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domingo, 17 de dezembro de 2017

Introdução dos Sólidos: Baby-Led Weaning (BLW) - Porquê?

Comecei por explicar, aqui, o que é o Baby-Led Weaning (BLW), como se compara com o Método Tradicional (MT) de um modo geral e porque é que este método não representa um maior risco de engasgamento do que o MT.

Agora apresentarei o porquê, os motivos que me levaram a optar pelo BLW, bem como as suas vantagens em relação ao MT, e quando é que se devem iniciar os sólidos, mais concretamente quando é que se deve começar o Baby-Led Weaning. Quando acabei os "porquê" reparei que isto já estava demasiado extenso, o "quando" fica para o próximo (mas a intenção estava lá).

Volto a dizer:
Como sabem não é um método inventado por mim, o que escreverei acerca do mesmo será informação retirada dos livros da Gill Rapley e da Tracey Murkett, e que complementarei com o que observo na Carminho e as experiências que temos tido.
Será como que uma tradução do livro "Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater". Livro este que aconselho que comprem.
A Carminho a explorar um pedaço de Maçã (cozida)
















Porquê o Baby-Led Weaning? Quais as suas vantagens? (e, já agora, as desvantagens)

Vou escrever pela ordem em que me chamaram à atenção e que depois fui aprendendo.

1. Bebés que iniciam os sólidos com o BLW tornam-se menos esquisitos com a comida: Como este método torna o acto de comer num acto prazeroso e porque comem a comida como ela é desde o início. Não há necessidade de transição de texturas e de momentos - algo que é complicado para muitos Bebés. Eu sempre fui picuinhas a comer, ainda hoje tenho automatismos parvos, embora tenha aprendido a comer de tudo, isso só aconteceu muito mais tarde, já nos 20 e muitos. Não quero que a minha filha seja como eu;

2. Não há guerras à hora das refeições: Não há pressão para que os Bebés comam - é no seu tempo -, logo, as refeições não se tornam num inferno para Bebés e Pais e podem, todos juntos, desfrutar deste momento familiar. Eu bem me lembro como este momento era um tormento para mim, até bem tarde. Passava horas à mesa, já sozinha, era mandada para a cozinha. Era uma luta de vontades entre mim e os outros. Não era fixe;

3. Não há necessidade para jogos ou truques: No BLW, o Bebé come o que quer e pára quando quer - não são decisões dos Pais. Portanto, não é preciso "enganar" ou distrair o Bebé para que coma o que ele não quer comer - nada de "olha, o avião!". Mais tarde, também não será necessário fazer formas engraçadas com a comida ou esconder vegetais noutras comidas;

4. É um momento prazeroso: Como o próprio Bebé é parte activa no processo e como é ele que controla o que comer, quanto comer e o tempo que demora, a refeição torna-se num momento de prazer. Os Bebés esperam por este momento que adoram, apreciam descobrir novos alimentos e gostam de fazer as coisas por eles mesmos. A Carminho, mal percebe que estamos a preparar o "cenário" fica toda contente: abana os pés, procura logo pela comida, "grita" sonzinhos de satisfação e, literalmente, atira o corpo na direcção da cadeira;

5. Cria-se uma atitude positiva em relação à comida: Muitas perturbações da alimentação das crianças iniciam-se bem cedo. Se as primeiras experiências do Bebé com a comida forem saudáveis e felizes, problemas como recusa de alimentos ou fobias alimentares tornam-se menos comuns. Na primária tive uma má experiência com o alho-francês. Uma das sopas era um caldo de alho francês, com pedaços do mesmo a boiar. Eu não gostava daquilo, cuspia-me toda, "vomitava" para o prato e obrigavam-me a comer na mesma. Uma coisa vos garanto: se me cheira a alho-francês eu não vou comer. Sei que é um alimento super saudável, mas nem pensar. Se estiver numa empada de pato ainda escapa, mas mesmo assim pedaços maiores são postos de parte e não me interessa se estou num restaurante fino ou se quem fez o prato fica ofendido: não dá!;

6. É natural: Os Bebés estão "programados" para experimentar e explorar - é como aprendem! Com este método, permite-se que o Bebé explore a comida ao seu ritmo e que siga os seus instintos para comer quando estiver preparado - como qualquer outro Bebé do Reino Animal (e sim, somos animais);

7. Um momento de aprendizagem sobre comida: Com o BLW, os Bebés aprendem acerca do aspecto, do sabor, do odor, da textura dos alimentos e de como se conjugam diferentes sabores;

