Mostrar mensagens com a etiqueta introdução de sólidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta introdução de sólidos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de janeiro de 2018

Introdução de Sólidos - Alimentos a Evitar

O entusiasmo foi tanto que me esqueci desta informação importantíssima!
BLW ou tradicional há alimentos que são de evitar até determinadas idades pelos mais variados motivos.

1. Riscos de engasgamento
Alguns alimentos representam, efectivamente, um risco de engasgamento.
Frutos secos inteiros ou em grandes pedaços devem ser evitados até as crianças terem 3 anos porque se podem alojar facilmente na traqueia.
As cerejas devem ser descaroçadas e cortadas ao meio. As uvas e o tomate cherry também devem ser cortados ao meio.
Atenção a comidas preparadas que possam ter frutos secos, ossosespinhas, etc. 

2. Sal
Nada de adicionar sal aos alimentos dos bebés ou crianças.
Os alimentos frescos já têm uma dose natural de sal e mais do que isso é evitável.
Ter atenção a alimentos como comidas enlatadas, enchidos, caldos tipo knorr, molhos feitos, alguns queijos.
Até aos 12 meses os bebés não devem ingerir mais do que 1 grama de sal (0,4 gramas de sódio) por dia. Portanto, quando comprarem alimentos que não são frescos tenham atenção aos rótulos nutricionais e às doses que dão aos Bebés.

3. Açúcar
Tal como o sal, não há necessidade de dar açúcar às crianças, para além do que já existe, naturalmente, nos alimentos.
O açúcar que se adiciona não tem qualquer vantagem nutricional, são as chamadas "calorias vazias".
Até algumas das chamadas "comidas para bebé" que se compram por aí, vêm com açúcar adicionado. 
Tenham atenção aos rótulos das embalagens de comida e vejam se contém algum destes ingredientes: sucrose  dextrose  fructose  xarope de glicose ou xarope de milho  São todos tipos de açúcar e às vezes estão presentes em embalagens que dizem "sem açúcar".
Como em tudo o que envolve comida, mais vale sermos nós a prepará-la quando queremos comer de um modo saudável. Nós, adultos, temos escolha - se queremos saudável ou não -, mas as crianças comem o que lhes damos, pelo que temos uma responsabilidade acrescida.

4. Bebidas
Para além de leite e de água os Bebés não precisam de mais nenhuma bebida.
É particularmente importante evitar as seguintes bebidas:
  • Café, chá e colas: contêm cafeína - são estimulantes e podem tornar o bebé irritadiço;
  • Refrigerantes e sumos de fruta concentrados: têm quantidades elevadíssimas de açúcar, alguns também têm cafeína e podem ser ácidos;
  • Leite: antes dos 12 meses o leite não deve ser dado como bebida, embora possa ser utilizado para cozinhar a partir dos 6 meses. O leite pode interferir com a "fome" do Bebé e tirar-lhe a vontade de beber leite materno ou de fórmula.

5. OutrosConservantesaditivoscorantes: glutamato monossódito (GMS ou MSG), aspartame, etc. O ideal é evitar os alimentos sem rótulos ou aqueles cuja lista tem a menor quantidade de ingredientes: geralmente, são mais frescos e saudáveis.
Ovos: não é consensual, entre os pediatras, quando é que se devem introduzir os ovos. Uns dizem aos 8 meses, outros 9, outros não vêem problema em começar aos 6. Pelo sim, pelo não, quando o fizerem certifiquem-se de que estão bem cozinhados (incluindo a gema).
Mel: É melhor evitar antes dos 12 meses, para evitar o risco de se contrair botulismo;
Farelos: Podem irritar o tracto digestivo e interferir com a absorção de nutrientes como ferro ou cálcio;
Produtos com frutos secos: O ideal é só serem dados a partir dos 3 anos.


Desculpem lá esta falha grave!
De qualquer modo, há uma imensidão de alimentos e há sempre o risco de alergias (mesmo que não as haja na família), por isso é sempre bom consultarem o pediatra se tiverem dúvidas em relação a um alimento específico.

Artigos relacionados:

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O Nosso Baby-Led Weaning (BLW)


Não o vou negar, o Baby-Led Weaning é bastante difícil de fazer quando ambos os pais trabalham.
Ou se tem uma mãe que, como é o meu caso, tem a possibilidade de estar em casa com o Bebé até bastante tarde e assim usar este método a todas as refeições ou o melhor é fazer um "mix" entre BLW e tradicional.

Muito dificilmente se encontrará uma creche ou uma ama, babysitter, empregada ou Avós que concordem em dar as refeições sem ser em sopa/puré/papa, porque têm medo e não querem assumir essa responsabilidade.
Este método exige bastante disponibilidade e tempo. Não é apenas ir dando colheradas à criança até o prato estar vazio ou ela se recusar  a comer mais, o BLW implica sentarmo-nos com eles e deixá-los explorar e brincar com a comida o tempo que quiserem - o que pode ser 15 minutos ou 1 hora, podem não descansar até comerem uma peça de fruta inteira (para grande espanto dos pais) ou nem sequer tocar na comida e começarem num berreiro (e percebermos que aquela refeição não se vai realizar).

Outro aspecto é que no Baby-Led Weaning puro não há refeições cozinhadas especificamente para o Bebé. O Bebé é sentado à mesa com os pais e come o mesmo do que eles - a comida terá de ser, obviamente, confeccionada de um modo saudável (nada de sal ou fast food, por exemplo).
Ao contrário do método tradicional, não há intervalos entre a introdução de novos alimentos para despiste de alergias e não há uma progressão na quantidade de refeições diárias.


