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terça-feira, 12 de novembro de 2019
Uma miúda sem-abrigo de 22 anos pariu sozinha na rua e deitou o bebé no lixo
sábado, 22 de junho de 2019
O Meu Segredo III
A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.
Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.
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sábado, 15 de junho de 2019
O Meu Segredo II
A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.
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sábado, 8 de junho de 2019
O Meu Segredo
Aqui há uns tempos disse-vos que os segredos regressariam.
Porque a vida não é só filhos, o meu objectivo agora é que deixem de ser apenas relativos a parentalidade. Podem ser sobre o que quiserem ou precisarem de deitar cá para fora. Os próximos ainda têm a ver com parentalidade.
Podem enviar o vosso segredo através de e-mail (ameninadajoaoxxi@gmail.com) ou do formulário.
Porque a vida não é só filhos, o meu objectivo agora é que deixem de ser apenas relativos a parentalidade. Podem ser sobre o que quiserem ou precisarem de deitar cá para fora. Os próximos ainda têm a ver com parentalidade.
Podem enviar o vosso segredo através de e-mail (ameninadajoaoxxi@gmail.com) ou do formulário.
A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.
Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018
O Meu Segredo de Mãe: 4º Segredo
A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.
Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.
Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.
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terça-feira, 16 de outubro de 2018
O Meu Segredo de Mãe: 3º Segredo
Espero que esteja tudo bem com esta mãe e com este bebé.
Espero que o "Fá-lo-ia" não signifique que ainda se encontra nesta relação.
Espero que o "Fá-lo-ia" não signifique que ainda se encontra nesta relação.
A quem se encontra numa situação de relação abusiva: não precisam de passar por isto sozinhos. Há entidades especializadas e prontas a orientar-vos ou a prestar auxílio.
A APAV - Associação Portuguesa de Apoio À Vítima é uma dessas entidades. Podem contactá-los através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (chamada gratuita), e-mail (apav.sede@apav.pt) ou, presencialmente, num gabinete (onde há gabinetes).
Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.
Deixo o apelo: a violência doméstica é crime público. Se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.
A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.
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Lisboa, Portugal
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Natal: Não dá para escapar
Na manhã de 24 de Dezembro, a caminho da Consoada, o Duarte recordava os seus Natais de criança e quão bem a sua Avó Materna preparava e cozinhava para a Consoada e Dia de Natal. Babava-se pelo bacalhau, pelo polvo e pelo leitão e pelos doces que via a Avó preparar, com o auxílio da família.
- Olha, ali aquela fila gigante para ir comprar os doces. Já ninguém se dá ao trabalho de cozinhar os doces. Tudo de compra! A minha Avó fazia tudo e era tão bom. A tua de certeza que também cozinhava e bem! Aposto que, tal como a minha, não comprava nada feito.
Tentei puxar pela memória e nada. Aliás, nada não. O que me veio à memória não foi feliz.
Uma publicação partilhada por Menina (@ameninadajoaoxxi) a
- Bem, se queres que te diga não sei. Não me lembro. Provavelmente. Com a morte da minha Irmã apaguei todas as memórias anteriores e os Natais seguintes não eram muito felizes.
Lembro-me que nos juntámos para a Consoada no dia a seguir ao funeral, mas não me lembro de nenhum Natal anterior. Lembro-me como a partir desse ano todos os Natais eram pautados por um silêncio gritante, por uma ansiedade sentida e escondida por todos, tudo num limbo entre a necessidade de manter a família unida e a vontade de não estar ali. De não se falar do que ia na mente de toda a gente e que era tão visível.
Não sei o que comíamos, mas lembro-me como me sentia. Lembro-me de olharmos de lado uns para os outros e, de certeza, pensarmos no mesmo. Nos fantasmas que rodeavam a nossa mesa e que ninguém tinha coragem para convocar, para lembrar de forma aberta.
