Um dos pratos que costumo cozinhar para a Carminho são estes hambúrgueres. Deixo a receita dos de peru, mas às vezes faço com porco.
Ingredientes (para dois adultos e uma criança)
250 gr. de carne de peru picada
1 maçã
1 colher de chá de ervas secas
1 pitada de pimenta
Utensílios
Pirex para ir ao forno ou frigideira
Panela ou bimby, para cozer a maçã
1-2-3, para fazer o puré
Tigela
Preparação
Se forem fazer os hambúrgueres no imediato, pré-aqueçam o forno a 220º (embora também os possam fazer na frigideira)
Cozer a maçã e, depois, passar no 1-2-3 até fazer puré;
Numa tigela, juntar a carne e o puré, misturando;
Adicionar as ervas e a pimenta e mexer bem;
Retirar pedaços, formando uma bola e espalmando para das a forma de hambúrguer (humedecer as mãos com água ou enfarinhá-las para que a mistura não se cole às mãos).
Levar ao forno/lume ou, antes, colocá-los no frigorífico durante, pelo menos, 1 hora para que fiquem mais firmes - Eu gosto de os preparar durante o dia, meter no frigorífico e cozinhar quando a Carminho chega da escolinha;
Certifiquem-se de que a carne fica bem cozinhada (ou seja, nada cor de rosa por dentro).
Cortar a maçã em pedaços para a cozer antes de a transformar em puré
Misturar a carne de peru e o puré de maçã
Adicionar as ervas e mexer
Fazer os hambúrgueres e, se assim se quiser, levar ao frigorífico
Opções A receita original, em vez de maçã, leva uma pastinaca pequena (ou cherívia) e meio alho-francês. Como nunca encontro pastinaca (que adoro) e detesto alho-francês, optei pela maçã. Também se pode trocar o peru por carne de porco.
Desta vez, acompanhei com puré de batata e cenouras bebé. Bom apetite!
As fotos das refeições da Carmita fazem sempre imenso sucesso e as bolinhas são capazes de ser o maior deles!
Vou, então, dar-vos a minha receita.
Como sabem, organizei um calendário de menus semanais e todas as refeições são preparadas do mesmo modo. Podem ver aqui como.
Como referido no artigo sobre a preparação, faço quantidade logo para 3 ou 4 dias e todas as refeições de almoço têm vegetais, cereais e proteína animal.
Ultimamente, como a Carminho é um poço sem fundo, optei por diminuir a quantidade das porções, mas aumentar o número de refeições. Assim, distribuí a quantidade de cereais e de proteínas que dava ao almoço, pelo o almoço e jantar. 15 gramas de cereais ao almoço e ao jantar e 15 gramas de proteína animal ao almoço + 15 gramas de proteína vegetal (leguminosas) ao jantar.
Actualizando o que foi falado no artigo anterior, as porções para 3 dias são:
- 30 gramas de vegetais (10 gramas de brancos, 10 gramas de verdes e 10 gramas de laranjas);
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Bolinhas Salteadas
Ingredientes (para 3 refeições/almoços):
Batata-doce: 10 gramas
Cenoura: 10 gramas
Brócolos: 10 gramas
Arroz (já cozido): 45 gramas
Frango: 60 gramas
Azeite: 1 fio
Utensílios
Bimby (ou panela)
Trituradora (1-2-3)
Frigideira
Preparação
Retirar a batata-doce, a cenoura, os brócolos e o frango do congelador e colocar directamente na Bimby ou panela para cozer a vapor (cerca de 20 a 25 minutos na Bimby, temperatura varoma, velocidade 2,5);
Quando estiverem cozidos, passar para o 1-2-3, adicionando os 45 gramas arroz. Ter atenção para não triturar demais, senão fica em pasta e já não dá para formar bolinhas. Quem tem Bimby se calhar interroga-se porque não a uso para triturar. Porque é muito pouca quantidade, fica tudo agarrado às paredes. O 1-2-3 ou a varinha mágica são mais eficazes.
