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quinta-feira, 2 de maio de 2019

Um género de ideologia

Tenho um género de ideologia: A Carminho é livre para escolher o que quer vestir, com o que quer brincar, independentemente da cor. Ou seja, o meu género de ideologia é "quero uma filha feliz!".




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Muito francamente, a conversa de "ideologia de género" já enjoa.
Primeiro, porque a maior parte das pessoas confunde "género" com "sexo" com "orientação sexual";
Segundo, porque "ideologia de género" não significa absolutamente nada. É daquelas frases em que se juntam conceitos que podem ser vistos como complexos para parir um pseudo-conceito;
Terceiro, porque nesta "guerra", como em qualquer outra mais mediatizada, o foco parece estar mais no "eu é que tenho razão" e não na preocupação com o outro.

Vou tentar explicar estes conceitos de uma forma muito básica e simples, com tudo o que implica este modo de explicar coisas.
O sexo é uma característica biológica, ou seja, física com que as pessoas nascem. Existem três tipos de sexo: feminino, masculino e intersexo. O intersexo é aquilo que antigamente era chado de "hermafroditismo" (uma ambiguidade física entre masculino e feminino).
A orientação sexual tem a ver com por quem a pessoa se sente sexualmente atraída. Pode ser heterosexual (atracção por pessoas do sexo oposto), homosexual (atracção por pessoas do mesmo sexo) ou bisexual (atracção por pessoas de ambos os sexos).
O género é um construto social. É um papel que assumimos e que tem a ver com aquilo que é esperado que seja assumido por cada sexo. É algo que varia cultural e temporalmente.

Não podemos esquecer que os conceitos sociais alteram-se, evoluem.
Há uns anos, fazia parte do género feminino apenas usar saia, ser mãe, não trabalhar e ficar em casa a cuidar dos filhos. Era esperado que, para o género feminino, fôssemos caladas, carinhosas, subservientes, que nos tapássemos dos pés à cabeça (ver o tornozelo descoberto de uma mulher era a lou-cu-ra!). Fazia parte do género feminino não conduzir, andar de cavalo com ambas as pernas para o mesmo lado, não jogar à bola, não dizer asneiras, não votar. E podia fazer todo um artigo elencando, apenas, o que era esperado do género feminino e que já não é. Porque isto evolui.
Já conduzimos, já votamos, já usamos calças, já usamos decotes até ao umbigo e rachas até à anca. Já há torneios de futebol feminino. Já há mulheres a conduzir camiões no Rali Dakar! Há mulheres engenheiras civis. E seria mais outro artigo elencando o que actualmente fazemos e que antigamente era esperado que as mulheres não fizessem, porque não fazia parte do rol de comportamentos aceitáveis para o género feminino.
E os homens já cozinham, já limpam a casa, já tratam de crianças, já há pais que ficam em casa com os filhos enquanto as mães voltam ao trabalho. No entanto, poderia ficar aqui a dissertar porque é mais fácil e mais aceite as mulheres assumirem características tradicionalmente associadas ao papel masculino, do que o contrário. É quase como se as características tipicamente masculinas fossem mais virtuosas ou robustas do que as características tipicamente femininas. Mas hoje não vou elaborar, porque a ideia era debitar sobre o género e as crianças.

Sobre o género e as crianças, tenho "um género de ideologia": deixem as crianças brincar, explorar, aprender, desenvolver. Deixem as crianças encontrarem o seu lugar no mundo e em si mesmas.
Permitam que as crianças fluoresçam e aprendam o que são. Aceitem os vossos filhos como eles são e não lhes tentem impingir as vossas expectativas de perfeição, sejam elas quais forem.
Vocês acham, que algum dia!, obrigarem a que as vossas filhas só se vistam de cor de rosa e brinquem às casinhas, e que os vossos filhos só se vistam de azul e só brinquem com carrinhos, vai fazer com que mude alguma coisa? Concordo tanto com isso como serem educados num ambiente em que há uma total ambivalência de géneros e de cores.