A Família entrou em modo de sobrevivência: tínhamos de manter os rituais familiares, mas não se podia falar dos que faltavam e deixavam saudades. Qualquer tentativa de recordar era silenciada. A necessidade de lembrar de uns era um confronto à necessidade de recalcar de outros.
O seu nome era murmurado e olhávamos todos para o chão.
Desde os meus 10 anos que os Natais não eram felizes. Eram uma angústia. Tinha saudades da minha Irmã e, não só a minha mente a tinha escondido como não me era permitido que a recordasse.
No momento em que, no dia 23 de Dezembro, me disseram que ela tinha morrido que todas as memórias foram recalcadas. Ainda hoje, não me lembro de momentos passados com a minha irmã. Durante muitos anos, as minhas únicas memórias eram a sua gargalhada e o dia do funeral. Tentei agarrar-me o mais que pude, mas agora já nem sei se a gargalhada que oiço é a dela ou algo que minha mente entretanto substituiu. Do dia 23 lembro-me como se fosse ontem. E, doa o que doer, não quero esquecer.
A outra memória mais aproximada é da última vez que estive com ela. Com grande tristeza minha, a mente humana funciona de formas tão fantásticas para a sua sobrevivência que, lembro-me de tudo menos da figura da minha Irmã. Lembro-me dos sítios, dos diálogos, das outras pessoas que estavam presentes, de onde vínhamos, para onde fomos, de tudo. Mas a figura da minha Irmã não está. Há um vazio ali.
Durante anos, o Natal causou-me as maiores angústias. Uma ansiedade terrível e uma depressão que ressurgia, ano após ano.
Não é uma data que se possa esquecer. Não é uma data da qual se possa fugir. Uma tragédia num dia de celebração significa que esse dia passa a ser o dia da tragédia e não da celebração. E quando a tragédia acontece no Natal, significa que meses antes começamos a ser recordados.
Não é como outros dias em que nos lembramos quase na véspera. Não...
É um dia que começa a ser anunciado em meados de Outubro e que começamos a ser bombardeados com a felicidade dos outros, que fazem uma contagem decrescente para um dia em que é suposto sermos felizes e ansiosos por estarmos com a família. No meu caso, começava a contagem decrescente para o dia em que me disseram "A Joana morreu". Para o dia em que, com 10 anos, entrei num carro funerário para apoiar o meu Pai. Para o dia em que vi, pela primeira vez, um corpo descer à terra.
A partir de Outubro, começava a televisão e a rádio e o comércio a anunciar "está aí o pior dia do ano". E as pessoas à minha volta sorriam e diziam "ai, mal posso esperar pela altura em que morreu a tua irmã!". Claro que as pessoas não dizem isto, mas era isto que sentia. Não se consegue escapar a esta época, só se formos viver para um sítio sem comunicações, isolados do mundo, do conceito de tempo.
Ano após ano, mal se começava a anunciar o Natal, começava um crescendo ansioso dentro de mim. Uma ansiedade que crescia, crescia, e que explodia em depressão.
As outras pessoas não têm de saber ou de se lembrar que para nós é uma altura complicada. E celebram, celebram, celebram. E nós definhamos um pouco mais a cada dia que se aproxima a celebração. Eu fazia uma contagem decrescente para um evento familiar triste, mascarado de feliz e de união. E sentia tudo menos isso. Sentia-me mal, agoniada. E, naturalmente, passei a odiar o Natal.
Como gostar de uma época que nos causa sofrimento? E um sofrimento tão anunciado? Como gostar de uma época em que é para estar feliz, mas só queremos escondermo-nos e chorar até que passe? Como gostar de uma época em que, se precisarmos de alguém, não está ninguém disponível porque está ocupado a ser feliz com a sua família?
