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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Rotina da Carminho



Tenho estado para escrever sobre a rotina da Carminho, só que a minha vida tornou-se caótica.

Juro-vos que quando penso "Isto está a funcionar bem, vou escrever sobre isto", parece que a miúda sente e a coisa deixa de funcionar bem. Parece de propósito!
Durante semanas tudo funcionou bem (com dias menos bons, obviamente), quando decidi escrever... pimbas! Troca-me as voltas.
Desta vez, parte da responsabilidade é do pai e só vem demonstrar a importância de se manter a rotina o mais inalterada possível. Já conto mais à frente.

Depois de instituir a Rotina do Deitar e de perceber que estava bem estabilizada, comecei a trabalhar na Rotina do Dia.
Como já referi, os bebés gostam de rotinas, gostam da previsibilidade que elas lhes conferem aos dias e ficam mais tranquilos.



Cheguei à conclusão que, para mim, a rotina EASY era a que fazia mais sentido.
E - Eat (comer) - Dar de mamar
A - Activity (actividade) - Brincar
S - Sleep (dormir) - Dormir
Y - You (Ti) - Tempo para ti

O número de ciclos ao longo do dia, varia consoante o número de mamadas que o bebé faz e o número de sestas adequadas à idade.
A Carminho está com 4 meses e já há umas boas semanas que faz ciclos de 4 horas - ou seja, mama de 4 em 4 horas. No nosso caso, a rotina acaba por ser EASY-A, porque na maioria das vezes acorda antes da hora de mamar.




Um dia normal da Carminho e da Mãe

07h00 
Acordo e levanto-me, para ter tempo de comer e tomar banho antes que a cria acorde (já não há engonhar, até porque ela parece sentir que eu acordo e acorda também)

08h00
Hora da Carminho acordar e mamar. Na realidade, ela costuma acordar um pouco antes, mas fica muito tranquila no berço, lá no seu mundinho e eu deixo-a estar (aproveitando para acabar de tratar de mim)
Depois da mama, meto-a no muda-fraldas, tiro-lhe logo a fralda e deixo aquela zona a "arejar". Dispo-a,  trato da higiene (cara com soro e o resto do corpo com líquido lavante) e aplico o creme corporal numa mini versão da massagem shantala (peito, braços, pernas, principalmente - ela não tem paciência para mais).

09h00
Hora de brincar.
Deitamo-nos no tapete dela e fazemos uma chamada de vídeo para a Avó (minha mãe). Ela adora e é o único momento em que eu permito que esteja em frente a um ecrã.
Reconhece bem a Avó, faz muitos sorrisos e "fala". Ora olha para a Avó, ora olha para mim. Vai explorando a minha cara, chama por mim quando acha que estou a falar demais para a minha Mãe. É um momento muito giro.

09h30/10h00
Hora da sesta.
Não tem uma hora certa porque depende de como ela está. Às 09h30 vamos para o quarto, deito-a na minha cama e vou fazendo festinhas, falando no tom baixo, dando miminhos.
Quando sinto que ela está preparada, faço a mini versão da rotina de deitar. Baixo os estores dos quartos, coloco-a no muda-fraldas com música clássica baixinha, mudo-lhe a fralda e deito-a no berço.
Esta é a sesta a que adere mais facilmente e a maior, varia entre 45 minutos e 2 horas. Depende muito do dia. Se à hora da mamada seguinte ainda estiver a dormir, o que faço é abrir os estores para que acorde o mais naturalmente possível.
Enquanto dorme a sesta aproveito para comer um lanche, preparar o almoço, tratar de coisas da casa, etc...

12h00
Mama.

12h30
Brincadeira no tapete, com música de fundo. Aproveito para que fique um bocado de barriga para baixo  (o que ela aguentar), ela brinca com o ginásio, etc.
Depois, deixo-a brincar sozinha enquanto faço o almoço (vou supervisionando, obviamente). Quando o almoço está pronto, sento-a na espreguiçadeira para que fique a olhar para mim e vamos conversando enquanto eu como a uma velocidade estonteante (nunca sabemos se nos deixam comer tudo...).
Quando acabo de almoçar, coloco uma música mais tranquila e passo para um registo mais calmo, de mimo, de colo, de embalo.