Tirar da trituradora e fazer bolinhas. O tamanho é mais ou menos de um grão-de-bico. Podem ser maiores, mas faz menos bolinhas, demoram menos a comer, logo demoram mais a ficar com a sensação de saciados e quererão comer mais.
Na frigideira colocar 1 fio de azeite. Pouco, porque a ideia é apenas dar um saborzinho às bolinhas, salteando-as. Não as queremos fritar.
Adicionar as bolinhas e ir mexendo, para que não colem e para que alourem à volta, criando uma camadinha chocante.
Se exagerarem no azeite e as bolinhas ficarem a escorrer (às vezes acontece), basta colocá-las em papel de cozinha para que o excesso seja absorvido.
Deixar arrefecer um pouco e servir.
Notas
Ajuda muito se as bolinhas forem feitas em dias de vegetais mais "farinhentos", como a batata, e ou proteínas menos aguadas, como a carne ou salmão. Outros alimentos, como folhas, nabo, tomate, pescada, não formam uma pasta suficientemente consistente que permita bolinhas. Não têm de ser todos "farinhentos" e podemos fazer algumas batotas, como diminuir a quantidade de uma coisa para aumentar outra, ou em vez de fazer só couve-branca, dividir em couve-branca e batata. É uma questão de experimentarem;
Outra coisa que acontece é no primeiro dia ficar muito aguado, mas nos seguintes ou no terceiro já dar porque a "pasta" já secou um pouco.Esta semana, por exemplo, com nabo, abóbora, grelos, pescada e arroz, consegui fazer bolinhas desde o primeiro dia. Tive muito cuidado ao triturar e o arroz ajuda sempre. E também deixei os alimentos na Bimby algum tempo antes de os triturar (a Carminho estava a dormir). O que permitiu que escorresse mais água;
Seja pelos alimentos ou por me entusiasmar com o 1-2-3, se ficar em pasta ou puré a Carminho não se importa muito e vai à colherada;
Se quiserem transformar numa refeição vegetariana, basta substituírem a proteína animal por proteína vegetal. As leguminosas até são boas para a consistência das bolinhas, mas a Carmita não ficou fã.
E pronto, é tão simples quanto isto, embora a parte de fazer as bolinhas seja uma seca! Principalmente, porque demoro muito mais do que ela demora a comê-las.
Ao longo dos últimos meses tenho recebido inúmeros pedidos para partilhar as receitas que faço para a D. Carmita e cujas fotografias partilho convosco.
Finalmente, chegou o dia de começar a cumprir. Nunca me fartarei de repetir: eu tardo, mas cumpro! (devia passar esta frase para a descrição do blogue...)
Já partilhei convosco uma série de artigos sobre Baby-Led Weaning (BLW) cuja leitura aconselho vivamente antes de se atirarem de cabeça a seguir as receitas que irei, futuramente, partilhar. No final deste artigo poderão encontrar as ligações para todos eles.
Num deles, "O Nosso Baby-Led Weaning (BLW)", falei de como optámos por um método híbrido em que seguimos, fundamentalmente, o BLW, mas com certos cuidados do método tradicional, principalmente no que diz respeito à introdução de novos alimentos. Também vos falei de como cortava os alimentos (importante para os bebés mais pequenitos e que estão numa fase de início de BLW) e do meu calendário, que me ajuda a organizar.
Ora, com o crescer da Carminho, a experiência da prática e com o maior à vontade nestas andanças, fui relaxando, experimentado e o calendário serve apenas como linha orientadora. Até porque, enquanto tivermos vegetais/frutas para consumir, não vamos comprar mais só porque o calendário assim o diz.
