sábado, 11 de maio de 2019

Fraldas Reutilizáveis - Parte IV: Noites 2.0


Já passaram 9 meses desde o último artigo sobre fraldas reutilizáveis (podem lê-lo aqui)
Na altura também falei sobre as fraldas de noite, a Carminho tinha 1 ano e 3 meses, era a segunda tentativa na utilização de fraldas reutilizáveis à noite, estávamos no meio de experiências e estava tudo a correr bem.
Nesse artigo aproveitei para falar também sobre a minha opinião acerca da ética e ecologia de comprar em sites chineses como o AliExpress. Opinião que mantenho. Muito resumidamente: se tiverem possibilidades financeiras para comprar em lojas nacionais e/ou negócios familiares melhor; se não tiverem, força nos AliExpress. E é sempre possível comprar umas coisas num sítio e outras noutro.

Com a confiança a crescer, continuámos a tirar camadas de absorventes para que a Carmita não tivesse de dormir com uma "armadura" no rabo. Não que ela se queixasse, mas tanto volume no rabiosque fazia-me alguma confusão. Entretanto, já temos fraldas novas, capas novas e dispensámos alguns absorventes.
Cada criança tem os seus xixis e, hoje, partilho convosco o que funciona com a Carminho.

A C tem 23 meses (passou tão rápido...) e dorme entre 11 a 12 horas seguidas por noite.
Intercalamos entre ajustáveis com capas de lã e AIO/AI2, porque acho muita piada a que ela fique tantas horas seguidas com fraldas que têm capa PUL (que são menos respiráveis).

Ajustáveis
  • Fralda Alva de bambu, reforçada com um absorvente de cânhamo Elinfant (3 camadas) enrolado numa pequena fralda de algodão (da Zara porque tinha para cá e achei que se adequavam bem por serem mais pequenas);
  • Fralda Elinfant de cânhamo, com absorvente de cânhamo (3 camadas) e absorvente de polar e bambu (4 camadas);
  • Capa Sloomb de lã
  • Capa Disana de lã
Fraldas ajustáveis Alva 
Fralda ajustáveis Elinfant
Capas de lã Disana (em cima) e Sloomb (em baixo). As esverdeadas já não usamos.


All-in-One (AIO) / All-in-Two (AI2)
    • Fralda OhBabyKa AIO de carvão de bambu. Estas fraldas têm um absorvente de bambu costurado e um bolso. Reforço com uma fralda grande de algodão dobrada (metade dentro do bolso e a outra metade por fora, porque é mais rápida a absorver o xixi do que o absorvente);
    • Fralda OhBabyKa AI2 de carvão de bambu, reforçada com um absorvente de cânhamo Elifant (3 camadas) enrolado numa fralda grande de algodão.
    Fralda AIO OhBabyKa

    Fralda AI2 OhBabyKa
    Links

    Depois guardo sempre as fraldas por ordem e sempre com um liner.
    E isto é o que tem funcionado connosco. E vocês? Quais são as combinações vencedoras para os vossos bebés? 



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    quinta-feira, 2 de maio de 2019

    Um género de ideologia

    Tenho um género de ideologia: A Carminho é livre para escolher o que quer vestir, com o que quer brincar, independentemente da cor. Ou seja, o meu género de ideologia é "quero uma filha feliz!".




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    Muito francamente, a conversa de "ideologia de género" já enjoa.
    Primeiro, porque a maior parte das pessoas confunde "género" com "sexo" com "orientação sexual";
    Segundo, porque "ideologia de género" não significa absolutamente nada. É daquelas frases em que se juntam conceitos que podem ser vistos como complexos para parir um pseudo-conceito;
    Terceiro, porque nesta "guerra", como em qualquer outra mais mediatizada, o foco parece estar mais no "eu é que tenho razão" e não na preocupação com o outro.