14h00
Hora da sesta.
Esta sesta costuma ser entre 45 minutos e 1h30.
Aproveito para relaxar, ir à net, tratar de mim...

16h00
Mama

16h30
Passear.
A seguir a mamar, troco-lhe a fralda meto-a no carrinho e vamos dar uma volta.
Tanto pode ser fazer uma caminhada, ir ter com amigos, ir a um jardim ou apenas ir beber um café ou um sumo a qualquer lado.

18h00
Hora da sesta?
Sim, com ponto de interrogação. Esta sesta varia muito e depende do quanto ela dormiu durante a noite e nas outras duas. Até à semana passada ela adormecia, agora não tem andado muito nessa. Depende do humor dela, se vejo que ela está cansada, se dormitou enquanto passeámos... Na idade dela, o ideal é que durma entre 12 e 16 horas no total (incluindo sestas), se durante a noite dormiu 12h00, na sesta da manhã mais 2h00 e ainda dormiu a primeira da tarde não fico muito espantada se ela não tiver sono nenhum ao final da tarde. A alternativa é, durante este tempo, brincar mais tranquilamente, sem grandes excitações.

19h15/19h30
Rotina do deitar.
Anda a deitar-se um bocadinho mais tarde e nós vamos insistindo um bocadinho todos os dias, já a preparar para a mudança de hora.



Considerações/Questões
  1. Quão rígida sou com as horas?
  2. Ela é assim mesmo tão certinha?
  3. E mamar durante a noite?
  4. Então e a amamentação em livre demanda?
  5. Quanto tempo devem ter as sestas?
  6. O meu bebé só dorme sestas de 10 ou 15 minutos (ou menos!). Porquê?
  7. Não quero que o meu bebé confunda a noite com o dia. Deve dormir às escuras?
  8. Quero que o bebé se habitue a dormir em todo o lado. Faz mal dormir com barulho?
  9. O meu bebé não dorme sestas. Como mudar isto?

Antes de responder a estas questões, quero responder a outras duas que me colocam muitas vezes.

  • "Que bebé tranquila! Nunca vi nada assim. Tu deves ser uma pessoa muito calma, não?" - Não. Eu sou uma pessoa bastante ansiosa, sempre fui. Quem me conhece bem sabe que sou tudo menos calma. No entanto, pela minha filha obrigo-me a estar calma, a acalmar. Quando estou com ela, estou com ela, e quando me sinto a ficar mais irritada com algum assunto obrigo-me a parar e a respirar fundo. O nosso stress e a nossa ansiedade passam para eles. Eles sentem o aumento do ritmo cardíaco, do ritmo respiratório e isso deixa-os ansiosos. Por isso, várias vezes paro e respiro fundo. Outra coisa fundamental para se ter um bebé calmo é ter um bebé calmo. Ou seja, parte da tranquilidade da minha filha já nasceu com ela. É pura sorte minha, eu apenas potencio essa tranquilidade ao estar calma quando estou com ela. Mesmo quando está a chorar e a berrar-me ao ouvido (não é frequente, mas já aconteceu algumas vezes). Outra coisa que ajuda muito a que os bebés estejam tranquilos são as rotinas e uma boa higiene do sono.
  • "Como é que consegues manter essa rotina todos os dias?" - Bem, com muito sacrifício da minha vida social. Não se pode ter tudo e eu estou apostada em primeiro tratar da minha filha, que ela tenha as suas rotinas bem interiorizadas e automatizadas, para que depois possa extrapolar a outros cenários. Essa é a minha prioridade. Quando decidi que estava na altura de instituir a rotina, fui extremamente rígida, só saía de casa fora das horas de sesta. Hoje em dia, se for preciso quando chega à hora da sesta ela adormece sozinha se estivermos noutro lado (ou se não adormecer sozinha, basta um bocadinho de colo e depois fica bem no carrinho a dormir). Quanto a estar com amigos à noite, bem, ou vou ter com eles depois da rotina do deitar, ou eles vêm cá a casa ou não vou a lado nenhum.

