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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O Meu Parto III - O Parto




Antes de mais, um desabafo: Adorava deixar de escrever a bold! Mas sou uma naba nesta coisa do html e não consigo alterar a formatação. Queria manter a fonte, o tamanho, etc... Mas que o texto deixasse de estar a bold.
Quando vou ver o código html, não há nenhum <b> ou </b>, portanto não faço ideia! Se alguém me conseguir ajudar ficarei eternamente agradecida.



Como já toda a gente que me lê percebeu, o meu parto não foi fácil. Aliás, dizer que não foi fácil é quase um eufemismo. Foi difícil, traumático, etc. Até há uns dias não conseguia falar nisso sem ficar com os olhos cheios de lágrimas e com o queixo a tremer.

Atribuo parte do que se passou ao facto de me terem feito o toque com descolamento de membranas sem me dizerem. Esta prática é indutora do parto e era algo que eu dizia especificamente, no meu Plano de Parto, que NÃO queria. Pelo menos não até a gravidez estar nas 41 ou 42 semanas. Verdade seja dita: o meu plano de parto não foi aprovado pela direcção da Maternidade. No entanto, tinha-o guardado no meu boletim de grávida.

Acontece que o primeiro toque com descolamento foi feito às 39 semanas. Não fui avisada de que me estavam a fazer o descolamento de membranas. A médica apenas se referiu a uma "maldade" para verificar a abertura e tamanho do colo do útero. Portanto, se não quiserem indução já sabem: quando vos falarem em fazer uma "maldade" digam que não querem!
Eu até me considero uma pessoa informada, mas só reparei no que era tarde demais. Sempre fui de confiar nos médicos e de lhes tentar facilitar a vida: é o que dá ser filha de médico e sobrinha de enfermeiros. Conhecer ambos os pontos de vista e ter bastante à vontade nestas andanças.
O segundo toque com descolamento de membranas foi feito na segunda-feira da quadragésima semana. Já tinham feito uma vez e das vezes seguintes permiti que o fizessem porque, confesso, não me apercebi que era uma forma de indução e porque confiei.



No dia 23 de Maio, como escrevi aqui, "combinei com amigos para ir ver o "Alien", podia ser que ela se sentisse inspirada e decidisse sair por iniciativa própria". Quando voltámos para casa, fui para a cama e acordei cerca de 2h30/3h, pelas 02h30 com contracções.
Tentei continuar a dormir, mas eram contracções de 10 em 10 minutos. Não eram muito fortes, mas eram com uma frequência que nem me deixava adormecer novamente. Ao princípio tentei desvalorizar, achava que seriam mais Braxton Hicks, porque sempre achei que quando começasse com contracções seriam de 30 em 30 minutos ou de 20 em 20. Nunca esperei que fossem logo de 10 em 10.
Levantei-me, agarrei no telemóvel e fui para a sala. Tinha de monitorizar as contracções para perceber se era um falso alarme ou se já era mesmo o início do trabalho de parto. Apesar de não serem dolorosas eram incómodas e sentia um desconforto enorme na zona dos rins. Meti-me aos saltinhos na bola de exercícios, escrevia no blog, tentava entreter-me. As contracções continuavam estáveis de 10 em 10 minutos e eu sem saber o que fazer, porque não tinha grandes dores, mas nas aulas de preparação sempre disseram para irmos para o hospital quando as contracções fossem de 10 em 10 minutos. Decidi que acordaria o Duarte se passassem a uma frequência de 7 em 7 minutos, se começassem a doer mais ou a umas horas mais decentes para o acordar. Passadas quatro horas de contracções de 10 em 10 minutos, achei que devia ir às urgências, e lá o fui acordar, "temos de ir para a maternidade, acho que é agora".

- Já experimentaste a bola?
- Andei nisso toda a noite.
- Queres tomar um banho quente?
- Já tomei, mas se calhar tomo outro.
Tomei mais um banho quente (não que fizesse grande coisa, mas um banho de imersão sabe sempre bem), tomámos o pequeno-almoço tranquilamente, atrasamos um bocadinho a ida para as urgências,  mas lá fomos.

A partir daqui, o timing e ordem das coisas está um pouco mais difuso na minha memória. Algumas coisas poderão não ser exactamente na ordem ou como agora me recordo. O que vale é que tenho as minhas conversas com amigos para dar uma ordem à coisa.
Uma coisa que devem saber sobre mim é que, pelo menos antes de ter a Miminho, se eu não dormisse as minhas 8 horinhas de sono já tinha o dia estragado. Rabugice, cansaço, falta de paciência, irritabilidade, etc, etc, etc. De dia 23 para dia 24 de Maio, não tinha dormido mais do que 3 horas quando acordei com as contracções e, a partir daí, não dormi mais até ela nascer. O que aconteceu às 11h00 de dia 25 de Maio.

Fomos para as urgências da MAC, onde me foi dito que, apesar das contracções de 10 em 10 minutos, não tinha quase dilatação. Mais um toque, mais um descolamento de membranas, e um "vá andar durante duas horas e volte para uma reavaliação. Regresse antes se as contracções passarem a ser muito fortes, de 5 em 5 minutos, se perder sangue ou se a bebé deixar de se mexer".
Acordada desde as 02h30 e ainda tinha de ir andar durante duas horas? Se tem de ser, tem de ser.
Com um marido coxo e com dores no pé, lá fomos andar pelo nosso bairro durante duas horas. Ainda esperámos que a Zara da Guerra Junqueira abrisse porque eu tinha metido na cabeça que queria comprar saco-cama de linho lindíssimo que lá tinha visto. Sabem o mais engraçado? Eu na fila, gravidíssima, e nem a funcionária, nem a mulher que estava à minha frente me deram prioridade. E ambas olharam para mim. Ainda pensei em reclamar, mas como até precisava de estar em pé, só fiz um olhar reprovador e acabei a falar mal com a funcionária. Não é o meu estilo, mas enfim... Estava em trabalho de parto com contracções de 10 em 10 minutos há um porradão de horas e não me deram a prioridade que me é devida por lei, acho que mereço um desconto.
Por volta das 11h30 voltámos às urgências. Não tinha diferença nenhuma na dilatação. Continuava tudo na mesma. Já estava naquilo há 09h30 e estava com, praticamente, uma directa em cima. Estava cansadíssima e a coisa não evoluía. Já estava com vontade de chorar.
Mandaram-me novamente para casa: "Em princípio de hoje não passa, mas volte quando estiverem de 5 em 5 minutos ou insuportáveis".
Voltámos para casa. Tentei descansar, tomar outro banho quente. O desespero era o cansaço pela falta de sono. Sempre que adormecia acordava com uma contracção, parecia uma tortura de privação de sono.



