quinta-feira, 20 de junho de 2019

Birras: estratégias para as evitar

De todas as etapas por que a Carminho passou desde que nasceu esta foi a que me fez quebrar e perder o controlo. A amamentação foi difícil, mas superei-a e tornei-me numa pro; as noites foram domadas e desde cedo que as dormiu por inteiro; a introdução da alimentação complementar foi tranquila e divertida. Tudo isto, mais ou menos difícil, mas feito com relativa tranquilidade.
Mas as birras? Não sei... É algo que profundamente irritada. Nem sei explicar. Já lá vamos. Primeiro vou falar um pouco sobre as birras e estratégias para as evitar ou lidar com elas.


Ilustração por Elizabeth McNair - Fonte

Sobre as birras
Tal como quando são bebés de meses e é possível evitar que chorem por fome, por sono ou qualquer outra necessidade, também é possível evitar birras. E, tal como nas outras situações, a forma de as evitar é estarmos atentos e agir antes que se instalem.

Quando a Carminho começou com as birras, rapidamente me apercebi que a medição de forças não nos leva a lado nenhum. Em momento de birra instalada, não vale a pena contrariar a criança porque só estaremos a alimentar a vontade de se demonstrar independente.

Quero dizer com isso que temos de dizer que "sim" a tudo ou que não devemos dizer "não"?
Não. Quero dizer que as crianças são criaturas independentes, com vontade própria, que estão a aprender e a testar os limites (de si, dos pais e do mundo que as rodeia), que gostam e precisam de compreender o que se passa (e para isso temos de lhes explicar) e que gostam e precisam de conhecer o mundo e todas as leis que o constituem (sejam sociais, da física ou outras).

Sim, as crianças devem (e precisam!) de aprender a lidar com a frustração, mas não é preciso fazer de propósito para que o aprendam e, nós adultos, nem reparamos quantas vezes ao longo de um dia elas são confrontadas com o não ter escolha, com a imposição de mil e uma coisas, como o serem tocadas, lavadas, transportadas, alimentadas, vestidas, etc. São mesmo dezenas de situações ao longo do dia em que sujeitamos as crianças a isso e nem reparamos pois são coisas que têm de ser feitas e nós temos horários para cumprir, sítios para ir e temos que nos despachar.

Proponho-vos um exercício: enquanto adultos como lidariam se alguém vos tratasse como tratamos as crianças? Se vos impusessem roupas, passeios, comida, banhos, etc., sem vos explicar? Se vos interrompessem, sem aviso nem explicação, para vos impor algo, mesmo que esse algo seja importante para o vosso bem-estar? 
Provavelmente começariam por resistir, por se afastar da pessoa (imaginem então se fosse um gigante!), por querer ganhar algum controlo da situação, por querer perceber o que se passa antes de dar o vosso consentimento.
As crianças não são diferentes nesse aspecto, com a característica de ainda estarem a aprender o que as rodeia, que são independentes. E qual é a palavra mais poderosa de todas? Aquela que nos faz ter o controlo, que tem o poder de nos proteger numa interacção com os outros? O "não"!
Se a criança consente algo, mal ligamos porque é o que queremos que seja suposto que faça. Mas se uma criança nos responde com um "não", vamos reagir muito mais. Seja a rir, seja com choque, seja de que maneira for. Isto torna o "não" numa palavra apetitosa e com muito poder. Poder da criança sobre ela (e ainda bem!) e poder sobre a reacção do outro.
O problema acontece quando se torna numa medição de forças: a criança diz "não", mas nós queremos que "sim", e quanto mais ela diz "não", mais nós dizemos "sim" e a coisa vai escalando porque ela já não nos vai dar o "sim".


Ilustração por Luke Pearson - Fonte

Estratégias para evitar as birras
1. Escolher as nossas "batalhas"
É algo que faço muitas vezes: avaliar a situação e perguntar a mim mesma "porque é que a Carminho não pode fazer aquilo? Quais são as consequências de fazer o que está a fazer?"
Na maior parte das vezes, são experiências em forma de disparates inofensivos e cuja maior consequência é uma varridela rápida ou uma muda de roupa. Poucas vezes são algo de uma dimensão que exija uma interrupção do comportamento. Ou então são coisas que ela pode fazer, desde que cumpra algumas regras: como por exemplo, pode espreitar pela janela enquanto eu estendo a roupa ou a tiro do estendal, desde que não se empoleire na janela e mantenha os pés bem assentes no seu banquinho.