Lidar com o medo de engasgamento 
Sim, nas primeiras refeições vão estar com o coração nas mãos, cheios de medo que o Bebé se engasgue.
Asseguro-vos que o Bebé vai fazer o reflexo de vómito e que vai tossir porque se engasgou parcialmente, mas não é nada com que o próprio não consiga lidar e faz muito mais confusão a quem assiste do que a ele - que cuspirá um bocado de comida e continuará, alegremente, a levar pedaços à boca. A Carminho às vezes está a tossir e, ao mesmo tempo, a tentar pegar no próximo pedaço a levar à boca - ela gosta mesmo desta cena da comida.

Também não vale a pena esperar que o Bebé deixe de se engasgar definitivamente - é como esperar que ele deixe de cair depois de aprender a andar. Nós somos adultos, habituados a lidar com sólidos há décadas, e às vezes ainda nos engasgamos, não é? Aliás, às vezes ainda nos engasgamos com a nossa própria saliva - tal como os Bebés!

Temos é de estar atentos durante a refeição e evitar distrair o Bebé enquanto ele tem comida na boca. Quanto mais ele for lidando com a comida, menos terá o reflexo de vómito e menos se engasgará - prometo!



Utilizar um método "híbrido" 
No BLW puro, quando o Bebé estiver apto para a introdução dos sólidos (atingir os 6 meses, sentar-se sozinho e demonstrar interesse) os pais passam a colocá-lo junto deles a todas as refeições, dando-lhe tudo o que ele quiser experimentar.
Não há intervalos de tempo para ver se há reacções alérgicas, nem há fazer-se apenas uma refeição e aos poucos ir fazendo mais: o Bebé passa a participar nas refeições em família e pronto.

Mas, no mundo real e actual, nem todos os pais podem fazer todas as refeições em família.
Por isso, é perfeitamente aceitável que os pais optem por utilizar o BLW apenas quando estão com o Bebé ou que só o façam durante o fim de semana. Às vezes, quando chega a hora de jantar já estão demasiado cansados, mas se têm energia para outras brincadeiras, também terão energia para fazer uma refeição com o vosso Bebé.
Seja a todos os dias da semana ou apenas ao fim de semana, o importante é que se proporcione ao Bebé momentos em que possa explorar a comida. Vão ver como vale a pena, eles adoram e é mais uma brincadeira em que, em vez de estarem no chão com brinquedos, estão na cadeira com comida.

Cá em casa optámos por fazer um BLW com as precauções do método tradicional em relação às alergias.
Ou seja, introduzimos os alimentos de cada vez de modo a despistar possíveis alergias. Com excepção dos primeiros alimentos básicos que constituíram a primeira refeição (batata, batata-doce, cebola, cenoura, banana), adicionamos 2 alimentos de cada vez (às vezes apenas um) e servimos a mesma refeição durante 3 dias.
Nos primeiros dois dias fizemos apenas uma refeição - banana, ao lanche - e ao terceiro dia começámos a fazer o almoço - cenoura, cebola e batata-doce (depois de três dias dessa refeição, começámos a adicionar 1 ou 2 alimentos novos de cada vez). Ficámos neste registo durante 3 semanas e, ao ver que a Carminho estava a adaptar-se e a aderir tão bem, decidimos adicionar o pequeno-almoço (optámos por torrada de pão de espelta e centeio integral com azeite - nada de manteiga ou margarina!).
Esta progressão no número de refeições foi algo que aconteceu naturalmente e que dependeu totalmente da Carmo.

Algo de que não nos devemos esquecer: até ao primeiro aniversário, os sólidos são complementares ao leite (materno ou artificial). Por isso, as refeições são feitas sempre depois das mamadas, por dois motivos:
1. Se o Bebé comer antes da mamada poderá alimentar-se de menos leite do que aquele que necessita. Nesta fase, o leite ainda é o alimento principal, de onde sacia todas as suas necessidades nutricionais;
2. Se o Bebé estiver com fome quando lhe damos os sólidos, não irá aderir tão bem à refeição porque o que ele quer é leite - ainda não aprendeu a fazer a associação de que a comida lhe irá saciar a fome. 



O Calendário 
Como sou uma pessoa extremamente metódica (há quem me chame "doente" - o meu marido) fiz um calendário com todos os menus até aos 12 meses.
Preciso ser muito metódica e de apontar tudo porque sou uma pessoa bastante despistada. Se me perguntarem o que almocei ontem não faço a mínima ideia, tenho de ficar uns bons minutos a pensar.
Em que é que este calendário me ajuda:
  • A não me esquecer do que ela comeu;
  • Proporcionar uma boa variedade nutricional: tento sempre servir um vegetal de cada cor (inicialmente branco, verde e laranja, mais tarde adicionarei os vermelhos);
  • Evitar repetir demasiado alguns alimentos e nunca repetir outros: evita que ela se farte de um alimento por estar sempre a comê-lo ou que não se habitue a outros porque nunca mais os provou;
  • A organizar-me nas compras semanais: olho para o calendário e sei logo o que preciso de comprar ou o que já tenho;
  • Despistar reacções alérgicas: registo os dias em que lhe aparecem borbulhas no corpo e, assim, posso ver se têm alguma ligação à alimentação ou se foi coincidência;
  • Registar o interesse, ou falta dele, em relação a determinados alimentos: ajuda-me a tentar perceber se foi por estar distraída com outras coisas, se foi porque os alimentos não lhe agradaram, se foi porque a forma de confecção não lhe agradou. Assim, da próxima vez que servir aquele alimento poderei fazer os ajustes necessários.
Não sou intransigente no cumprimento do que está escrito calendário.
Se é dia de experimentar abóboras, mas não houver abóboras no supermercado ou me tiver esquecido de as comprar, repetem-se as cenouras e introduz-se outro - depois tenho é de registar a troca, para não me esquecer.
Se, por algum motivo, ela não fizer uma refeição de introdução, fá-la no dia seguinte e o calendário atrasa um dia.
Se sobrou comida e é dia de nova introdução, então repete-se o que sobrou e adiciona-se o alimento novo. Assim, evitam-se desperdícios, mas continua-se com o mais importante, a introdução de um novo alimento.

