vinha começou a esboçar uma intenção de sorriso. "Mas atenção, como te disse, eu não tenho filhos sem casar. E não é começar a tentar e eventualmente casar. É casar e só depois começar a fazer por isso. Por isso, quando mais depressa casarmos, mais depressa começamos a tentar."

Nessa mesma semana começámos a preparar o casamento. 8 meses depois estávamos a casar.
E só demorámos tanto tempo, porque quem quis a festa foi ele. Por mim, teria ido ao registo civil, assinava o papel e estava a andar. Mas o homem queria uma festa para os amigos e eu não me importei.

Sim, sou uma pessoa extremamente romântica. Tão romântica quanto uma pedra.



Parte 2: Obstáculos


Assim que começámos a tratar do casamento, começámos a tratar de fazer análises.
Ele não fazia análises há quase uma década e eu tinha uma anemia, pelo que precisávamos de determinar se haveria alguma incompatibilidade, como uma talassémia ou assim.

Não havia incompatibilidade, mas foi-me detectada uma doença auto-imune.
Entrei em choque. Pior do que que morrer, era a possibilidade de ter uma doença que me matasse aos poucos, que me fosse retirando qualidade de vida.
Fiz análises, atrás de análises, nunca nada era conclusivo. Descartavam-se doenças, mas não havia um diagnóstico específico, apenas um "há uma doença auto-imune". Já me queriam mandar para um instituto especializado para ser testada porque a médica dizia que nunca se tinha deparado com valores assim.
Que doença seria? Que consequências teria uma gravidez? E se engravidasse, haveria consequências para o bebé?



Parte 3: Decisões

















Farta de passar meses a ser picada e analisada, sem resultados conclusivos, e sem saber o que me esperava, fiz um balanço:
- Sentia-me bem: isso significava que uma possível doença não estaria assim tão avançada. Portanto, iria fazer a minha vida normal, sem me preocupar. Quando, e se!, acontecesse alguma coisa logo se veria. Ficar à espera de um diagnóstico certo poderia atrasar muito este plano de vida e precisava de ter tempo para o caso de querer ter mais filhos;
- Viabilidade de uma gravidez: com auto-imune ou não, tenho anemia e isso, por si só, já significa que há uma probabilidade de uma gravidez não avançar durante o primeiro trimestre. Se, num cenário normal, já 25% das gravidezes são inviáveis, quanto mais com uma anemia... Se não era a auto-imune, era a anemia, e a anemia não passará nunca.
- Riscos de malfomações: existem sempre e, hoje em dia, há muitas análises e exames que podem fazer para as detectar a tempo e fazer uma interrupção voluntária da gravidez.
- Riscos para a mãe: Uma auto-imune pode fazer com que uma gravidez prejudique, gravemente, a saúde da mãe. "Se isso acontecer, logo se vê. Tudo tem solução".

Não! Não ia continuar a angustiar. Ia-me distrair com a preparação do casamento, ia-me divertir à brava, ia aproveitar a vida e ia seguir com os nossos planos iniciais.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A minha gravidez I: Desencontros e encontros

Parte 1: Quando um quer e o outro não

Eu e o meu marido andámos, durante uns anos, com timings diferentes nesta coisa de querer ter filhos.
Imagem retirada daqui

Primeiro quis eu, para aí aos 27 ou 28 anos, quando a proximidade dos 30 começou a bater e a fazer-me pensar "oh não, tenho um prazo de validade!! E para a fertilidade isto já começa a ficar velho!".
Mas o namorado não queria e eu assenti e calei. Depois quis casar, mas ele não queria. Já morávamos  juntos há uns anos, portanto, na minha cabeça, era o passo natural a dar.
Mas... ele não queria e não havia nada a fazer, não se pode obrigar ninguém.

Passado uns tempos, com os amigos a ter filhos, vem à baila que agora ele já estava preparado para ter filhos.
Azar! Porque tanto compreendi e assenti que me virei para outras coisas na vida. Fiquei esperançosa e expectante pelos 30, que já só me pareciam uma idade fenomenal para ser uma mulher independente, segura de mim mesma, que sabe o que quer na vida.
Decidi que ou deprimia ou seguia o exemplo das mulheres d'O Sexo e a Cidade. E caramba! Como os meus 30 foram fenomenais.