8. Um momento de aprendizagem sobre o mundo: Tal como com os outros animais, um Bebé não está, simplesmente, a brincar - está sempre a aprender, a descobrir. Aprendem acerca de conceitos como "mais" e "menos", tamanho, forma, peso e textura. Aprendem, ainda, como pegar em algo mole sem o esmagar ou em algo escorregadio sem o deixar cair. Nesse momento, todos os seus sentidos estão envolvidos e aprendem como relacionar todas estas coisas, para um melhor entendimento do mundo que os rodeia;

9. Um momento de aprendizagem sobre como comer com segurança: Os Bebés aprendem sobre o que é mastigável e o que não é. A relação entre o sentir físico e o sentir mental é algo que só pode ser aprendido com a experiência. Quando o Bebé pega num pedaço de comida com a mão e o coloca dentro da boca isto ajuda-o a avaliar a facilidade com que diferentes tamanhos de pedaços se mastigam e movimentam com a língua. Isto é importante para que aprenda a evitar pedaços que são demasiado grandes para colocar na boca. Aprender como lidar com diferentes texturas também poderá diminuir as probabilidades de engasgamento;

10. Experimentar com diferentes texturas e aprender a mastigar: Com o BLW há uma experimentação de diferentes formas e texturas dos alimentos desde o início, estes não são reduzidos a uma colher de papa ou puré. Têm, ainda, a possibilidade de praticar a mastigação e a movimentação das coisas dentro das suas bocas, tornando-se mais experientes a lidar com a comida mais rapidamente do que os outros bebés. Para além de ser bom para a alimentação, aprender a mastigar eficazmente é também bom para a digestão e para o desenvolvimento da linguagem. Lidar com um leque variado de alimentos não só torna a refeição mais interessante, como torna mais provável que os Bebés ingiram todos os nutrientes de que necessitam;

11.  Experimentar a comida como ela é: Como adultos, esquecemo-nos que grande parte do prazer de comer vem de experimentarmos texturas e sabores individuais. Este método permite que os Bebés sintam este prazer. Já imaginaram se todas as vossas refeições fossem reduzidas a sopa ou a puré ou a papas? Sempre a mesma consistência, mesmo que o sabor mudasse? Não era aborrecido à brava? Ou até uma tortura?;

12. Aprender a confiar na comida: Os Bebés que estão habituados a seguir os seus instintos, no que diz respeito à comida, raramente suspeitam dela. Permitir que rejeitem comida que sentem que não precisam ou que não lhes parece segura (seja qual for o motivo), significa que estarão mais dispostos a experimentar novos alimentos porque sabem que podem escolher se os comerão ou não. Ainda no outro dia, o Duarte gozava comigo porque me deu algo a provar e eu tive de o cheiras primeiro? Sempre que me metem um prato à frente, fico bastante tempo a observar, a cheirar, a analisar. A primeira garfada é sempre dada com alguma suspeição;

13. Desenvolver o seu potencial: Ao usarem os dedos para levarem a comida à boca, os Bebés estão a ter mais uma oportunidade para praticar a coordenação olho-mão. Pegar em alimentos de diferentes texturas e tamanhos, várias vezes ao dia, melhora a sua destreza. Mastigar (em vez de, simplesmente, engolir) ajuda a desenvolver os músculos que serão utilizados quando aprenderem a falar;

14. Confiar em si mesmo: Permitir que os Bebés façam as coisas também estimula a sua confiança neles mesmos. Confiança nas suas habilidades e decisões. Quando um Bebé pega em algo (eu tinha escrito "nalgo", mas o Duarte gozou comigo e tive de alterar) e o leva à boca recebe, naquele instante, uma recompensa instantânea, através de uma forma ou textura interessante. Isto ensina-o que é capaz de fazer boas coisas acontecerem, aumentando a sua confiança e auto-estima. À medida que vai aumentando a sua experiência com a comida e que vai descobrindo o que é comestível e o que não é, bem como o que esperar de cada tipo de comida, vai aprendendo a confiar nas suas decisões. Bebés confiantes tornam-se crianças confiantes e isto, muitas vezes, permite que sejam mais tranquilos em relação à sua necessidade de explorar o mundo e que tenham mais liberdade para o aprender;