Outra coisa em que o calendário me ajuda? A fazer com que o Pai se oriente e que seja mais independente da Mãe.
- O que é que é preciso comprar?
- Vai ver ao calendário.
- O que é que lhe vamos dar hoje?
- Vai ver ao calendário.
- Quando é que introduzimos aquele alimento?
- Vai ver ao calendário.
- Hoje o iogurte é ao pequeno-almoço ou ao lanche?
- Vai ver ao calendário.


Facilitar na hora de cozinhar 
Como qualquer pessoa, tenho mais do que fazer do que passar a vida na cozinha e não quero estar a cozinhar de raiz todos os dias. Principalmente, quando a maioria da comida não é comida.
Por isso faço algumas coisas que me facilitam imenso a vida.
  • Mal compro os alimentos, corto-os no formato adequado e congelo-os;
  • Tiro a quantidade aproximada de comida do congelador, que vai directamente para o vapor - não descongelo antes porque, de acordo com a dica que uma nutricionista me deu, é a melhor forma de manter os nutrientes;
  • Cozinho o suficiente para 3 dias, que é a quantidade de dias em que determinada refeição é repetida;
  • Guardo no frigorífico e vou servindo ao longo dos 3 dias;
  • Posso servir os alimentos frios ou dar-lhes um toque no fogão ou forno, com um fio de azeite - evito o microondas (nunca gostei de comida aquecida nessa coisa);
  • No terceiro dia, o que não foi comido por ela tem de ser comido por nós.
Neste momento estamos a ficar com o congelador cheio de vegetais e precisamos de espaço para os que terão de ser introduzidos.
O que combinei com o Duarte foi: ao fim de duas semanas, o que não tiver sido comido por ela terá de ser comido por nós. É que para nós uma cenoura, por exemplo, não é nada, mas para ela ainda dá para umas 14 refeições.
Para quem tenha em casa uma arca frigorífica, não tem de se preocupar com esta gestão de espaço e até pode comprar logo todas as coisas para um mês e congelar.


Como apresentar e confeccionar determinados alimentos 
Ficam aqui alguns exemplos, acho que vos permite ter uma ideia. Também podem cuscar o meus instagram para ver algumas imagens e vídeos (também estão publicados ao longo dos artigos sobre BLW)
  • Banana: A banana pode ser apresentada na sua forma natural, que o Bebé vai roer e esmagar. Podem manter parte da casca para que seja mais fácil de agarrar;
  • Maçã e pêra: Cortadas em palitos ou em fatias, cozidas ou assadas. Podem manter a casca para ser mais fácil de agarrar;
  • Abacate, kiwi, manga, papaia: Cruas e em palitos. Pode ser preciso darem uma ajudinha ao Bebé para segurar, porque são frutas muito escorregadias, mas com a experiência ele aprende a manuseá-las;
  • Mirtilos: crus e esborrachados (com casca). Há quem apenas os corte em metades, mas eu prefiro não arriscar;
  • Abóbora, batata, batata-doce, beringela, cenoura, chuchu, courgette, espargos, pastinaca, nabo: cortados em palitos e cozidos ou assados no forno. Se optarem por cozer, lembrem-se que a vapor é o melhor para manter os nutrientes (ou então usem a menor quantidade de água possível), se assarem lembrem-se que é demorado. Como disse anteriormente, gosto de cozer tudo primeiro e depois, se me apetecer, salteio ou levo ao forno (poupa-se imenso tempo). No caso das batatas e da courgette, podem manter parte da casca;
  • Agrião, couves, grelos: Cozidos e depois cortar apenas para que não fiquem pedaços muito grandes (são mais difíceis de separar com as gengivas);
  • Alho: cortado aos pedacinhos, quase papa, e depois levar a uma frigideira com azeite, salteando com os restantes vegetais a servir. Atenção, é muito fácil fazer alho a mais e preparem-se para ter um Bebé a cheirar a alho o resto do dia;
  • Alho-francês: rodelas ou palitos e cozido;
  • Cebola: cortada como se apresenta na salada e cozida ou assada. Podem saltear depois de cozer. A cebola é também bastante escorregadia;
  • Brócolos e couve-flor: separar os ramos e cozer;
  • Feijão-verde: gosto de cortar em "esparguete" e cozido;
  • Carne: cortada em palitos e cozida. Podem também assar ou estufar, depende do tempo que tenham - atenção aos ossos, aos pedaços de gordura rijos, etc.
  • Peixe: lascas e cozido ou grelhado - cuidado com as espinhas (eu comecei por dar postas de pescada, não é o mais fresco, mas é o mais tranquilizador para mim);

Quando confeccionar segundo o BLW puro 
De momento, ainda há muitos alimentos para introduzir, então prefiro servi-los separados. Além do mais, ela ainda não parece muito aborrecida com isso.
Vou é variando a forma de confeccionar: uns dias apenas cozidos, outros dias levo ao lume para saltear um pouco, noutros posso metê-los no forno, etc.

Daqui a um mês e meio ou dois, quando ela já estiver mesmo habituada ao alimentos no formato sólido, vou começar a introduzir sopas. Entretanto ela vai tendo o contacto com o iogurte e posso oferecer a fruta em puré de vez em quando.
Aos 9 meses, alimentos como o ovo e o arroz serão adicionados, e isso permitirá que comece a fazer refeições mais diferentes e que possamos partilhar. Por exemplo, uma omelete de vegetais acompanhada por arroz ou massa,  uma tortilha com vegetais, etc.
Aos 10 meses, com a introdução das leguminosas já posso fazer uma pasta de grão (uma espécie de húmus) e servir nas torradas, ou fazer um atum com feijão-frade e ovo.
Aos 12 meses, já haverá muito menos alimentos para serem adicionados e haverá muito menos restrições ao que ela pode comer, portanto já poderei cozinhar receitas para toda a família.