Não, não têm de desatar a comprar bonecas para os meninos ou carrinhos para as meninas, mas se virem que eles se interessam por esses brinquedos na escola ou no parque, qual é o problema em lhes propiciar o que eles gostam?
Têm noção de quantos meninos do parque "roubaram" o carrinho de bonecas cor de rosa choque da Carminho e andaram ali todos contentes a empurrá-lo? E quantos carrinhos a Carminho "roubou"? E quando as mães comentavam "ele adora o carrinho", eu respondia "comprei ali nos chineses, super barato!", para ouvir "mas é de menina...". Vocês acham que uma criança pequena tem sequer noção ou interesse do que é para meninos ou meninas? Eles querem absorver o mundo! E se tiverem? Vocês acham que é um mau estímulo um menino, um futuro homem, empurrar um carrinho de bebé? Ou um carrinho de compras? Porquê? Que péssima mensagem é que vêem aí? Pior do que brincar a matar?



Eles são o que são. Eles são o que querem ser.
E nós? Nós temos de nos mentalizar e perceber, de uma vez por todas, que eles não são um objecto comandado pelos nossos desejos e caprichos. 
As crianças são seres individuais, com direitos, com quereres, com apetências. E não há nada que possamos fazer para os contrariar. Se eles gostam de bolas, vai ser tirando o acesso a bolas que vão deixar de gostar?
Não chegam já todas as lutas e guerras que têm mesmo de ser? O não meter a mão na água a ferver, o não ingerir detergentes, o não brincar com lâminas... Aquelas coisas que são MESMO importantes e que valem a pena o drama de uma criança que percebe o "não", mas que não percebe o "porquê do não"?
Dêem-lhes liberdade para que sejam felizes. Não é isso que todos queremos?

Estou farta da conversa de género. Seja de que lado for. 
Nunca me identifiquei a 100% com o que era esperado de uma "menina", identificando-me com características imputadas ao sexo oposto.
Proponho que nos deixemos de géneros, de identificações com e/ou como, e que nos concentremos em "ser e deixar ser". Que nos deixemos de preocupar com o que os outros pensam e com o que os outros são/fazem/vestem.

Sempre pensei que quando tivesse filhos e se fosse menina, faria questão que praticasse uma arte marcial para se poder defender. Mas a Carminho, apesar de só querer vestir cor de rosa e de adorar bonecas e "coisinhas de menina", tem uma obsessão com bolas e estou a ver que vou é ter de a meter no futebol. Eu que adoro futebol lá vou ter de ir para as bancadas torcer pela pequena e conter-me para não me atirar aos pais mal educados (como vêem, já faço os filmes todos).
Já a imagino, de vestidinho aos folhinhos cor de rosa, a fazer remates à baliza com os colegas a dizerem "não vale bujas!!!".

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Saúde Pélvica

Há uns dias tive uma sessão/aula de fisioterapia na MAC.
Esta sessão foi-me marcada por eles, devido ao meu tipo de parto (fórceps).





Como vos disse, fiquei chocada por sermos apenas 4 mulheres quando 15 foram convocadas. Acho que as mulheres têm muito pouco cuidado com elas mesmas e sinto que há bastante desconhecimento no que diz respeito à saúde sexual.
Não que eu seja uma perita na matéria, mas desde miúda que foi algo que me interessou e algo sobre o qual me fartei de ler e pesquisar. Quer por uma questão de prazer, quer por uma questão de querer ser saudável.

A sessão foi com a Fisioterapeuta Sofia Carrêlo, que adorei. Gostei da sua forma de explicar as coisas e do seu humor. Gostei de como fala com um enorme à vontade e sem paninhos quentes ou medo de chocar. É cá das minhas. As coisas são como são e não vale a pena andar com paninhos quentes.

O tópico que se abordou foi, basicamente, a recuperação dos músculos do pavimento pélvico. No entanto também falámos de como tratar as cicatrizes da episiotomia e, muito superficialmente, lubrificação.



Quer já sejam mães, quer ainda estejam longe de o serem, quer não o queiram: todas as mulheres deviam fazer exercícios vaginais! TODAS! Desde ontem! Desde sempre. Vai ser algo que vou ensinar à Miminho assim que puder.