Não há como escapar e está em todo o lado: na rádio os locutores fazem-se super entusiasmados com aproximar da época, na televisão são os anúncios e os logotipos em versão de Boas Festas, a música ambiente é natalícia, os outdoors também invocam a época, nas redes sociais começam a aparecer publicações alusivas à época e que vão crescendo até começarmos a ver árvores de Natal no início de Novembro... Para onde quer que me vire lá está ele: o aniversário da morte da minha Irmã. Uma sensação sufocante e claustrofóbica.
Durante mais de 20 anos vivi assim esta época: com dor, com ressentimento, com tristeza. Até que decidi: Já chega! Não posso viver mais assim. Não tenho de viver mais assim. No mundo em que vivo não há como fugir ao Natal, por isso tenho de o aceitar.
Entretanto, no ano passado engravidei e decidi que mais do que o aceitar e deixar de tentar fugir-lhe, iria tornar o Natal numa época feliz. Além do mais, a minha Filha não tem de herdar o meu sofrimento. Não tenho o direito de lhe retirar uma celebração, por mim. Se ela um dia disser que não quer e que não gosta, tudo bem, mas até lá o Natal será uma época feliz - por ela.
Tal como não posso escapar ao Natal, não posso escapar à minha história. Não consigo (nem quero!) fugir às minhas memórias. Não consigo evitar momentos em que estou mais triste. Não consigo deixar de chorar um pouco num duche um pouco mais demorado. E não faz mal, faz parte de quem eu sou, de como sou, do que sou.
Mas já chega de depressões, de me arrastar em tristezas e em ansiedades. Não tenho de gostar do Natal, mas decidi que vou aprender a vivê-lo. Vou ter prazer em fazer a Árvore de Natal, em escolher a ementa para o almoço de 25, em pensar em presentes e embrulhos (simbólicos para os adultos e "bons" para os miúdos). Vou tirar fotos de Natal: no ano passado foi a barriga, este ano foi a Bebé, para o próximo ano logo se vê. Vai haver um presépio, vão piscar luzes, vai tocar Frank Sinatra. Vou cantar Mariah Carey e Wham!, e não vai ser apenas para irritar o Duarte.
Tal como eu, há muita gente que sofre nesta época. Não é à toa que aumentam as depressões e os suicídios - é, realmente, uma época angustiante e de stress para quase toda a gente. Simplesmente, para alguns o peso é demasiado.
Não temos de gostar do Natal, mas temos opção: ou escolhemos afundar-nos ou escolhemos aprender a viver com ele, a aceitá-lo. Eu escolhi torná-lo numa época feliz e com um novo significado. Ou, pelo menos, tentar.
Continuação de Boas Festas!! 🎄
Não sei o que comíamos, mas lembro-me como me sentia. Lembro-me de olharmos de lado uns para os outros e, de certeza, pensarmos no mesmo. Nos fantasmas que rodeavam a nossa mesa e que ninguém tinha coragem para convocar, para lembrar de forma aberta.
A Família entrou em modo de sobrevivência: tínhamos de manter os rituais familiares, mas não se podia falar dos que faltavam e deixavam saudades. Qualquer tentativa de recordar era silenciada. A necessidade de lembrar de uns era um confronto à necessidade de recalcar de outros.
O seu nome era murmurado e olhávamos todos para o chão.
Desde os meus 10 anos que os Natais não eram felizes. Eram uma angústia. Tinha saudades da minha Irmã e, não só a minha mente a tinha escondido como não me era permitido que a recordasse.
No momento em que, no dia 23 de Dezembro, me disseram que ela tinha morrido que todas as memórias foram recalcadas. Ainda hoje, não me lembro de momentos passados com a minha irmã. Durante muitos anos, as minhas únicas memórias eram a sua gargalhada e o dia do funeral. Tentei agarrar-me o mais que pude, mas agora já nem sei se a gargalhada que oiço é a dela ou algo que minha mente entretanto substituiu. Do dia 23 lembro-me como se fosse ontem. E, doa o que doer, não quero esquecer.