Aliás, já há refeições que podemos partilhar. Por exemplo: hoje é dia de ela comer pescada com nabo, cenoura e brócolos - podemos, perfeitamente, comer o mesmo. O Duarte queixa-se da falta de sal, pode fazer à parte para ele ou adicionar o sal depois de cozinhar.


E pronto, é isto que eu tenho para vos dizer sobre O Nosso Baby-Led Weaning.
Deixo-vos o nosso menu para os primeiros 2 meses de sólidos da Carminho (mês 6 e mês 7). Foram desenhados tendo por base o que a "nossa" pediatra recomendou (quando introduzir o quê).
Se não conseguirem ver bem ou quiserem ver outros meses, mandem mensagem.




Artigos relacionados:

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Introdução dos Sólidos: Baby-Led Weaning (BLW) - Quando?

Seguindo-se ao "O que é e Medos Frequentes" e "Porquê?", apresento-vos o "Quando?".
A par das dúvidas relativamente aos riscos do BLW ao medo de engasgamento, o "quando posso iniciar?" é a pergunta que mais me fazem.

De um modo genérico, a resposta é: Aos 6 meses e quando já se sentam direitos (com e sem apoio).
Adeus e obrigada.

Estou a brincar. Acham mesmo que era capaz de não vos explicar as coisas?
Volto a dizer:
Como sabem não é um método inventado por mim, o que escreverei acerca do mesmo será informação retirada dos livros da Gill Rapley e da Tracey Murkett, e que complementarei com o que observo na Carminho e as experiências que temos tido.
Será como que uma tradução do livro "Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater". Livro este que aconselho que comprem.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, com a Sociedade Portuguesa de Pediatria e com o Comité Português para a UNICEF, o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de vida dos Bebés é a melhor forma de os alimentar.

E porquê?
1. Os alimentos sólidos não são tão adequados a suprir as necessidades nutricionais dos Bebés como o leite materno ou de fórmula;
2. O Sistema Digestivo dos Bebés ainda não é capaz de retirar dos alimentos o que o Bebé necessita, portanto estes passam sem fornecer uma nutrição adequada;
3. Se se iniciarem os sólidos demasiado cedo, pode provocar-se um decréscimo na vontade de beber leite. Assim, o Bebé poderá não ficar tão bem nutrido;
4. Uma vez que o Sistema Imunitário ainda não está completamente desenvolvido, Bebés que iniciam sólidos cedo têm um maior risco de infecções e de desenvolver alergias do que os Bebés que foram alimentados a leite materno ou fórmula.

Sinais de que o Bebé está pronto para iniciar os sólidos
O BLW, ao seguir os sinais do Bebé, encoraja a sua confiança e independência. Assim, os sólidos são iniciados quando o Bebé demonstra que é capaz de se alimentar sozinho e vai progredindo ao seu ritmo. Os instintos levam-no a copiar os pais e irmãos e a desenvolver as suas capacidades de se alimentar de um modo natural e divertido, à medida que vai aprendendo.

A primeira pista de que estão prontos para mais do que leite é quando agarram num pedaço de comida e o levam à boca - o que farão se lhes for dada a oportunidade.
No caso da Carminho, eu estava a almoçar com ela ao colo (estava rabugenta) e, de repente, tirou-me uma batata frita da mão e levou-a à boca. Como batatas fritas não são um alimento adequado, tirei-a da mão quando vi que estava mesmo a mastigá-la. A cada pedaço de comida que eu levava à boca, ela esticava os bracinhos e abria a boca. Decidimos então dar-lhe um bocadinho de banana. Foi uma maravilha, não a largou durante um bom bocado. Esmagava-a com as mãos, levava-a à boca, cheirava. Tudo!
Estava felicíssima. Eu apenas apoiava a banana para que não caísse no chão.

No entanto, a motivação para levarem os alimentos à boca não tem a ver com fome, tem a ver com o querem copiar os outros porque são curiosos e porque o seu instinto lhes diz que assim sabem o que é seguro. Tal como os outros animais, um Bebé precisa de saber que alimentos são seguros e quais não são, assim, vai observar o pais de modo a ver o que eles levam às suas bocas.

É importante, também, ver sinais que coincidem com importantes mudanças no corpo do Bebé e que lhe permitirão lidar com a comida (desenvolvimento do Sistema Imunitário, do Sistema Digestivo e o crescimento e desenvolvimento da boca):
1. Consegue sentar-se sem apoio;
2. Alcança os objectos e leva-os à boca, rapidamente e com precisão;
3. Rói os seus brinquedos;
4. Faz movimentos de mastigação.

Os Bebés não necessitam de ser ensinados a comer - eles não aprendem a comer, eles desenvolvem a capacidade de o fazer através das capacidades para o fazer.
Algumas capacidades desenvolvem-se gradualmente, outras parecem surgir de um dia para o outro, mas todas elas são o resultado da prática de movimentos variados que o Bebé vai aprender a juntar para conseguir pegar num pedaço de comida, levá-lo à boca, mastigá-lo e engoli-lo.

As capacidades para se alimentar desenvolvem-se naturalmente e por esta ordem:
1. A pega na mama da Mãe;
2. Dirigir-se para objectos que lhe interessa;
3. Pegar em objectos e levá-los à boca;
4. Explorar os objectos com os lábios e com a boca;
5. Separar um pedaço de comida;
6. Mastigar;
7. Engolir;
8. Pegar em pequenos objectos com os dedos em pinça (com o polegar e o indicador).