15. Participar nas refeições em família: Isto é divertido para o Bebé e permite-lhe copiar o comportamento dos outros à mesa, acabando por, naturalmente, aprender a usar talheres e adoptar as maneiras da família. Assim, começam a aprender como os diferentes alimentos/pratos são comidos, como partilhar, como esperar pela sua vez, e como conversar. Participar nas refeições em família tem um impacto positivo nas relações familiares, aptidões sociais, desenvolvimento da linguagem e hábitos alimentares saudáveis. Como disse no artigo de ontem, ainda não estamos nesta fase, mas fiquei a pensar nisso e é ir fazendo experiências. Desde que ela não se distraia muito connosco...;

16. Controlar o apetite: Quando são os Bebés a decidir o que querem comer (dentro de uma variedade de alimentos nutritivos), a que ritmo, quando querem parar, permite-lhes que se alimentem de acordo com as suas necessidades e torna menos provável que comam demais, mais tarde;

17. Melhor nutrição: Alguns relatos sugerem que é menos provável que, mais tarde, escolham comidas menos saudáveis, sendo mais provável que sejam melhor alimentados. Isto porque se habituaram a copiar o que os pais fazem, a comer "comida de adulto" e porque são mais aventureiros em relação aos alimentos;

18. Saúde a longo prazo: Como o aleitamento (com leite materno) é reduzido de um modo muito gradual, os Bebés continuam a obter uma boa quantidade de leite. O leite materno proporciona protecção contra várias doenças e um balanço perfeito de nutrientes, para o Bebé e para a Mãe;

19. Refeições mais fáceis, menos complicadas: Assumindo que os Pais têm uma alimentação saudável, é fácil para eles adaptar as suas refeições ao Bebé. E, em vez de alimentar o Bebé em momentos diferentes ou enquanto a sua refeição fica fria, podem todos comer em simultâneo. Nos primeiros dias isto era impensável, porque eu sentia que tinha de ficar a observar cada movimento da Carminho, com medo que ela se engasgasse. À medida que nos vamos, todos, habituando a este processo há cada vez mais à vontade e permite que vá fazendo outras coisas enquanto ela come (desde que nunca saia de perto dela);

20. Comer fora é mais fácil: Como no ponto anterior, os pais podem comer tranquilamente enquanto o Bebé também o faz. Se não se levar um tupperware, a maioria dos restaurantes fará um pratinho de legumes cozidos, por exemplo (que terá menos sal do que uma sopa que já esteja pronta). O Bebé tem, então, oportunidade de aprender como funciona este espaço: que a comida é parece e cheira diferente, que tem de esperar por ela, etc. Isto também torna que idas espontâneas sejam possíveis e não representem um grande problema.

21. É mais barato: Permitir que o Bebé coma o mesmo do que o resto da família é mais barato do que comprar e preparar comida à parte. E é, certamente, muito mais barato do que comprar comida para Bebé já feita.

Claro que o Baby-Led Weaning também terá as suas desvantagens, que a meu ver são diminutas, considerando todas as vantagens que foram descritas.

1. A sujidade: Há um pouco de sujidade, é verdade. Há pedaços de comida a irem parar ao chão, aos pais e a todo o lado. Simplesmente, esta sujidade acontece assim que se começa e é por um período bastante curto. Quantas mais oportunidades têm para experimentar, mais vão aperfeiçoando a técnica de como pegar nos alimentos, logo, menos alimentos a voar. De qualquer modo, quando se alimentam os Bebés com a colher também há sujidade - quando eles começam com os "brrrrrr" é sopa ou puré por todo o lado. E, para mim, é mais fácil apanhar e limpar quando cai um pedaço de comida do que pingos de sopa ou puré.

2. As preocupações dos outros: Não é bem uma desvantagem, é mais uma "chatice". Muitas pessoas, até verem como funciona, são muito cépticas e muito assustadas. Não o conhecem, nem percebem como funciona. No artigo anterior contei-vos a postura dos meus Pais e do próprio Duarte ao início, mas a cada dia que passa estamos mais confiantes - ela incluída. É preciso é ter cuidado para que o stress dos outros não assuste o Bebé. Bem sabemos como eles são permeáveis às nossas emoções. Por isso, se decidirem seguir o BLW estejam à vontade para não o fazer quando estão com pessoas que não querem entender o método (por mais vezes que o vejam em acção). E dêem também liberdade a outros cuidadores para que não o façam quando têm de tomar conta do Bebé e não se sentem À vontade com o BLW. Não faz mal nenhum se fizerem algumas das refeições pelo método tradicional, à colher.


Porque consideram que o BLW é melhor do que o Método Tradicional?