Por volta das 19h30, com 15 horas de contracções de 10 em 10 minutos, ficaram super intensas. E fomos, pela terceira vez no mesmo dia, para as urgências.
Mal a enfermeira me ligou ao CTG tive uma contracção, sempre que entrava na sala tinha uma contracção: "Ena! Teve mais uma grande!" e eu a pensar "f****-se! Mas grandes eu sei que são, não preciso do CTG para me dizer isso...". Por esta altura já tinham passado 17 horas e eu já estava a ver a minha vida a andar para trás. Tinha decidido "Quero drogas!!! Quero tudo aquilo a que tenho direito". As minhas costas estavam tão lixadas que doíam só de lhes tocar.
Eram umas 22h quando fui vista pelas médicas. Continuava com pouca dilatação. Mais um toque, mais um descolamento, mais um "vá andar durante duas horas e volte para uma reavaliação. Regresse antes se as contracções passarem a ser muito fortes, de 5 em 5 minutos, se perder sangue ou se a bebé deixar de se mexer". "5 em 5 minutos durante quanto tempo?", perguntei eu. "Se tiver contracções de 5 em 5 minutos durante meia hora, volte.".

Parecia que estava a adivinhar. Disse ao Duarte que não valia a pena saírmos da zona da maternidade e mal saímos das urgências, tenho uma contracção horrível. Olho para o telemóvel, onde registava as contracções numa app, e tinham passado 5 minutos desde a última contracção. "Ok. Isto tem de se manter assim durante meia hora e eles admitem-me, finalmente". Foi a meia hora mais dolorosa da minha vida. Pensava eu.
A andar pelas ruas à volta da maternidade, de 5 em 5 minutos, encostava-me a uma parede cheia de dores. Durante meia hora, andei pela rua a chorar, a desesperar, a contar "já só faltam 5 contracções para voltar", "já só faltam 4", "pffff... faltam 3", "f***-se!! Só mais 2", "Vá lá, só mais 1!! Vamos voltar para as urgências!". Detesto que me vejam a chorar ou a sofrer, mas estava-me a borrifar. Além do mais, quem me visse percebia perfeitamente o que estava a acontecer: uma grávida, ao lado da MAC, a chorar agarrada às paredes e a dizer para o marido "A culpa é tua! Tu é que querias filhos, mais do que eu! Porque é que eu fui na tua conversa??". Nunca pensei ser um cliché ambulante, mas lá estava eu a responsabilizar a 100% quem me acompanhava.

De volta às urgências, fui sentar-me agarrando-me à cadeira da frente, enquanto o Duarte foi à recepção. Diz-me ele "deram-te alta".
- O quê????!!!!
Não me lembro se me levantei ou se gritei do meu lugar
- Não me deram nada alta! Eu estou aqui para ser reavaliada. Não me deram alta! E se me deram, abram novamente o processo!
A recepcionista lá foi ver o que se passava.
Eram umas 23h00, 18h00 de contracções, 4h00 de dores terríveis nas costas em que nem queria que o Duarte mas massajasse, estava eu na sala de espera das urgências da MAC cheia de medo de ser observada e que me voltassem a dizer para ir andar, porque eu mal conseguia mexer as pernas, quando... de repente... 












Senti um "pop", comecei a escorrer líquido e pensei "agora não há hipótese, têm de me admitir. Daqui já não saio". Avisei a recepcionista:
- Olhe, rebentaram-me as águas!
- Ok. Não se preocupe.
E nada...
Eu continuava a escorrer, a cadeira cada vez mais molhada e nada.
- Olhe, pelo menos, chamarem alguém para limpar isto, não?
Eu sei... eu sei... Para quem lá trabalha isto é mais do mesmo. É algo que acontece "n" vezes por dia, fui só mais uma a sujar mais uma cadeira e não é algo que os leve a vir-me buscar no segundo seguinte. Mas eu não estava bem em mim e era a minha primeira gravidez, pelo que estranhei aquele comportamento.
Lá me chamaram. Só a mim. Por enquanto o acompanhante ainda não entrava. Vou para a triagem, começam a falar comigo ou a fazer-me perguntas das quais já não me lembro, com a excepção de uma:
- Vai querer epidural?
- Sim!!!!

Levam-me para outra sala, para que vestisse a bata, e acompanham-me até à sala de partos. A anestesista já vinha para me dar a epidural. Eu não gostava muito da ideia de me espetarem fosse o que fosse na coluna, mas não aguentava muito mais, só queria ficar sem dores. Só queria descansar um bocadinho. Nesta altura as contracções eram com menor frequência, cerca de 3 em 3 minutos.
A anestesista chega, pede-me que me sente em cima da cama, com as pernas cruzadas à chinês e enrolando as costas. Lá me espeta o que tem a espetar, o que foi desconfortável.
- Como sente as pernas? - perguntou.
- Pesadas. - respondi, achando que fosse uma sensação normal.
- Pesadas?! - reagiu.
"hmmm..." pensei eu "resposta errada..."
- Sim, e estão dormentes.
- dormentes?!
- Sim.
- E está dormente onde?
- Olhe, estou a começar a sentir dormência até à barriga.
- Consegue deitar-se?
Tentei descruzar as pernas.
- Não consigo mexer as pernas.
E o meu corpo começa a cair para o lado.
- Senhora Enfermeira, agarre-a!
Deitaram-me na maca e aqui eu estava um bocado noutra dimensão.

- Sente isto?
Olhei e estavam a espetar-me qualquer coisa na perna.
- Não.
"Pronto! Estou paralítica." pensei "Não me vou preocupar com isso agora. Depois logo se vê."
Elas lá iam fazendo as suas coisas e eu, estava a ficar com tanto sono que decidi dormir uma sesta e aproveitar para descansar enquanto a médica e a enfermeira resolviam o que tinham de resolver. Eu só queria dormir.
- Fique connosco!! Não adormeça!!
Abri os olhos, havia mais gente à minha volta, metiam-me uma máscara de oxigénio. Parecia tirado de um filme. Normalmente, dizem estas coisas quando o personagem está prestes a morrer.
"Então é assim que acaba? Tenho tanto sono...".
- Não adormeça!
Lembrei-me da minha bebé e decidi fazer o esforço, por ela.
Aos poucos, comecei a recuperar as sensações no corpo. Por algum motivo, a anestesista deu-me água a beber. Engasguei-me. Tinha perdido a capacidade de engolir. Se, por um lado, estava a recuperar, por outro não conseguia engolir e durante uns bons minutos assim fiquei.

Sabem quando nos sentamos muito tempo sobre uma perna e, quando a tiramos de debaixo de nós, durante uns segundos não se sente nada e depois começamos a sentir uma dormência? Foi assim que senti o meu corpo todo. Não sentia nada e, depois, estava a sentir dormência da cabeça aos pés.
Com a dormência, veio uma comichão imensa na cara.
Foi mais ou menos nesta altura que o Duarte entrou na sala de partos.
- Tenho tanta comichão. - e coçava os olhos, o nariz, a boca.
- Menina, não se coce. Isso é só impressão, faz parte. Tente não se coçar.
Substituíram-me a máscara de oxigénio pelos tubinhos que se enfiam no nariz. Lembro-me de pensar que sempre tivera curiosidade em experimentar aquilo tudo. A máscara é desconfortável, mas os tubinhos são porreiros. Respira-se tão bem! Às vezes tirava-os para me coçar, mas assim que os voltava a encaixar, sentia o ar tão puro, tão leve, tão fresco. Era óptimo.