Apesar de já saber 99% das coisas faladas na sessão, há sempre espaço para aprender mais e formas novas de se pensar as coisas.
Antes de mais e como explicou a Sofia, precisamos de fazer estes exercícios porque temos uma enorme desvantagem: "o simples facto de sermos mulheres". Enquanto não evoluímos para uma postura bípede os nossos orgãos internos estavam apoiados nos músculos da barriga, onde não há buracos, quando nos pusemos sobre duas patas, a vida da mulher ficou dificultada e os nossos órgãos internos dependem de uns músculos que nos mantêm os orifícios fechados.

Os nossos órgãos estão assentes sobre os músculos pavimento pélvico (MPP), músculos que rodeiam os nossos orifícios lá de baixo: uretra, vagina e ânus.
São os MPP que: controlam a função urinária e fecal (fecham a passagem e impedem que andemos sempre a libertar fluidos), suportam os nossos órgãos dessa zona (evitam que a bexiga, o útero e o intestino saiam pelos orifícios que temos) e que promovem uma vida sexual saudável.


E reparem que à volta da vagina e do ânus, o músculo faz um 8 - Fonte


Vamos pensar um bocadinho: o que é que acontece aos músculos que não são exercitados? Pensem no infame músculo do adeus. Estava tão firme à volta do nosso braço e foi descaindo, há quem lhe chame asa de morcego. Porquê? Porque não se fez exercício, logo perdeu a força, perdeu elasticidade... Todos os músculos são assim, incluíndo o da nossa vagina. E é indiferente se parimos vaginalmente ou se nunca se teve um filho. Um músculo que não é exercitado perde qualidades. Neste caso não é só uma questão estética, é uma questão de saúde, precisamente pelas funções de que falei anteriormente.
Porque acham que há tanto mercado para as fraldas para os adultos? Porque acham que os anúncios destas marcas não falam em doenças que provocam incontinência, mas falam do "espirrei/tossi/ri e saiu uma gotinha de xixi"? Isto, minhas caras, é a consequência de não se exercitarem os músculos do pavimento pélvico em pessoas perfeitamente saudáveis, sem doenças que provoquem incontinência.

Depois, há um bónus de cedo se começarem a fazer os exercícios (a.k.a. Kegel - já explico): melhora a vida sexual. Ficamos mais apertadinhas e ainda temos a capacidade de proporcionar mais prazer ao homem, porque o podemos apertar durante a penetração. O que é bom para eles e duplamente para nós (dá-nos mais prazer e fazemos exercício).


Mega parêntesis:
Isto se formos hetero, nos outros casos não sei como fisicamente possa aumentar o prazer de outra mulher... agora vou ficar a pensar nisto... mais uma pesquisa a fazer e mais coisas constrangedoras no meu histórico.
Hmmmm... tenho de esperar pela vinda de uma amiga minha cá a casa. Era costume juntar-se um grupo de amigos cá em casa e debatermos assuntos sérios, com humor. Como, geralmente, a coisa era acompanhada com uns copos de vinho ou outras bebidas (no meu caso, absinto), acabávamos sempre com dúvidas de cariz sexual e alguém dizia "Oh, Rita! Vê aí no teu telemóvel como é que se faz...". Era sempre o histórico dela que ficava conspurcado.
Rita: preciso de ti. Tenho uma dúvida 😂

Continuando: Não só estes músculos previnem a necessidade de, mais cedo ou mais tarde, termos de andar com pensinhos diários ou fraldas, mas previnem prolapsos.
Sabem o que são prolapsos? É quando os nossos órgãos internos decidem sair e conhecer o mundo. É quando, por exemplo, se está na casa de banho e o nosso útero sai pela vagina. Quem diz útero, diz bexiga e diz intestino. Achavam que as hemorróidas causadas pela obstipação ou pela gravidez ou pelo parto eram más? Imaginem o que é sair-vos o intestino ou outro órgão que é suposto estar bem guardadinho dentro de nós.