A outra memória mais aproximada é da última vez que estive com ela. Com grande tristeza minha, a mente humana funciona de formas tão fantásticas para a sua sobrevivência que, lembro-me de tudo menos da figura da minha Irmã. Lembro-me dos sítios, dos diálogos, das outras pessoas que estavam presentes, de onde vínhamos, para onde fomos, de tudo. Mas a figura da minha Irmã não está. Há um vazio ali.
Durante anos, o Natal causou-me as maiores angústias. Uma ansiedade terrível e uma depressão que ressurgia, ano após ano.
Não é uma data que se possa esquecer. Não é uma data da qual se possa fugir. Uma tragédia num dia de celebração significa que esse dia passa a ser o dia da tragédia e não da celebração. E quando a tragédia acontece no Natal, significa que meses antes começamos a ser recordados.
Não é como outros dias em que nos lembramos quase na véspera. Não...
É um dia que começa a ser anunciado em meados de Outubro e que começamos a ser bombardeados com a felicidade dos outros, que fazem uma contagem decrescente para um dia em que é suposto sermos felizes e ansiosos por estarmos com a família. No meu caso, começava a contagem decrescente para o dia em que me disseram "A Joana morreu". Para o dia em que, com 10 anos, entrei num carro funerário para apoiar o meu Pai. Para o dia em que vi, pela primeira vez, um corpo descer à terra.
A partir de Outubro, começava a televisão e a rádio e o comércio a anunciar "está aí o pior dia do ano". E as pessoas à minha volta sorriam e diziam "ai, mal posso esperar pela altura em que morreu a tua irmã!". Claro que as pessoas não dizem isto, mas era isto que sentia. Não se consegue escapar a esta época, só se formos viver para um sítio sem comunicações, isolados do mundo, do conceito de tempo.
Ano após ano, mal se começava a anunciar o Natal, começava um crescendo ansioso dentro de mim. Uma ansiedade que crescia, crescia, e que explodia em depressão.
As outras pessoas não têm de saber ou de se lembrar que para nós é uma altura complicada. E celebram, celebram, celebram. E nós definhamos um pouco mais a cada dia que se aproxima a celebração. Eu fazia uma contagem decrescente para um evento familiar triste, mascarado de feliz e de união. E sentia tudo menos isso. Sentia-me mal, agoniada. E, naturalmente, passei a odiar o Natal.
Como gostar de uma época que nos causa sofrimento? E um sofrimento tão anunciado? Como gostar de uma época em que é para estar feliz, mas só queremos escondermo-nos e chorar até que passe? Como gostar de uma época em que, se precisarmos de alguém, não está ninguém disponível porque está ocupado a ser feliz com a sua família?
Não há como escapar e está em todo o lado: na rádio os locutores fazem-se super entusiasmados com aproximar da época, na televisão são os anúncios e os logotipos em versão de Boas Festas, a música ambiente é natalícia, os outdoors também invocam a época, nas redes sociais começam a aparecer publicações alusivas à época e que vão crescendo até começarmos a ver árvores de Natal no início de Novembro... Para onde quer que me vire lá está ele: o aniversário da morte da minha Irmã. Uma sensação sufocante e claustrofóbica.
Durante mais de 20 anos vivi assim esta época: com dor, com ressentimento, com tristeza. Até que decidi: Já chega! Não posso viver mais assim. Não tenho de viver mais assim. No mundo em que vivo não há como fugir ao Natal, por isso tenho de o aceitar.
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Entretanto, no ano passado engravidei e decidi que mais do que o aceitar e deixar de tentar fugir-lhe, iria tornar o Natal numa época feliz. Além do mais, a minha Filha não tem de herdar o meu sofrimento. Não tenho o direito de lhe retirar uma celebração, por mim. Se ela um dia disser que não quer e que não gosta, tudo bem, mas até lá o Natal será uma época feliz - por ela.
Tal como não posso escapar ao Natal, não posso escapar à minha história. Não consigo (nem quero!) fugir às minhas memórias. Não consigo evitar momentos em que estou mais triste. Não consigo deixar de chorar um pouco num duche um pouco mais demorado. E não faz mal, faz parte de quem eu sou, de como sou, do que sou.
Mas já chega de depressões, de me arrastar em tristezas e em ansiedades. Não tenho de gostar do Natal, mas decidi que vou aprender a vivê-lo. Vou ter prazer em fazer a Árvore de Natal, em escolher a ementa para o almoço de 25, em pensar em presentes e embrulhos (simbólicos para os adultos e "bons" para os miúdos). Vou tirar fotos de Natal: no ano passado foi a barriga, este ano foi a Bebé, para o próximo ano logo se vê. Vai haver um presépio, vão piscar luzes, vai tocar Frank Sinatra. Vou cantar Mariah Carey e Wham!, e não vai ser apenas para irritar o Duarte.
Tal como eu, há muita gente que sofre nesta época. Não é à toa que aumentam as depressões e os suicídios - é, realmente, uma época angustiante e de stress para quase toda a gente. Simplesmente, para alguns o peso é demasiado.
Não temos de gostar do Natal, mas temos opção: ou escolhemos afundar-nos ou escolhemos aprender a viver com ele, a aceitá-lo. Eu escolhi torná-lo numa época feliz e com um novo significado. Ou, pelo menos, tentar.
Continuação de Boas Festas!! 🎄
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Lisboa, Portugal
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Opiniões há muitas... Bom senso é que é difícil.
Esta coisa das redes sociais (e da internet em geral) representa, na perfeição, a humanidade.
Tem um potencial fenomenal para aprendermos uns com os outros, para crescermos e fazermos o bem, mas depois a malta escolhe é fazer o posto: escolher apenas informação que valide a opinião que quer impôr aos outros, mostrar que se é melhor do que qualquer outra pessoa e insultar ou humilhar quem tem uma forma de pensar diferente da nossa.
Bem... Há gente que merece ser achincalhada, nomeadamente gente que, intencionalmente, quer prejudicar os outros só por serem diferentes. Xenófobos, racistas, homofóbicos, misóginos e por aí.
Bem, mas não é sobre estes temas que me apetece falar hoje.
Hoje abordarei temas ligados à gravidez/maternidade, dado que é o tema sobre o qual me tenho debruçado nos últimos tempos.
Certas coisas que oiço ou leio fazem com que fique com os nervos em franja, mas a maioria dessas coisas só demonstra o egocentrismo e ignorância (intencional ou não) de quem as debita. Deixo-vos aqui alguns exemplos.
- "Não sabes o que é parir". Há quem goste muito de dizer isto a mulheres que passaram por uma cesariana. Meus caros, do alto das minhas 36 horas de parto, com uma epidural que poderia ter sido fatal, com episiotomia e fórceps, digo-vos: sois umas bestas! E provavelmente invejosas. Porquê? Porque parir é quando o bebé sai da barriga da mãe para o mundo exterior. Não implica ser vaginal e, em muitos casos tristes, nem implica que o bebé esteja vivo. O bebé saiu da barriga da mãe? Foi um parto. Doloroso? Não interessa. Demorado? Não interessa. Saiu? Está cá fora? Foi um parto! Deixem de querer ser melhor do que outras mães que tiveram um parto diferente do vosso.
- Prioridade das grávidas no atendimento ao público - "gravidez não é doença" ou "só quando estiver lá para os 8 ou 9 meses". Então e que tal se for enquanto estiver em trabalho de parto? Aí já uma grávida pode ir comprar qualquer coisita ou ir tratar de assuntos às finanças ou à segurança social? Dizem que "gravidez não é doença", mas querem que as grávidas nem cheguem perto, que fique em casa e que os maridos, família e amigos tratem das coisas. Então, mas é ou não é doença? Estou confusa com a vossa forma de pensar. É assim, já que não têm a sensibilidade e civismo para ter a iniciativa de deixar uma grávida passar à frente, sejam egoístas e pensem em vocês. Não interessa se custa a uma grávida estar em pé durante muito tempo, esqueçam essa criatura que teve a ousadia de contribuir para a natalidade. Pensem que as grávidas têm enjoos e vomitam. Pensem que, se não lhes derem prioridade, correm o risco de levar com um vómito de jacto em cheio na nuca. É melhor deixar a grávida passar ou levar com vómito de uma desconhecida?
- Prioridade com crianças no atendimento ao público - "trazem os bebés para passarem à frente", "está no carrinho, não está ao colo, devia ficar na fila como toda a gente". Eu nem vou entrar pelos vários motivos que fazem com que a prioridade seja óbvia quando alguém está com um bebé (tem de amamentar, as crianças têm rotinas, etc, etc), mas tal como no ponto anterior sejam egoístas e pensem em vocês. As crianças choram!!! Querem estar na fila do supermercado (um sítio já tão agradável onde toda a gente adora ir) ou na sala de espera das finanças e ouvir um bebé a chorar incessantemente? Ainda para mais um bebé alheio. O dos nossos já é irritante, mas quando é o dos outros... Se calhar é melhor dar prioridade, para bem dos vossos tímpanos e dos vossos "nervos".
- "Amamentar em público é vergonhoso". Vergonhoso é estarem a querer ver a nossa mama quando estamos a alimentar os nossos filhos, isso é que é vergonhoso. O que as mães gostam é de pôr a mama de fora em público. Eu faço-o sempre que posso. Assim que se começa a aproximar a hora da mamada, agarro na minha bebé e vou para a rua. Já lá tenho uma cadeirinha e tudo. Até o faço na mamada da madrugada, não vá perder a oportunidade de mostrar a mama a mais uma pessoa. Porque é que alguma mãe quereria estar no conforto do sofá ou de uma poltrona, em casa, quando pode estar na rua?
- "Se têm de amamentar em público, que vão para a casa de banho ou que tapem o cenário". Sabem o que eu curto mesmo? Comer na casa de banho. Não perco uma oportunidade. É confortável e asseado. Principalmente nas casas de banho de estabelecimentos públicos. Outra coisa que também gosto muito é de comer com uma toalha em cima da cabeça. É do caraças! Super confortável, quentinho... Melhor só comer numa casa de banho pública e com uma toalha a tapar a cabeça.
- "Eu sou melhor mãe do que tu". Desde que engravidei que fui convidada para entrar em vários grupos de mães no Facebook. Na maioria deles impera o civismo e o respeito, mesmo quando as opiniões são divergentes. Mas há um em especial (que não vou publicitar) em que acontece o oposto. Eu só opino lá quando me engano e acho que estou a opinar noutros. Se alguma Mãe diz algo que o grupo alfa não gosta é logo achincalhada. Logo! Já vi isso muitas vezes e acho nojento. É daqueles comportamentos de grupos que me dão vómitos. Como os mitras que quando estão sozinhos não se metem com ninguém, mas quando estão com os amigos já levantam a crista e são os maiores da aldeia a chatearem as pessoas que passam. Ok! Algumas questões são tontas, como por exemplo perguntarem se podem entrar os pais ou pessoas que não têm filhos, mas o que custa responder-se educadamente? É preciso gozar com as pessoas? São assim tão miseráveis que têm de gozar com estranhos na internet? Opá, fez uma pergunta parva? Fez, sim senhora. E até podemos pensar muita coisa da pessoa "ca granda burra!!". Daí a dizer-se, é desnecessário e mesquinho. Houve uma mãe que publicou uma vez uma foto do cocó do seu bebé, para perguntar se era normal. Caiu o Carmo e a Trindade. Como se nenhuma mãe tivesse alguma vez olhado para o cocó da cria e tivesse tido essa dúvida. Malta, eu já pesquisei "cocó de bebé". Está no meu histórico. É um grupo de mães, qual é o problema em colocar-se essa dúvida? Têm nojo de cocó de criança? Numa imagem no monitor? Uau! São mesmo as mães perfeitas. Decididamente, são as pessoas ideias a quem se colocar uma dúvida.
Muitas mães, eu incluída, gostam de pesquisar na net sobre como fazer isto ou aquilo, ou sobre se algo é normal ou digno de preocupação. Mas há uma coisa que não nos devemos esquecer: a internet é um mundo e tem tudo de bom e de mau, de certo e errado. É muito complicado filtrar a informação.
Uma coisa que acontece é ver mães questionarem o que os médicos lhes disseram ou contradizerem a informação que um médico deu a outra mãe.
Ainda no outro dia eu partilhava algo que a "minha" pediatra me aconselhou e umas mães vieram dizer "isso não é bem assim, porque comigo aconteceu assado e o meu pediatra disse frito". Pois bem, cada uma de nós é livre de partilhar experiências e opiniões (desde que com educação, que até foi o caso). Mas cada caso é um caso, não vamos dizer que a experiência dos outros não é válida só porque a nossa foi diferente. A minha resposta foi "Eu confio na pediatra. Se não confiasse, teria de mudar. Se ela me dá esta informação, eu vou segui-la. Porque ela, certamente, sabe mais do que eu.".
Ainda houve uma mãe que disse algo do género "os pediatras são bons para questões de saúde, mas para alimentação e sono já não". Não respondi, porque não me apeteceu discutir, mas alimentação e sono são questões de saúde. Digo eu!
A internet, um blog, um amigo, uma mãe, o que seja não vos deve dar mais segurança do que o vosso médico. Se não confiam no vosso médico, mudem de médico. Isto serve para qualquer área da medicina e para vocês ou para os vossos filhos. Se não confiam ou se não conseguem estabelecer uma boa relação, mudem de médico. Não vale a pena estarem a perder o vosso tempo e o do profissional se depois chegam a casa e não vão seguir as suas indicações ou vão para a internet seguir os conselhos de estranhos.
Bem, está na hora da próxima mamada, vou para a rua mostrar a mama ao mundo, porque usufruir do conforto da minha casa é uma seca.
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Lisboa, Portugal
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
O que levar na mala para Maternidade
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| Ilustração por Lim Heng Swee / Fonte |
Muito li eu sobre como preparar uma mala para levar para a maternidade. Sobre o que devia levar ou o que era dispensável. Nas aulas de preparação deram-me uma lista, na Maternidade deram-me outra e eu optei por fazer um mix das duas.
Já tinha tudo preparado, com tudo o que eles diziam nas listas, quando fiz a visita à MAC e reparei que a mala que eu tinha escolhido nunca caberia nos cacifos. Tive de refazer tudo para trocar por uma mala muito mais pequena.
Enquanto lá estive acabei por perceber que, se pudesse, teria trocado algumas coisas.
Estas foram as listas que me foram dadas
Quando percebi que não conseguiria levar tudo sem fazer uma mala gigante ou ter mais do que uma mala, optei por levar apenas metade das coisas e deixar em casa tudo preparado para que o Duarte me fosse levando as roupas limpas e trazendo as sujas para casa.
E só levei uma mala, não tinha paciência para andar com duas malas.