Aos 6 meses, se o Bebé tiver oportunidade para olhar, alcançar e pegar na comida, irá levá-la à boca. Na realidade, não se está a alimentar (embora o pareça) porque ainda não tem a capacidade para engolir a comida, mas está a explorá-la com os seus lábios e língua.
Entre os 6 e os 9 meses, o Bebé começa por ser capaz de morder ou roer com as gengivas, de forma a separar um pequeno pedaço de comida. Pouco depois, descobre que consegue manter a comida dentro da boca durante um bocado e, tendo um maior controlo da língua, consegue movimentá-la e mastigá-la. No entanto, nesta fase a maioria da comida irá cair em vez de ser engolida.
O Bebé só será capaz de, propositadamente (se estiver bem sentado), levar a comida ao fundo da boca  depois de aprender a morder e a mastigar. Ele só irá começar a engolir a comida quando os músculos da língua, bochechas e maxilar se coordenarem de modo a permiti-lo. Isto funcionará como uma protecção contra o engasgamento - mas só funciona se o Bebé estiver em controlo.
Por volta dos 9 meses, o Bebé desenvolve a capacidade de agarrar em pinça, usando o polegar e o indicador para pegar em pequenos pedaços (ou objectos).

Bebés a quem é dada a oportunidade de se alimentarem a todas as refeições têm imensas oportunidades para praticar estas capacidades e, rapidamente, se tornam confiantes e aptos.
Do que se tem observado, os Bebés só se começam a alimentar quando estiverem preparados para o fazer (tal como com o andar e o falar) - mas precisam que lhes seja dada essa oportunidade. Eles sabem, instintivamente, quando estão preparados para alimentos sólidos e desenvolverão, naturalmente, as aptidões necessárias para se alimentarem sozinhos.

Há ainda uma série de sinais que, habitualmente, são associados ao estar pronto para comer, mas que são "apenas" sinais de desenvolvimento associado à idade do Bebé:
1. Acordar à noite: Muitos pais assumem que se o Bebé volta a acordar (ou a acordar mais vezes) durante a noite é porque tem fome. Este acordar pode estar ligado a uma enorme variedade de razões e, para Bebés com menos de 6 meses, se for mesmo fome o que se deve oferecer é mais leite (materno ou fórmula);
2. Lento aumento de peso: É uma das razões mais habituais para os pais serem aconselhados a iniciar os sólidos mais cedo, no entanto estudos demonstram que é algo muito normal de acontecer por volta dos 4 meses, especialmente em Bebés amamentados;
3. Observar os pais a comer: A partir dos 4 meses, os Bebés ficam fascinados com tudo o que é feito à sua frente, no entanto não sabem o que significa - são apenas curiosos;
4. Fazer sons com os lábios: Isto significa que estão a aprender a usar as suas bocas, tanto têm a ver com o comer como com o falar. Fazem parte da preparação para os alimentos sólidos, mas não significa que estejam preparados para os iniciar;
5. Não adormecerem logo a seguir a serem alimentados com leite: A partir dos 4 meses, os Bebés ficam mais despertos e alerta e começam a dormir menos;
6. Ser pequeno: Se o Bebé é pequeno é porque é suposto ser pequeno ou porque precisam de mais alimento. Se têm menos de 6 meses, o alimento que precisam é que leite. A excepção são os Bebés muito prematuros que podem precisar de nutrientes extra antes dos 6 meses;
7. Ser grande: Ou é suposto serem grandes ou estão a beber mais leite do que precisam (normalmente, fórmula - não há excesso de leite materno). Esta ideia vem dos anos 50, época em que se acreditava que quando atingissem um determinado peso deveriam iniciar os sólidos.

Portanto, quando os vossos pequenos estão prontos para iniciar o Baby-Led Weaning?
Quando:
1. Fizerem os 6 meses: Estarão preparados, a nível do sistema imunitário e digestivo;
2. Se conseguirem sentar direitos e sem apoio - evita o engasgamento;
3. Tiverem vontade: Quando vos "roubarem" um pedaço de comida, levarem-no à boca e começarem  a explorá-lo. É dar-lhes a oportunidade para participarem (estarem presentes) durante as refeições familiares - vão começar a ver que ficam a seguir os vossos movimentos, tentam agarrar a comida que vocês levam à boca, ficam de boca aberta e a imitar-vos.

















Próximo artigo? O "Como".
Como preparar a comida, como vestir/sentar/etc, como oferecer a comida, o que fazer, o que não fazer, etc.

E o artigo depois desse? "A nossa versão do BLW".
Disse-vos no primeiro artigo que fazemos um mix entre BLW e tradicional. Vou explicar-vos de forma mais aprofundada em que consiste o nosso Baby-Led Weaning e partilhar convosco a minha insanidade pela organização.

"Como assim? Insanidade pela organização?" - Para me organizar a nível de compras, de preparação prévia de alimentos, de introdução de novos alimentos, de ir rodando os alimentos (para evitar dar um alimento durante demasiados dias seguidos), de oferecer uma refeição equilibrada, de saber o que poderá ter causado alguma alergia (em caso de isso acontecer), etc., fiz um quadro em que tenho todas as refeições programadas até aos 12 meses da Carminho.
Comecei a fazer esse quadro quando a Carminho ainda tinha 5 meses e, desde então, já sofreu algumas alterações. A primeira foi porque me perdi um bocado na organização - cozia quantidades demasiado grandes então tínhamos de servir aquilo enquanto havia (para não desperdiçar). Agora tenho de fazer mais umas porque soube de novos alimentos que já podemos introduzir.
Depois explico tudo. Prometo.

O que eu não prometo é uma grande brevidade. Estamos a 3 dias das festividades e já vou ter de ir "correr capelinhas", vou ter pouco tempo para escrever. Mas vou tentar ter, pelo menos, o "Como" antes do Natal. Repito: Não prometo nada!

Por isso, se não publicar mais nada antes do Natal:
Feliz Natal para todos!(com uma árvore ainda sem luzes)

Artigos relacionados:

domingo, 17 de dezembro de 2017

Introdução dos Sólidos: Baby-Led Weaning (BLW) - Porquê?