Portanto, meninas: Estão à espera do quê para começar a fazer os vossos Kegel? Já deviam ter começado na adolescência! Vamos lá!




O que são os Kegels: São os exercícios criados pelo Dr. Arnold Kegel, em que se contrai e relaxam os músculos. Apesar de lhes ter dado notoriedade no ocidente, estes exercícios já eram muito praticados no oriente e conhecidos como pompoarismo. O pompoarismo já está um passo à frente dos Kegels: certamente já ouviram falar naqueles espectáculos tailandeses onde as senhoras disparam bolas de golf, fumam ou fazem outras coisas espectaculares com a vagina. Isso é o pompoarismo, isso é o resultado de muitos anos, muitos exercícios e muitas técnicas. Também não é preciso tanto, mas se quiserem: porque não? Não deixa de ser saudável e ainda têm um divertimento extra. Eu não vos julgarei.

Como fazer o exercício: Contrair os músculos como se estivéssemos a impedir o xixi ou um pum de sair. Não é apertar as nádegas! Nem encolher a barriga, nem nada disso. É o músculo que se encontra na zona do períneo. E depois, descontrair suavemente - não largar de repente.
Uma dica que segui e que só se pode fazer uma única vez (para perceber como se faz) é, quando forem fazer xixi interromperem o fluxo de urina. Ficam logo a perceber qual é o músculo. Mas não façam assim os exercícios, porque pode provocar infecções ou retenções urinárias e a ideia é sermos saudáveis e não nos prejudicarmos, certo?

Há dois tipos de exercício: um rápido e um mais lento.
Rápido ou alforreca (como a Sofia explicou e eu adorei): Contrair durante um segundo e relaxar completamente - repetir 10 a 20 vezes
Lento ou elevador: contrair em 5 tempos, enquanto se expira, e ir "subindo" a cada tempo  (há uma sensação de que os músculos sobem), manter 5 segundos, descontrair devagar quando se inspira (os músculos descem) e descansar 5 segundos. Numa fase inicial, repetir 5 a 10 vezes.
Deve-se fazer o exercício várias vezes ao dia. Podem estar em pé, sentadas ou deitadas. A cozinhar, a lavar os dentes, a amamentar, ao acordar, antes de dormir, enquanto se está ao computador. Ninguém repara e é rápido.



A Sofia deu ainda uma dica: colar um post-it no espelho da casa de banho, com o desenho de uma alforreca. Assim, ninguém sabe o que é, e sempre que lá forem lembram-se de fazer os exercícios.
Eu saquei uma app (tenho apps para tudo) em que defini os Kegel para 3 vezes por dia e sigo os níveis que eles têm. Sou um bocado baldas, confesso.

Outras coisas em que os Kegel ajudam:
- Na recuperação da episiotomia: assim que os comecei a fazer senti uma recuperação muito, mas muito mais rápida;
- Nas dores nas relações sexuais;
- Na laxidão vaginal;
- Alterações de sensibilidade.


Esta app está na App Store da Apple com o nome "Treinador Kegel - Exercícios do Assoalho Pélvico"

Outras dicas:
- Não vale a pena fazer muitas séries para compensar vezes em que não se fez. Estamos a trabalhar um músculo e não o queremos lesionar. Sim, este também se lesiona e cansa, não são só os outros;
- Usem um espelho para observarem os movimentos. Se calhar num primeiro dia não vêem grande coisa, mas com a prática vão vendo a evolução;
- Insiram um dedo e sintam o exercício. Para quem fez episiotomia, podem aproveitar esta altura para massajarem os pontos internos com elastolabo (se não forem sensíveis ao rícino, como eu);
- Divirtam-se com o vosso parceiro. Quando estiverem na vossa intimidade, aproveitem para fazer os Kegel durante a penetração. Perguntem-lhe o que sente, com o tempo e a prática ele vai sentindo cada vez mais.
- Há bolas próprias para se exercitarem estes músculos e que se vendem em sex shops. Há maiores e mais pequenas, com ou sem fios. Quais as ideais para vocês já dependerá da vossa musculatura vaginal, do vosso à vontade e da vossa experiência. Não tenham vergonha e peçam ao/à lojista que vos ajude (não deve ser a coisa mais estranha que ele já ouviu: de certeza!);