    Vou tentar explicar estes conceitos de uma forma muito básica e simples, com tudo o que implica este modo de explicar coisas.
    O sexo é uma característica biológica, ou seja, física com que as pessoas nascem. Existem três tipos de sexo: feminino, masculino e intersexo. O intersexo é aquilo que antigamente era chado de "hermafroditismo" (uma ambiguidade física entre masculino e feminino).
    A orientação sexual tem a ver com por quem a pessoa se sente sexualmente atraída. Pode ser heterosexual (atracção por pessoas do sexo oposto), homosexual (atracção por pessoas do mesmo sexo) ou bisexual (atracção por pessoas de ambos os sexos).
    O género é um construto social. É um papel que assumimos e que tem a ver com aquilo que é esperado que seja assumido por cada sexo. É algo que varia cultural e temporalmente.

    Não podemos esquecer que os conceitos sociais alteram-se, evoluem.
    Há uns anos, fazia parte do género feminino apenas usar saia, ser mãe, não trabalhar e ficar em casa a cuidar dos filhos. Era esperado que, para o género feminino, fôssemos caladas, carinhosas, subservientes, que nos tapássemos dos pés à cabeça (ver o tornozelo descoberto de uma mulher era a lou-cu-ra!). Fazia parte do género feminino não conduzir, andar de cavalo com ambas as pernas para o mesmo lado, não jogar à bola, não dizer asneiras, não votar. E podia fazer todo um artigo elencando, apenas, o que era esperado do género feminino e que já não é. Porque isto evolui.
    Já conduzimos, já votamos, já usamos calças, já usamos decotes até ao umbigo e rachas até à anca. Já há torneios de futebol feminino. Já há mulheres a conduzir camiões no Rali Dakar! Há mulheres engenheiras civis. E seria mais outro artigo elencando o que actualmente fazemos e que antigamente era esperado que as mulheres não fizessem, porque não fazia parte do rol de comportamentos aceitáveis para o género feminino.
    E os homens já cozinham, já limpam a casa, já tratam de crianças, já há pais que ficam em casa com os filhos enquanto as mães voltam ao trabalho. No entanto, poderia ficar aqui a dissertar porque é mais fácil e mais aceite as mulheres assumirem características tradicionalmente associadas ao papel masculino, do que o contrário. É quase como se as características tipicamente masculinas fossem mais virtuosas ou robustas do que as características tipicamente femininas. Mas hoje não vou elaborar, porque a ideia era debitar sobre o género e as crianças.

    Sobre o género e as crianças, tenho "um género de ideologia": deixem as crianças brincar, explorar, aprender, desenvolver. Deixem as crianças encontrarem o seu lugar no mundo e em si mesmas.
    Permitam que as crianças fluoresçam e aprendam o que são. Aceitem os vossos filhos como eles são e não lhes tentem impingir as vossas expectativas de perfeição, sejam elas quais forem.
    Vocês acham, que algum dia!, obrigarem a que as vossas filhas só se vistam de cor de rosa e brinquem às casinhas, e que os vossos filhos só se vistam de azul e só brinquem com carrinhos, vai fazer com que mude alguma coisa? Concordo tanto com isso como serem educados num ambiente em que há uma total ambivalência de géneros e de cores.

    Não, não têm de desatar a comprar bonecas para os meninos ou carrinhos para as meninas, mas se virem que eles se interessam por esses brinquedos na escola ou no parque, qual é o problema em lhes propiciar o que eles gostam?
    Têm noção de quantos meninos do parque "roubaram" o carrinho de bonecas cor de rosa choque da Carminho e andaram ali todos contentes a empurrá-lo? E quantos carrinhos a Carminho "roubou"? E quando as mães comentavam "ele adora o carrinho", eu respondia "comprei ali nos chineses, super barato!", para ouvir "mas é de menina...". Vocês acham que uma criança pequena tem sequer noção ou interesse do que é para meninos ou meninas? Eles querem absorver o mundo! E se tiverem? Vocês acham que é um mau estímulo um menino, um futuro homem, empurrar um carrinho de bebé? Ou um carrinho de compras? Porquê? Que péssima mensagem é que vêem aí? Pior do que brincar a matar?