2. Distrair
Estão no parque, a criança está a brincar com algo emprestado e o dono do brinquedo vai embora ou estão a sentá-los na cadeirinha do carro e eles não querem apertar o cinto. Já se adivinha drama, não é? Para além de explicar à criança porque é que tem de devolver o brinquedo ou porque é importante apertar o cinto, tentem distraí-la com outro brinquedo ou actividade.

3. Não fazer perguntas, ou seja, evitar a possibilidade de responderem "não".
O "não" é das palavras preferidas das crianças e não é por acaso que é das primeiras que muitas aprendem a dizer. Por isso, se fizermos uma pergunta de resposta em formato "sim/não", há uma grande probabilidade de que a resposta seja "não".
Por isso, o que faço (ou tento fazer, já que ainda me estou a treinar) é informar em vez de perguntar. "vamos mudar a fralda", "vamos vestir", etc. Quando há resistência (e mesmo sem perguntar há muitas vezes) ajuda explicar porque temos de o fazer. "Temos de mudar a fralda antes de sair".

4. Evitar dizer "não"
Às vezes o "não" não é um "não", mas um "não agora, mas a seguir já podes".
Por exemplo, a Carminho quer ir à rua, mas tem de mudar a fralda antes. Ela começa a pedir "rua! rua! rua!" e a recusar mudar a fralda. Em vez de dizer "não podes ir já à rua, temos de mudar a fralda antes" digo "vamos à rua, mas primeiro temos de mudar a fralda". Se começarmos pelo "não", é a única coisa que vão ouvir e começa a medição de forças. Vamos negociar, vamos dizer que pode fazer o que quer (porque pode!), tem é de fazer uma coisa antes.
Isto até permite que aprendam a esperar. A Carminho já aceita coisas para "amanhã" ou para "quando chegarmos a casa". Percebe que naquele momento não pode, mas que depois vai conseguir. Para isto resultar temos é de cumprir. Eles compreendem o que dizemos, mesmo que não o saibam dizer, pelo que não podemos dizer "quando chegarmos" apenas para distrair e depois falhar. Vamos deixar os incumprimentos para quando há algum imprevisto e tem mesmo de ser. E mesmo nesses momentos explicamos.

5. Como dizer "não"
Sim, há momentos em que "não" é a resposta. A Carminho gosta de me ajudar a tirar a loiça da máquina e às vezes vai lançada para as facas. Como podem adivinhar, a minha reacção não é de negociar. Não há negociação possível para uma criança de dois anos que quer brincar com facas. Nessas situações é sempre ter calma, dizer "Carminho, dá a faca à mãe. Não se pode brincar com facas. As facas são perigosas e fazem dói-dói.".
Parecendo que não, explicar, calmamente, às crianças o que se passa ajuda muito a que o aceitem.

6. Pedir um abraço
Esta é linda e maravilhosa.
Funciona bem quando a birra se começa a instalar e a criança já faz aqueles sons/choro de irritação e impaciência. Antes que escale, um "Carminho, dás-me um abraço?" serve como uma pergunta que surpreende naquele momento e o abraço apertadinho, com festinhas e beijinhos ajuda a fazer "reset".

Claro que se a criança recusar, não devemos andar atrás dela, com ela a tentar afastar-nos e nós a querermos tocar nela. Se a criança nos afasta devemos respeitar o seu espaço, o seu tempo e o seu corpo e, nessa situação, ou tentamos outra estratégia ou nos sentamos a assistir à birra.