Ultimamente também tenho sentido algumas alterações nas vontades alimentares e comportamentos da Carmita e decidi que tenho mesmo (MESMO) de começar a acompanhá-la e a comer o mesmo do que ela. Sem receios de que ela me tire comida do prato. E também para eu mesma começar a ter uma alimentação mais saudável. Não sei se irei a tempo do Verão, mas enfim...
Feito o enquadramento, o que se segue é a minha organização, preparação dos alimentos e confecção - base para todas as receitas de almoço/jantar que faço para a Carminho, agora que está mais crescidota.
A organização
Como agora vou partilhar com ela, vou descrever como será a minha organização e não como é actualmente, visto precisar de uns ajustes.
Uma vez por semana é dar uma olhadela no calendário e ver o que precisamos. Ao contabilizar as porções, prefiro errar pelo excesso do que arriscar que ela fique com fome.
(sim, as leguminosas entram neste grupo e devem ser compradas secas e demolhadas e cozidas em casa. As de lata têm uma enorme quantidade de sal que não é adequado para bebés)
Vegetais - 470 gr. de abóbora; - 120 gr. de cenoura; - 120 gr. de brócolos; - 160 gr. de courgette; - 350 gr. de chuchu; - 120 gr. de batata-doce; - 160 gr. de couve-flor; - 350 gr. de nabo. Cereais - 500 gr. de arroz; - 500 gr. de massa.
Com estas quantidades posso preparar o nosso almoço e a sopa que comemos ao jantar. Para além disto, ainda é preciso comprar fruta, iogurtes, queijo, papas, pão. Mas o plano alimentar completo, fica para o próximo artigo sobre a alimentação da Espiguita. Porque, apesar de preferir errar pelo excesso, esta menina está sempre com fome. Sempre. Pode ter acabado de comer, mas se nos vê a comer outra coisa, vai querer. Então preferi fazer mais refeições ao longo do dia, embora menores. Isto tudo, sempre complementado com a maminha.
A Preparação
Quando chegamos a casa com as coisas adiantamos logo tudo o que podemos.
Os vegetais são cortados aos palitos (ou quadradinhos agora que a Carmo já tem praticamente 1 ano) e vão para o congelador crus (os de folha, incluídos).
As leguminosas são demolhadas, cozidas e congeladas. É a única coisa que se cozinha antes de congelar. Simplesmente porque demoram muito mais a cozer do que os vegetais.
A carne e o peixe, também vão para o congelador.
Guardo as coisas em sacos próprios para congelação (gosto dos do IKEA).
A Confecção-base
Eu gosto de preparar os almoços para cada 3 ou 4 dias. De segunda a quarta são os dias de peixe; quinta é o dia vegetariano - do ovo; e de sexta a domingo são os dias de carne.
Vou-vos dar como exemplo os dias de refeição de peixe.
Segunda de manhã, retiro as quantidades necessárias de vegetais e de peixe do congelador e coloco a cozer a vapor (na Bimby).
Vegetais: 30 gramas de abóbora, 30 gramas de brócolos, 30 gramas de batata (é importante ter vegetais de cor diferente para uma maior variedade nutricional);
Peixe: 120 gramas de pescada.
Cereais: 90 gramas de arroz (como já vos disse, tenho imensa dificuldade em cozer arroz. Esta parte fica com o Duarte).
Faço os vegetais e a proteína ao mesmo tempo na Bimby. Normalmente, os vegetais ficam cozidos em 20 minutos. Alguns podem ficar um pouco mais molinhos do que outros, mas o importante é que fiquem todos bem cozidos (que se possa esmagar entre o indicador e o polegar, ou ao empurrar o alimento contra o céu da boca com a língua).
O peixe costuma ficar pronto ao mesmo tempo que os vegetais, a carne pode precisar de mais uns minutinhos (depende da grossura da peça).
A partir daqui podem fazer o que quiserem, como quiserem.