    Eles são o que são. Eles são o que querem ser.
    E nós? Nós temos de nos mentalizar e perceber, de uma vez por todas, que eles não são um objecto comandado pelos nossos desejos e caprichos. 
    As crianças são seres individuais, com direitos, com quereres, com apetências. E não há nada que possamos fazer para os contrariar. Se eles gostam de bolas, vai ser tirando o acesso a bolas que vão deixar de gostar?
    Não chegam já todas as lutas e guerras que têm mesmo de ser? O não meter a mão na água a ferver, o não ingerir detergentes, o não brincar com lâminas... Aquelas coisas que são MESMO importantes e que valem a pena o drama de uma criança que percebe o "não", mas que não percebe o "porquê do não"?
    Dêem-lhes liberdade para que sejam felizes. Não é isso que todos queremos?

    Estou farta da conversa de género. Seja de que lado for. 
    Nunca me identifiquei a 100% com o que era esperado de uma "menina", identificando-me com características imputadas ao sexo oposto.
    Proponho que nos deixemos de géneros, de identificações com e/ou como, e que nos concentremos em "ser e deixar ser". Que nos deixemos de preocupar com o que os outros pensam e com o que os outros são/fazem/vestem.

    Sempre pensei que quando tivesse filhos e se fosse menina, faria questão que praticasse uma arte marcial para se poder defender. Mas a Carminho, apesar de só querer vestir cor de rosa e de adorar bonecas e "coisinhas de menina", tem uma obsessão com bolas e estou a ver que vou é ter de a meter no futebol. Eu que adoro futebol lá vou ter de ir para as bancadas torcer pela pequena e conter-me para não me atirar aos pais mal educados (como vêem, já faço os filmes todos).
    Já a imagino, de vestidinho aos folhinhos cor de rosa, a fazer remates à baliza com os colegas a dizerem "não vale bujas!!!".

    sexta-feira, 26 de abril de 2019

    A Menina Regressa

    Olá! Olá! Olá! Estou de volta!

    "Excited rainbows" por marc johns
    Pois é... há muito tempo, há demasiado tempo, que não escrevia nada. Aposto que pensaram que o blogue tinha finado de vez. Foi algo que eu própria ponderei. 
    Havia muitas coisas a ponderar, entre elas o que pretendo com o blogue. Nos últimos tempos em que estive activa neste blogue, comecei a sentir-me desanimada com tudo isto.

    Por um lado, parecia-me que, neste "mundo", existe a obrigatoriedade de um compromisso com uma frequência de posts e produção de conteúdos que eu pareço não conseguir cumprir e que pode "custar seguidores". Encontrei a resposta para essa obrigatoriedade ao responder "o que pretendo com o blogue?".
    Por outro lado, não só a falta de apoio por parte dos que me são mais próximos (e que já aprendi a lidar com isso há muito tempo), mas sentir que alguns não me conhecem de todo e que há seguidores desta página, que nunca privaram comigo e que me entendem melhor do que algumas pessoas que fazem parte da minha família.
    Eu não pretendo ser uma blogger conhecida, não pretendo ser a dona da verdade, não pretendo fazer dinheiro com o blogue, nem pretendo fazer publicidade a produtos a troco de dinheiro. E, acima de tudo, não pretendo vender a imagem da minha filha a troco seja do que for.

    Autor desconhecido. Fonte

    Mas, então... O que pretendo? Saberei, sequer, o que pretendo com o blogue? Às vezes é mais fácil saber o que não queremos do que saber o que queremos.
    O que eu pretendo é que este seja um espaço de partilha.
    Não só de mim para quem me lê, mas também de quem me lê e deseje partilhar a sua experiência, opinião, conhecimento, etc.

    E espaço de partilha de quê? Bem... Embora este blogue tenha sido dominado pela temática "maternidade/parentalidade", eu não sou apenas mãe. Como qualquer pessoa, incorporo vários papéis (mãe, mulher, indivíduo) e tenho uma variedade de gostos e opiniões que transcendem o assunto "bebés e crianças".