How I Met Your Mother  - Lily in labour
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Enquanto esteve a trabalhar, a anestesista foi com muita frequência ver se eu estava bem.
Com a epidural a funcionar era tudo muito mais suportável. Apesar da dilatação teimar em ser extraordinariamente lenta, com a analgesia já tinha forças. Sentia tudo, só não sentia dor.
Durante a noite lembro-me de ter trovejado. Lembro-me de ter vomitado duas ou três vezes. Lembro-me que quando voltava a sentir dormência era sinal de que ia voltar a ter dores e tocava na campainha para avisar. Lembro-me da Enfermeira Amélia. Não a senti muito ternurenta, mas pareceu-me uma mulher rija, confiante no que fazia e que me transmitia segurança. Lembro-me que precisei de fazer xixi, mas como não conseguia ir à casa de banho, trouxeram-me uma arrastadeira. Acabei por ser algaliada, o que não custa nada. 

De manhã, entram, no meu quarto, não sei quantas pessoas. Assumi que seriam internos ou estagiários. Uma médica vai ver em que estado está a dilatação, a posição do bebé, e mais não sei o quê que eles fazem.
A médica falava e a voz era-me familiar. Durante este tempo todo eu, que sou bastante pitosga (5 dioptrias) estive sem óculos. Ela falava com os colegas e eu reconhecia-lhe a voz.
- Vanessa???
- Menina???
Tinha sido minha colega no secundário e agora, 15 anos depois, tinha a mão dentro de mim.
- Então, tudo bem? - Perguntei - Nunca pensei que nos voltássemos a encontrar nesta posição.
Risada geral naquele quarto.
Tenho a sensação de que ela ficou bem mais desconfortável do que eu. Parece-me normal. No processo de gravidez e parto perdemos a conta a quantas pessoas nos viram e tocaram na vagina, o nosso pudor vai pela janela.
Foi uma situação estranha, mas como já nada me surpreende, encarei a coisa com humor e como mais uma história engraçada.

Passado não sei quanto tempo, volto a sentir a dormência. Vinha aí a dor! Toquei logo na campainha para avisar que precisava de mais um reforço.
Alguém voltou, não me deram reforço. Pensei que o anestesista viria a caminho (nesta altura, a primeira anestesista já não estava e já lá tinham ido dois diferentes). A enfermeira dizia-me para fazer força e eu fazia toda a que tinha. Estava com "9/10 centímetros de dilatação", ouvi dizer. Já estava mesmo no fim. Estava quase a acabar. Era agora.
Volta a dor. Desta vez, as dores que sentia nas costas eram absolutamente insuportáveis. Tentava fazer força quando sentia uma contração, mas as dores eram tantas que perdia as forças a meio da contracção.
- Tenho muitas dores, preciso de um reforço.
Ninguém respondia ao meu pedido. Só me diziam para fazer força. E eu tentava. E sentia que ela estava  a "meio do caminho", mas eu perdia as forças por causa da dor e a coisa ficava parada.
- Faça força! Mais força!
- Eu não consigo! Eu preciso de um reforço. As dores tiram-me a força, não consigo fazer mais do que isto. Por favor.
Nada de reforço. Dores horríveis. Percebi que não mo iam dar.
Estava lá uma médica loira que me diz, mais uma vez, para fazer força.
- Eu estou cheia de dores, fo... fogo!!!

Ia-me saindo uma asneira, um "foda-se".
Mas não saiu. Percebi que o meu superego é demasiado presente em algumas situações. Com dores lancinantes e fora de mim, fui incapaz de mandar um "foda-se" a uma médica.
Disse ao Duarte
- Caguei! Vou gritar.
- Faz o que for preciso.
E deitava tudo cá para fora quando fazia força ao sentir uma contracção.
Mas cada vez que gritava, pensava nas outras parturientes que estariam à volta e como os meus gritos as podiam assustar. Raios me partam! No meio daquilo, não só era incapaz de dizer uma asneira, como estava preocupada com as outras? A minha mãe educou-me demasiado bem.
Comecei a ficar um bocado fora de mim. Estava lixada da vida, aos gritos, cheia de dores, a fazer toda a força que conseguia, mas que percebia não ser suficiente. A senti-la a caminho, mas a não avançar. Ficava preocupada com ela.



Oiço alguém dizer que me iam levar "lá para cima".
- Consegue andar? - alguém perguntou.
- Estão loucos???? - gritei.
Nesta altura mandaram o Duarte embora, mas eu já estava noutra dimensão por causa das dores, por causa do meu estado psicológico, e nem dei por nada.
Entre dores horríveis tive de mudar de maca duas vezes. Uma para sair do quarto e para ir para o elevador e outra ao sair do elevador. Lembro-me que me custou horrores.

Quando dou por mim estou no bloco operatório.
Reparei naquelas luzes que aparecem sempre nos filmes e parecia que estava numa nave espacial. Tudo branco, os médicos e enfermeiros com as toucas e com as máscaras, só se lhes via os olhos.
Eu continuava a implorar pelo reforço.
- Já vai. Não se preocupe, tenha calma. Está quase. - alguém me respondeu.

E, de repente, um anestesista por quem quase me apaixonei. Só lhe via os olhos, eram tranquilizadores. Enquanto eu chorava de dores, fazia-me festinhas na cara. Suaves, mas com alguma pressão. A pressão certa. Uma voz apaziguadora que me dizia:
- Menina... Menina... tenha calma. Já estamos a administrar, daqui a uns segundos já não vai sentir dor. Tenha calma, menina.
O próprio anestesista era uma analgesia. Conseguiu tranquilizar-me. A voz e as festinhas eram como um abraço. Gostava mesmo de saber quem é para lhe poder agradecer. Nunca me irei esquecer do seu toque, do seu olhar, da sua voz. Nunca me esquecerei de como, no momento mais doloroso da minha vida, me conseguiu acalmar.



De repente, as dores passaram! Sem as dores recuperei a energia. Já estava pronta para mais um bocado.
- Faça força!
Fiz força uma ou duas vezes e, às 10h56 do dia 25 de Maio, uma Quinta-Feira da Espiga, nasceu a Miminho. Não chorou, mas vi que mexia os pés e as mãos e não me preocupei. Meteram-na a chorar. Chorou durante dois segundos, foi o suficiente. Pousaram-na no meu colo.
Estava roxa e tinha uns olhos enormes, que me fitavam. Levaram-na para a observar e eu pedi "breast crawl". Pousaram-na novamente no meu peito, mas de repente:
- Deixe-me só ver uma coisa!
E levaram-na novamente. Estava a ficar fria. O bloco é um local muito frio.