Um dia, quando estávamos mesmo a chegar a casa, chateei-me a sério e decidi que ia tomar as rédeas da minha vida. Eu queria casar, ele sabia e estávamos desconfiados que um amigo nosso ia pedir a namorada, com quem já tinha um filho, em casamento. Para evitar que eu falasse em casamento disparou um "mas para eles faz sentido que se casem!".
Fiquei furiosa! Mandei-o parar, saí do carro e fui dar uma volta, à noite e à chuva. Desliguei o telemóvel para que ele não me chateasse e fiquei para aí uma hora e meia a acalmar-me e a pensar na vida. A delinear o que eu queria para mim, quais as minhas prioridades, em que é que conseguia ceder e em que é que não o faria.




Quando regressei disse tudo o que tinha a dizer.
Não compreendia como é que ele se dizia preparado para ter filhos, mas se recusava determinantemente a casar.
Um casamento é algo que se desfaz, que pode acabar. Em que duas pessoas podem decidir que não querem mais, até se podem odiar, e a ligação pode acabar e nunca mais falarem um com o outro.
Mas um filho não! Aconteça o que acontecer entre o casal, um filho é uma ligação que fica para SEMPRE. Mesmo que se odeiem, têm que comunicar para bem da criança. Mesmo que desejem a morte um do outro, a criança tem os genes dos dois. Não há volta a dar, mesmo que aconteça uma tragédia, estão unidos para sempre. Como é que se pode ter tanto medo de um casamento e não de ter filhos?

Disse-lhe, explicando os meus motivos, que nunca teria filhos sem casar primeiro, mas que essa questão também já não se colocava, porque eu agora já não queria ter filhos e ele não queria casar.
"Portanto", assegurei, "não te preocupes com casamento. Porque eu também já não quero casar. Não quero casar com alguém que não o quer fazer. Não quero casar com alguém que só casará, a fazer um frete, para me fazer a vontade. Quero casar com alguém que, como eu, compreenda que o casamento formal não é uma questão romântica, mas sim uma questão legal de protecção para as duas pessoas. Romantismo já nós temos: já moramos juntos, já nos deitamos juntos, trocamos afectos e essas coisas todas. Mas se acontece alguma coisa a algum de nós, a nossa relação vale tanto como se fosse com um amigo ou até um desconhecido. Portanto, não queres casar, tudo bem. Eu não quero casar contigo. E para mim, como já só faço questão de casar se for para ter filhos e como não os quero agora, já não há mais nada a falar. São temas encerrados e tabu por agora: filhos e casamento".

Rematei com "E estou farta de viver aqui nos subúrbios!", morávamos em Miraflores, "Não se passa nada. Não é estimulante, não tem vida. Até a porcaria do centro comercial fecha às 22h00 e depois disso não há um sítio onde ir beber café sem termos de nos mexer de carro".
"Eu vou para Lisboa. Está decidido! Agora, decide se vens ou não comigo."

Imagem retirada daqui


Parte 2: Lisboa é linda!

3 meses mais tarde estávamos a tratar das mudanças para um prédio onde eu sempre quis morar, desde os meus 16 anos.
Sabem quando somos miúdos e passamos frequentemente por "aquela casa"? E ficamos a espreitar para ver quem é que lá mora? E sonhamos como será por dentro, porque só pode ser perfeita?
Tive essa sorte. E tive ainda mais sorte de ele ter vindo comigo e de, rapidamente, se ter habituado ao sítio, quando tantos nos diziam que ele ia detestar viver no meio do caos e da confusão do centro da cidade.
Uns meses depois fiz os 30 e estava felicíssima! Desde que tinha mudado de casa tinha mais energia, vontade de sair, de conhecer, de explorar! Ao chegar a casa, depois de um dia de trabalho, vinha sempre com um sorriso nos lábios e a pensar "Uau! Eu moro mesmo aqui... Consegui!"
Comecei a organizar passeios por Lisboa para ir com os amigos, cine-maratonas... Quis ir a todo o lado, aceitar todos os convites, conhecer todas as pessoas.




Era mesmo isto que precisava e não de filhos que me fizessem abdicar de mim, do meu sono, dos meus sonhos, das minhas viagens, do meu crescimento pessoal. Da minha liberdade de fazer o que quero, quando quero, sem ter de me preocupar com alguém que seria tão dependente de mim. Não queria essa responsabilidade.
Assim que me sentisse preparada para abdicar de mim, teria filhos.