    Haverá sempre um tema sobre o qual tentarei abster-me de comentar: opiniões político-partidárias. No entanto, até certas opiniões sobre maternidade são opiniões políticas e não as evitarei. Um exemplo disso é o tema "licença de maternidade" (sobre o qual aproveito já para dizer que defendo uma licença a 100% até aos 6 meses do bebé e ser prolongada até aos 12 meses, no mínimo!).
    Outras temáticas políticas também me são caras enquanto pessoa preocupada com a sociedade, seja a saúde, a habitação, sexualidade e género, e por aí fora. Sempre que considerar pertinente ou, simplesmente, me apetecer escrever sobre elas fá-lo-ei. Tal como já escrevi sobre programas de televisão.


    Em relação a potenciais mal entendidos que possam acontecer, não há grande coisa que eu possa fazer. O que escrevo representa o que sei, penso ou sinto, num determinado momento e sobre determinado assunto. Por vezes as publicações são bem ponderadas antes de as fazer, outras vezes são impulsivas e/ou em tom de desabafo.

    O que posso dizer sobre interpretações erradas? Eu não controlo, nem quero controlar, a forma como os outros percepcionam o mundo. Não só isso, mas está fora de questão condicionar-me por receio de poder ser mal interpretada.

    Quando são desconhecidos, posso não me ter expressado da melhor forma ou que, por terem formas de ver o mundo diferentes, lêem de forma a interpretar de modo menos acertado.
    Quando são pessoas com quem privo, não é problema meu. Já me deveriam conhecer o suficiente, para não se surpreenderem com a minha forma de escrever nem com o modo como penso acerca de certos assuntos. A estas pessoas só posso fazer um pedido: se algum dia ficarem melindrados com algo que escrevo, liguem-me para conversarmos.
    Aquilo que vos prometo é que não sou mal intencionada em relação a outras pessoas, nem quando discordo delas, e que não gosto de lavagens de roupa suja em público. Quando tenho algum problema com alguém falo directamente com a pessoa de modo a esclarecer tudo e, nessas situações, dispenso audiência.
    Por isso, se alguém não gostar do que digo ou escrevo, antes de se sentir ofendido ou de sentir que o objectivo é ofender alguém, falem comigo e esclareçamos tudo.

    "Share the love" por Clare Owen

    Concluindo: I'm back, bitches!

    E com muito para partilhar.
    A minha vida pessoal e profissional tem evoluído a um ritmo estonteante. 2019 está a ser um ano de mudanças. Estou tão entusiasmada.
    Mudança de casa, mudanças profissionais, a entrada da Carminho na creche.

    Manterei os segredos, os brinquedos e os vestidinhos da Carminho, o artigo semanal, as fraldas reutilizáveis, alimentação... E, como sempre, disponível para as vossas sugestões sobre temas.
    Agora, vou-me organizar para pensar em como organizar as ideias que tenho para o blogue e, para a semana, isto voltará a mexer!

    Até já!
    Autor desconhecido. Fonte

    sábado, 15 de dezembro de 2018

    O meu dia a dia - Planeamento Diário com um bebé 18 meses


    Pois é, mais uma temporada em que me ausentei do blogue. A verdade é que desde o Verão (ainda escrevo as estações com maiúscula) que andámos numa fase de transição.
    Passar de duas sestas para uma, a Carminho começar a ter necessidade de estímulos diferentes e mais adequados a esta etapa de desenvolvimento, uma carrada de dentes a nascer. Enfim...
    Durante as férias saí da rotina que tinha, o que acontece com muita gente, e quando voltámos já não era bem o que ela precisava e tínhamos ambas de nos re-organizar.

    A passagem de duas para uma sesta foi um bocado seca. Demorou mais tempo de adaptação do que as outras supressões de sestas. Os períodos de rabugice eram mais longos por estar cansada, mas não o suficiente para dormir, e a sesta que dormia era de 1 hora. Depois de determinada hora, ela não podia estar no carrinho ou andar muito tempo no carrinho, senão adormecia e bastavam 10 minutos no carrinho para já não dormir a sesta (acordava mal eu metia a chave na porta ao regressar, por exemplo).
    A certa altura pensei que talvez pudesse começar a testar a passagem para um cama de criança, ou seja, sem grades. Tentei que fizesse a sesta na nossa cama, deitando-me com ela. Começou bem, mas a certa altura já só adormecia a mamar (coisa que já não fazia há mais de um ano) e despertava assim que eu me tentava escapulir.