- Cintas: um grande "NÃO!" segundo a Sofia e segundo outras fisioterapeutas que já conheci. Era muito comum no tempo das nossas mães, mas agora é completamente desaconselhado (eu sei que há muitos médicos e enfermeiras que ainda hoje aconselham a cinta). Porquê? Porque para além de não resolverem nada, coloca uma pressão e peso acrescidos no pavimento pélvico e só prejudica a recuperação destes músculos. Se usarem para um casamento ou porque vão sair, tudo bem. Como uma peça diária, não. Além de que torna os músculos preguiçosos, enquanto que se não usarmos a cinta, temos tendência para irmos apertando a barriga durante o dia para que não se note.

-Falta de lubrificação vaginal: com a amamentação diminui a produção de estrogénio, o que faz com que a lubrificação vaginal diminua. Não há grande coisa a fazer até se acabar com a amamentação, para além de se usar um lubrificante. Para quem usa preservativos, é conveniente que se use um lubrificante à base de água, porque os que são à base de óleo podem danificá-los.

Provavelmente ficaram coisas por falar, mas a miúda está a acordar.
Qualquer dúvida que tenham é só perguntar que, se eu souber, explico.


Até lá:



Nota: Eu não sou médica, nem enfermeira, nem fisioterapeuta. Sou Psicóloga, actualmente doméstica. Simplesmente, farto-me de pesquisar sobre estes temas. Sempre que tenho uma dúvida agarro-me ao computador e fico horas a pesquisar. Isso vale o que vale e não substitui o que quem vos segue vos diz, ou o que vocês consideram ser melhor.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A minha gravidez III: Preparação e concepção

No dia 01 de Agosto de 2015 casámos.
Logo a seguir, conforme acordado, deixei de tomar a pílula e comecei a alterar alguns hábitos para preparar o meu corpo o melhor possível.
Foi-me logo dito que, para a nossa idade, demoraria cerca de 6 meses a um ano até ser bem sucedida. Como adoro desafios e sou incapaz de os recusar, decidi que conseguiria em muito menos tempo - 3 a 6 meses. A Mini Mi deu-me a cabo dos planos porque fui bem sucedida demais.



Parte 1: A Preparação

1.1. Regras básicas

Há uma regra básica para preparar o organismo para uma gravidez e para facilitar a concepção. É uma regra que é válida para tudo e mais alguma coisa nas nossas vidas: ter um estilo de vida saudável!
Alimentação equilibrada, beber água, exercício físico (não é preciso ir para o ginásio, apenas levantar o rabo do sofá), cortar com o consumo de substâncias que não nos fazem nada bem (tabaco, café em excesso, álcool, outras coisas - naturais ou químicas), dormir bem!
Serve para quem quer engravidar e serve para tudo o resto.

Com isto voltei a ganhar motivação para fazer uma mudança nos meus hábitos alimentares e fazer aquilo que deveria fazer sempre (eu e qualquer pessoa): uma alimentação equilibrada, variada, sem exageros de carne ou peixe, com bastantes verduras, etc.
Cortei com os cafés e chás em exagero que bebia por dia. Um café e duas ou três chávenas de chá (bom, de qualidade, sem ser dos pacotinhos do supermercado) por dia. Isto ajudou-me a andar mais tranquila, menos stressada e até a dormir melhor. A diferença que fez!
Forcei-me a beber água. Hidratação, hidratação, hidratação! E tentava atingir o litro e meio (chás incluídos) até às 20h00, para não andar a fazer passeios à casa de banho durante a noite.
Deixei os substitutos dos lacticínios, embora tenha optado por produtos sem lactose (intolerâncias.....), para aumentar as reservas de cálcio.



Diminuí o consumo de álcool. Não é que bebesse álcool todos os dias, mas pelo menos uma vez por semana era à grande. Criámos uma "Tertúlia" com amigos e juntam-nos todas as quintas, para debater efusivamente temas actuais, de relevo ou não. Tanto podemos discutir a nossa posição em relação à eutanásia como debater se um vegan pode ingerir fluidos do parceiro. Claro que este ritual semanal, implica que se bebam umas quantas garrafa de vinho e algo mais espirituoso (descobri o Absinto quando fui a Praga e a minha vida mudou). Quando comecei a preparar o meu organismo para a gravidez, o consumo de álcool nestes dias teve de diminuir substancialmente. Incrivelmente, o grau de parvoíce das nossas conversas manteve-se inalterado.
Diminuir o consumo de tabaco. Sempre fui uma fumadora parva, ou seja, uma fumadora social. Portanto, foi diminuir isto e motivar o marido a cortar com o número de cigarros que fumava por dia.
Quem consome substâncias recreativas, como a marijuana, é melhor parar. Não era o meu caso, porque apesar de gostar do sabor e do cheiro, passava a vida a sentir-me mal, então há muitos anos que me tinha deixado dessas coisas. Mas tudo o que é droga (ilícita ou não) é para cortar: a não ser que sejam medicamentos necessários à vossa saúde, 'tá? E já agora: o THC, presente na Maria, torna os espermatozóides preguiçosos: até eles ficam pedrados e depois têm dificuldades em concentrar-se na sua tarefa.




Exercício físico: eu fui para o ginásio e arranjei um PT para me motivar. Mas não é necessário tanto exagero, eu é que sou de obsessões e faço destas coisas. Basta apenas caminhar 30 minutos todos os dias. Mexer um bocadinho é sempre melhor do que ficarmos "aparrados" no sofá. Além do mais o exercício físico tem efeitos semelhantes ao corte do consumo de cafeína: mais tranquilidade, menos stress, melhor sono.
Apanhar sol: Um bocadinho de vitamina D faz sempre bem e, aparentemente, o sol pode ter influencia na produção de hormonais importantes para a concepção. Não me perguntem quais, que não faço ideia. Eu não sou de apanhar sol, mas tive de forçar a barra. Portanto, depois de almoço ia sempre dar um passeiozito. Sol + exercício físico!!!
Evitar o stress. Bem, com a questão da cafeína e do exercício já abordei isto. Mas tentem viver mais tranquilas. Inscrevam-se no yoga, meditem, façam o que precisarem. Claro que a alimentação equilibrada, a hidratação, o sol e tudo o que define um estilo de vida saudável contribuem muito para este ponto.


1.2. Um percalço e mais dicas

Assim que terminou a lua de mel, fui logo ao ginecologista e disse-lhe que estava na altura de deixar a pílula. Ele aconselhou-me a começar logo a tomar ácido fólico em vez de esperar pelo resultado positivo, para ir criando já uma boa reserva no meu organismo.

Entretanto houve um percalço nisto tudo! Claro, porque comigo é sempre assim. Nunca pode ser fácil, nunca....!!! Já nem me surpreendo.
O nosso casamento foi a 1 de Agosto, usufruí dos meus 15 dias de licença, voltei ao trabalho e duas semanas depois ouvi um zum-zum de que me queriam "dispensar". Oh, felicidade! Mas espera... Se me despedirem, fico sem trabalho e talvez não seja a melhor altura para engravidar... Lá ficámos mais uns tempos em stand-by a debater o que fazer. Em Outubro/Novembro, decidimos que iríamos ver se a coisa pegava até ao final do ano, se até lá não engravidasse os planos ficariam interrompidos durante um ano, para que a minha situação profissional se definisse, mas não demorarmos demasiado tempo.
A ideia era preparar o organismo e ir "praticando" até a coisa pegar. Não pegou.


No entanto, não deixei de andar a tomar o ácido fólico e, embora tenha ficado mais desleixada, continuei a preocupar-me minimamente com o estilo de vida que tinha.
Tinha até Julho para ir preparando o meu organismo para, nessa altura, voltarmos a tentar de uma forma tranquila. Mas aqui a menina é uma controladora e não acha piada a esta coisa do "deixar a natureza seguir o seu curso" sem se meter ao barulho. Ei! Eu faço parte da natureza, portanto, se der uma mãozinha ela estará na mesma a seguir o seu curso!

Decidi que, já que tinha deixado a pílula era uma excelente altura para conhecer melhor o meu ciclo menstrual. Saquei várias apps, até achar aquela que tinha mais a ver comigo, comprei um termómetro basal (com duas casas decimais), mandei vir testes de ovulação e comecei a registar tudo religiosamente: temperatura ao acordar, mudanças no corpo, mudanças no humor, resultados dos testes de ovulação, muco cervical, altura do cervical... Nunca comprei os testes de ovulação da farmácia, são estupidamente caros e não valem a pena.

Reparem, os testes de ovulação funcionam identificado um aumento da hormona luteinizante (LH) que ocorre antes da ovulação, não no momento, e para detectar este aumento pode haver apenas uma janela de tempo muito reduzida, de cerca de 12 a 24 horas (pode ser maior, varia de mulher para mulher). Portanto, na semana em que se espera a ovulação convém fazer-se o teste duas vezes por dia, para uma melhor identificação do período fértil. O que se vende nas farmácias custa uns 35€ e só traz 7 testes, e para conhecermos bem o nosso ciclo é preciso estudá-lo durante uns meses. Eu, por 8€, mandei vir 100 testes de ovulação do Reino Unido. Ah! É quando há um resultado positivo neste teste que é a melhor altura de se ter sexo. O ideal é que seja antes de ocorrer a ovulação e não durante ou depois. Sem stress, o sémen aguenta algum tempo lá dentro - até 72 horas.

Outra coisa que ajuda é haver alguma frequência de actividade sexual, duas a três vezes por semana. É outro dos aspectos que não faço a mínima ideia porquê. Mas não custa tentar, não forcem é muito a barra. Já basta na semana de ovulação em que aí tem mesmo que se fazer senão nada feito e pode ser algo bastante aborrecido. De resto, divirtam-se, sejam criativos, explorem coisas novas!
Ah! E não vale a pena o estar a fazer-se todos os dias, a toda a hora. A frequência ajuda, mas se for a mais não vale de nada, porque convém que se dê tempo a que o esperma seja produzido, ok?

E lá andámos assim uns tempos: eu a estudar-me, a ser simultaneamente o estudante e o objecto de estudo; e o marido com a parte divertida, completamente à nora com os testes e registos que eu fazia diariamente.


Parte 2: A Concepção

Havia duas coisas que eu gostava de conseguir numa gravidez, mas que estavam fora do meu controlo: 
1. Ter uma menina;
2. Ter um leãozinho nascido em Agosto, como eu (perguntem a Leões nascidos em Agosto e todos vos dirão que, apesar de terem passado muitos aniversários sem amigos, não há melhor altura do ano).

Eu tinha-me proposto a conseguir engravidar em metade do tempo que os médicos indicavam para a minha idade. Portanto, tinha 3 meses para ser bem sucedida na concepção.
Para se ter um leãozinho, dizem as contas que se convém conceber em Novembro - Dezembro. Portanto, convinha começar a tentar três ou quatro meses antes.

Pois é, a cria decidiu, desde o início, mostrar que há coisas que uma mãe não pode controlar e a 31 de Agosto concebemos! Não vai ser uma leoazinha como a mãe, mas pelo menos o espermatozóide vencedor era um X e consegui que fosse uma menina!

Atribuo todas as culpas à boa preparação que fiz ao meu organismo e que impingi ao meu marido.
Mas bolas! Na segunda tentativa! No segundo mês! Não foi de 6 a 12 meses como dizem os médicos, nem de 3 a 6 como eu meti na cabeça que ia conseguir, foi logo no segundo mês.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Para bem do amor deixem de o confundir com paixão!

Reparem como todas estas histórias terminam no momento em que conseguem, finalmente, ficar juntos. Como se tornam amores intemporais, "para sempre", e terminam ou no momento do casamento ou no momento de uma morte precoce e trágica. Assim é fácil amar para sempre. Assim é fácil que não se chegue ao esmorecer da paixão e fiquemos quase exclusivamente com o amor.

Mas a ficção incutiu-nos a fantasia de que a paixão, num relacionamento bom, dura 24 horas por dia, todos os dias. Que a tesão e a sofreguidão pelo outro têm, obrigatoriamente, de estar sempre presente. E é assim, porque os filmes e romantismo barato e superficial nos meteram esta ideia na cabeça, por tanta gente pensar deste modo que as relações não duram.

Querem Romeu e Julieta? Lembrem-se do vosso primeiro namoro na adolescência. Como a certa altura quiseram fugir com ele porque os pais não vos deixavam estar juntos sempre que queriam. Se se tivessem suicidado, teriam conseguido um amor para sempre. Assim é fácil.

Uma coisa é a paixão, que nos causa marcas emocionais e físicas. E que só durará para sempre se se interromper abruptamente (qualquer que seja a causa) e nunca for devidamente terminada ou vivida numa relação conjugal. É a paixão que nos faz estar a caminho do outro e a sentir uma inquietação na área genital, pulmonar e cardíaca. Em que basta um olhar, aquele olhar, e já se sente um orgasmo latente.
Que nos dá vontade de lhe espetar um tabefe de tanta vontade que se tem em possuí-lo. Em que não se consegue conter e é preciso morder, arranhar, agarrar, prender contra a parede, puxar/agarrar cabelos, lamber partes do corpo... Sem limites, porque tudo naquela pessoa tem de ser nosso e tudo em nós tem de ser, urgente e imperativamente, possuído pelo outro.
A paixão é objectificação (nossa e do outro), com a finalidade de obter prazer e supressão de necessidades sexuais.

Já o amor é querer cuidar. Claro que também envolve paixão, simplesmente ela não está lá permanentemente. Aparece de vez em quando para dizer "olá". Mas o prazer físico deixa de ser o objectivo principal.
O que passa a ser fundamental e prioritário é que o outro esteja bem, feliz, cuidado, nutrido. É providenciar a respostas às suas necessidades e ficarmos felizes e satisfeitos com isso.
É não se importar de limpar vómito, ouvir movimentos intestinais, fazer canjas de galinha. Ir à farmácia e ficar na fila atrás de 30 velhos que gostam de ir à farmácia ao final do dia para ver pessoas.
É passar por coisas chatas, feias e nojentas, não por se esperar retorno sexual (ou de qualquer outro tipo), mas por se querer genuinamente que o outro esteja feliz. Implica espírito de sacrifício.
É ficar-se de pijama, sem tomar banho, sem pentear, a fazer maratonas de filmes/séries, sem cozinhar e encomendar-se pizzas ou qualquer outra coisa nada sexy.
É deitarmo-nos ao lado de uma pessoa que quando nos toca dizemos "chega para lá estás muito quente/frio", dormirmos melhor se não estiverem lá, mas a meio da noite, enquanto dormem fazer-lhes uma festinha porque queremos que lá estejam.
É ouvir a respiração ou a forma como comem e sentirmo-nos extremamente irritados, mas até aguentar isso. É irritar o outro de propósito, só porque sim. É conhecer limites, é provocar sempre respeitando.
É pensar que é com aquela pessoa que se tem de comentar o que acabou de se ver/ouvir. É ter uma linguagem própria, olhares aliados a telepatia, piadas apenas entre os dois (que quando se tenta repetir noutro contexto nos faz parecer anormais). 
É isto e muito mais, mas sempre a querer que o outro esteja bem. Isso acima de tudo.
O amor não é lindo, não é fácil. É o que é.
Torna-se lindo por querermos suportar coisas que não gostamos no outro porque é ele que amamos e que queremos com todos os defeitos irritantes. É querer e fazer tudo o que está ao nosso alcance para que ele seja feliz.

Amor é altruísta. É sobre o outro. É querer dar.


Escrito a 20.08.2015