E durante uns tempos lá andámos. Assim: sem falar de casamentos e filhos. Felicíssima me encontrar, por encontrar Lisboa, e sempre recusando estes temas tabu.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Para bem do amor deixem de o confundir com paixão!

Reparem como todas estas histórias terminam no momento em que conseguem, finalmente, ficar juntos. Como se tornam amores intemporais, "para sempre", e terminam ou no momento do casamento ou no momento de uma morte precoce e trágica. Assim é fácil amar para sempre. Assim é fácil que não se chegue ao esmorecer da paixão e fiquemos quase exclusivamente com o amor.

Mas a ficção incutiu-nos a fantasia de que a paixão, num relacionamento bom, dura 24 horas por dia, todos os dias. Que a tesão e a sofreguidão pelo outro têm, obrigatoriamente, de estar sempre presente. E é assim, porque os filmes e romantismo barato e superficial nos meteram esta ideia na cabeça, por tanta gente pensar deste modo que as relações não duram.

Querem Romeu e Julieta? Lembrem-se do vosso primeiro namoro na adolescência. Como a certa altura quiseram fugir com ele porque os pais não vos deixavam estar juntos sempre que queriam. Se se tivessem suicidado, teriam conseguido um amor para sempre. Assim é fácil.

Uma coisa é a paixão, que nos causa marcas emocionais e físicas. E que só durará para sempre se se interromper abruptamente (qualquer que seja a causa) e nunca for devidamente terminada ou vivida numa relação conjugal. É a paixão que nos faz estar a caminho do outro e a sentir uma inquietação na área genital, pulmonar e cardíaca. Em que basta um olhar, aquele olhar, e já se sente um orgasmo latente.
Que nos dá vontade de lhe espetar um tabefe de tanta vontade que se tem em possuí-lo. Em que não se consegue conter e é preciso morder, arranhar, agarrar, prender contra a parede, puxar/agarrar cabelos, lamber partes do corpo... Sem limites, porque tudo naquela pessoa tem de ser nosso e tudo em nós tem de ser, urgente e imperativamente, possuído pelo outro.
A paixão é objectificação (nossa e do outro), com a finalidade de obter prazer e supressão de necessidades sexuais.

Já o amor é querer cuidar. Claro que também envolve paixão, simplesmente ela não está lá permanentemente. Aparece de vez em quando para dizer "olá". Mas o prazer físico deixa de ser o objectivo principal.
O que passa a ser fundamental e prioritário é que o outro esteja bem, feliz, cuidado, nutrido. É providenciar a respostas às suas necessidades e ficarmos felizes e satisfeitos com isso.
É não se importar de limpar vómito, ouvir movimentos intestinais, fazer canjas de galinha. Ir à farmácia e ficar na fila atrás de 30 velhos que gostam de ir à farmácia ao final do dia para ver pessoas.
É passar por coisas chatas, feias e nojentas, não por se esperar retorno sexual (ou de qualquer outro tipo), mas por se querer genuinamente que o outro esteja feliz. Implica espírito de sacrifício.
É ficar-se de pijama, sem tomar banho, sem pentear, a fazer maratonas de filmes/séries, sem cozinhar e encomendar-se pizzas ou qualquer outra coisa nada sexy.
É deitarmo-nos ao lado de uma pessoa que quando nos toca dizemos "chega para lá estás muito quente/frio", dormirmos melhor se não estiverem lá, mas a meio da noite, enquanto dormem fazer-lhes uma festinha porque queremos que lá estejam.
É ouvir a respiração ou a forma como comem e sentirmo-nos extremamente irritados, mas até aguentar isso. É irritar o outro de propósito, só porque sim. É conhecer limites, é provocar sempre respeitando.
É pensar que é com aquela pessoa que se tem de comentar o que acabou de se ver/ouvir. É ter uma linguagem própria, olhares aliados a telepatia, piadas apenas entre os dois (que quando se tenta repetir noutro contexto nos faz parecer anormais). 
É isto e muito mais, mas sempre a querer que o outro esteja bem. Isso acima de tudo.
O amor não é lindo, não é fácil. É o que é.
Torna-se lindo por querermos suportar coisas que não gostamos no outro porque é ele que amamos e que queremos com todos os defeitos irritantes. É querer e fazer tudo o que está ao nosso alcance para que ele seja feliz.

Amor é altruísta. É sobre o outro. É querer dar.


Escrito a 20.08.2015