Ilustração por Brooke Smart - Fonte

Lidar com as birras
A realidade é que nem sempre conseguimos evitar as birras. Seja porque estamos distraídos, seja porque estamos cansados, seja porque já passou a hora de ir para a cama e estão exaustos e a birra é a forma de comunicar... seja pelo que for, há birras que não evitamos e temos de lidar com elas.
Estarmos calmos (mesmo que nos obriguemos a tal) é fundamental para conseguirmos acalmar a criança. Entrar numa medição de forças não ajuda, antes pelo contrário, só aumenta a intensidade da birra.
Quando a birra está instalada, mas ainda não chegou ao descontrolo, às vezes pegar na criança e abraçá-la com alguma firmeza pode ajudar. Simplesmente, pegar nela e dar um abraço apertado e securizante. Novamente, se a criança recusar, temos de respeitar. Insistir ou agarrá-la enquanto esperneia para se livrar de nós, não vai ajudar à birra.
A única situação em que isto é aceitável é se precisarmos de a retirar de um lugar onde esteja em perigo. Não sei se já passaram pela temível "birra na passadeira". É es.pec.ta.cu.lar. Está tudo bem e  decidem que a passadeira é o melhor palco do mundo. Aliás, devem achar que aquela quantidade de carros está parada, numa avenida super movimentada e à hora de ponta, para assistir à sua performance. De repente, vemos que o sinal passou a vermelho para os peões, imploramos à criança para que avance e saia do meio da estrada. "Não!", "É perigoso, temos de ir", "Não". Decidimos pegar nela e faz aquela cena fabulosa, de levantar os braços, ficar mole, peso morto. Nesse momento o corpo escorrega-nos por entre as mãos ao som de um choro agudo "nããããããooooo". Bem... aí é pegar na criança como for possível, rezando para não provocar quaisquer luxações e fugimos para a passadeira enquanto nos questionamos como é que eles conseguem fazer aquilo com o corpo.

Quando não conseguimos evitar, interromper ou acalmar a birra, pode acontecer escalar tanto que, naquele momento, a criança já não está a ouvir, não quer ouvir, não consegue ouvir, e já precisa é de gritar, chorar, espernear e deitar tudo cá para fora. É deixar-nos estar presentes, mostrando-nos tranquilos e disponíveis, dando-lhe espaço. Aos poucos podemo-nos ir aproximando, colocando-nos à altura dela, falando num tom apaziguador, sem esperar que nos responda, dizendo que está tudo bem, que estamos ali, que queremos ouvir.
Nestas situações temos mesmo de estar disponíveis, não podemos ter pressa em acabar com aquilo. Temos de ter calma e ser a calma que as crianças precisam.

Autor desconhecido - Fonte

O dia em que falhei miseravelmente
Há quem diga que não existem mães perfeitas. Eu digo que sim!
Tirando algumas excepções que serão caso para a CPCJ, todas as mães são a mãe perfeita para os seus filhos. Na nossa imperfeição, com todos os nossos defeitos e feitios, somos a mãe ideal para os nossos rebentos.
Eles não querem outra. É à volta do nosso pescoço que eles querem abraçar. É no nosso cabelo que querem enrolar os dedos quando começam a ficar com sono. É no nosso colo que se querem aninhar. Não nos trocariam por nenhuma outra mãe. Nós somos a mãe perfeita!

Mesmo assim, há dias em que falhamos e, na semana passada, houve uma noite em que me deitei lavada em lágrimas. Falho muitas vezes e falharei muitas mais, mas naquele dia deitei-me com a sensação de que era má mãe, de que tinha falhado em absoluto no papel mais importante que assumi até hoje: o papel de cuidar, amar, nutrir física e emocionalmente, e no de ser um porto de abrigo para a minha filha.

Há birras e birras e, se calhar, o problema foi eu estar num momento menos bom quando esta se deu.
Eu não soube ter a calma suficiente para a acalmar. A Carminho gritou, eu gritei. Começou a acalmar e pediu mama antes de deitar. Foi para a mama. A certa altura começou a enrolar os dedos no cabelo e a puxá-lo. Pedi para parar. Continuou, magoou-me e eu reagi dando-lhe uma palmada na mão. Ela nem ligou e deu-me outro puxão de cabelo. Aí, não sei que tom de voz usei. Sei que não gritei, mas algo no meu tom mudou porque largou a mama e começou a chamar pelo pai. E foi ele que a deitou.

Senti-me na merda. Senti que assustei a minha filha, que ela teve medo de mim. Eu sou a adulta. Eu é que tenho o dever e as competências para me saber acalmar e acalmá-la. Eu tenho de saber tranquilizar-me, afastar-me e proteger a minha filha.
A Carminho só tem dois anos. Eu é que permiti que a coisa escalasse. Eu é que não soube evitar que a situação agravasse. Eu é que não soube acalmar, ser um ponto de abrigo.
Senti que a minha filha teve medo de mim e isso foi devastador.