    Fonte


    Começou também a passar por momentos mais difíceis às refeições. "Difícil" não é bem a palavra certa... Começou a não comer tanto, a não querer estar sentada na cadeirinha de refeições, mas comer em pé não era bom para fazer uma refeição em condições porque só petiscava. O que acabou por fazer com que lhe fosse dando comida ao longo do dia, perdendo também a rotina das refeições. Como ia comendo porque eu não queria que passasse fome, quando chegava a hora das refeições, não comia o suficiente porque não tinha fome. Um efeito pescadinha de rabo na boca.

    Quem me conhece e quem me segue, sabe que isto de "ir com a corrente" não é para mim, nem para a Carmo. Somos as duas de rotinas. Não há problema em, de vez em quando, sairmos delas, mas não ter uma rotina não serve para nós. A Carminho, numa mistura de dentes, desenvolvimento e falta de rotinas, já estava a acordar novamente durante a noite.

    Decidi então, voltar à rotina anterior das sestas, comprar mobiliário à medida dela para refeições e brincadeiras (no gabinete temos uma mesa e cadeiras para crianças e ela adorava) e acabar com isto de estar sempre a comer "coisinhas" (de volta aos lanches).
    Ao mesmo tempo, tinha de apostar a sério na lavagem dos dentes, coisa que não estava a correr muito bem (ela não achava piada nenhuma), e ela já estava a dar sinais de querer largar as fraldas. Tinha de ser no Inverno, não tinha?
    Como não convém haver muitas mudanças em simultâneo, decidi que a cama nova ficaria para depois de voltar a ter as rotinas bem estabilizadas, bem como a questão da lavagem dos dentes e das fraldas.

    Fonte
    Há cerca de um mês pus-me a pesquisar planeamentos diários de mães que estão em casa com os filhos. Como é que elas organizavam as suas vidas para ter a casa limpa, os filhos estimulados, como é que lhes ensinavam as músicas para aprenderem palavras (e que músicas), como promoviam os hábitos de leitura, quanto tempo demoravam nas actividades, etc...
    Nesta pesquisa encontrei também um planeamento de uma creche, pensei "isto é que é!" e fiz um planeamento que enquadrasse as duas coisas.
    Fui ao IKEA e trouxemos o conjunto de mesa e cadeiras Lätt (é barato e serve perfeitamente), tive de trazer a cadeira Färgglad porque a Carminho se apaixonou por ela e não a largou durante todo o tempo que lá estivemos, quatro estantes para especiarias Bekväm para pôr a crescente biblioteca da Miss Cominhos, o bacio Lockig e dois bancos Bekväm para fazer as chamadas torres de aprendizagem (um para a cozinha e outro para a casa de banho) para que a Carmita chegue às bancadas e, por exemplo, lave os dentes.

    Depois de tudo montado, com a ajuda e supervisão da Carminho, a minha prioridade foi a recuperação da rotinas do sono e a lavagem dos dentes.
    Ou seja, comecei a seguir o planeamento diário, mas sem me preocupar demasiado com a rotina das refeições.
    Antecipava o pior, por implicar deixar de lhe dar mama para a adormecer. Surpresa! Foi uma maravilha! Percebi qual a hora ideal para a sesta dela e nada de a meter no carrinho ou no carro meia hora antes. Às 12h30 é hora de almoço e às 13h00 é hora da sesta. Claro que não é necessário ser demasiado rígido. Como já falei noutro artigo de rotinas, as coisas podem ser adaptadas para mais cedo ou mais tarde, desde que não se passe trinta minutos da hora rotineira. Claro que haverá dias que não se pode cumprir essa meia hora e não há problema haver excepções à regra, depois temos é de perceber se o humor dos pequenos não for o melhor e ter muita paciência e miminhos para lhes dar.
    As sestas começaram por ser de uma horinha, com ela a despertar e vir agarrar-se à mama em modo zombie durante outra hora. Actualmente, por volta das 13h00, levo-a para o seu quarto, mudo-lhe a fralda (com muitos miminhos à mistura), pego nela, baixo os estores e fecho cortinados, canto-lhe uma canção de embalar (no nosso caso é "o balão do João", não me perguntem porquê), deito-a e pronto. Às vezes refila um bocadinho e em cerca de 2 minutos está a dormir, mas na maioria das vezes não se queixa de nada. Está a dormir 1h45 a 2h00.
    Atenção: quando eu digo refilar, não digo chorar. É mesmo mandar vir, acredito que saibam do que estou a falar. E tenho um limite de 10 minutos no qual, se ela não parar, vou lá embalá-la (no colo) ou percebo que não há sesta para ninguém, ela lá terá os seus motivos, e ficamos as duas no mimo, sem actividades muito estimulantes, para que possa descansar o mais possível. Não é mesmo comum isto acontecer. Aliás, desde que regressámos à rotina que ainda não houve "sestas falhadas".

    Carminho e a cadeira
    A lavagem dos dentes, com o banco do ikea, tornou-se numa maravilha. Uma brincadeira pegada.
    Abre e fecha a torneira (desculpa, ambiente!), tem uma enorme colecção de escovas de dentes e de pastas, adora abrir e "pôr" pasta nas escovas e "cuspir" para o lavatório.
    A colecção enorme aparece porque quando lhe comprei uma nova escova tive de comprar também para mim, porque a minha é eléctrica e não são muito semelhantes. Acontece que a D. Carmo, não queria a dela, queria a minha. No dia seguinte, fui comprar uma mais parecida com a minha. Ficou mais convencida, mas não muito. As grandes continuam a ser as preferidas. Epá, desde que aprenda a lavar os dentes para mim está óptimo. Isso e o facto de as escovas andarem na minha boca e na dela. Não é o cenário ideal, mas com tempo lá chegaremos.

    Com as sestas e a lavagem dos dentes no bom caminho, era altura de pensar nas refeições e no desfralde.
    As refeições foram uma maravilha, comendo mais ou menos consoante o dia, adora que nos sentemos à mesinha dela para comer. O ideal é sempre comer o que está no prato da mãe, mesmo que seja exactamente igual ao dela. Já dou por mim a comer com tudo cortadinho e com um garfo pequeno, porque sei que se vai abarbatar de tudo. Baby steps! Tal como na lavagem dos dentes, o que importa é que coma. Não é grande fã de colher, adora o garfo, mas não o dela. Gosta de usar um garfo de sobremesa.
    O desfralde... ficou em espera! Tantos sinais que dava, mas não achou piadinha nenhuma ao bacio. Adorou usar cuecas (comprei umas reforçadas), adora dar-me o papel higiénico quando eu estou na sanita, mas quando chegou a altura de se sentar no bacio... sentou uma vez na boa e depois nunca mais. Não faz mal! Esperemos por outra altura, se for na primavera/verão, mais fácil para mim que basta que esteja de vestido.

    Carminho e a mesa


    E pronto, fica aqui o planeamento diário da Carminho e da Mãe.
    Claro que não o seguimos escrupulosamente todos os dias. É uma base orientadora. Há dias em que não saímos de manhã ou à tarde ou que saímos durante menos, por exemplo se estiver a chover bastante ou se estiver mesmo muito frio.
    Há dias em quem não é preciso tratar de assuntos na rua e vamos um bocadinho mais tarde para o parque. Dias em que não me apetece arrumar ou fazer qualquer coisa em específico.
    Para mim, o mais importante são as sestas, as refeições e que brinque.
    A verdade é que com este novo planeamento diário consigo ter a casa mais arrumada, sair mais vezes de casa, descansar e agora mais tempo para o blogue!

    A ilustração usada como capa deste post é da autoria de Valentina Ferioli (Fonte)

    segunda-feira, 22 de outubro de 2018

    O Meu Segredo de Mãe: 4º Segredo


    Podem enviar o vosso segredo através de e-mail (ameninadajoaoxxi@gmail.com) ou do formulário.

    A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.

    Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.

    Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.

    Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.