Mala da Mãe
O que levei
- 1 camisas de dormir
- Roupão
- 10 Cuecas descartáveis e uma embalagem de pensos de noite
- 3 Soutiens de amamentação
- 3 pares de meias (ainda bem que me lembrei disto, porque eu sou mesmo muito friorenta)
- Discos absorventes
- Chinelos de quarto
- Chinelos de duche
- Toalha de banho
- Toalha de linho para a cara
- Toalhas pequenas íntimas
- Estojo de higiene pessoal
- Saco de plástico para a roupa suja
- Carregador do telemóvel
O que mudaria
- Não levaria camisa de dormir. Comprei duas camisas de dormir todas bonitas na Teresa Alecrim. De algodão macio, com botões à frente, branquinhas. Lindas. Se fosse hoje nem as teria comprado. Primeiro, não as usei na maternidade nem nos primeiros dias em casa porque como são branquinhas não queria que ficassem sujas de sangue (daí ter optado por ficar com a bata hospitalar e só vesti a camisa de dormir durante as duas horas de visitas), depois porque as minhas mamas cresceram tanto (e elas já eram enormes) que não era nada confortável tirá-las pela abertura. Estão guardadas para mais tarde, para quando deixar de amamentar ou deixar de amamentar durante a noite. São lindas e super confortáveis, mas não me deram jeito;
- Não optaria por cuecas descartáveis e pensos. A Maternidade dá-nos um ou dois pares de cuecas descartáveis enormes (tamanho único...) e um ou dois pensos gigantes, e eu comprei cuecas e pensos. Se fosse hoje não teria gasto dinheiro nisso e teria dispensado as da maternidade. Porquê? Porque eram enormes para mim e passava o tempo a ajustá-las para não sujar tudo. Da primeira vez que me levantei para ir à casa de banho deixei um rasto de sangue atrás de mim. Isto porque tinha saído tudo do sítio. Eu não fiquei envergonhada nem nada, mas é chato. Se fosse hoje teria comprado logo fraldas para adultos, daquelas todas apto que são tipo cuecas. Ficam ajustadinhas, aguentam mais tempo e uma pessoa não se preocupa. Se aguentam incontinência urinária e fecal, melhor aguentarão os lóquios (perda de sangue);
- Não levaria as toalhas pequenas. Não havia bidés. Se precisasse de me lavar apenas naquela zona, tinha de me meter no chuveiro e para isso usaria a toalha de banho.
O que deixei pronto em casa
- 1 camisa de dormir
- 1 toalha de banho
- Muda de roupa para quando saísse da Maternidade
O que dispensei completamente
- Máquina fotográfica ou câmara de filmar (já chegava o telemóvel);
- Leitura - Que cabeça tinha eu para ler? Para me entreter tinha o telemóvel;
- Embalagens de lenços de papel. Para quê?
Mala do Bebé
O que levei
- Saquinho com a primeira roupa da bebé (um body, umas calças, um gorro e um casaquinho)
- 2 mudas de roupa (cada muda composta por um babygrow, um vestidinho fino para receber as visitas e um gorro)
- 2 fraldas de pano
- 1 Toalha de banho
- 20 fraldas descartáveis
- Estojo de higiene do bebé (escova, pente, tesoura, lima, etc)
- Items de limpeza do bebé de tamanho de viagem (creme lavante, hidratante, creme para assaduras, etc.)
- Toalhitas
- Soro fisiológico
- 2 babetes
- 1 manta
O que deixei pronto em casa
- 3 mudas de roupa do estilo das que levei
- Roupa para a saída da Maternidade (que era a roupa que a minha Mãe preparou para a minha saída, mas que nunca chegou a ser usada)
- Toalha de banho
- Mais fraldas de pano e descartáveis
- 1 manta
- Ovo para transportar o bebé
O que mudaria
- Dispensaria a toalha de banho. Enquanto estão na maternidade, os bebés são lavados com compressas e soro. Não tomam banho com água.
- Não levaria as mantas. A Carminho esteve o tempo todo com a manta da maternidade.
- Levaria menos fraldas. Os recém-nascidos não sujam assim tantas fraldas.
- Não levaria os babetes.
- Nada de casaquinhos de lã. Ela nasceu em Maio e a Maternidade é climatizada.
O que dispensei completamente
- Botinhas de lã. Ela usou calcinhas e babygrows com pés, não lhe ia vestir botinhas por cima disso.
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