Podem apresentar tal como está, adicionando um fio de azeite. Podem levar ao forno para tostar e ficar uma camada crocante; adicionar água, triturar e transformar em sopa; saltear em azeite, cebola e alho; levar ao 1, 2, 3 para tornar os alimentos em pasta e depois fazer bolinhas ou croquetes; picar e misturar com ovo para fazer os queques de ovo, as panquecas de ovo ou omelete (substituindo o peixe ou a carne).
Estejam também à vontade para irem introduzindo condimentos: pimenta, tomilho, orégãos, etc. Excepto sal.
Daqui a uns dias, vou partilhar uma receita de bolinhas, passo a passo.
Até lá, têm aqui a base para se poderem aventurar a fazer experiências. Asseguro-vos de que é tudo super simples. Pode ser chato à brava estar a fazer bolinhas, é verdade, mas difícil não é.
Tinha-me comprometido a começar a partilhar as minhas receitas de Baby-Led Weaning e o prometido é devido! Nesta semana, vou apresentar-vos as duas bases fundamentais das receitas: como me organizo e qual a preparação que dou aos alimentos. Com estas duas informações, podem começar já a experimentar e a tentar inovar nas vossas casas e com os vossos bebés.
Vou tentar voltar às publicações regulares, com artigos semanais. Já os tenho todos alinhavados para as próximas semanas. A ver se volto a encarrilar. Dica Uma das formas de termos uma alimentação saudável é optarmos por alimentos o mais frescos possíveis.Uma das formas de sabermos se são realmente frescos é escolhermos produtos locais, que tenham viajado o menos possível.
O entusiasmo foi tanto que me esqueci desta informação importantíssima!
BLW ou tradicional há alimentos que são de evitar até determinadas idades pelos mais variados motivos.
1. Riscos de engasgamento
Alguns alimentos representam, efectivamente, um risco de engasgamento.
Frutos secos inteiros ou em grandes pedaços devem ser evitados até as crianças terem 3 anos porque se podem alojar facilmente na traqueia. As cerejas devem ser descaroçadas e cortadas ao meio. As uvas e o tomate cherry também devem ser cortados ao meio. Atenção a comidas preparadas que possam ter frutos secos, ossos, espinhas, etc.
2. Sal
Nada de adicionar sal aos alimentos dos bebés ou crianças.
Os alimentos frescos já têm uma dose natural de sal e mais do que isso é evitável.
Ter atenção a alimentos como comidas enlatadas, enchidos, caldos tipo knorr, molhos feitos, alguns queijos.
Até aos 12 meses os bebés não devem ingerir mais do que 1 grama de sal (0,4 gramas de sódio) por dia. Portanto, quando comprarem alimentos que não são frescos tenham atenção aos rótulos nutricionais e às doses que dão aos Bebés.
3. Açúcar
Tal como o sal, não há necessidade de dar açúcar às crianças, para além do que já existe, naturalmente, nos alimentos.
O açúcar que se adiciona não tem qualquer vantagem nutricional, são as chamadas "calorias vazias".
Até algumas das chamadas "comidas para bebé" que se compram por aí, vêm com açúcar adicionado.
Tenham atenção aos rótulos das embalagens de comida e vejam se contém algum destes ingredientes: sucrosedextrosefructosexarope de glicose ou xarope de milho São todos tipos de açúcar e às vezes estão presentes em embalagens que dizem "sem açúcar".
Como em tudo o que envolve comida, mais vale sermos nós a prepará-la quando queremos comer de um modo saudável. Nós, adultos, temos escolha - se queremos saudável ou não -, mas as crianças comem o que lhes damos, pelo que temos uma responsabilidade acrescida.
4. Bebidas
Para além de leite e de água os Bebés não precisam de mais nenhuma bebida.