Agora as respostas às restantes.
  1. Quão rígida sou com as horas? - q.b. Há um intervalo de meia hora (antes ou depois) que eu permito existir. Por exemplo, se ela adormeceu um pouco mais tarde, eu não me importo que ela durma um pouco depois da hora estipulada para a mamada. Até um máximo de meia hora. Ou se estivermos a sair de um sítio qualquer próximo da hora de mamar e ela não estiver com fome, espero até chegar a casa. Há uma flexibilidade controlada.
  2. Ela é assim mesmo tão certinha? - Na maior parte das vezes e dos dias. É uma pessoa, é um bebé, não podemos esperar que sejam como robôs programados. Mesmo o bebé mais "certinho" e que dá 11 ou 12 horas de sono seguidas, terá dias em que está do avesso, incomodado com alguma coisa, e que acorda várias vezes durante a noite, que recusa dormir a sesta e fica inconsolável.
  3. E mamar durante a noite? - Depende do bebé. No nosso caso quando às 6 semanas instituímos a rotina do deitar ela começou a fazer noites completas, mas a pediatra disse para não deixar de passar mais de 6 horas entre mamadas por causa da produção de leite. Então, a meio da noite lá eu acordava para dar mama (às vezes estava tão cansada que deixava que fosse ela ou as minhas mamas em pedra a acordar-me, confesso). Neste momento, estamos a cortar com essa mamada. Já começa a espaçar cada vez mais, por exemplo mamar às 19h30 e depois acordar às 05h30. Mas também podemos ter noites em que acorda às 02h30 e depois só acorda às 08h00. Ainda estamos em adaptação. Como em breve a hora vai mudar, também tenho andado mais concentrada em ir ajustando a hora de deitar. Se o vosso bebé quiser mamar durante a noite, não há problema. Em princípio até o fará em modo zombie, acorda, vocês dão mama e quando o voltarem a deitar já está a dormir. Havia noites em que a Carminho nem abria os olhos, mamava a dormir.
  4. Então e a amamentação em livre demanda? - Se é supostos mamar às 16h, mas às 15h30 já estiver com fome, obviamente que lhe dou mama. Se é suposto mamar às 16h00, mas às 14h00 está com uma crise de choro inconsolável, obviamente que lhe dou mama. A amamentação em livre demanda é o recomendado (e bem) por todos os motivos: porque é um momento de vinculação, porque podem ter fome antes do esperado, porque passam por picos de crescimento em que podem precisar de mamar com mais frequência, porque mamam por conforto, etc., etc., etc. No meu caso, houve uma fase em que não pude dar em livre demanda e não me culpei nada por isso. Não conseguia mesmo e ela queria mama por conforto, tivemos de ser rígidos e os intervalos tinham, no mínimo dos mínimos 2h30. Não podiam ser menores, com o risco de eu deixar de dar mama (mas, sobre isto, falarei no artigo sobre a amamentação).
  5. Quanto tempo devem ter as sestas? - Não há um tempo determinado. Ok, sestas de 20 minutos são curtas e há quem diga que as de 45 minutos também. Há imensos artigos sobre as sestas que só duram 45 minutos e como as alongar. Durante uns tempos também me preocupei com isso, mas depois de mais pesquisas e de falar com especialistas, a conclusão é "desde que acorde bem disposta é porque dormiu o suficiente". Outra coisa importante é não irmos a correr quando os ouvimos chorar ou refilar ou acordar de qualquer outra forma, muitas vezes isso acontece antes de entrarem num novo ciclo de sono e se formos lá vamos interromper o processo. Eu costumo esperar 5 - 10 minutos antes de a ir buscar.