Senti um alívio enorme quando ela nasceu, mas o alívio total foi quando saiu a placenta. Aí sim, estava tudo cá fora. Avisaram-me que iam fazer uma coisa chata e que podia doer. Carregaram-me na barriga para que saísse tudo. Não me doeu. Foi desconfortável, mas nada de insuportável.
Depois, comecei a tremer e a contrair-me. Não sabia porquê. A médica explicou-me que era normal, porque o bloco é mesmo muito frio, mas que precisava que eu tentasse manter-me imóvel para que me suturasse. Tinham-me feito uma episiotomia e agora tinha de levar pontos por fora e por dentro.
Enquanto tratavam da minha filha, aproveitei para falar com a médica.
- Porque é que eu vim para o bloco? Foi alguma coisa que fiz?
- Não foi nada que tenha feito. Ela estava virada para cima, com a cabeça a bater no osso, acabaria por vir sempre para aqui. Tivemos de a tirar com fórceps.
Na sala ao lado ouvia a equipa a celebrar os "feitos" da minha filha recém-nascida.
- Olhe, não sei o que ela está a fazer, mas os meus colegas estão divertidíssimos com a sua bebé.
Percebi que lhe estavam a fazer o APGAR (começou por ter 9 e depois 10 pontos), ouvi alguém a rir-se e a dizer que ela tinha feito xixi.
Depois, a coisa acalmou. Perguntei pela minha filha.
- Está ali. Não a consegue ver através da porta?
- Doutora, eu sou cega e estou sem óculos. Não consigo ver nada.

Quando terminaram todos os procedimentos, juntaram-me à minha bebé.
Estava na altura de ir para o recobro. Como ela tinha nascido de manhã, assim que fosse para a enfermaria poderia receber visitas.
Durante todo este tempo, desde que tinha saído da sala de partos, o Duarte ficou quase 2 horas sem saber de mim. Quando, finalmente, encontrou uma médica que tinha estado no nosso quarto foi-lhe dito que "mãe e filha estão bem". Foi assim que ficou a saber que já era pai. Quando saíssemos do recobro ele poderia ver-nos.
O que não sabíamos é que haveria uma falha informática e, durante um período de tempo, ninguém saberia responder à pergunta do Duarte "Onde estão a minha mulher e a minha filha?". 
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

A minha gravidez VII: Terceiro trimestre

Este artigo foi escrito à semana. Fui actualizando sempre que aconteceu algo engraçado e agendando porque, como poderão imaginar, a qualquer momento poderia deixar de o escrever porque chegava ao fim a gravidez e iniciar-se-ia outra etapa.
Quando lerem isto já estarei com a minha filha nos braços e ocupadíssima a dar mama, mudar fraldas e a tentar não enlouquecer com a privação de sono.

Ainda vos confesso mais: escrevi esta introdução na 32ª semana, dia 27 de Março, a cerca de mês e meio, dois, para a previsão de um parto normal (entre as 38 e as 40 semanas).
Como, por motivos de saúde que já vos falei, tenho uma maior probabilidade de ter um parto prematuro, a maioria das publicações que verão até Julho já estão pensadas, escritas e agendadas. Não quero que o blogue pare por causa do nascimento da Carminho, mas tenho noção de que poderá acontecer a qualquer momento e que depois disso também demorarei uns tempos a ganhar energia para escrever artigos, tirar fotografias, cozinhar, etc., para partilhar convosco.

De qualquer modo, aqui fica o último artigo sobre "A minha gravidez".
Espero que as minhas experiências, peripécias, etc., vos tenham entretido e sido úteis de alguma maneira. É por isso que as partilho.



Fonte

Semana 27
Terminei o móbil para o quarto da Miminho ❤
Sem me querer gabar, mas gabando, ficou lindo.



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Semana 28
As hormonas são tramadas e, irritadiça, achei que o Duarte não estava a ser suficientemente pró-activo nas coisas para a filha. Dei-lhe um ralhete e duas tarefas: acabar de arranjar o armário do quarto da bebé e comprar-lhe algo.
Andou uns tempos a matutar até que, certo dia, lhe perguntei
- Já sabes o que vais comprar para a tua filha?
- Sim - e começou a rir-se.
Espetei um dedo na sua direcção:
- Coisas do Benfica não valem!
- Aaah, não sei... Não discriminaste! E há um cachecol pequenino tão engraçado...
- Pronto, podem ser também do Benfica, mas têm de vir a acompanhar outra coisa qualquer.



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Semana 29
Certa manhã saí cedo e quando voltou disse-me, todo entusiasmado, que já tinha cumprido a tarefa.
Um bodie, super fofo, super betinho, com uma golinha às pintinhas prateadas, para o primeiro mês; e uma saia-tutu azul, lindíssima, para 4 anos!
- Mas a senhora disse que aos 2 já dava!
Ri-me imenso! O meu pai fazia-me exactamente o mesmo. Houve roupas que nunca cheguei a usar porque, mesmo tendo atingido o meu tamanho máximo, me ficavam enormes.😊

- Fez-me lembrar de ti e do teu tutu cor de rosa. Sabia que ias gostar!

- E gostei! Agora é só esperar 4 anos e 2 meses.



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Semana 30
A azia atingiu proporções épicas. Juro-vos que me sentia um dragão. Se acendessem um isqueiro à frente da minha boca quando arrotava, incendiava a divisão onde estava.
Não, não são os pelos da criança (espero...), é mesmo estar a esborrachar-me o estômago.
Num dia de inspiração, coragem e força, decidi montar o quarto da bebé. Não furei paredes, mas imprimi cópias das imagens com que quero decorar e colei-as. Também não instalei o móbil, porque não queria que apanhasse pó, nem que as gatas decidissem que é um brinquedo para elas. Também foi só um ensaio da decoração porque, para nosso azar, tínhamos uma infiltração no nosso quarto, precisávamos de fazer obras e teríamos de nos mudar para aquele quarto.
Nesta semana juntei-me com os meus melhores amigos (os que puderam) e fizemos uma FAB Party, que contei aqui. Uma festa que não é sobre a gravidez ou sobre a bebé que aí vem, mas uma oportunidade de ter uma festa em grande antes da vida mudar tão radicalmente e ficar uns tempos a adaptar-me à nova realidade. Além do mais, ultimamente a minha vida tem sido praticamente dominada pela gravidez e pelo que é preciso tratar antes do parto, que sabe bem fazer coisas que não tenham nada a ver com esse tema.


Uma publicação partilhada por Menina (@ameninadajoaoxxi) a




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Semana 31
Dores terríveis. Uma mistura de gases, com Braxton Hicks, dores musculares e pontapés da cria tornaram o meu fim de semana numa maravilha, cheia de desconforto e dores. Já nem sabia para onde me virar. Felizmente, aqui há uns anos ofereceram-me daquelas bolas de exercício e lá me fui colocando em diversas posições para me aliviar.
Uma pessoa já é obstipada normalmente, com a gravidez isso tende a agravar, e o ferro que se toma ainda piora o cenário. É mesmo porreiro. O que me vale é que o Duarte é o melhor marido que poderia ter e, mesmo estando a trabalhar, respondia aos meus apelos de "preciso de mimos", "preciso de festinhas na barriga", "preciso de uma massagem nas costas", "preciso de ajuda para me levantar" sem se queixar.
Já o avisei que, se calhar, vou começar a ser uma inútil como fui no primeiro trimestre. E acreditem, isso custa-me horrores. Estava a sentir-me tão bem. Cheia de energia para tratar do quarto da Mini Mi, para costurar, arrumar, ir às compras para a casa, etc. E agora, quando abro os olhos, o meu primeiro pensamento é "será que me consigo mexer sem dores?"