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    quinta-feira, 18 de outubro de 2018

    "Os papagaios também pedem desculpa"


    As crianças (e os adultos, convenhamos) não devem ser obrigadas a estabelecer contacto físico seja com quem for.
    Ensinar uma criança a cumprimentar os outros não é, nem pode ser, exclusivamente sinónimo de contacto físico. Senão andávamos a distribuir beijos pelo supermercado.
    Não, não é obrigatório darem beijos aos avós, só porque são avós. Nem à amiga dos pais, nem aos vizinhos, nem a quem quer que seja.

    Sim, podemos sugerir "dá um beijinho à avó", mas se a criança não quiser, esse querer deve ser respeitado.
    As crianças devem ser educadas a cumprimentar porque faz parte do aprender a estar em sociedade, mas esse cumprimentar pode-se fazer de imensas formas:
    - dizer "olá";
    - dar "mais cinco";
    - acenar;
    - dar um aperto de mão;
    - abraçando;
    - beijando.
    E a criança pode escolher de que forma se sente mais confortável para cumprimentar o outro que está à sua frente. Não quer estabelecer contacto físico, não estabelece.
    Com a obrigação não se educa, amestra-se.


    A partir do momento em que é preciso “forçar” uma demonstração física de afecto já algo está errado. O afecto não pode ser forçado, isso é uma contradição. A expressão de afecto tem de ter origem na vontade de quem sente esse impulso.
    Forçar uma criança a cumprimentar alguém de um modo físico é promover um contacto físico contra a sua vontade e é ensinar-lhe que não é soberana sobre o seu próprio corpo. Sim, porque o "forçar" ou "obrigar" é sempre contra a vontade da pessoa, senão não lhe chamávamos "forçar" ou "obrigar".
    Há muita gente que obriga os filhos a cumprimentarem fisicamente desconhecidos ou pessoas de pouca confiança. E nem com conhecidos e familiares se deve forçar contacto físico.
    "As crianças têm de aprender a ser afectuosas. Como é que os outros sabem que gostamos deles se não os beijamos ou abraçamos?" - Pensarmos que só há afecto ou amor se for demonstrado fisicamente é extremamente redutor. O amor só pode existir se existir respeito e o corpo/espaço físico de cada um deve ser respeitado, independentemente da idade e do grau de parentesco.
    Ao forçar ou obrigar um cumprimento que implique contacto físico não estamos a promover uma aprendizagem de como expressar fisicamente os seus afectos de um modo positivo e prazeroso, que é como deve ser a demonstração física de afectos: de iniciativa espontânea e de livre vontade. Já para não falar dos perigos em colocamos as crianças quando lhes ensinamos que as suas vontades sobre o seu corpo não são soberanas.

    Pintura por Yihang Pan - fonte

    Não nos podemos prender nas nossas experiências pessoais. Os nossos filhos não somos nós. Há casos em que os avós eram fixes e há casos em que não o eram. E quem diz avós, diz pais, tios, primos ou vizinhos do terceiro esquerdo.
    Tal como eu não gosto de contacto físico, há muita gente que adora expressar-se desse modo. O que é importante é que cada um seja livre de expressar os seus afectos como quer, quando quer, a quem quer e da forma que quer.
    Ninguém deve ser obrigado a beijar ou a abraçar quem quer que seja, só porque alguém mandou. Alguém maior, alguém numa posição de autoridade. Isto é, completamente, contraproducente.
    Não dar um beijo ou um abraço não significa que se seja mal educado.
    Se a criança QUISER cumprimentar com dois beijos, se não for forçada e houver uma relação afectuosa mútua entre a criança e a outra pessoa, ao observar os pais e pessoas com quem convive diariamente e tem como modelos, a criança irá aprender naturalmente e por imitação a beijar as pessoas de quem gosta.
    Em vez de aprender que TEM de o fazer senão os outros ficam tristes ou zangados, ou leva uma palmada ou é repreendido. Sim, porque a chantagem emocional é muito comum: quantos de nós não se viram já numa situação em que os pais da criança dizem "dá um beijinho ao tio/avô/primo/amigo" e a criança diz que não. E insistem. E a criança repete que não. E os pais dizem "se não deres o beijinho o avô fica triste", "dás o beijinho ou tenho de me chatear?" Isto é péssimo e é muito habitual. Já tive de dizer a pais "se ele não quer, não quer. Não há problema" e tento um downgrade para um "mais cinco" ou algo que o valha, para safar os putos. 
    Tanto as crianças como os adultos só se deveriam tocar uns aos outros, como forma de expressão de afecto, quando querem, porque querem e a quem querem.
    Porque é que eu tenho de dar dois beijos se não conheço alguém? Porque é que a minha cara ou os meus lábios têm de tocar no corpo de um desconhecido ou de alguém com quem não tenho confiança? Ou porque é que tenho de deixar que toquem no meu?