Mas há dias assim. Dias em que aprendemos lições dolorosas e valiosas sobre nós. Sobre os nossos fantasmas, sobre os nossos limites.
Lição aprendida! Não quero, nunca mais!, que a minha filha reaja assim a algo que eu faça ou diga. Não quero nunca mais que ela se sinta assim, nem quero eu voltar a sentir aquilo.


Ilustração por Natalie Matthews-Ramo - Fonte

sábado, 15 de junho de 2019

Resumo da Semana - 10.Jun.2019

Esta semana foi franquinha em publicações, mas aqui ficam:


Quinta-feira, 13.Junho
Li pelas redes sociais muitas mães a falarem sobre partos, como tinham corrido melhor ou pior e lembrei-me de vos perguntar sobre isso. Podem ler e comentar no instagram ou na publicação do FB.




No fim de semana anterior, fomos passar o fim de semana a Santa Cruz. Aproveitámos para ver como se adaptaria a Carminho a uma cama de "crescida", naquele caso até era uma cama de casal. 
Correu tão bem que, quando regressámos, mudámo-la da cama de grades para uma cama de crianças.
Está a ser uma aventura. Não sei se coincidiu com qualquer fase do desenvolvimento ou se é por se sentir mais livre, mas tem tido altos e baixos. Ontem foi uma noite terrível, acho que nunca teve um meltdown tão grande, e deixámo-nos arrastar por isso. Acho que para a semana escrevo sobre isso.






Sábado, 15.Junho
Sábado é dia de segredo. Apesar de ter aberto a rubrica a todo e qualquer segredo, continuam a ser sobre parentalidade (ainda tinha vários por publicar).


O Meu Segredo II







Podem enviar o vosso segredo através de e-mail (ameninadajoaoxxi@gmail.com) ou do formulário.


A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.

Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.

Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.

Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.


Publicações relacionadas

sábado, 8 de junho de 2019

O Meu Segredo

Aqui há uns tempos disse-vos que os segredos regressariam.
Porque a vida não é só filhos, o meu objectivo agora é que deixem de ser apenas relativos a parentalidade. Podem ser sobre o que quiserem ou precisarem de deitar cá para fora. Os próximos ainda têm a ver com parentalidade.








Podem enviar o vosso segredo através de e-mail (ameninadajoaoxxi@gmail.com) ou do formulário.


A ideia é partilhar segredos que me enviam e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu possa servir de alerta para outros.
Serão publicados semanalmente, de preferência ao sábado, e, a não ser que me enviem com um design à vossa escolha, o formato será o que hoje vos apresento.

Tirando alguns casos em que quem os escreve se identifica, não tenho forma de saber qual o enquadramento temporal ou veracidade dos segredos. De qualquer modo, assumirei sempre que são verdadeiros e representam uma situação actual, mais não seja porque, mesmo que não sejam para quem os partilhe, poderão ser para quem os lê.

Deixo o apelo: se se sentirem assoberbados, desesperados, perdidos, o que for, procurem ajuda. Para vós ou para quem percebam que possa estar a passar por algo semelhante.

Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados e serão sempre apagados.


Publicações relacionadas

sábado, 11 de maio de 2019

Fraldas Reutilizáveis - Parte IV: Noites 2.0


Já passaram 9 meses desde o último artigo sobre fraldas reutilizáveis (podem lê-lo aqui)
Na altura também falei sobre as fraldas de noite, a Carminho tinha 1 ano e 3 meses, era a segunda tentativa na utilização de fraldas reutilizáveis à noite, estávamos no meio de experiências e estava tudo a correr bem.
Nesse artigo aproveitei para falar também sobre a minha opinião acerca da ética e ecologia de comprar em sites chineses como o AliExpress. Opinião que mantenho. Muito resumidamente: se tiverem possibilidades financeiras para comprar em lojas nacionais e/ou negócios familiares melhor; se não tiverem, força nos AliExpress. E é sempre possível comprar umas coisas num sítio e outras noutro.

Com a confiança a crescer, continuámos a tirar camadas de absorventes para que a Carmita não tivesse de dormir com uma "armadura" no rabo. Não que ela se queixasse, mas tanto volume no rabiosque fazia-me alguma confusão. Entretanto, já temos fraldas novas, capas novas e dispensámos alguns absorventes.
Cada criança tem os seus xixis e, hoje, partilho convosco o que funciona com a Carminho.

A C tem 23 meses (passou tão rápido...) e dorme entre 11 a 12 horas seguidas por noite.
Intercalamos entre ajustáveis com capas de lã e AIO/AI2, porque acho muita piada a que ela fique tantas horas seguidas com fraldas que têm capa PUL (que são menos respiráveis).

Ajustáveis
  • Fralda Alva de bambu, reforçada com um absorvente de cânhamo Elinfant (3 camadas) enrolado numa pequena fralda de algodão (da Zara porque tinha para cá e achei que se adequavam bem por serem mais pequenas);
  • Fralda Elinfant de cânhamo, com absorvente de cânhamo (3 camadas) e absorvente de polar e bambu (4 camadas);
  • Capa Sloomb de lã
  • Capa Disana de lã
Fraldas ajustáveis Alva 
Fralda ajustáveis Elinfant
Capas de lã Disana (em cima) e Sloomb (em baixo). As esverdeadas já não usamos.


All-in-One (AIO) / All-in-Two (AI2)
    • Fralda OhBabyKa AIO de carvão de bambu. Estas fraldas têm um absorvente de bambu costurado e um bolso. Reforço com uma fralda grande de algodão dobrada (metade dentro do bolso e a outra metade por fora, porque é mais rápida a absorver o xixi do que o absorvente);
    • Fralda OhBabyKa AI2 de carvão de bambu, reforçada com um absorvente de cânhamo Elifant (3 camadas) enrolado numa fralda grande de algodão.
    Fralda AIO OhBabyKa

    Fralda AI2 OhBabyKa
    Links

    Depois guardo sempre as fraldas por ordem e sempre com um liner.
    E isto é o que tem funcionado connosco. E vocês? Quais são as combinações vencedoras para os vossos bebés? 



    Artigos relacionados:

    quinta-feira, 2 de maio de 2019

    Um género de ideologia

    Tenho um género de ideologia: A Carminho é livre para escolher o que quer vestir, com o que quer brincar, independentemente da cor. Ou seja, o meu género de ideologia é "quero uma filha feliz!".




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    Uma publicação partilhada por Menina (@ameninadajoaoxxi) a

    Muito francamente, a conversa de "ideologia de género" já enjoa.
    Primeiro, porque a maior parte das pessoas confunde "género" com "sexo" com "orientação sexual";
    Segundo, porque "ideologia de género" não significa absolutamente nada. É daquelas frases em que se juntam conceitos que podem ser vistos como complexos para parir um pseudo-conceito;
    Terceiro, porque nesta "guerra", como em qualquer outra mais mediatizada, o foco parece estar mais no "eu é que tenho razão" e não na preocupação com o outro.

    Vou tentar explicar estes conceitos de uma forma muito básica e simples, com tudo o que implica este modo de explicar coisas.
    O sexo é uma característica biológica, ou seja, física com que as pessoas nascem. Existem três tipos de sexo: feminino, masculino e intersexo. O intersexo é aquilo que antigamente era chado de "hermafroditismo" (uma ambiguidade física entre masculino e feminino).
    A orientação sexual tem a ver com por quem a pessoa se sente sexualmente atraída. Pode ser heterosexual (atracção por pessoas do sexo oposto), homosexual (atracção por pessoas do mesmo sexo) ou bisexual (atracção por pessoas de ambos os sexos).
    O género é um construto social. É um papel que assumimos e que tem a ver com aquilo que é esperado que seja assumido por cada sexo. É algo que varia cultural e temporalmente.

    Não podemos esquecer que os conceitos sociais alteram-se, evoluem.
    Há uns anos, fazia parte do género feminino apenas usar saia, ser mãe, não trabalhar e ficar em casa a cuidar dos filhos. Era esperado que, para o género feminino, fôssemos caladas, carinhosas, subservientes, que nos tapássemos dos pés à cabeça (ver o tornozelo descoberto de uma mulher era a lou-cu-ra!). Fazia parte do género feminino não conduzir, andar de cavalo com ambas as pernas para o mesmo lado, não jogar à bola, não dizer asneiras, não votar. E podia fazer todo um artigo elencando, apenas, o que era esperado do género feminino e que já não é. Porque isto evolui.
    Já conduzimos, já votamos, já usamos calças, já usamos decotes até ao umbigo e rachas até à anca. Já há torneios de futebol feminino. Já há mulheres a conduzir camiões no Rali Dakar! Há mulheres engenheiras civis. E seria mais outro artigo elencando o que actualmente fazemos e que antigamente era esperado que as mulheres não fizessem, porque não fazia parte do rol de comportamentos aceitáveis para o género feminino.
    E os homens já cozinham, já limpam a casa, já tratam de crianças, já há pais que ficam em casa com os filhos enquanto as mães voltam ao trabalho. No entanto, poderia ficar aqui a dissertar porque é mais fácil e mais aceite as mulheres assumirem características tradicionalmente associadas ao papel masculino, do que o contrário. É quase como se as características tipicamente masculinas fossem mais virtuosas ou robustas do que as características tipicamente femininas. Mas hoje não vou elaborar, porque a ideia era debitar sobre o género e as crianças.

    Sobre o género e as crianças, tenho "um género de ideologia": deixem as crianças brincar, explorar, aprender, desenvolver. Deixem as crianças encontrarem o seu lugar no mundo e em si mesmas.
    Permitam que as crianças fluoresçam e aprendam o que são. Aceitem os vossos filhos como eles são e não lhes tentem impingir as vossas expectativas de perfeição, sejam elas quais forem.
    Vocês acham, que algum dia!, obrigarem a que as vossas filhas só se vistam de cor de rosa e brinquem às casinhas, e que os vossos filhos só se vistam de azul e só brinquem com carrinhos, vai fazer com que mude alguma coisa? Concordo tanto com isso como serem educados num ambiente em que há uma total ambivalência de géneros e de cores.

    Não, não têm de desatar a comprar bonecas para os meninos ou carrinhos para as meninas, mas se virem que eles se interessam por esses brinquedos na escola ou no parque, qual é o problema em lhes propiciar o que eles gostam?
    Têm noção de quantos meninos do parque "roubaram" o carrinho de bonecas cor de rosa choque da Carminho e andaram ali todos contentes a empurrá-lo? E quantos carrinhos a Carminho "roubou"? E quando as mães comentavam "ele adora o carrinho", eu respondia "comprei ali nos chineses, super barato!", para ouvir "mas é de menina...". Vocês acham que uma criança pequena tem sequer noção ou interesse do que é para meninos ou meninas? Eles querem absorver o mundo! E se tiverem? Vocês acham que é um mau estímulo um menino, um futuro homem, empurrar um carrinho de bebé? Ou um carrinho de compras? Porquê? Que péssima mensagem é que vêem aí? Pior do que brincar a matar?



    Eles são o que são. Eles são o que querem ser.
    E nós? Nós temos de nos mentalizar e perceber, de uma vez por todas, que eles não são um objecto comandado pelos nossos desejos e caprichos. 
    As crianças são seres individuais, com direitos, com quereres, com apetências. E não há nada que possamos fazer para os contrariar. Se eles gostam de bolas, vai ser tirando o acesso a bolas que vão deixar de gostar?
    Não chegam já todas as lutas e guerras que têm mesmo de ser? O não meter a mão na água a ferver, o não ingerir detergentes, o não brincar com lâminas... Aquelas coisas que são MESMO importantes e que valem a pena o drama de uma criança que percebe o "não", mas que não percebe o "porquê do não"?
    Dêem-lhes liberdade para que sejam felizes. Não é isso que todos queremos?

    Estou farta da conversa de género. Seja de que lado for. 
    Nunca me identifiquei a 100% com o que era esperado de uma "menina", identificando-me com características imputadas ao sexo oposto.
    Proponho que nos deixemos de géneros, de identificações com e/ou como, e que nos concentremos em "ser e deixar ser". Que nos deixemos de preocupar com o que os outros pensam e com o que os outros são/fazem/vestem.

    Sempre pensei que quando tivesse filhos e se fosse menina, faria questão que praticasse uma arte marcial para se poder defender. Mas a Carminho, apesar de só querer vestir cor de rosa e de adorar bonecas e "coisinhas de menina", tem uma obsessão com bolas e estou a ver que vou é ter de a meter no futebol. Eu que adoro futebol lá vou ter de ir para as bancadas torcer pela pequena e conter-me para não me atirar aos pais mal educados (como vêem, já faço os filmes todos).
    Já a imagino, de vestidinho aos folhinhos cor de rosa, a fazer remates à baliza com os colegas a dizerem "não vale bujas!!!".