Bem, antes de mais e como tudo o resto, cada Mãe/Pai sabe o que é melhor para si, para o seu filho e o que melhor se coaduna com o seu estilo de vida.
Não há nada de mal em alimentar o Bebé à colher se acharem que é o melhor, se não se confia no Baby-Led Weaning. O momento tem de ser um momento com o menos stress possível (como em tudo o que envolve Bebés).
A maioria de nós foi alimentada à colher e estamos bem, não estamos? Eu sou super picuinhas com a comida (já fui muito mais!), mas sou saudável e estou bem.

Com o Método Tradicional o Bebé não é parte integrante da refeição familiar, não come o mesmo do que os outros. Em vez disso, os pais insistem em meter-lhe uma papa na boca, com uma colher. A consistência é sempre a mesma, mas o sabor varia: às vezes é bom, outras vezes não.
Os Pais até podem deixar que o Bebé veja a comida, mas raramente deixam que lhe toque com outra coisa que não a boca. Às vezes parecem com pressa, outras vezes a comida nunca mais chega.
Quando o Bebé cospe (seja porque foi surpreendido, seja porque quer ver o que é), os Pais apressam-se a raspar a comida e metê-la outra vez dentro da boca.
Como os Bebés não aprenderam que a comida os saciará, poderão ficar frustrados quando têm fome porque o que querem é leite.

Desvantagens do Método Tradicional
1. A comida não precisa de ser mastigada: A capacidade de mastigação pode ser atrasada e o Bebé pode não aprender a lidar bem com grumos. A mastigação é importante para o desenvolvimento da fala, boa digestão e comer em segurança;

2. A comida dada à colher tende a ser sugada para o fundo da boca onde não pode ser movimentada tão facilmente (ou de modo seguro);

3. Em muitos Bebés o reflexo de vómito é despoletado quando comem, pelas primeiras vezes, comidas com grumos ou esmagadas porque a sugam para o fundo da boca. É mais difícil aprenderam a evitar o reflexo quando são alimentados por outros do que quando lhes é dada a oportunidade de se alimentarem sozinhos;

4. Com este método, o Bebé não controla nem a quantidade que come nem a velocidade a que come. Muitos acabam por comer mais rápido e a comer mais do que precisam. Se se insistir nisto, poder-se-á interferir com a capacidade de sentir quando está saciado e, mais tarde, a que coma demais;

5. Quando é dada demasiada comida "sólida", o apetite do Bebé pode diminuir e poderá receber menos nutrientes do que necessita. Antes de completarem 12 meses, o aleitamento é a principal e mais importante fonte de alimentação do Bebé;

6. Não é um método divertido para o Bebé. Os Bebés querem explorar a comida - é como aprendem. Se repararem, os Bebés não acham muita piada que se lhes faça coisas ou que se as faça por eles. Permitir que os Bebés se alimentem a eles mesmos, torna as refeições mais agradáveis e encoraja-os a confiar na comida - aumentando a probabilidade de apreciarem uma maior variedade de sabores e texturas.

Com o BLW os Bebés podem comer alimentos em forma de purés, não são apenas alimentos sólidos. Aliás, o problema não está no facto de se comerem alimentos mais "líquidos", mas em apenas se comerem nesse formato e em não se permitir que os Bebés tenham o controlo. Há Bebés que, desde cedo, aprendem a comer com uma colher que os Pais previamente encheram, outros aprendem a "mergulhar" as colheres e outros ainda conseguem lidar com esses alimentos usando as mãos.

A alimentação à colher utiliza-se quando se introduzem os sólidos aos 3 ou 4 meses, apesar de ainda não haver necessidade alimentar com essa idade. Não há outra opção sem ser a colher porque os Bebés não conseguem lidar com a comida nessa idade, ainda não têm as capacidades necessárias para o fazer em segurança. Isto criou  ideia de que as colheres e os purés eram essenciais à introdução dos sólidos.
Mesmo havendo, actualmente, estudos que indicam que não se devem iniciar os sólidos numa idade tão precoce, a maioria das pessoas ainda assume (acriticamente) que o início da alimentação complementar deve ser feita por meio de papas, purés e à colher. De acordo com a Gill Rapley e com a Tracey Murkett, não há qualquer investigação que apoie esta ideia. Simplesmente tornou-se prática comum: experimentada e confiada, mas não testada.




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sábado, 16 de dezembro de 2017

Introdução dos Sólidos: Baby-Led Weaning (BLW) - O Que é e Medos Frequentes

Assim que a Carminho fez 6 meses começámos a introdução de alimentos sólidos.