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Semana 32
A semana começou com a ecografia do terceiro trimestre. Tenho-as feito na Clínica de Chelas, porque são comparticipadas a 100% pelo SNS, e tenho gostado muito do atendimento, das instalações e dos médicos que me têm feito as ecos. Desta vez o Duarte não pode ir comigo, porque estava a trabalhar. Convidei a minha mãe, que aceitou logo, e decidi fazer uma 3D para surpreender o pai. Claro que, tendo o feitio da mãe, a miúda decidiu que não queria mostrar a cara. O médico lá andou a abaná-la para que se mostrasse, mas ela preferiu responder com pontapés e mostrando o pipi, como se nos estivesse a mandar à outra parte. Ainda nem nasceu e já está com um belo feitiozinho. É isso filha, girl power!! Também ficámos a saber que já deu a volta, o que deve explicar o desconforto brutal que senti no dia anterior. Dois dias antes, uma amiga que é médica tinha-me apalpado e ainda estava de cabeça para cima.
Estava eu na trigésima semana quando me ligaram da Maternidade Alfredo da Costa para que começasse lá a ser seguida. Estranhei, porque as grávidas só costumam ser encaminhadas do Centro de Saúde para a Maternidade ou Hospital por volta das 36 semanas, a não ser que haja algum problema. No entanto, não fiquei muito preocupada, porque podia por causa da minha anemia. Quando lá cheguei, ninguém me soube dar com certezas o motivo de começar a ir tão cedo. Do que viram estava tudo bem, marcaram-me análises e consulta para dali a 2 semanas, e duplicaram-me a dose de ferro. Estava de volta às ampolas! São horríveis! Já as fiz há uns anos e é de vomitar. Ficou o aviso, se calhar teria de começar a tomar ferro endovenoso. Mesmo bacano!
Conseguimos também consulta pré-natal para conhecer uma pediatra. Soubemos que era pediatra na MAC e como o parto seria lá, achámos que era uma boa opção. Gostámos muito dela e disponibilizou-se para esclarecer todas as dúvidas que tivéssemos (neste momento já não havia muitas). Aconselhou-nos a fazer já a mala para levar para a maternidade (lá estava a minha probabilidade de que a miúda nasça mais cedo), aconselhou a começar assim que possível com a lanolina nos mamilos (para hidratar e evitar gretas no futuro), bem como a aplicação de elastolabo no períneo para evitar a episiotomia (corte) ou o rasgão do períneo. Portanto, na 32ª semana, já estava a preparar a mala (faltava apenas lavar a roupa que queria levar) e a tomar ferro duas vezes ao dia.
A semana terminou de forma intensa. Quando saí de casa para ir receber a chave da nova casa (a anterior proprietária tinha pedido para ficar lá mais uns tempos) cruzei-me com dois homens nas escadas do meu prédio, um deles enorme e careca, e tive um feeling péssimo. Estive quase para ligar à minha vizinha do lado ou à porteira para avisar que algo de estranho se passava e para ficarem atentas, mas decidi ignorar o meu instinto e fui à minha vida. Mais tarde, quando voltei, um apartamento tinha sido assaltado, tentaram um segundo e ainda foram tocar à minha campainha. Para a próxima dou ouvidos aos meus feelings, como de costume.




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Semana 33

O início da semana foi logo de irritação.
Recebi uma chamada do Centro de Saúde para me avisarem que a minha consulta de saúde materna tinha sido cancelada. A médica ia estar fora durante um mês, mas que me marcavam para Maio, "olhe, para isso deixe estar, em Maio já tenho a miúda cá fora!". Comecei por me irritar porque, queria esclarecer com a médica porque raio me mandou tão cedo para a MAC, se era mesmo por causa da anemia, e precisava de um certificado de incapacidade temporária para apresentar no centro de emprego. Certificado esse que tem de ser passado no Centro de Saúde e não noutro lado. Tudo bem que a senhora pode ter adoecido ou ido de férias, mas não se pode deixar um paciente assim pendurado. Descaíram-se e disseram que foi de férias. Então e foi de férias e nem avisa os pacientes? Eu bem tinha dito que não tinha tido grande empatia com ela. Lá expliquei a minha indignação à administrativa, que foi super prestável, me acalmou e me marcou uma consulta extra com outro médico para me passar o certificado. Entretanto liga-me a enfermeira do Centro de Saúde, porque estava na altura de levar a vacina tripla, ainda acedeu ao meu ficheiro para perceber o motivo do encaminhamento precoce para a MAC, mas a médica não deixou anotação nenhuma. Nunca saberemos: foi por causa da anemia ou por causa das férias dela? Bem que poderia ter dito. Enfim... Agora estou na MAC e estou bem.
Entretanto, fui à casa nova encontrar-me com um empreiteiro e um arquitecto. Lá explicámos o que queríamos. Lá vamos nós mandar umas paredes com o caraças, colocar outras, mudar casa de banho e cozinha. E rebentar com a marquise!! Odeio marquises, são a maior praga arquitectónica que existe neste país. Num país com um sol tão bom, com uma luminosidade tão fabulosa, e as pessoas querem é fechar-se o mais possível? Tontos! Além do mais, aquela casa tem vista para Monsanto e para a Margem Sul, como não aproveitar?
Já na casa onde moramos estávamos com uma infiltração no nosso quarto! Que sorte... Não podia ter calhado em melhor altura e os tipos do seguro tardavam em dar resposta. Não podia ir parir sem ter a minha casa habitável e limpa...
Entretanto, e para acabar a semana em beleza, vou à casa de banho e, quando me limpo, sai-me o rolhão mucoso. Mesmo fixe! Para quem não sabe, a perda do olhão é um dos sinais do trabalho de parto. Uma substância gelatinosa que tapa o colo cervical, protegendo tudo o que está lá para dentro. Claro que tive um mini ataque de ansiedade: queria mesmo que ela só nascesse a partir das 40 semanas, tínhamos a sessão fotográfica na semana que se seguia, um fim de semana no Marvão marcado para o fim de semana seguinte, as obras no quarto e as obras na casa nova por fazer. Era mesmo o que me faltava. Lá me acalmei. Podia ser apenas parte, afinal nem sangue tinha, mas a partir de agora repouso, nada de brincadeiras e toca a preparar definitivamente a mala da maternidade e as roupinhas para os primeiros meses.