É particularmente importante evitar as seguintes bebidas:
Café, chá e colas: contêm cafeína - são estimulantes e podem tornar o bebé irritadiço;
Refrigerantes e sumos de fruta concentrados: têm quantidades elevadíssimas de açúcar, alguns também têm cafeína e podem ser ácidos;
Leite: antes dos 12 meses o leite não deve ser dado como bebida, embora possa ser utilizado para cozinhar a partir dos 6 meses. O leite pode interferir com a "fome" do Bebé e tirar-lhe a vontade de beber leite materno ou de fórmula.
5. OutrosConservantes, aditivos, corantes: glutamato monossódito (GMS ou MSG), aspartame, etc. O ideal é evitar os alimentos sem rótulos ou aqueles cuja lista tem a menor quantidade de ingredientes: geralmente, são mais frescos e saudáveis.
Ovos: não é consensual, entre os pediatras, quando é que se devem introduzir os ovos. Uns dizem aos 8 meses, outros 9, outros não vêem problema em começar aos 6. Pelo sim, pelo não, quando o fizerem certifiquem-se de que estão bem cozinhados (incluindo a gema).
Mel: É melhor evitar antes dos 12 meses, para evitar o risco de se contrair botulismo; Farelos: Podem irritar o tracto digestivo e interferir com a absorção de nutrientes como ferro ou cálcio; Produtos com frutos secos: O ideal é só serem dados a partir dos 3 anos.
Desculpem lá esta falha grave! De qualquer modo, há uma imensidão de alimentos e há sempre o risco de alergias (mesmo que não as haja na família), por isso é sempre bom consultarem o pediatra se tiverem dúvidas em relação a um alimento específico.
Não o vou negar, o Baby-Led Weaning é bastante difícil de fazer quando ambos os pais trabalham.
Ou se tem uma mãe que, como é o meu caso, tem a possibilidade de estar em casa com o Bebé até bastante tarde e assim usar este método a todas as refeições ou o melhor é fazer um "mix" entre BLW e tradicional.
Muito dificilmente se encontrará uma creche ou uma ama, babysitter, empregada ou Avós que concordem em dar as refeições sem ser em sopa/puré/papa, porque têm medo e não querem assumir essa responsabilidade.
Este método exige bastante disponibilidade e tempo. Não é apenas ir dando colheradas à criança até o prato estar vazio ou ela se recusar a comer mais, o BLW implica sentarmo-nos com eles e deixá-los explorar e brincar com a comida o tempo que quiserem - o que pode ser 15 minutos ou 1 hora, podem não descansar até comerem uma peça de fruta inteira (para grande espanto dos pais) ou nem sequer tocar na comida e começarem num berreiro (e percebermos que aquela refeição não se vai realizar).
Outro aspecto é que no Baby-Led Weaning puro não há refeições cozinhadas especificamente para o Bebé. O Bebé é sentado à mesa com os pais e come o mesmo do que eles - a comida terá de ser, obviamente, confeccionada de um modo saudável (nada de sal ou fast food, por exemplo). Ao contrário do método tradicional, não há intervalos entre a introdução de novos alimentos para despiste de alergias e não há uma progressão na quantidade de refeições diárias.
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Lidar com o medo de engasgamento Sim, nas primeiras refeições vão estar com o coração nas mãos, cheios de medo que o Bebé se engasgue. Asseguro-vos que o Bebé vai fazer o reflexo de vómito e que vai tossir porque se engasgou parcialmente, mas não é nada com que o próprio não consiga lidar e faz muito mais confusão a quem assiste do que a ele - que cuspirá um bocado de comida e continuará, alegremente, a levar pedaços à boca. A Carminho às vezes está a tossir e, ao mesmo tempo, a tentar pegar no próximo pedaço a levar à boca - ela gosta mesmo desta cena da comida. Também não vale a pena esperar que o Bebé deixe de se engasgar definitivamente - é como esperar que ele deixe de cair depois de aprender a andar. Nós somos adultos, habituados a lidar com sólidos há décadas, e às vezes ainda nos engasgamos, não é? Aliás, às vezes ainda nos engasgamos com a nossa própria saliva - tal como os Bebés! Temos é de estar atentos durante a refeição e evitar distrair o Bebé enquanto ele tem comida na boca. Quanto mais ele for lidando com a comida, menos terá o reflexo de vómito e menos se engasgará - prometo!
Utilizar um método "híbrido" No BLW puro, quando o Bebé estiver apto para a introdução dos sólidos (atingir os 6 meses, sentar-se sozinho e demonstrar interesse) os pais passam a colocá-lo junto deles a todas as refeições, dando-lhe tudo o que ele quiser experimentar. Não há intervalos de tempo para ver se há reacções alérgicas, nem há fazer-se apenas uma refeição e aos poucos ir fazendo mais: o Bebé passa a participar nas refeições em família e pronto. Mas, no mundo real e actual, nem todos os pais podem fazer todas as refeições em família. Por isso, é perfeitamente aceitável que os pais optem por utilizar o BLW apenas quando estão com o Bebé ou que só o façam durante o fim de semana. Às vezes, quando chega a hora de jantar já estão demasiado cansados, mas se têm energia para outras brincadeiras, também terão energia para fazer uma refeição com o vosso Bebé.
Seja a todos os dias da semana ou apenas ao fim de semana, o importante é que se proporcione ao Bebé momentos em que possa explorar a comida. Vão ver como vale a pena, eles adoram e é mais uma brincadeira em que, em vez de estarem no chão com brinquedos, estão na cadeira com comida.
Cá em casa optámos por fazer um BLW com as precauções do método tradicional em relação às alergias. Ou seja, introduzimos os alimentos de cada vez de modo a despistar possíveis alergias. Com excepção dos primeiros alimentos básicos que constituíram a primeira refeição (batata, batata-doce, cebola, cenoura, banana), adicionamos 2 alimentos de cada vez (às vezes apenas um) e servimos a mesma refeição durante 3 dias. Nos primeiros dois dias fizemos apenas uma refeição - banana, ao lanche - e ao terceiro dia começámos a fazer o almoço - cenoura, cebola e batata-doce (depois de três dias dessa refeição, começámos a adicionar 1 ou 2 alimentos novos de cada vez). Ficámos neste registo durante 3 semanas e, ao ver que a Carminho estava a adaptar-se e a aderir tão bem, decidimos adicionar o pequeno-almoço (optámos por torrada de pão de espelta e centeio integral com azeite - nada de manteiga ou margarina!). Esta progressão no número de refeições foi algo que aconteceu naturalmente e que dependeu totalmente da Carmo. Algo de que não nos devemos esquecer: até ao primeiro aniversário, os sólidos são complementares ao leite (materno ou artificial). Por isso, as refeições são feitas sempre depois das mamadas, por dois motivos:
1. Se o Bebé comer antes da mamada poderá alimentar-se de menos leite do que aquele que necessita. Nesta fase, o leite ainda é o alimento principal, de onde sacia todas as suas necessidades nutricionais;
2. Se o Bebé estiver com fome quando lhe damos os sólidos, não irá aderir tão bem à refeição porque o que ele quer é leite - ainda não aprendeu a fazer a associação de que a comida lhe irá saciar a fome.
O Calendário Como sou uma pessoa extremamente metódica (há quem me chame "doente" - o meu marido) fiz um calendário com todos os menus até aos 12 meses. Preciso ser muito metódica e de apontar tudo porque sou uma pessoa bastante despistada. Se me perguntarem o que almocei ontem não faço a mínima ideia, tenho de ficar uns bons minutos a pensar. Em que é que este calendário me ajuda:
A não me esquecer do que ela comeu;
Proporcionar uma boa variedade nutricional: tento sempre servir um vegetal de cada cor (inicialmente branco, verde e laranja, mais tarde adicionarei os vermelhos);
Evitar repetir demasiado alguns alimentos e nunca repetir outros: evita que ela se farte de um alimento por estar sempre a comê-lo ou que não se habitue a outros porque nunca mais os provou;
A organizar-me nas compras semanais: olho para o calendário e sei logo o que preciso de comprar ou o que já tenho;
Despistar reacções alérgicas: registo os dias em que lhe aparecem borbulhas no corpo e, assim, posso ver se têm alguma ligação à alimentação ou se foi coincidência;
Registar o interesse, ou falta dele, em relação a determinados alimentos: ajuda-me a tentar perceber se foi por estar distraída com outras coisas, se foi porque os alimentos não lhe agradaram, se foi porque a forma de confecção não lhe agradou. Assim, da próxima vez que servir aquele alimento poderei fazer os ajustes necessários.
Não sou intransigente no cumprimento do que está escrito calendário.
Se é dia de experimentar abóboras, mas não houver abóboras no supermercado ou me tiver esquecido de as comprar, repetem-se as cenouras e introduz-se outro - depois tenho é de registar a troca, para não me esquecer.
Se, por algum motivo, ela não fizer uma refeição de introdução, fá-la no dia seguinte e o calendário atrasa um dia.
Se sobrou comida e é dia de nova introdução, então repete-se o que sobrou e adiciona-se o alimento novo. Assim, evitam-se desperdícios, mas continua-se com o mais importante, a introdução de um novo alimento.
Outra coisa em que o calendário me ajuda? A fazer com que o Pai se oriente e que seja mais independente da Mãe.
- O que é que é preciso comprar?
- Vai ver ao calendário.
- O que é que lhe vamos dar hoje?
- Vai ver ao calendário.
- Quando é que introduzimos aquele alimento?
- Vai ver ao calendário.
- Hoje o iogurte é ao pequeno-almoço ou ao lanche?
- Vai ver ao calendário.
Facilitar na hora de cozinhar Como qualquer pessoa, tenho mais do que fazer do que passar a vida na cozinha e não quero estar a cozinhar de raiz todos os dias. Principalmente, quando a maioria da comida não é comida. Por isso faço algumas coisas que me facilitam imenso a vida.
Mal compro os alimentos, corto-os no formato adequado e congelo-os;
Tiro a quantidade aproximada de comida do congelador, que vai directamente para o vapor - não descongelo antes porque, de acordo com a dica que uma nutricionista me deu, é a melhor forma de manter os nutrientes;
Cozinho o suficiente para 3 dias, que é a quantidade de dias em que determinada refeição é repetida;
Guardo no frigorífico e vou servindo ao longo dos 3 dias;
Posso servir os alimentos frios ou dar-lhes um toque no fogão ou forno, com um fio de azeite - evito o microondas (nunca gostei de comida aquecida nessa coisa);
No terceiro dia, o que não foi comido por ela tem de ser comido por nós.
Neste momento estamos a ficar com o congelador cheio de vegetais e precisamos de espaço para os que terão de ser introduzidos.
O que combinei com o Duarte foi: ao fim de duas semanas, o que não tiver sido comido por ela terá de ser comido por nós. É que para nós uma cenoura, por exemplo, não é nada, mas para ela ainda dá para umas 14 refeições.
Para quem tenha em casa uma arca frigorífica, não tem de se preocupar com esta gestão de espaço e até pode comprar logo todas as coisas para um mês e congelar.
Como apresentar e confeccionar determinados alimentos
Ficam aqui alguns exemplos, acho que vos permite ter uma ideia. Também podem cuscar o meus instagram para ver algumas imagens e vídeos (também estão publicados ao longo dos artigos sobre BLW)
Banana: A banana pode ser apresentada na sua forma natural, que o Bebé vai roer e esmagar. Podem manter parte da casca para que seja mais fácil de agarrar;
Maçã e pêra: Cortadas em palitos ou em fatias, cozidas ou assadas. Podem manter a casca para ser mais fácil de agarrar;
Abacate, kiwi, manga, papaia: Cruas e em palitos. Pode ser preciso darem uma ajudinha ao Bebé para segurar, porque são frutas muito escorregadias, mas com a experiência ele aprende a manuseá-las;
Mirtilos: crus e esborrachados (com casca). Há quem apenas os corte em metades, mas eu prefiro não arriscar;
Abóbora, batata, batata-doce, beringela, cenoura, chuchu, courgette, espargos, pastinaca, nabo: cortados em palitos e cozidos ou assados no forno. Se optarem por cozer, lembrem-se que a vapor é o melhor para manter os nutrientes (ou então usem a menor quantidade de água possível), se assarem lembrem-se que é demorado. Como disse anteriormente, gosto de cozer tudo primeiro e depois, se me apetecer, salteio ou levo ao forno (poupa-se imenso tempo). No caso das batatas e da courgette, podem manter parte da casca;
Agrião, couves, grelos: Cozidos e depois cortar apenas para que não fiquem pedaços muito grandes (são mais difíceis de separar com as gengivas);
Alho: cortado aos pedacinhos, quase papa, e depois levar a uma frigideira com azeite, salteando com os restantes vegetais a servir. Atenção, é muito fácil fazer alho a mais e preparem-se para ter um Bebé a cheirar a alho o resto do dia;
Alho-francês: rodelas ou palitos e cozido;
Cebola: cortada como se apresenta na salada e cozida ou assada. Podem saltear depois de cozer. A cebola é também bastante escorregadia;
Brócolos e couve-flor: separar os ramos e cozer;
Feijão-verde: gosto de cortar em "esparguete" e cozido;
Carne: cortada em palitos e cozida. Podem também assar ou estufar, depende do tempo que tenham - atenção aos ossos, aos pedaços de gordura rijos, etc.
Peixe: lascas e cozido ou grelhado - cuidado com as espinhas (eu comecei por dar postas de pescada, não é o mais fresco, mas é o mais tranquilizador para mim);
Quando confeccionar segundo o BLW puro
De momento, ainda há muitos alimentos para introduzir, então prefiro servi-los separados. Além do mais, ela ainda não parece muito aborrecida com isso.
Vou é variando a forma de confeccionar: uns dias apenas cozidos, outros dias levo ao lume para saltear um pouco, noutros posso metê-los no forno, etc.
Daqui a um mês e meio ou dois, quando ela já estiver mesmo habituada ao alimentos no formato sólido, vou começar a introduzir sopas. Entretanto ela vai tendo o contacto com o iogurte e posso oferecer a fruta em puré de vez em quando.
Aos 9 meses, alimentos como o ovo e o arroz serão adicionados, e isso permitirá que comece a fazer refeições mais diferentes e que possamos partilhar. Por exemplo, uma omelete de vegetais acompanhada por arroz ou massa, uma tortilha com vegetais, etc.
Aos 10 meses, com a introdução das leguminosas já posso fazer uma pasta de grão (uma espécie de húmus) e servir nas torradas, ou fazer um atum com feijão-frade e ovo.
Aos 12 meses, já haverá muito menos alimentos para serem adicionados e haverá muito menos restrições ao que ela pode comer, portanto já poderei cozinhar receitas para toda a família. Aliás, já há refeições que podemos partilhar. Por exemplo: hoje é dia de ela comer pescada com nabo, cenoura e brócolos - podemos, perfeitamente, comer o mesmo. O Duarte queixa-se da falta de sal, pode fazer à parte para ele ou adicionar o sal depois de cozinhar. E pronto, é isto que eu tenho para vos dizer sobre O Nosso Baby-Led Weaning. Deixo-vos o nosso menu para os primeiros 2 meses de sólidos da Carminho (mês 6 e mês 7). Foram desenhados tendo por base o que a "nossa" pediatra recomendou (quando introduzir o quê). Se não conseguirem ver bem ou quiserem ver outros meses, mandem mensagem.