Depois de muita leitura e de conversar com a Pediatra optámos por fazer um mix entre o Baby Led Weaning (BLW) e o Método Tradicional (MT), sendo que se trata mais de BLW do que MT.

De um modo muito sucinto, no BLW puro o bebé senta-se à mesa com os pais e come o que eles comem (desde que tenha sido preparado sem sal, não seja fast-food, etc. - falarei sobre isso mais à frente). Os alimentos são dados sem serem liquidificados ou transformados em puré, a não ser que seja esse o seu estado normal (como o iogurte, por exemplo). Devem ser apresentados num formato que o bebé consiga agarrar e com uma consistência que o bebé consiga "mastigar" com as gengivas; quer o formato quer a consistência serão apresentados de um modo seguro para o bebé, minimizando qualquer probabilidade de engasgamento. Alimentos moles são dados crus - por exemplo a banana, ou o abacate - e os alimentos rijos são cozidos ou assados (ou ambos!) - como a maçã ou os brócolos.
No BLW, o bebé senta-se à mesa com os pais (no máximo de refeições possíveis, ou aquelas que os pais entenderem) e é-lhe colocado à frente os alimentos para que os possa explorar (tocar, cheirar, levar à boca, etc.).
No MT, há uma introdução progressiva de alimentos (um alimento novo a cada 3-5 dias), de modo a despistar possíveis alergias; o bebé começa por fazer uma refeição, depois duas, três e por aí fora; e os alimentos são dados em forma de sopas ou purés, recorrendo-se a colheres (porque de outra forma o bebé não os conseguirá ingerir).
Em ambos os casos, a alimentação de sólidos antes do primeiro ano deverá ser uma alimentação complementar. Ou seja, o aleitamento (seja leite materno, seja fórmula) deverá ser a principal fonte de alimentação do bebé.

Quando digo que fizemos um mix entre BLW e MT, quero dizer que respeitamos o formato, consistência e frequência como no BLW, no entanto optámos por fazer a introdução de um novo alimento a cada 3 dias como no MT e as refeições não são, por enquanto, "em família" porque os alimentos são preparados só para ela. Isto porque há historial de alergias na família, porque para mim é mais fácil de gerir o que ela come e porque quando tentámos comer ao mesmo tempo ela distraía-se muito connosco e com o que era diferente do que ela tinha à frente. Como nesta fase há ainda muitos alimentos novos para introduzir (a cada 3 dias lá vem um ou dois alimentos novos, às vezes 3 - loucura! Wooo!) o prato dela é diferente do nosso, que tem muitos mais ingredientes e não é cozinhado de acordo com o que é mais seguro para ela. Daqui a uns meses, quando a introdução de novos alimentos já for mais espaçada, então começarei a cozinhar para a família inteira e eu e o pai teremos uma alimentação mais saudável.

Outra coisa importante é terem a confiança na vossa escolha e não terem medos. Aliás, medos temos sempre e acompanhar-nos-ão ao longo da vida, temos de ser capazes de os enfrentar.
O maior receio em relação ao BLW tem a ver com o engasgamento/asfixia e explico-vos aqui porque é que esse receio não deve ser maior em relação ao BLW do que em relação ao MT.
Mas têm de ter confiança, não podem ter o coração nas mãos sempre que alimentarem o vosso Bebé, se as outras pessoas ficam ou vos colocam em stress não alimentem o vosso Bebé em frente delas (mais à frente, tenho uma história para vos contar) e ambos os pais têm de concordar no método que utilizarem. Uma coisa vos garanto, há muito cepticismo e desconfiança, mas quando observam os bebés percebem que eles "sabem" o que estão a fazer.
Reparem, a falar com a "minha" Pediatra (que utilizou este método com o filho mais novo) disse-lhe "Doutora, eu estou confiante, mas apesar de ser socorrista preocupo-me com a eventualidade de algo acontecer". A resposta dela, médica? "Preocupamos todos!"

Apresentar-vos-ei uma série de informação sobre o BLW: O que é? Como se faz? Quando iniciar? Porquê escolher o BLW? Porque é que é melhor do que o MT? Quais as desvantagens? E os riscos?
Hoje abordo o que é o Baby-Led Weaning e os medos frequentes (e como lidar com eles).
Como sabem não é um método inventado por mim, o que escreverei acerca do mesmo será informação retirada dos livros da Gill Rapley e da Tracey Murkett, e que complementarei com o que observo na Carminho e as experiências que temos tido.
Será como que uma tradução do livro "Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater" (Baby Led Weaning: O Guia Essencial à Introdução de Alimentos Sólidos e de Ajuda a que o Bebé Cresça um Comedor Feliz e Confiante). Livro este que aconselho que comprem.