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Semana 34

A trigésima quarta semana começou com uma estadia de 8 horas, nas urgências da MAC, a fazer CTGs e com soro para a veia. Impec! E eu que só lá ia para fazer análises... Quem me mandou ir perguntar nas consultas se podia falar com a médica por causa do rolhão? Mandaram-me logo para as urgências e lá ainda me deram na cabeça por não ter ido logo na véspera. Podem ler todo drama/aventura aqui (sim, porque drama é comigo e assim que me disseram "vá já para as urgências" fiquei com lágrimas nos olhos, mas achei que o melhor era ir tomar o pequeno-almoço e ir tratar de um assunto ao centro de emprego).



No dia seguinte, tive a minha sessão fotográfica. Outra aventura. Ficámos uns dois meses para a conseguirmos fazer. Ora era o mau tempo, ora era indisposição, ora era a vida... E no próprio dia tivemos de mudar de local porque o que tínhamos inicialmente planeado estava pejado de turistas! O que vale é que acabámos com um cenário bem bonito e que fazia muito mais sentido: o bairro onde moramos e onde a Miminho vai crescer (pelo menos nos primeiros tempos). Podem ler a história e ver as fotos aqui.





A seguir à estadia nas urgências tivemos consulta. A médica, Isabel Nery, tinha pinta de ser da velha guarda, toda despachada, sem papas na língua, bastante assertiva - gostámos imenso dela. É o meu estilo de médico, dá-me segurança. Viu os resultados das análises, CTGs, exames e "as análises estão óptimas - a anemia melhorou imenso, não há motivo para fazer injectável, é continuar a fazer o que tem feito -, tem um colo do útero óptimo - granda colo!! - 33 mm, resistente à pressão, no CTG teve aqui umas contracçõezitas, mas se não tem tido dores não é para se preocupar". "Doutora, nós temos um fim de semana no Marvão, a cerca de 2h30 de carro, acha que podemos manter?", "oh meninos, vão passear, vão namorar antes dela nascer. Mas só podem olhar um para o outro! Nada de brincadeiras! Nem grandes esforços. E muita hidratação.".

Bem, o meu útero deve ser mesmo uma beleza. Elogios nas urgências, elogios na consulta... Óptimo, bom, espectacular. Com tanto elogio, tenho vontade de mostrar ao mundo o meu colo e devia oferecer-me para ilustrar os manuais de obstetrícia.
A 34ª semana terminou em beleza, com o fim de semana passado no Marvão (ou Babymoon). Ficámos alojados no Train Spot, uma estação de comboios transformada em alojamento. Adorámos a estadia e adorámos os passeios que demos pelo Marvão e por Castelo de Vide. São duas terras lindíssimas, que valem mesmo a pena conhecer.
Até ao momento a Miminho estava-se a portar bem e a deixar que a mãe concretizasse os planos que tinha.  



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Semana 35

Comecei a semana a pressionar a empresa gestora do condomínio e a seguradora, para que se mexessem e me permitissem começar a tratar das obras. A coisa lá se começou a desenvolver. O caso estava na seguradora há 3 semanas e foi preciso um telefonema meu para, no próprio dia, contactarem a gestão de condomínio. Outro dos meus mantras: "se queres algo bem feito, fá-lo tu!".
Quando tudo o resto começava a melhorar apareceu-me uma hemorróida. Fabuloso! Das dolorosas... Era mesmo o que eu precisava.
Uma coisa gira: combinei com o meu professor de tango filmarmo-nos a dançar, para ter mais um recuerdo enquanto grávida. Quão fixe será a minha filha ter vídeos da mãe a dançar enquanto estava grávida dela?  Diverti-me imenso, gravámos 4 músicas e soube-me maravilhosamente bem ❤
Entretanto, as hemorróidas pioraram. Sorte a minha! Toca de me abastecer de creme. Tinha óleo de rícino, fiz uma reacção que só piorou o meu estado. Mudei de creme, passei a tomar uns comprimidos e a fazer banhos de assento (com sal grosso e vinagre de cidra) 3 vezes por dia. A isto, passei uns dias deitada de lado com 2 almofadas por baixo da anca e outras por baixo das pernas, para que o rabo estivesse mais elevado do que o resto do corpo. No fim da semana já estava bem mais aliviada. Só esperava que isto passasse antes de entrar em trabalho de parto. Já me chegava o estado de desconforto provocado pelo parto, não precisava de associar a isso uma crise hemorroidal.



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Semana 36

Acordei a pensar que talvez fosse melhor passar a fotografia semanal logo para o início da semana. Coincidentemente, as minhas semanas de gravidez iniciavam-se às segundas. A partir de agora, a miúda podia nascer a qualquer momento.
Levantei-me, tomei os meus banhos e despachei a foto. Quando comecei a tratar de algumas tarefas domésticas comecei a sentir dores de costas, azia, algumas contracções e, quando fui à casa de banho tinha um líquido a escorrer-me pelas pernas. Hmmmm... Corrimento? Líquido amniótico? Trabalho de parto? Deveria ir para as urgências? Primeiro passo: comer! Segundo passo: estender-me a ver se as dores passavam. Terceiro passo: torcer para que não fosse trabalho de parto, apenas falso alarme.
E era! Ufa! Pelo menos qua aguentasse até quinta feira, que era quando tinha a próxima consulta.
Foram dois ou três dias destes sintomas e já estava a ficar um bocado desmoralizada. Estava tudo a correr tão bem e tinha sido contemplada com hemorróidas, quando as hemorróidas começam a melhorar, começo com estas ameaças. O que me valia é que lá me ia estendendo no sofá, tomando os meus banhos (aos quais adicionava óleo essencial de lavanda para relaxar). O mais chato foi ter estado a tratar das obras na casa nova e começar a ter contracções quando um simpático funcionário da Leroy Merlin me falava de "revestimento cerâmico", ele reparava nas expressões que eu tentava disfarçar e eu reparava no ar apreensivo que ele tentava disfarçar.
Lá fui à MAC, onde me disseram que sim, eram contracções e que o líquido era corrimento e suor, nada de preocupante. Estive ligada ao CTG que não detectou nenhuma contracção e, segundo a Dra. Isabel Nery, estava óptimo. Depois aproveitou e fez-me os exsudados vaginal e fecal. Como odeio aquele cotonete. De morte. Já no ginecologista é a mesma coisa quando é para fazer o Papanicolau, é desconfortável, dói, deixa-me ansiosa... Bem que a médica me tentava fazer descontrair, a brincar comigo, a distrair-me, mas nada. "Menina, Menina... Tem de relaxar... Senão agora como é que eu tiro o cotonete?". Eu até me ria do que ela dizia, mas relaxar está quieto. "Oh, Doutora! Eu odeio o cotonete, prefiro mil vezes o bico de pato", "O quê? Mas o bico de pato é muito maior!", "olhe, se calhar é por isso... É uma questão de pressão." Risada total naquele gabinete. E ficou assente "Ela agora pode nascer a qualquer momento, com o tempo que está, está óptima. Não vamos atrasar nem acelerar o parto, é deixá-la vir. Por isso, vá andar, ter relações sexuais, essas coisas.". Ao que eu respondi "Sim, sim", mas pensei para mim mesma "ainda não!!!!", embora todos os dias eu e o Duarte olhemos um para o outro e digamos "hmmm... não chega até dia 22."
Quando cheguei a casa, fui à casa de banho fazer xixi e quase que uivei de dor! Um ardor tão grande que tive de urinar aos poucos e a morder a mão. "Mau... querem lá ver que a adicionar a isto tudo ainda fui presenteada com uma infecção urinária?". Passadas uma horas, novo xixi e continuação do ardor/dor/desconforto. E lá fui eu ao google que me redireccionou para diversos fóruns, em que a maioria das mulheres gritava "infecção urinária!! Vai para as urgências!!", até que perdido no meio daquilo, um testemunho com um cenário parecido com o meu, em que a mãe dizia que quando foi às urgências o que lhe disseram é que tinha feito uma feridazinha e que no dia a seguir já não tinha dor nenhuma. Decidi esperar. Sempre que ia à casa de banho (que agora é cada vez com mais frequência), lá inspirava e me munia de coragem para o que lá vinha. Antes de me deitar tomei o meu banho (com sal marinho, óleos essenciais e vinagre de cidra) e, coincidência ou não, no último xixi da noite já não havia qualquer ardor ou desconforto.