Comecei por explicar, aqui, o que é o Baby-Led Weaning (BLW), como se compara com o Método Tradicional (MT) de um modo geral e porque é que este método não representa um maior risco de engasgamento do que o MT.

Agora apresentarei o porquê, os motivos que me levaram a optar pelo BLW, bem como as suas vantagens em relação ao MT, e quando é que se devem iniciar os sólidos, mais concretamente quando é que se deve começar o Baby-Led Weaning. Quando acabei os "porquê" reparei que isto já estava demasiado extenso, o "quando" fica para o próximo (mas a intenção estava lá).

Volto a dizer:
Como sabem não é um método inventado por mim, o que escreverei acerca do mesmo será informação retirada dos livros da Gill Rapley e da Tracey Murkett, e que complementarei com o que observo na Carminho e as experiências que temos tido.
Será como que uma tradução do livro "Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater". Livro este que aconselho que comprem.
A Carminho a explorar um pedaço de Maçã (cozida)
















Porquê o Baby-Led Weaning? Quais as suas vantagens? (e, já agora, as desvantagens)

Vou escrever pela ordem em que me chamaram à atenção e que depois fui aprendendo.

1. Bebés que iniciam os sólidos com o BLW tornam-se menos esquisitos com a comida: Como este método torna o acto de comer num acto prazeroso e porque comem a comida como ela é desde o início. Não há necessidade de transição de texturas e de momentos - algo que é complicado para muitos Bebés. Eu sempre fui picuinhas a comer, ainda hoje tenho automatismos parvos, embora tenha aprendido a comer de tudo, isso só aconteceu muito mais tarde, já nos 20 e muitos. Não quero que a minha filha seja como eu;

2. Não há guerras à hora das refeições: Não há pressão para que os Bebés comam - é no seu tempo -, logo, as refeições não se tornam num inferno para Bebés e Pais e podem, todos juntos, desfrutar deste momento familiar. Eu bem me lembro como este momento era um tormento para mim, até bem tarde. Passava horas à mesa, já sozinha, era mandada para a cozinha. Era uma luta de vontades entre mim e os outros. Não era fixe;

3. Não há necessidade para jogos ou truques: No BLW, o Bebé come o que quer e pára quando quer - não são decisões dos Pais. Portanto, não é preciso "enganar" ou distrair o Bebé para que coma o que ele não quer comer - nada de "olha, o avião!". Mais tarde, também não será necessário fazer formas engraçadas com a comida ou esconder vegetais noutras comidas;

4. É um momento prazeroso: Como o próprio Bebé é parte activa no processo e como é ele que controla o que comer, quanto comer e o tempo que demora, a refeição torna-se num momento de prazer. Os Bebés esperam por este momento que adoram, apreciam descobrir novos alimentos e gostam de fazer as coisas por eles mesmos. A Carminho, mal percebe que estamos a preparar o "cenário" fica toda contente: abana os pés, procura logo pela comida, "grita" sonzinhos de satisfação e, literalmente, atira o corpo na direcção da cadeira;

5. Cria-se uma atitude positiva em relação à comida: Muitas perturbações da alimentação das crianças iniciam-se bem cedo. Se as primeiras experiências do Bebé com a comida forem saudáveis e felizes, problemas como recusa de alimentos ou fobias alimentares tornam-se menos comuns. Na primária tive uma má experiência com o alho-francês. Uma das sopas era um caldo de alho francês, com pedaços do mesmo a boiar. Eu não gostava daquilo, cuspia-me toda, "vomitava" para o prato e obrigavam-me a comer na mesma. Uma coisa vos garanto: se me cheira a alho-francês eu não vou comer. Sei que é um alimento super saudável, mas nem pensar. Se estiver numa empada de pato ainda escapa, mas mesmo assim pedaços maiores são postos de parte e não me interessa se estou num restaurante fino ou se quem fez o prato fica ofendido: não dá!;

6. É natural: Os Bebés estão "programados" para experimentar e explorar - é como aprendem! Com este método, permite-se que o Bebé explore a comida ao seu ritmo e que siga os seus instintos para comer quando estiver preparado - como qualquer outro Bebé do Reino Animal (e sim, somos animais);

7. Um momento de aprendizagem sobre comida: Com o BLW, os Bebés aprendem acerca do aspecto, do sabor, do odor, da textura dos alimentos e de como se conjugam diferentes sabores;

8. Um momento de aprendizagem sobre o mundo: Tal como com os outros animais, um Bebé não está, simplesmente, a brincar - está sempre a aprender, a descobrir. Aprendem acerca de conceitos como "mais" e "menos", tamanho, forma, peso e textura. Aprendem, ainda, como pegar em algo mole sem o esmagar ou em algo escorregadio sem o deixar cair. Nesse momento, todos os seus sentidos estão envolvidos e aprendem como relacionar todas estas coisas, para um melhor entendimento do mundo que os rodeia;

9. Um momento de aprendizagem sobre como comer com segurança: Os Bebés aprendem sobre o que é mastigável e o que não é. A relação entre o sentir físico e o sentir mental é algo que só pode ser aprendido com a experiência. Quando o Bebé pega num pedaço de comida com a mão e o coloca dentro da boca isto ajuda-o a avaliar a facilidade com que diferentes tamanhos de pedaços se mastigam e movimentam com a língua. Isto é importante para que aprenda a evitar pedaços que são demasiado grandes para colocar na boca. Aprender como lidar com diferentes texturas também poderá diminuir as probabilidades de engasgamento;