  6. O meu bebé só dorme sestas de 10 ou 15 minutos (ou menos!). Porquê? - A Carminho teve uma fase dessas. Durante o dia, quando adormecia, deitávamo-la na alcofa da sala e 10/15 minutos depois lá ela despertava. Por entre observações e experiências acabámos por perceber o que se passava. Primeiro, ela não gostava de dormir com luz (reparámos porque quando começava a ficar com sono, escondia os olhos, tapava a cara com a fralda, etc.), segundo não gostava de dormir na alcofa. Assim que passámos a deitá-la no berço e às escuras, passou a dormir sestas de 45 minutos. Instantâneo. Portanto, observem os vossos bebés, eles dizem-vos o que precisam.
  7. Não quero que o meu bebé confunda a noite com o dia. Deve colocá-lo a dormir com luz? -  Idealmente os bebés (e qualquer pessoa) deveriam dormir às escuras. Temos um sono mais tranquilo quando bloqueamos a luz, independentemente de sermos ou não capazes de dormir com claridade. Colocar o bebé a dormir a sesta num quarto às escuras não o fará confundir a noite com o dia. E, obviamente, que se estiverem fora de casa, também não vem mal nenhum ao mundo se ele dormir com luz.
  8. Quero que o bebé se habitue a dormir em todo o lado. Faz mal dormir com barulho? - Cada pai sabe o que quer para os seus filhos e para as suas vidas. Não há dúvidas que um sono reparador é aquele que é feito num ambiente escuro e com o mínimo de interferências (sejam elas ruídos, pessoas a passar ao lado, etc.). Claro que, tal como com a questão da luz, uma vez por outra dormir num ambiente com barulho não será problemático. A minha estratégia passa por primeiro habituá-la a adormecer às horas certas, para depois aos poucos se estivermos fora de casa ela consiga dormir uma sestinha onde quer que esteja (e isso já acontece). No entanto, se para ela ter uma melhor qualidade de sono (e consequentemente, desenvolvimento) convém que as sestas sejam num determinado contexto, então tudo farei para providenciar o melhor para a minha filha. Claro que quando não se pode, não se pode. Não temos de ficar enclausurados em casa para o resto da vida, mas também é escusado andarmos a passear todo o dia todos os dias, só porque sim, se isso não é o melhor para eles.
  9. O meu bebé não dorme sestas. Como mudar isto? - Tal como é preciso habituá-los para dormirem à noite, também é preciso habituá-los para as sestas. E é feito exactamente pelo mesmo método. Simplesmente, a rotina pré-sesta pode ser uma versão reduzida da rotina do deitar (no nosso caso, é baixar estores, ligar música, mudar a fralda e deitar no berço - não há mama, não há mudar para pijama, não há banho). Depois, para os habituar a dormirem a sesta a horas determinadas, numa primeira fase o importante é que se habituem a adormecer àquela hora e dormirem onde der (e aqui vale tudo, adormecer o bebé nos braços, dormirem nos braços dos pais, o que for, o importante é que aquela hora estejam a dormir); numa segunda fase, o importante é que seja capaz de adormecer sozinho, seja onde for (deitar o bebé sonolento e ele sozinho deixar-se dormir, seja na sala, no quarto, onde for - aqui podem aplicar-se os métodos do treino de sono); numa terceira e última fase, o importante é que o bebé adormeça sozinho e no seu berço. Com tempo, paciência, perseverança tudo se consegue. E não esquecer, há dias bons e dias maus. Nem sempre funciona. Mas o importante é seguirmos sempre a rotina.

Isto de se ter rotinas é, em simultâneo, uma bênção e uma maldição. Uma benção porque eles andam mais tranquilos, sabemos quando vão dormir, quando vão mamar, porque conseguimos organizar a nossa vida à volta da rotina deles. Sabemos que podemos deitar o nosso bebé à noite e ir jantar fora e que quem ficar com a nossa bebé não vai ter trabalho rigorosamente nenhum, porque ela estará a dormir profundamente. É uma maldição, porque se não lhes dermos a rotina eles vão ficar irritadiços, chorosos, etc. Se para as sestas a Carminho já adormece onde estiver (basta um bocadinho de ajuda), para a noite temos mesmo de estar em casa senão ela fica mesmo inconsolável. No final, para mim, a bênção supera a maldição. E entretanto vão-se fazendo pequenos ajustes aqui e ali, consoante as necessidades. Um dia destes começaremos a sair de vez em quando com ela para jantar, habituando-a para uma eventualidade de não estarmos em casa.



Para terminar, disse no início que era da responsabilidade do pai o facto de ela ter andado trocada e vou contar-vos a história.
No outro dia o Duarte fez anos, infelizmente calhou num dia de semana em que ele ia sair de casa sem a ver e chegaria praticamente à hora de deitar. Nessa manhã aconteceu a Carminho despertar às 06h30. Simplesmente despertou, não pediu para sair do berço nem nada. Muitas vezes fica tranquilíssima e até volta a adormecer. Ora, o pai acordou e, triste por não estar com a sua bebé durante o dia de anos e contrariando o que eu lhe dizia, achou que era boa ideia tirá-la do berço e ir para a sala brincar com ela àquelas horas, acendendo luzes e excitando-a.
Resultado: quando chegou à hora de mamar (às 08h00), ela mamou mal porque acabou a adormecer na mama. Em vez da primeira sesta ser às 09h30/10h00 e durar um mínimo de 45 minutos, foi às 08h00, na mama e durou uns 15 minutos. Todos os ciclos da rotina ficaram trocados, desde mamar mal, a não dormir, a não querer brincar porque estava rabugenta. Em vez de dormir um mínimo de 12 horas, dormiu umas 10 horas no total. No dia seguinte, para compensar dormiu 2 horas nas primeiras duas sestas, mas depois nem pensar que dormia ou descansava na terceira, e continuava rabugenta. No terceiro dia a manhã ficou boa, mas depois tive de sair à tarde e ela voltou à rabugice. Estamos a falar de um bebé que passa a vida a sorrir e que durante três dias, praticamente nem um esboço. No quarto dia, lá consegui que voltasse à rotina.
Finalmente, o pai percebeu que alterar a rotina da bebé só porque se quer uns minutos de brincadeira não compensa. Nem é pelo cansaço com que ficamos enquanto pais (claro que eu andava f***** da vida, porque todo o meu trabalho dos últimos 2 meses parecia ter ido pelo cano abaixo), mas ver a nossa bebé naquele estado era um dó de alma. Uma bebé que está sempre bem disposta, tranquila e a distribuir sorrisos, passou três dias chorosa, desconfortável, irritada. Não compensa!
Isto podia ter corrido mal e ter acabado com a rotina, obrigando-me a começar do zero. Felizmente, conseguimos (eu e ela) voltar à rotina e voltar à boa disposição.

Moral da história: a mãe tem sempre razão! 😂

sábado, 29 de abril de 2017

Desafio - Minimalismo e Ansiedade (semana 1)

Comecei, no sábado passado este desafio.

Pareceu-me uma boa altura  para me começar a tranquilizar, uma vez que o parto está iminente.
Tenho é de começar a actualizar diariamente a publicação semanal e agendá-la. Por isso, se um dia destes se depararem com uma publicação em que os desafios e o texto ficaram a meio, já sabem: fui parir e já volto.


Fonte


É engraçado como as coisas se conjugam e ou já fazia algumas destas coisas por iniciativa própria ou acabou por me ser imposto pelas circunstâncias.

Dia 01: Criar um ritual matinal - É algo que já faço há algum tempo. Como estou em casa e para não ter uma vida parva, que era o que se começava a passar, instituí uma rotina a mim mesma. Com horário de levantar de deitar e de coisas para fazer. As coisas foram sofrendo alguns ajustes por causa das necessidades da gravidez, mas quanto ao ritual matinal esse mantém-se.
Acordo às 07h00 e tomo logo uma ampola de ferro para a anemia. Como o ideal é esperar-se pelo menos hora e meia a duas horas para ingerir lacticínios, continuo na ronha durante mais uma horinha. Às 08h00, o meu despertador toca para me avisar que tenho outro comprimido para tomar. Tomo o comprimido e começo a beber, ainda em jejum, cerca de 0,50 lt de água. Levanto-me e abro a torneira da banheira para preparar o meu banho. Enquanto a banheira enche, aproveito para abrir a cama e as janelas da casa para arejar, escolher a roupa que vou usar e colocar à mão os frascos de produtos que vou usar a seguir ao banho. Adiciono sal marinho, vinagre de cidra e (dependendo do dia) um mix de óleos essenciais (melaleuca, hortelã-pimenta e lavanda). Já há uma altura decente de água e a temperatura está boa: é altura de entrar na banheira, onde vou relaxar e aliviar as maleitas da gravidez durante 20 minutos. Quando o alarme toca para avisar que acabou o tempo, saio da banheira e sigo sempre a mesma ordem: creme corporal, água micelar para a cara, desodorizante, tónico para a cara, lavar os dentes, creme hidratante para a cara, pó corporal. Visto-me e sigo para a cozinha. Já passou tempo suficiente para poder preparar o pequeno-almoço e comê-lo tranquilamente. Novamente, um ritual em que a ordem é cumprida: ligar a máquina do café, colocar as fatias de pão na torradeira, uma colher de cacau em pó, tirar o café, juntar leite, meter o mocca no microondas, entretanto o pão acaba de torrar e, está tudo tão bem engrenado, que, quando acabo de barrar as torradas (com a manteiga de frutos secos e mel), soa a campainha do micro. Sento-me a computador a ver mails, redes sociais e a "bloggar" enquanto tomo o pequeno-almoço. Todos os dias, com a maior tranquilidade do mundo.
Sim... Sou doente. Já tinha dito...




Dia 02: Preencher um  livro de colorir - É engraçado, mas logo a seguir a saber que estava grávida fui comprar livros de colorir. Nunca me tranquilizaram muito. O meu perfeccionismo faz com que me deixem mais ansiosa do que relaxada: "será que é uma boa combinação de cores?", "Ai, que eu não aguento se passar um risco...", "Merda! Este traço está muito carregado, já vou ter de ir repassar nos outros, para que a cor fique igual", "estou a fazer muita pressão, já me dói o dedo". Mas pronto, pelo menos tenho a lindíssima caixa de lápis de cor que o meu pai me ofereceu quando eu era miúda e cujo o cheiro é divinal. Isso sim, tranquiliza-me mais do que pintar as imagens.

Dia 03: Experimentar exercícios de respiração - Tentei. Lembrei-me que se calhar isso ainda provocava era o parto, por causa da forma como estava a respirar. Ou será que estava a fazer os exercícios que atrasam o parto? Fiquei confusa. Desisti.

Dia 04: Ouvir música que melhore a disposição - Sempre que posso. E, se me dissessem agora, "escolhe já, uma música que emita boa disposição", escolheria a "Pocketful of Sunshine" da Natasha Bedingfield (que me ficou na cabeça desde que vi o filme "Easy A") ou o "Suddenly I See" da KT Tunstall. Não são, nem de longe!, as minhas músicas preferidas. Mas que me fazem imaginar a andar na rua, a levar com o sol na cara e com um sorriso, lá isso fazem.



Dia 05: Meditar (pelo menos 15 minutos) - Faço-o no meu banho. E sabe-me tão bem ❤ Inicialmente, entrava na banheira e ficava no telemóvel, mas agora fecho os olhos e tento ir para zen. Sentir o aroma da lavanda, relaxar.

Dia 06: Telefonar a pessoas de quem gostas - Por acaso, durante esta semana, aconteceu falar ao telefone com várias pessoas de quem gosto. Amigos e familiares. Nem tive de correr a lista telefónica e escolher. Simplesmente aconteceu.

Dia 07: Identificar 3 a 6 prioridades - Não cumprida. Ou melhor... Neste momento tenho duas grandes prioridades: gravidez/parto/bebé e obras na casa nova. Cada uma delas implica priorizar tarefas: Acabar todos os preparativos do quarto, da mala de viagem, ir à ginástica pré-parto, etc.; negociar orçamentos, ir ver materiais, avisar condomínio, tratar da água e da luz, etc.

Neste momento não vale muito a pena estar a estabelecer prioridades para antes da bebé nascer. A minha vida vai mudar muito e "A" prioridade vai ser ela e o resto nem sei bem o que vai ser... É algo que farei na altura: organizar a minha vida.


Fonte




sábado, 25 de março de 2017

Desafio - Amor Próprio (Semana 4 e última)

E pronto! Com a publicação de hoje chega ao fim o Desafio - Amor Próprio.

Para a quarta e última semana deste desafio estas eram as tarefas a completar:
Dia 22: Escreve um atributo que te faça única e diferencie dos outros;
Dia 23: Uma fotografia tua a fazer palhaçadas;
Dia 24: Escreve acerca de alguém que te motive e inspire;
Dia 25: Uma fotografia de um livro que adores;
Dia 26: Escreve acerca de algo que te faça realmente feliz;
Dia 27: Uma fotografia de algo da natureza que te faça sorrir;
Dia 28: Escreve esta frase e fotografa-te com ela "Gosto de mim".