Durante essa noite (de quinta para sexta), tive pesadelos, tive imenso frio e acordei encharcada entre as pernas. "Oh, diabo.... querem lá ver que tenho de ir às urgências?", a cama não estava molhada, eu não estava propriamente a pingar, levantei-me para me limpar e decidi que ia ver como prosseguia a noite. "Bem... pelo menos vou tentar dormir um bocado. Isto não é líquido suficiente para fazer mal ao bebé se for daí. Se amanhã de manhã continuar vou para as urgências. Epá... mas amanhã de manhã vem a Patrícia [a nossa empregada], dava mais jeito ir para a maternidade já com a casa limpinha e ela não tem chave...". De manhã, quando me levantei, estava húmida, mas nada de extraordinário. Ia ver como corria o dia - e correu dentro da normalidade. Tirando ter ido à Mantovani ver pavimentos e onde, a certa altura, a senhora me perguntou se estava tudo bem. É que a barriga já pesava... 




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Semana 37

Yey!!!! Chegámos à 37ª. semana! Se cada dia a mais em que ela está cá dentro já assumia como uma vitória, quanto mais cada semana a mais!
No entanto, comecei esta semana com um humor de cão. Sem paciência para aturar pessoas. Decidi que o melhor era minimizar as minhas interacções sociais ao máximo. Não resultou lá muito bem, mas que se lixasse. Não tenho culpa de algumas pessoas serem bastante sensíveis, que me deixassem em paz.
Com a casa nova a ir para obras dei por mim a passar 12 horas em IKEA, Mantovani, e a resolver mais uma data de coisas. Obviamente que, assim que cheguei a casa e morri para o mundo. O Duarte quase que teve de me levar ao colo para a cama e, no dia a seguir, sentia-me de rastos. Mas pronto, as obras iam começar, já tínhamos tratado de tudo o que era inicialmente necessário: contrato de água e de electricidade; já tínhamos a cozinha escolhida, as torneiras para a casa de banho, o pavimento e revestimento para a cozinha e casa de banho.
Houve um dia em que passei na mercearia ao lado de casa e vi a fruta com o melhor aspecto de SEMPRE!! Morangos, melancia, cerejas... Decidi entrar. Não sei o que se passou entretanto, mas acabei por sair com duas caixas de gelado de chocolate e dois twix. Até me ir deitar comi três mini-magnums e um twix. No dia seguinte comi a segunda embalagem de gelado enquanto via um episódio do Bar Rescue...
Toda confiante de que a baby iria aguentar mais um tempinho dentro do forno, decidi marcar uma data de coisas para a semana seguinte: cortar o cabelo e ir arranjar as sobrancelhas, mãos e pés. Não que quisesse ir toda bonita para o parto, mas sabia lá quando é que voltaria a tratar de mim depois dela nascer. Para a semana 38 também ficou marcada a visita à maternidade. Não tinham para mais cedo. Estou plenamente convencida de que este ano vai haver um baby boom. Não só vejo grávidas por todo o lado, como a maternidade está sempre à pinha, não havia vagas para a visita e uma grávida comentou comigo que estavam com dificuldades em arranjar uma data para lhe marcar uma cesariana.
E, para terminar a semana em beleza, uma grande crise de obstipação! Estava desesperada. Já andava a tomar um laxante próprio e nada! Água e fruta, e nada! Massagens e nada! Tudo o que metia, lá dentro ficava. Já me doía tudo, já nem tinha posição sentada ou deitada. Só desconforto e uma sensação de inchada e entupida. Decidi atirar a toalha ao chão: mandem vir o clister!! Como estava mesmo desesperada meti logo dois microlax e foi "aguentar o mais possível". Para ajudar, mergulhei no meu banho morno a relaxar e a aguentar. A tentar ir para zen, basicamente, para não sucumbir à vontade imediata de ir para a sanita. 15 minutos de banho, saí, limpei-me, vesti a camisa de noite... sempre em zen... Ainda tive tempo de fazer a minha limpeza de pele e, de repente, já não dava para aguentar nem mais um segundo. Assim que me sentei, iniciei o meu trajecto até ao nirvana. Passados uns minutos era uma mulher recuperada, leve! Oh, felicidade!


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Semana 38

Oh, yeah! Chegámos a mais uma semana!
Fomos à consulta semanal e a médica que me atendeu disse que isto ainda estava muito fechadinho. Que eu devia começar a andar e a namorar. "Não, não! Ainda não!", respondi, "Só para a semana, porque quero que ela fique aqui dentro até dia 21, pelo menos!". Nesta consulta só me saíam pérolas. "Então e está com quanto peso?", ao que eu respondi, cheia de confiança "39!!". Imediatamente, corrigi para "49!". E o Duarte a desesperar, "o quê?", "59!". Não me saía o número certo. "Olhe, aumentei 12,5kg". Depois foi apalpar-me, "relaxe", "Tenha calma! Deixe-me relaxar que eu consigo. Sabe, é que com o meu marido costuma ser um bocadinho mais romântico". E o Duarte a enterrar-se na cadeira o mais que podia.
Consegui ir arranjar as sobrancelhas, as mãos, os pés e o cabelo. "É para ficares bonita para a tua filha?", gozou-me a minha mãe. "Não, é mesmo porque não faço ideia quando é que voltarei a ter energia para estas andanças.".
Fizemos a visita à maternidade. Apesar de ser dia de tolerância de ponto por causa da visita do Papa, a Enfermeira-Chefe Paula esteve presente para nos fazer a visita. Depois da minha passagem pelas urgências só me faltava mesmo conhecer a sala de preparação e de partos. Gostei muito. Não é nada de extraordinário, é uma instituição hospitalar pública, mas tem tudo o que é necessário. Fomos também às enfermarias, que agora só levam 4 puérperas de cada vez, e onde passarei 2 ou 3 dias.
Tenho a dizer que, ainda não tinha tido a criança, mas a MAC já tinha conquistado um lugar no meu coração. Independente do que acontecesse daqui para a frente, não senti outra coisa que não profissionalismo, atenção e, até, ternura por parte de todas as pessoas com quem lidei: seguranças, auxiliares, senhoras da limpeza, enfermeiras e médicas.
Para terminar a semana e quando dava mesmo jeito, o meu querido e atlético marido aparece-me em casa coxo. Foi jogar à bola e apareceu-me em casa com um tornozelo inchado - maior do que os meus dois juntos. Não é suposto serem as grávidas a ficarem de tornozelos inchados?