10. Experimentar com diferentes texturas e aprender a mastigar: Com o BLW há uma experimentação de diferentes formas e texturas dos alimentos desde o início, estes não são reduzidos a uma colher de papa ou puré. Têm, ainda, a possibilidade de praticar a mastigação e a movimentação das coisas dentro das suas bocas, tornando-se mais experientes a lidar com a comida mais rapidamente do que os outros bebés. Para além de ser bom para a alimentação, aprender a mastigar eficazmente é também bom para a digestão e para o desenvolvimento da linguagem. Lidar com um leque variado de alimentos não só torna a refeição mais interessante, como torna mais provável que os Bebés ingiram todos os nutrientes de que necessitam;

11.  Experimentar a comida como ela é: Como adultos, esquecemo-nos que grande parte do prazer de comer vem de experimentarmos texturas e sabores individuais. Este método permite que os Bebés sintam este prazer. Já imaginaram se todas as vossas refeições fossem reduzidas a sopa ou a puré ou a papas? Sempre a mesma consistência, mesmo que o sabor mudasse? Não era aborrecido à brava? Ou até uma tortura?;

12. Aprender a confiar na comida: Os Bebés que estão habituados a seguir os seus instintos, no que diz respeito à comida, raramente suspeitam dela. Permitir que rejeitem comida que sentem que não precisam ou que não lhes parece segura (seja qual for o motivo), significa que estarão mais dispostos a experimentar novos alimentos porque sabem que podem escolher se os comerão ou não. Ainda no outro dia, o Duarte gozava comigo porque me deu algo a provar e eu tive de o cheiras primeiro? Sempre que me metem um prato à frente, fico bastante tempo a observar, a cheirar, a analisar. A primeira garfada é sempre dada com alguma suspeição;

13. Desenvolver o seu potencial: Ao usarem os dedos para levarem a comida à boca, os Bebés estão a ter mais uma oportunidade para praticar a coordenação olho-mão. Pegar em alimentos de diferentes texturas e tamanhos, várias vezes ao dia, melhora a sua destreza. Mastigar (em vez de, simplesmente, engolir) ajuda a desenvolver os músculos que serão utilizados quando aprenderem a falar;

14. Confiar em si mesmo: Permitir que os Bebés façam as coisas também estimula a sua confiança neles mesmos. Confiança nas suas habilidades e decisões. Quando um Bebé pega em algo (eu tinha escrito "nalgo", mas o Duarte gozou comigo e tive de alterar) e o leva à boca recebe, naquele instante, uma recompensa instantânea, através de uma forma ou textura interessante. Isto ensina-o que é capaz de fazer boas coisas acontecerem, aumentando a sua confiança e auto-estima. À medida que vai aumentando a sua experiência com a comida e que vai descobrindo o que é comestível e o que não é, bem como o que esperar de cada tipo de comida, vai aprendendo a confiar nas suas decisões. Bebés confiantes tornam-se crianças confiantes e isto, muitas vezes, permite que sejam mais tranquilos em relação à sua necessidade de explorar o mundo e que tenham mais liberdade para o aprender;

15. Participar nas refeições em família: Isto é divertido para o Bebé e permite-lhe copiar o comportamento dos outros à mesa, acabando por, naturalmente, aprender a usar talheres e adoptar as maneiras da família. Assim, começam a aprender como os diferentes alimentos/pratos são comidos, como partilhar, como esperar pela sua vez, e como conversar. Participar nas refeições em família tem um impacto positivo nas relações familiares, aptidões sociais, desenvolvimento da linguagem e hábitos alimentares saudáveis. Como disse no artigo de ontem, ainda não estamos nesta fase, mas fiquei a pensar nisso e é ir fazendo experiências. Desde que ela não se distraia muito connosco...;

16. Controlar o apetite: Quando são os Bebés a decidir o que querem comer (dentro de uma variedade de alimentos nutritivos), a que ritmo, quando querem parar, permite-lhes que se alimentem de acordo com as suas necessidades e torna menos provável que comam demais, mais tarde;

17. Melhor nutrição: Alguns relatos sugerem que é menos provável que, mais tarde, escolham comidas menos saudáveis, sendo mais provável que sejam melhor alimentados. Isto porque se habituaram a copiar o que os pais fazem, a comer "comida de adulto" e porque são mais aventureiros em relação aos alimentos;

18. Saúde a longo prazo: Como o aleitamento (com leite materno) é reduzido de um modo muito gradual, os Bebés continuam a obter uma boa quantidade de leite. O leite materno proporciona protecção contra várias doenças e um balanço perfeito de nutrientes, para o Bebé e para a Mãe;

19. Refeições mais fáceis, menos complicadas: Assumindo que os Pais têm uma alimentação saudável, é fácil para eles adaptar as suas refeições ao Bebé. E, em vez de alimentar o Bebé em momentos diferentes ou enquanto a sua refeição fica fria, podem todos comer em simultâneo. Nos primeiros dias isto era impensável, porque eu sentia que tinha de ficar a observar cada movimento da Carminho, com medo que ela se engasgasse. À medida que nos vamos, todos, habituando a este processo há cada vez mais à vontade e permite que vá fazendo outras coisas enquanto ela come (desde que nunca saia de perto dela);

20. Comer fora é mais fácil: Como no ponto anterior, os pais podem comer tranquilamente enquanto o Bebé também o faz. Se não se levar um tupperware, a maioria dos restaurantes fará um pratinho de legumes cozidos, por exemplo (que terá menos sal do que uma sopa que já esteja pronta). O Bebé tem, então, oportunidade de aprender como funciona este espaço: que a comida é parece e cheira diferente, que tem de esperar por ela, etc. Isto também torna que idas espontâneas sejam possíveis e não representem um grande problema.

21. É mais barato: Permitir que o Bebé coma o mesmo do que o resto da família é mais barato do que comprar e preparar comida à parte. E é, certamente, muito mais barato do que comprar comida para Bebé já feita.

Claro que o Baby-Led Weaning também terá as suas desvantagens, que a meu ver são diminutas, considerando todas as vantagens que foram descritas.