O Que É o Baby-Led Weaning?

"Weaning" significa a mudança gradual de uma alimentação apenas de leite (materno ou artificial) para uma alimentação sem qualquer leite (materno ou artificial) na sua alimentação. Esta mudança demora, pelo menos, 6 meses, mas pode levar anos (principalmente em bebés amamentados).
"Baby-Led" significa que é o bebé que conduz, que lidera, que toma as decisões neste processo de mudança, utilizando os seus instintos e capacidades adquiridas ao longo do mesmo.
Como já referi anteriormente, no início do processo esta alimentação é complementar.

O que é, na prática, o BLW?
  • O Bebé senta-se com a família durante as refeições e, quando estiver preparado, junta-se a ela num momento de sociabilização;
  • Encoraja-se o Bebé a explorar os alimentos assim que ele se demonstrar interessado, não interessando se os consegue comer (começa a pegar neles);
  • Os alimentos são oferecidos (esta palavra é importante, perceberão isso no "como") em pedaços de tamanho e forma adequados para que o Bebé consiga pegar neles, em vez de estarem em purés ou serem esmagados;
  • O Bebé alimenta-se a ele próprio desde o início, em vez de ser alimentado por outra pessoa;
  • O Bebé decide quanto quer comer e a que velocidade aumenta o leque de alimentos que aprecia;
  • O Bebé continua a ser alimentado com leite (materno ou artificial) e será ele a decidir quando está pronto para começar a reduzir o seu consumo (até deixar de o fazer).
Muitos pais lêem sobre o Baby-Led Weaning e pensam "oh, que novidade! Isso já eu fazia". Muitos pais, especialmente os que têm mais de 2 filhos, acabaram por fazer este método sem sequer repararem nisso. Com o primeiro filho tiveram todos os medos e fizeram o método tradicional como toda a gente lhes dizia para fazer (sim, eu digo "gente". "Gente" não é da polícia, "agente" é que é e "a gente" é diferente de "agente"), com o segundo relaxaram um bocado e quebraram algumas regras, quando chegaram aos terceiro filho já estavam tão ocupados com as crianças que "deixa-o lá explorar!". Basicamente, como em tudo o resto: detergentes próprios para bebés, chuchas caídas ao chão, etc... Amiúde, estes pais reparam que o primeiro filho é mais "picuinhas" a comer, o segundo é um pouco menos e o terceiro come melhor e é mais aventureiro. No entanto, não contam a ninguém com receio de que os achem maus pais ou preguiçosos.

No início dos 1900s, os bebés não comiam qualquer tipo de sólidos até chegarem aos 8 ou 9 meses; nos anos 60 começaram a dar-se sólidos aos 2 ou 3 meses; nos anos 90, a introdução dos sólidos começou a iniciar-se aos 4 meses - e assim se mantém, pelo menos aqui em Portugal. Estas mudanças acompanharam as mudanças na amamentação, não havia muita pesquisa fiável sobre o tema e não havia directrizes oficiais sobre a introdução dos sólidos.
Infelizmente, com a maioria das licenças de maternidade serem apenas até aos 6 meses, a introdução dos sólidos em Portugal é feita aos 4 meses, por necessidade dos pais e não necessidade do bebé. Talvez se consiga atrasar um bocadinho, quando as mães podem fazer o sacrifício financeiro de ficar em casa até aos 8 meses. Mas era tão importante conseguirmos que, para o bem-estar nutricional e afectivo dos bebés, a licença de maternidade fosse até ao primeiro ano de vida - idealmente até ao segundo.




Quais os Riscos do BLW? E se se engasga?

No início do BLW, tal como faria com um boneco ou objecto, quando o Bebé consegue agarrar em algo novo (que neste caso é a comida) é quase certo que o leve à boca para o explorar e testar. Quando consegue morder um bocado irá mastigá-lo com as gengivas, descobrindo como o sente e a que sabe. Principalmente, porque não consegue e, em parte, porque não o quer, é muito pouco provável que engula esse pedaço de comida. Ainda não adquiriu as capacidades necessárias para, propositadamente, levar a comida até ao fundo da boca e é muito difícil que tal aconteça acidentalmente - se estiver bem sentado e se não estiver distraído. O que normalmente acontece é que o pedaço caia da boca.
E isto é algo que está sempre a acontecer durante as primeiras "refeições". Mais do que ingerir os pedaços, estes caem da boca do Bebé, porque ainda não está na altura de ele os saber ingerir.
A Carminho, às vezes, bem tenta engoli-los e anda com bocados às voltas na boca, para depois os cuspir acidentalmente.

Os Bebés mais pequeninos têm o chamado "reflexo de extrusão" que actua de forma a empurrar para fora da boca tudo o que não seja a mama ou o biberão. Será um mecanismo de defesa que os impede de engolir ou inalar coisas sólidas e que começa a desaparecer, naturalmente, por volta dos quatro meses, independentemente do tipo de alimentação do Bebé.
A introdução precoce dos sólidos, com a colher, implica o tentar sobrepor-se a este reflexo - o que explica a sujidade que associamos a esta fase. Não é que o Bebé queira mandar a comida fora, simplesmente é um reflexo, não é uma escolha (tal como nós quando fechamos os olhos ao espirrar). Durante muito tempo achava-se que os bebés se habituavam à colher, mas o que se passa é apenas o reflexo de extrusão a desaparecer.

Os Bebés não aprendem a mastigar, simplesmente desenvolvem essa capacidade, pelo que não é necessário ensiná-los com a introdução de purés, progredindo para a comida esmagada e depois com pedaços.
Aprender a movimentar a comida dentro da boca é importante para a segurança do bebé, para a capacidade de comer e para o desenvolvimento da fala. Assim, o melhor modo de desenvolver estas aptidões é praticá-las com comidas e texturas diferentes. Além do mais, diferentes texturas (e não só o sabor) também proporcionam prazer e interesse no acto de comer. (Eu ia escrever "no comer", mas achei que poderia ser interpretada como não sabendo escrever) Quanto mais o Bebé experimenta diferentes texturas, maior a probabilidade de ser capaz de lidar com elas e maior a sua disponibilidade e vontade para experimentar novos alimentos.
Outra coisa a ter em conta é que, a partir de certa idade, não é necessária a existência de dentes para que sejam capazes de morder, roer ou mastigar, já têm força suficiente para o fazerem apenas com as gengivas. Os dentes serão úteis para, mais tarde, serem capazes de se "atirar" a alimentos mais rijos, como cenouras cruas. Para os alimentos cozidos, assados e "molinhos", não são necessários.

O medo mais comum é, sem dúvida, o medo de que o Bebé se engasgue com algum alimento. No entanto, o BLW não torna mais provável que isto aconteça do que a alimentação à colher (até pode ser o contrário). Isto, claro, desde que o Bebé esteja bem sentado e que seja ele a controlar a comida que leva à boca (e que a comida seja apresentada cozinhada e cortada forma correcta).
Este medo normalmente está associado ao observar-se o Bebé a ter o reflexo de vómito e confundi-lo com engasgamento. Estes dois mecanismos estão relacionados, mas não são a mesma coisa.

O vómito é um movimento que empurra a comida para longe das vias aéreas quando esta é muito grande para ser engolida. Se, num adulto, esta resposta é desencadeada perto do fundo da língua, nos Bebés de 6 meses é desencadeada muito mais à frente; ou seja, num bebé acontece muito mais facilmente do que num adulto e é desencadeada quando está bem mais longe das vias aéreas. Portanto, quando os Bebés de 6 ou 7 meses têm o reflexo de vómito com a comida não significa que esta esteja demasiado perto das vias respiratórias e muito raramente significa que estão em perigo de engasgamento. Independentemente do Método utilizado para introdução dos sólidos, à medida que o Bebé vai crescendo, o reflexo de vómito é despoletado cada vez mais atrás e o reflexo de vómito vai acontecendo cada vez menos. Estão a ver quando os médicos nos metem a espátula na boca e parece que vamos vomitar? Se pensarem nessa situação, vão-se lembrar que eles apenas nos pressionaram a parte detrás da língua, não houve nada a ir para a garganta e mesmo assim despoletou-se o reflexo de vómito.
Bebés que não tiveram a oportunidade de explorar a comida desde cedo podem perder a capacidade de usar este reflexo como forma de aprender a manter a comida longe das vias respiratórias. Há relatos que sugerem que Bebés alimentados a colher têm mais problemas, com o reflexo e com o engasgamento, quando começam a lidar com a comida (normalmente aos 8 meses) do que os Bebés que tiveram a oportunidade de a explorar mais cedo.
No entanto, para o reflexo de vómito funcionar eficazmente como mecanismo contra o engasgamento é imperativo que o Bebé esteja bem sentado (não pode estar recostado) - para que a comida seja empurrada para fora e não para dentro.