    Grafiti por Alice Pasquini - fonte

    Repito: com a obrigação não se educa, amestra-se.
    A Carminho está a ser ensinada a cumprimentar as pessoas. E, caramba, como ela adoooora acenar e dizer “olá” a toooooda a gente que se cruza com ela.
    Mas não será, nunca, obrigada a beijar, abraçar ou a estabelecer qualquer tipo de contacto físico contra a sua vontade. Ela é soberana a quem e de que forma escolhe expressar fisicamente os seus afectos.
    Em primeiro lugar sou mãe e cabe-me educá-la, mas serei também amiga. Com limites, claro. Não creio que o meu papel seja apenas debitar informação sobre como estar no mundo e esperar que ela obedeça porque “eu é que sou a mãe”. Não quero criar um robot, quero criar uma criança curiosa e crítica do que se passa à sua volta. Se quisesse ter uma criatura que me obedecesse cegamente tinha arranjado um cão.

    Isto é válido para muitas coisas. Não acho que se deva forçar o que quer que seja. Deve-se, isso sim, ensinar.
    Porque é que alguém tem de comer a sopa toda? Muitas vezes não como tudo porque já não me apetece mais ou porque estou cheia. Como mais tarde. Porque é que com as crianças se deve estabelecer essa relação de medição de forças? Comer é e deve ser um momento de prazer. Por algum motivo confeccionamos os alimentos e escolhemos determinadas combinações. Precisamente para termos prazer ao alimentarmo-nos. Não o fazemos apenas porque “tem de ser para sobreviver”.
    A minha filha tem apenas 17 meses e come a sopa quando gosta. Dou sempre a provar, se recusar duas ou três vezes pode ser porque naquele momento não tem fome, porque não gosta daquela combinação de sabores, porque não lhe apetece... Geralmente come e muito bem. Porque gosta, porque lhe sabe bem. Não porque “tem de ser”.

    Autor desconhecido - fonte

    E tal como é com os cumprimentos e com a alimentação será com tudo.
    Porque é que se acha boa ideia obrigar o pedir desculpas? Como diz uma amiga minha "os papagaios também pedem desculpa". Se calhar, é melhor conversar com a criança sobre a situação, sobre o que aconteceu, como fez os outros sentirem-se e como fazer para melhorar a situação. Em vez de obrigar a um pedido de desculpas automático e não sincero. A Carmita já me deu uns piparotes com mais força e, se eu digo que isso não se faz, a seguir dá-me festinhas - está a aprender a pedir desculpas.
    E porque é que não ensinamos a arrumar? Com 17 meses já está a aprender a arrumar os seus brinquedos e outras coisas. Quando me vê a varrer vai buscar outra vassoura e tenta imitar. Se eu lhe peço para ir buscar ou arrumar um objecto ela fá-lo (ok, nem sempre, mas na maioria das vezes).
    É muito pequenina, mas não precisa de reforços negativos ou de gritos para aprender. Ela percebe muito bem muitas coisas que lhe dizemos (do domínio prático, evidentemente).

    Achar que eles não percebem quase nada é subestimar as crianças. Percebem muito mais do que julgamos e é preciso termos paciência e darmos-lhes tempo para aprender e compreender essas aprendizagens.

    Ilustração por Monica Barengo
    http://nikillustrazioni.blogspot.com/