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Semana 39

Woo-hoo!!
Esta semana a coisa já parecia mais encaminhada. Na consulta semanal, fizeram-me o toque. Já está em baixo, já há alguma dilatação (um dedo ou dois consoante o tamanho do dedo - palavras da médica, não minhas!), e ela sentiu a cabeça da Miminho!!! Antes dos pais, coisa que eu acho uma pouca vergonha! Ela avisou-me de que o procedimento poderia doer, mas não custou nada. Algum desconforto, claro. Mas o cotonete continuava a ser o pior! "Agora vá fazer caminhadas e namorar, para estimular as contracções!".
Continuávamos com problemas de eloquência quando na hora de falar no peso! "Então, aumentou 25kg, não é?", "Eu???!! Nem pensar!! Só o recomendado e a enfermeira hoje não descontou o peso da roupa nem do calçado". Aumentei 14 - 15kg, mas o Duarte já estava pronto para me privar das sobremesas. Nem pensar! Não se atrevam a tirar a sobremesa (ou qualquer comida) a uma grávida. Redimiu-se ao lanche: meio croissant com chocolate para a Menina ❤
No dia a seguir à consulta, começou a sair-me rolhão mucoso (é o que dá por querer ir às compras e passar à frente das pessoas - toma lá!). Claro que, pelo meu desejo de que só seja a partir de dia 21, entrei em pânico. Fui logo deitar-me. Depois comecei a ter uma descarga qualquer, pensei logo "é líquido amniótico??", lá fiz os testes que a enfermeira me disse da outra vez e percebi que não. Fiquei logo mais descansada, podia tomar o meu banho relaxante para tranquilizar e diminuir qualquer contracção. Ainda para mais, neste dia fazia anos uma das pessoas mais horrorosas que tive a infelicidade de conhecer. Nem pensar que a minha filha ia partilhar a data com esse ser.
Aliado ao pânico de "ela não pode nascer hoje", senti uma adrenalina e um entusiasmo brutal. Acho que quando chegar a altura não vou ter medo nenhum. Não senti qualquer receio, apenas expectativa e entusiasmo de poder ser agora. Se não fosse querer esperar até aquele dia, já andava a subir e descer escadas, a andar quilómetros, a comer comida picante, a "namorar", etc! Mal posso esperar por entrar em trabalho de parto! Claro que fomos a correr tratar de pequenos pormenores que faltavam.
Lá a coisa acalmou. Na quinta-feira fizemos um jantar com amigos e, ao deitar, voltou o líquido. Tinha uma moinha nas costas, podiam ou não ser contracções. Sempre tive dores de costas e com esta barriga parecia-me normal. Na manhã seguinte o líquido e a moinha continuavam. Não reconhecia o cheiro, podia ser o rolhão que continuava a sair ou líquido amniótico. Falei com a minha tia (enfermeira) que me aconselhou a ir às urgências, pela possibilidade de ser líquido amniótico. Arrumei o nécessaire, o Duarte preparou umas sandes e umas águas, e lá fomos nós para as urgências.
Mas não era nada de preocupante. Avisaram-me logo, se fosse ruptura já não saía da maternidade, mesmo que ainda faltassem 2 ou 3 dias para o parto acontecer. Foi mais rápido do que da outra vez, conheci mais uma médica e enfermeira, de quem só tenho boas coisas a dizer. Divertidas e profissionais, ainda nos rimos bastante.
No fim de semana, comecei a tratar de andar. No sábado à noite, fui andar com uma amiga: 2,3km. No domingo, decidi descer até ao r/c e subir 9 andares, fazer exercício na bola (segui estes) e depois de jantar mais uma caminhada.
Mas a miúda, que dava sinais de ter vontade de sair antes de tempo, parece ter ganhado o gosto ao aconchego da barriga da mãe...




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Semana 40

E não é que chegámos à quadragésima semana?
Comecei logo por subir os 9 andares do meu prédio e fiz exercício na bola. As minhas pernas estavam a matar-me! Entre agachamentos, caminhadas e escadas estou a exigir muito delas.
Só que a Mini Mi parece gostar do exercício! Não fica nada a querer sair.
Decidi então fazer duas misturas de óleos essenciais (OE): uma para o banho de imersão e ambas para levar depois para a maternidade, quando entrar em TP. Para o banho meto logo os OE na água; mas fiz as misturas em roll-on, com um óleo base, para poder aplicar na pele quando estiver na maternidade. Um dos óleos é para relaxar e ajudar na altura das dores (não vou usar agora) e o outro é um energizante que contém óleos que dizem estimulam o trabalho de parto e dão energia (para quando já estiver mais cansada). Nesta fase estou a usar o "Energizante". Ontem o banho foi com os OE desta mistura, mas aproveitei e massajei o roll-on na barriga. Posso dizer que senti algo a acontecer, só que não evoluiu.
Na segunda feira à noite ainda tive umas contracçõezitas, mas depois acabei por adormecer. Acho que tive também durante a noite, não dormi muito bem. Será que o adormecer acaba por atrasar o TP? Aí estava uma pergunta para fazer à médica na terça feira.



Na consulta fizeram-me novamente o toque e repetiu o descolamento de membranas (que eu não me lembrava que tinha sido feito na consulta anterior). O colo estava mais baixo, mas a dilatação estava na mesma. Aparentemente, é suposto o toque e descolamento ser uma coisa altamente desconfortável e, até, dolorosa. Uma amiga minha, médica, disse-me que eu devia ser objecto de estudo porque a mim não me doía e continuava a dizer que não há pior do que o cotonete. Claro que era um bocadito desconfortável, mas não nada do outro mundo. Pelo menos até ao momento. Mas pronto, ficou assente que se ela não nascesse entretanto, iríamos à consulta na segunda-feira seguinte e ficava já internada para indução. Durante a tarde ainda tive algumas dores de costas, mas nada de extraordinário.
Nessa noite, combinei com amigos para ir ver o "Alien", podia ser que ela se sentisse inspirada e decidisse sair por iniciativa própria. E não é que resultou? Cerca de duas/três horas depois de sairmos do cinema entrei em trabalho de parto.
E que trabalho de parto! Em tempo escreverei sobre isso, porque preciso mesmo dessa catarse.


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