O engasgamento acontece quando a via aérea está bloqueada, completa ou parcialmente.
Quando o bloqueio é total (o que é raro), o Bebé não consegue tossir e é necessário que alguém desloque o que causa o bloqueio (recorrendo aos primeiros socorros).
Quando o bloqueio é parcial, o Bebé começa a tossir, automaticamente - o que costuma ser bastante eficaz. A Pediatra até nos disse "se estiver a tossir é porque está a ser capaz de lidar com isso, não é sinal para grandes alarmes".
O tossir e os ruídos que parecem tão alarmantes, são sinais de que o Bebé está a ser capaz de lidar com o bloqueio. Os Bebés, desde que não tenham qualquer patologia, têm um mecanismo da tosse muito eficiente e, desde que estejam sentados ou inclinados para a frente, o melhor é deixá-los lidar sozinhos com a situação.
No BLW, o que coloca o Bebé em perigo é alguém lhe colocar comida ou bebida na boca ou ele estar numa posição reclinada.

Quando um Bebé coloca um pedaço de comida na boca, ele está a controlar esse pedaço de comida. Se for capaz, mastiga-la-á. Se for capaz de a levar até ao fundo da garganta, engoli-la-á. Se não for capaz e, mais uma vez, desde que esteja bem sentado a comida cairá.
Permitir que um Bebé se alimente a si próprio significa que ele está no controlo e deixá-lo controlar ajuda a mantê-lo seguro.


Cá em casa, quem quis o BLW fui eu. Como em tudo, li, estudei, procurei e informei o Duarte. O Duarte (e já lhe disse isto mais do que uma vez) nunca se deu ao trabalho de ler uma linha sobre o que quer que seja, espera que eu o faça e depois lhe diga. Muitas vezes dá barraca, porque como é surdo (ou seja, responde-me os típicos "está bem, está bem") depois faz disparates ou lixa-me as rotinas ou inventa coisa. Portanto, o Duarte não estava informado sobre esta questão dos reflexos e ficava bastante apreensivo sempre que era altura da "refeição".
Poucos dias depois de iniciarmos o BLW fomos almoçar com o meu Pai e levámos uma caixinha com a comida dela. O meu Pai, apesar de médico, nunca ouviu falar no BLW, nem é pediatra. "Apenas" teve 4 filhos e a mais nova (eu) nasceu em 1984, quando a partir dos 3 meses as Mães tinham de voltar ao trabalho e as crianças iniciavam os alimentos sólidos. Habituado às maluquices das filhas (a minha irmã, na primeira gravidez, teve uma fase em que dizia que não ia vacinar o bebé; felizmente passou-lhe a parvoíce), quando nos viu a tirar alimentos sólidos, franziu o sobrolho em sinal de cepticismo, mas não disse nada.
A Carminho estava ao meu lado e à sua frente o Duarte, que a vigiava enquanto eu comia. Entretidíssima com os brócolos, começa a tossir. Eu, tranquila, olho para ela e fico a prestar atenção, o meu Pai entra em pânico, o Duarte fica stressado com a atitude do sogro e levanta-se de repente, indo na direcção da miúda "Ela tem um bocado de brócolos enorme na boca!". Obviamente, isto assustou-me e peguei na cara da miúda para lhe tirar o bocadão de brócolos. O que ela cuspiu foi um niquinho completamente esmagado que, se o reflexo de extrusão lhe permitisse (e dificilmente permitiria), teria engolido sem dificuldades. Logo de seguida, começa num pranto. Pranto este que foi, obviamente, precipitado pelo nosso comportamento.

Quanto mais habituada está a esta coisa de "comer", menos reflexos de vómito, menos tosse e é cada vez mais eficaz a pegar nos pedaços e levá-los à boca.
Quando ela percebe que está na hora da refeição fica felicíssima: seja porque vê os tupperwares, seja porque nos vê a pegar no bibe, seja pelo que for. Ela já reconhece a sua comida, sabe tão bem o que é para ela. Faz barulhinhos de satisfação enquanto come, balança os pés, sorri, suspira, fala com a comida. É um momento tão bom.
E não é só ela que está cada vez mais habituada, somos todos. O Pai já está mais relaxado e até a minha Mãe, que no início achou que sopa é que era, já acha mais piada à coisa.
É um método que tem de ser visto em acção para se perceber o quão natural é.


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