Dia 22: Um atributo que me faça única - A minha impressão digital. Cada indivíduo é único na combinação da sua genética e dos seus acontecimentos de vida, mas não acredito que as nossas diferenças sejam assim tão grandes e relevantes. Num grupo reduzido até são capazes de ser, mas quanto maior for o grupo, menores as diferenças. Para mim, o importante é aceitarmo-nos como somos e o resto que se lixe;

Dia 23: Palhaçadas - É isto. Não há grande coisa a dizer. Claro que melhora a disposição. Não estava a ter um dia muito famoso e pelo menos ri-me um bocado.

Dia 24: Alguém que me motive e inspire - Não há ninguém em particular, há muitas pessoas. Como mulher escolho qualquer feminista digna desse nome. Uma feminista não é alguém que acha que as mulheres são melhores, é alguém que luta pela igualdade entre os géneros, que aceita as diferenças entre os mesmos, que é solidária com as outras mulheres (em vez de se sentir ameaçada ou querer andar a competir), que é segura da sua sexualidade, do que quer e que faz o que lhe dá na real gana sem se preocupar com os outros acham que se deve comportar. Pode ser uma empresária, uma doméstica, trabalhar por conta de outrem, ter 10 filhos ou não os querer ter, ser casada ou preferir a solidão, ser monógama ou polígama, vestir calças ou saias, queimar ou abraçar os soutiens, jogar futebol ou dançar ballet, ser engenheira civil ou costureira. Mulheres, da cultura pop, que considero feministas e que admiro: Angelina Jolie, Madonna e Dita Von Teese.

Dia 25: Um livro que adore - "Os Prazeres do Ócio", de Tom Hodgkinson. Não é o meu livro preferido, não tenho disso, gosto de muitos. Mas olhei para as prateleiras e dei de caras com este. Foi um livro que li há uns anos e que me inspirou e motivou para mudar de vida. Que a bem ou a mal tinha de fazer algo por mim. Deixo-vos um excerto relativamente longo:
"É completamente absurda, esta ideia de destinar dias isolados para grandes feriados nacionais. Nunca serão outra coisa que não prejudiciais. O que pretendemos é um encurtamento geral das horas de trabalho ao longo de todo o ano de modo a que todo o trabalho se dê por terminado às quatro da tarde. Então, a ideia de tempo livro tornar-se-ia familiar a toda a gente e as pessoas aprenderiam a fazer um uso mais sensato delas. Claro que isto se revela impossível enquanto trabalharmos só por trabalhar.O trabalho de todo o mundo - aquele que é realmente necessário para a saúde, o conforto e até mesmo o luxo da Humanidade -, poderia ser feito em apenas três ou quatro horas por dia. Há tanta azáfama apenas porque existe um grande desejo de amealhar dinheiro. Todos os homens têm de lutar pela vida com o seu vizinho e o merceeiro que mantém a loja aberta até à meia-noite e meia tem uma clara vantagem sobre aquele que fecha a sua ao meio-dia. Por si só, o trabalho não é um fim, só um meio. Mas, hoje em dia, fazemos dele um fim e três quartos do mundo não concebe outra coisa."

Dia 26: Algo que me faça realmente feliz - Tudo o que envolva música. Principalmente dançar. Permite-me sentir, permite-me expressar. Permite-me viver e exteriorizar o que sinto, que não consigo fazer de outro modo. Deixa-me numa espécie de transe, de catarse.

Dia 27: Uma fotografia de algo da natureza que me faça rir - Gatos! Neste caso, a foto é da Nori. Não há dia em que não me façam rir, até quando estão a ser desesperantes e a fazer disparates.

Dia 28: Foto "Eu gosto de mim" - Pronto. Está bem. É isto. Está feito.


Conclusão final
Eu gosto de mim. Não foi preciso um desafio para passar a gostar de mim, mas serviu para perceber que tenho feito um bom trabalho em mim.
Nem sempre gostei de mim, nem sempre fui segura de mim, nem sempre soube o que queria para a minha vida.
O trabalho ainda não está concluído, mas percebi que já percorri um longo caminho, de muita análise, de muito esforço.
Agora é continuar, porque não me satisfaço com o "eu sou assim". Eu sou assim, não sou perfeita, não pretendo sê-lo, mas quero ser melhor do que sou agora, por isso é continuar a esforçar-me.