1. A sujidade: Há um pouco de sujidade, é verdade. Há pedaços de comida a irem parar ao chão, aos pais e a todo o lado. Simplesmente, esta sujidade acontece assim que se começa e é por um período bastante curto. Quantas mais oportunidades têm para experimentar, mais vão aperfeiçoando a técnica de como pegar nos alimentos, logo, menos alimentos a voar. De qualquer modo, quando se alimentam os Bebés com a colher também há sujidade - quando eles começam com os "brrrrrr" é sopa ou puré por todo o lado. E, para mim, é mais fácil apanhar e limpar quando cai um pedaço de comida do que pingos de sopa ou puré.

2. As preocupações dos outros: Não é bem uma desvantagem, é mais uma "chatice". Muitas pessoas, até verem como funciona, são muito cépticas e muito assustadas. Não o conhecem, nem percebem como funciona. No artigo anterior contei-vos a postura dos meus Pais e do próprio Duarte ao início, mas a cada dia que passa estamos mais confiantes - ela incluída. É preciso é ter cuidado para que o stress dos outros não assuste o Bebé. Bem sabemos como eles são permeáveis às nossas emoções. Por isso, se decidirem seguir o BLW estejam à vontade para não o fazer quando estão com pessoas que não querem entender o método (por mais vezes que o vejam em acção). E dêem também liberdade a outros cuidadores para que não o façam quando têm de tomar conta do Bebé e não se sentem À vontade com o BLW. Não faz mal nenhum se fizerem algumas das refeições pelo método tradicional, à colher.


Porque consideram que o BLW é melhor do que o Método Tradicional?

Bem, antes de mais e como tudo o resto, cada Mãe/Pai sabe o que é melhor para si, para o seu filho e o que melhor se coaduna com o seu estilo de vida.
Não há nada de mal em alimentar o Bebé à colher se acharem que é o melhor, se não se confia no Baby-Led Weaning. O momento tem de ser um momento com o menos stress possível (como em tudo o que envolve Bebés).
A maioria de nós foi alimentada à colher e estamos bem, não estamos? Eu sou super picuinhas com a comida (já fui muito mais!), mas sou saudável e estou bem.

Com o Método Tradicional o Bebé não é parte integrante da refeição familiar, não come o mesmo do que os outros. Em vez disso, os pais insistem em meter-lhe uma papa na boca, com uma colher. A consistência é sempre a mesma, mas o sabor varia: às vezes é bom, outras vezes não.
Os Pais até podem deixar que o Bebé veja a comida, mas raramente deixam que lhe toque com outra coisa que não a boca. Às vezes parecem com pressa, outras vezes a comida nunca mais chega.
Quando o Bebé cospe (seja porque foi surpreendido, seja porque quer ver o que é), os Pais apressam-se a raspar a comida e metê-la outra vez dentro da boca.
Como os Bebés não aprenderam que a comida os saciará, poderão ficar frustrados quando têm fome porque o que querem é leite.

Desvantagens do Método Tradicional
1. A comida não precisa de ser mastigada: A capacidade de mastigação pode ser atrasada e o Bebé pode não aprender a lidar bem com grumos. A mastigação é importante para o desenvolvimento da fala, boa digestão e comer em segurança;

2. A comida dada à colher tende a ser sugada para o fundo da boca onde não pode ser movimentada tão facilmente (ou de modo seguro);

3. Em muitos Bebés o reflexo de vómito é despoletado quando comem, pelas primeiras vezes, comidas com grumos ou esmagadas porque a sugam para o fundo da boca. É mais difícil aprenderam a evitar o reflexo quando são alimentados por outros do que quando lhes é dada a oportunidade de se alimentarem sozinhos;

4. Com este método, o Bebé não controla nem a quantidade que come nem a velocidade a que come. Muitos acabam por comer mais rápido e a comer mais do que precisam. Se se insistir nisto, poder-se-á interferir com a capacidade de sentir quando está saciado e, mais tarde, a que coma demais;

5. Quando é dada demasiada comida "sólida", o apetite do Bebé pode diminuir e poderá receber menos nutrientes do que necessita. Antes de completarem 12 meses, o aleitamento é a principal e mais importante fonte de alimentação do Bebé;

6. Não é um método divertido para o Bebé. Os Bebés querem explorar a comida - é como aprendem. Se repararem, os Bebés não acham muita piada que se lhes faça coisas ou que se as faça por eles. Permitir que os Bebés se alimentem a eles mesmos, torna as refeições mais agradáveis e encoraja-os a confiar na comida - aumentando a probabilidade de apreciarem uma maior variedade de sabores e texturas.

Com o BLW os Bebés podem comer alimentos em forma de purés, não são apenas alimentos sólidos. Aliás, o problema não está no facto de se comerem alimentos mais "líquidos", mas em apenas se comerem nesse formato e em não se permitir que os Bebés tenham o controlo. Há Bebés que, desde cedo, aprendem a comer com uma colher que os Pais previamente encheram, outros aprendem a "mergulhar" as colheres e outros ainda conseguem lidar com esses alimentos usando as mãos.

A alimentação à colher utiliza-se quando se introduzem os sólidos aos 3 ou 4 meses, apesar de ainda não haver necessidade alimentar com essa idade. Não há outra opção sem ser a colher porque os Bebés não conseguem lidar com a comida nessa idade, ainda não têm as capacidades necessárias para o fazer em segurança. Isto criou  ideia de que as colheres e os purés eram essenciais à introdução dos sólidos.
Mesmo havendo, actualmente, estudos que indicam que não se devem iniciar os sólidos numa idade tão precoce, a maioria das pessoas ainda assume (acriticamente) que o início da alimentação complementar deve ser feita por meio de papas, purés e à colher. De acordo com a Gill Rapley e com a Tracey Murkett, não há qualquer investigação que apoie esta ideia. Simplesmente tornou-se prática comum: experimentada e confiada, mas não testada.




Artigos relacionados: