segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Paracetamol antes da vacinação - Sim ou não?


Há vários profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) que sugerem que se dê um paracetamol (o ben-u-ron) aos bebés antes da administração das vacinas, mas será esta prática realmente necessária, indicada e aconselhável?
Será, a administração profiláctica de paracetamol, inócua e sem contra-indicações? Ou poderá aumentar a tolerância ao parecetamol, mascarar sintomas ou afectar de outro modo o efeito da vacina? 

O mais comum é esta sugestão ser feita quando se vai fazer a Bexsero (vacina extra-plano, para a meningite) e a motivação para esta prática é a diminuição a dor associada à administração da vacina e diminuição da febre que o bebé possa desenvolver a seguir.

Eu já tinha ouvido de tudo. Já tinha ouvido profissionais de saúde a defender esta prática e profissionais de saúde a dizer que era desnecessária. E algumas pessoas defendiam que poderia mascarar sintomas de reacções adversas da vacina, o que não seria muito aconselhável.


Fonte
No nosso caso, como nunca nos fez sentido dar-se um medicamento para um problema que não se tem, nunca demos nada antes da vacinação. Demos depois da primeira dose de Bexsero, porque nos disseram, mas nas seguintes optámos por esperar para ver se havia alguma necessidade - nunca houve, felizmente.
Além do mais, sempre optámos por usar a amamentação como abordagem de controlo da dor. Sempre foi eficaz.


Ora, a nossa pediatra (com quem sempre estivemos em sintonia, seja nas vacinas, seja no BLW, etc.) está de baixa e tivemos de passar para outra. Há umas semanas, fomos fazer a última dose da Bexsero e, enquanto esperávamos, ouvi-a dar indicações à enfermeira para dar o supositório à Carmita.
Perguntei, tranquilamente, se era mesmo o que pensavam fazer e se isso seria necessário, porque nunca o tínhamos feito. A médica respondeu que então, se nunca o tínhamos feito e a Carminho não costumava ter grandes reacções, não seria necessário.
Carmita na mama, agulha espetada, dois ou três acordes de choro e estava tudo ultrapassado.
Mas houve algo ali que eu não gostei. Principalmente, o estarem a combinar um procedimento sem nos consultarem. A adicionar, eu já não achava muita piada a esta prática.
No entanto, entre o nosso instinto/crenças/fontes e a ciência pode haver diferenças. Fui a matutar no caminho para casa, decidi dar o benefício da dúvida à actual pediatra e ir procurar o que diziam os estudos científicos sobre esta prática, em vez de me guiar por o que diz a ou b.


Fonte
Pois bem, os estudos que encontrei vão todos no sentido de não se administrar paracetamol antes das vacinas. Não encontrei nenhuma conclusão que abordasse um aumento da tolerância ou um mascarar de sintomas secundários.
No entanto, os estudos indicam que a administração profiláctica (preventiva) de paracetamol, apesar de diminuírem efectivamente a dor, o desconforto e a febre que possam estar associados à vacinação, diminuem a produção de anticorpos como resposta à vacina. E esses anticorpos são precisamente o que queremos que sejam produzidos quando vacinamos as crianças, são eles que conferem uma maior imunidade.
Até encontrei um estudo que questiona o uso do paracetamol depois da vacinação.
Outra conclusão presente nestes estudos é que a amamentação antes, durante e depois da vacinação está provada como eficaz na redução da dor e desconforto associados à vacinação, pelo que é uma prática recomendada.

Pelos mais variados motivos, há mães que não amamentam e, como tal, não podem recorrer à amamentação como método de controlo da dor do seu bebé. Uma alternativa é a administração de sacarose durante a vacinação.
De qualquer modo, falem sempre com o profissional de saúde. Cada caso é um caso e o importante é que se vacinem!

Ficam aqui as conclusões e os estudos consultados

  • The Effect of prophylactic paracetamol administration at time of vaccination on febrile reactions reactions and antibody responses in children: two open-label, randomizes controlled trials, 2009: "Although febrile reactions significantly decreased, prophylactic administration of antipyretic drugs at the time of vaccination should not be routinely recommended since antibody responses to several vaccine antigens were reduced" - Link
  • The effect of prophylactic antipyretic administration on post-vaccination adverse reactions and antibody respons in children: a systematic review, 2014: "Though prophylactic antipyretic administration leads to relief of the local and systemic symptoms after primary vaccinations, the is a reduction in antibody responses to some vaccine antigens without any effect on the nasopharyngeal carriage rates of S. pneumoniae & H. influenza serotypes. Future trials and surveillance programs should also aim at assessing the effectiveness of programs where prophylactic administration of PCM is given. The timing of administration of antipyretics should be discussed with the parents after explaining the benefits & risks" - Link;
  • The Relevancy of paracetamol and Breastfeeding Post Infant Vaccination: A Systematic Review, 2018: "The relevancy of giving paracetamol post all types of vaccination may be questionable. Breastfeeding before, during, and after immunization are recommended for pain reduction and are proven effective. Further research is required in deciding if paracetamol is to be of rational use following infant immunization" - Link
  • Fever prophylaxis can reduce vaccine responses: A Caution, 2018: "Two recent studies showed that such prophylaxis can reduce immune responses to some infant vaccines, warranting judicious use. In contrast, implementing treatment 6 hours or more after immunization had no effect on vaccine responses and would reduce drug exposure of asymptomatic infants" - Link;
  • Sucrose for analgesia in newborn infants undergoing painful procedures, 2016: "Sucrose is effective for reducing procedural pain from single events such as heel lance, venipuncture and intramuscular injection in both preterm and term infants. No serious side effects or harms have been documented with this intervention. We could not identify an optimal dose due to inconsistency in effective sucrose dosage among studies. Further investigation of repeated administration os sucrose in neonates is needed (...)" - Link.

Adenda (14/08/2018)
Acho por bem, depois de alguns comentários na página do FB, deixar aqui mais informação e esclarecer a minha posição.
  1. Não sou anti-paracetamol, nem anti-medicação. Apenas acho que os pais devem procurar informar-se e os profissionais de saúde devem informar todo o procedimento, incluindo alternativas, vantagens e desvantagens. Coisa que nem sempre acontece. Como alguém disse, e bem, "a vontade soberana é dos pais" (aqui entre nós, para o bem e para o mal, mas isso já são outros quinhentos). Só que para os pais fazerem escolhas informadas, têm de saber com que linhas se cosem;
  2. A amamentação antes, durante e depois, está provada que diminui a dor e desconforto (físico e emocional) no lactente. Se amamentam, é uma excelente alternativa à toma do paracetamol para evitar a dor. Em relação à febre, não vejo mesmo necessidade de se dar o que quer que seja, antes de lá chegar. No nosso caso nunca foi preciso e se eu tivesse optado por dar, nunca saberia que estava a dar desnecessariamente. Se não tivesse dado e tivesse havido reacções mais fortes, então aí já daria. Embora depois da vacina. Se não amamentasse, então aí provavelmente daria o paracetamol antes, para diminuir a dor e o desconforto sentido durante a administração da vacina;
  3. Esta minha publicação não serve para colocar em cheque os profissionais de saúde, mas para informar os pais. Os profissionais de saúde, não só trabalham para nós (e connosco) e querem diminuir o nosso sofrimento e o dos bebés, como têm de cumprir certas normas e recomendações por organismos que tutelam e supervisionam a sua profissão. Se estes organismos dizem que é para recomendar, é legítimo que os profissionais também o façam - até para se protegerem. É compreensível. No entanto, acho que uma política que "se não perguntarem, não digo", também não é correcto porque impede os pais de tomarem decisões informadas e nem todos os pais têm espírito crítico ou inquisitivo. Depois, como em todo o lado, há profissionais melhores do que outros, mais ou menos informados, mais ou menos actualizados - não estou a acusar nem a desculpar quem quer que seja;
  4. Recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Sociedade de Infecciologia Pediátrica da SPP sobre a administração de paracetamol: "Sendo a febre um efeito secundário frequente, em particular quando a Bexsero é dada em simultâneo com outras vacinas, recomenda-se a administração de paracetamol, no momento da vacinação ou pouco tempo depois, podendo ser administradas mais duas tomas com intervalos de 4 a 6 horas, o que reduzirá a febre, não havendo evidência de interferência com significado na resposta imunitária". (Remetem para um estudo de 2014) - Link;
  5. Recomendação constante da Norma da Direcção-Geral da Saúde para a vacinação contra a meningite, em idade pediátrica: "Até aos 24 meses de idade, recomenda-se a administração de paracetamol na dose recomendada para a idade, prévia à administração de MenB, com o objectivo de prevenir ou diminuir a febre possivelmente associada a esta vacina" - Link;
  6. Reforço: Cada caso é um caso! Falem com o profissional de saúde sobre a necessidade do paracetamol, alternativas para o vosso bebé (se assim o desejarem), perguntem qual a sua opinião sobre os estudos que recomendam que não se administre o paracetamol (nomeadamente, um estudo da GSK que é a empresa que fabrica a Bexsero - Link).
Não encontrei (por enquanto), os fundamentos para as recomendações da administração de paracetamol. Gostava de ter acesso a essa informação, pelo que se alguém a tiver, por favor partilhe.

Fonte

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Fraldas Reutilizáveis - Parte III: Noites


O último artigo sobre fraldas foi há demasiado tempo.
Nessa altura, a Carmita já só estava a usar um absorvente grande de microfibra em cada fralda de dia e íamos começar a fazer experiências com fraldas reutilizáveis à noite.
A coisa não correu muito bem e aprendi que por volta dos 12 meses os xixis mudam. Passam a ser muito maiores. Literalmente, da noite para o dia. Voltámos a usar dois absorventes durante o dia e a experiência à noite não correu bem.
As noites são do pai, por vários motivos. Por um lado, o Duarte precisa de menos horas de sono do que eu; por outro, a Carmita ainda amamenta e, se for eu, não acalma sem ser na mama. Nos dias em que ela não acalma com o pai, então lá vou eu. Como as noites são do pai, ele tem poder de veto nas decisões que afectam as noites ou de decisão se aquela altura é boa para experiências.
Portanto, quando a experiência começou a não funcionar, o pai fechou a loja.

Entretanto, decidi pedir ajuda num grupo do Facebook e mandei uma mensagem para a meekbum.
A opinião generalizada é de que as fraldas de bolso e as All-in-One, que eram as que tinha, não funcionavam durante a noite. Pela experiência da grande maioria, estas fraldas acabavam por sofrer fugas de compressão por estarem demasiado cheias e as melhores para as noites eram as ajustadas, reforçadas e com capa. Comecei logo a desanimar e a pensar se, nesta altura do campeonato, valeria a pena o investimento financeiro e tempo gasto em experiências com novas fraldas.
Uma amiga que também está nesse grupo (olá, Luana!) e que já tinha passado por estas fases de experiências, prontificou-se a emprestar-me 3 fraldas ajustadas, reforçadas com absorventes extra e com uma capa de lã fria (adequada para o verão). Era a solução que resultava com a filhota dela.
Funcionaram lindamente. Estudei a quantidade e tipo de absorventes e pensei que estava disposta a dar uma segunda oportunidade às fraldas (All-in-One e de bolso) e aos absorventes (bambu e cânhamo) que tinha mandado vir para este efeito.

Este artigo é sobre as experiências feitas, falando em materiais, marcas e lojas.
Não há nenhuma publicidade paga, ninguém me encomendou isto, ninguém me ofereceu o que quer que seja (mas podiam... olá!! Se quiserem oferecer-me ou emprestar-me para testar, estou disponível ahahah).
As marcas e lojas que aqui mencionarei foram as que "calharam". Foram as amigas e família me emprestaram, foram as que comprei para experimentar, etc. Não recebi rigorosamente nada pelo que aqui escrevo ou escreverei num futuro.

Experiências e resultados
Ajustadas (emprestadas) - sucesso!
  • Fralda ajustável ALVA com absorvente integrado de bambu; reforçada com 2 absorventes de algodão, 1 de cânhamo (comprido e dobrado à frente) e um absorvente trifold em algodão - basicamente, 7 camadas de absorventes -; uma capa de lã knit wool da sloomb;
  • Fralda ajustável Sloomb BFF; reforçada com um absorvente trifold em algodão, um comprido dobrado em dois de bambu/algodão e um de algodão (6 camadas de absorventes, sendo que a própria fralda é grossa e absorvente); a capa knit wool;
  • Fralda Grovia O.N.E com absorvente integrado de microfibra; reforçada com trifold em algodão da mita, 2 absorventes da fralda em algodão (total de 6 camadas de absorventes); a capa de lã.
Fralda Alva
All-in-One e All-in-2 (mandadas vir do AliExpress, como sempre)


All-in-One OhBabyKa
  • Fralda All-in-One (AIO) OhBabyKa com absorvente integrado de carvão de bambu e microfibra; reforçada com 2 absorventes de cânhamo da Elifant (dentro do bolso) e 1 absorvente fino de microfibra da Gyzzo embrulhado em musselina (fora do bolso) - Sucesso!
  • Fralda AIO OhBabyKa com absorvente integrado de carvão de bambu e microfibra; reforçada com 2 absorventes de cânhamo da Elifant (dentro do bolso) e uma musselina dobrada (fora do bolso) - Sucesso!;

  • Fralda All-in-2 (AI2) OhBabyKa com 1 absorvente de bambu e 2 de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso - Sucesso!;
  • Fralda AI2 OhBabyKa com 1 absorvente grande de microfibra e 2 de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso; - Sucesso!;
  • Fralda AI2 OhBabyKa com 2 absorventes de cânhamo, enrolados em musselina, dentro do bolso; - Sucesso? (Quando acordou estava seca, só que algures entre o pequeno-almoço e mudar a fralda, o pijama ficou um bocadito molhado. Cheira-me que não poderei retirar mais camadas, mas as experiências continuam).

Custos
Fraldas
  • ALVA, ajustável: tamanho único (a partir dos 3kg), material 80% bambu e 20% poliester. Inclui absorvente integrado de 3 camadas de fibra de bambu. Ajusta-se e fecha-se com molas. Não tem camada impermeável, pelo que precisa de uma capa. Custa cerca de 7,22€ na loja da marca no AliExpress. Entretanto há uma nova versão desta fralda, sensivelmente pelo mesmo valor, mas em fibra de café. Encomendei para experimentar, bem como 2 capas PUL;
  • Sloomb BFF, ajustável: tamanhos do XS ao L, material 70% viscose de bambu e 30% algodão orgânico. Inclui um absorvente do mesmo material, com 3 camadas e que pode ser dobrado, duplicando o número de camadas. Fecha-se com molas. Não tem camada impermeável, precisa de capa. Custa 29,75€, na meekbum. Podem encontrar em segunda mão. Há outras lojas, é verdade, mas gosto muito do apoio ao cliente personalizado da meekbum; 
  • Grovia O.N.E, All-in-One (AIO): tamanho único (a partir dos 4,5kg), exterior em TPU, interior em microfleece (polar), absorvente integrado em microfibra e absorventes exteriores em algodão e microfleece. Eu usei a capa de lã, mas não li nada sobre isso. Ajusta-se e fecha-se com molas. Custa 25,75€ ou 26,75€ na meekbum;
  • OhBabyKa, AIO: tamanho único (a partir dos 3kg), exterior impermeável de PUL e interior em mistura de carvão de bambu e microfibra. Inclui absorvente integrado de 2 camadas de carvão de bambu e 2 camadas de microfibra. Inclui bolso (aberto à frente e atrás) para se reforçar com mais absorventes. Ajusta-se e fecha-se com molas. A vantagem que eu vejo nesta fralda é a dupla barreira na zona das pernas, que impede as fugas ao se reforçar a fralda para as noites. Custa cerca de 6,50€ a fralda, na loja da marca no AliExpress. Esta marca diz-se certificada.
  •  OhBabyKa, AI2: tamanho único (a partir dos 5kg). De resto é igual à All-In-One, mas sem ter o absorvente incluído. Também tem dupla barreira, mas é diferente da da AIO. Confesso que não percebo a diferença entre esta fralda e a de bolso, a não ser a abertura à frente.  O preço varia entre os 4,50€ e os 6,00€, conforme venha sem absorvente, com absorvente de microfibra ou com absorvente de carvão de bambu.
Fralda AIO - pormenor da dupla barreira na zona da perna
Capa
  • Knit Wool, da Sloom: de lã, dá para todo o ano. 93% lã, 7% licra. A vantagem que eu acho que esta opção tem em relação às capas de PUL é ser orgânico e respirável. Para ficarem com o rabinho tantas horas húmido e tapado, com as capas de lã a pele respira mais e o xixi vai evaporando, sem molhar a cama. Durante o dia, basta apanhar ar e aguenta duas semanas sem ser lavado porque a lã é auto-limpante. Vai ser a minha opção para quando usar as ajustáveis. Vendem-se, por exemplo na meekbum, por 48€ ou 52€, mas podem encontrar em segunda mão por metade do preço (comprei duas, em segunda-mão, por 55€).

Absorventes
  • Gyzzo, microfibra: vieram com as fraldas que usamos para o dia e costumam ser os absorventes que vêm com as fraldas de bolso. Há um maior e mais grosso (com 3 camadas) e outra mais pequeno e mais fino (com 2 camadas). Usei o absorvente pequeno e fino porque a Carmita faz xixis grandes e repentinos, e assim absorve logo e vai passando para os absorventes de outros materiais.
  • Carvão de bambu, OhBabyKa: 4 camadas de carvão de bambu e microfibra. Largam tinta nas primeiras lavagens, mas sai com as seguintes. Há packs de 10 no AE, por 14,46€.
  • Cânhamo, Elifant: 3 camadas de cânhamo e algodão. No nosso caso, não são bons para serem usados sozinhos porque têm pouca velocidade de absorção, mas combinados com outros, aguentam imensa urina. Óptimos para a noite. Esta marca tem loja no AE e é certificada. Um pack de 10 absorventes custa 17,43€. Entretanto, encomendei 2 fraldas ajustáveis, absorventes de algodão/bambu e absorventes trifold de algodão, para experimentar.
  • Musselinas: 100% algodão, comprados numa loja de fábrica, algures em Barcelos. São aqueles fraldas de pano típicas, quadradas, que usamos para tudo e mais alguma coisa. São baratas.
Da esquerda para a direita: microfibra fino (2 camadas), microfibra grosso (3 camadas), bambu/microfibra e cânhamo


Porquê o AliExpress? E a ética? E a ecologia?
Há muitas marcas por aí, umas de mais confiança do que outras e os preços variam e muito.
O AliExpress, com tudo fabricado na China, tem preços imbatíveis quando comparados com outras marcas.
A minha ideia inicial de mandar vir do AE, nem sequer foi de poupança. A minha ideia foi testar se isto das fraldas reutilizáveis poderia servir para todos os bolsos porque, sejamos honestos, a maioria das pessoas não pode pagar os preços que são praticados e se se for a comprar aos poucos, não compensa financeiramente.
Se esses preços são justos? São! Não é essa a minha questão. Se têm possibilidades financeiras sugiro que, por consciência, optem pelas marcas conhecidas e reconhecidas. São de confiança e de qualidade, certificadas, algumas de marcas nacionais, sabemos que são realmente ecológicas e sustentáveis a vários níveis, que não são produto de exploração laboral e estamos a ajudar um negócio local (seja a loja, seja a marca).

Em relação à questão da mão de obra barata, a verdade é que muitas marcas conhecidas e reconhecidas como boas são desenhadas num país e mandadas fabricar noutro, inclusivamente na China. E isto acontece não só nas fraldas reutilizáveis como em tudo. Basicamente, todo o nosso estilo de vida e consumo actual está assente em mão de obra barata noutros continentes.

Não havendo possibilidade financeira para comprar as marcas mais conceituadas, nem encontrando a preços imbatíveis em segunda mão, mandar vir da China é uma possibilidade que em nada nos deveria envergonhar. A ideia de se usarem fraldas em reutilizáveis assenta na economia financeira, na ecologia e em rabiosques com menos assaduras.
Ora, fraldas reutilizáveis "made in China" serão sempre mais ecológicas do que fraldas descartáveis (pelos motivos já referidos aqui). Se a opção é entre descartáveis ou AliExpress - AliExpress! Quem fala em AE, fala em Ebay ou Amazon, mas procurem referências em sites, blogues, grupos de facebook.  Eu confesso que estava com algum receio de que o material das fraldas não fosse bom para estar em contacto com a pele da Carminho (já todos ouvimos/vimos histórias escandalosas de produtos mandados vir da China), mas comecei por testá-las durante o dia, aumentando o tempo que estavam vestidas, para controlar se havia alguma reacção. Até agora, nada!

Por isso, há opções de fraldas reutilizáveis para todos os gostos e todas as carteiras. Basta procurar!
Em breve, um update das experiências com fraldas reutilizáveis à noite.




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quinta-feira, 26 de julho de 2018

O Meu Segredo de Mãe

Todas temos os nossos segredos de Mães. E os Pais também.
Não estou a falar daquele segredo de como fazer coisas espectaculares acontecerem, como "o meu segredo para colocar o edredão na capa em 1 segundo" ou "o meu segredo para a mousse de chocolate mais perfeita de sempre". Não...

Estes segredos são acidentes ou incidentes que aconteceram quando estávamos a cuidar das nossas crias.
Situações mais ou menos chatas que poderiam ser (ou foram) mais ou menos graves.
Situações que, quando aconteceram, nos fizeram sentir os pais mais negligentes à face da terra, os piores pais de sempre, não merecedores da confiança dos nossos filhotes que jurámos proteger e falhámos.
Momentos que não queremos contar a ninguém com medo de que nos julguem tão duramente quanto nos julgamos a nós mesmos.


Fonte




Inspirada num site (este) que sigo há vários anos, onde as pessoas enviam postais anónimos com os seus maiores segredos, pensei que poderia ser interessante e terapêutico para alguns de nós fazermos algo do género, embora mais virado para a maternidade ou paternidade.
Assim, criei um formulário online (aqui) que podem preencher, anonimamente, com o ou os segredos que vos angustiam e que têm receio de partilhar com o mundo. Também podem comentar esta publicação com os vossos segredos ou enviá-los por mail para ameninadajoaoxxi@gmail.com.

A minha ideia é, de vez em quando, partilhar um ou vários segredos com os leitores do blogue e perceberem que não estão sozinhos, que aquilo que aconteceu convosco já aconteceu com outros, para receberem um pouco de empatia ou para que aquilo que vos aconteceu pode servir de alerta para outros.
Comentários com críticas destrutivas, juízos de valor, insultos ou afins não serão tolerados por mim e serão sempre apagados.




A primeira vez que pensei nisto foi no rescaldo do meu próprio segredo.

O Duarte tinha ido ao futebol e eu estava sozinha com a Carminho. Não me lembro da idade dela, mas talvez uns 7 ou 8 meses.
Chegou a hora de a ir deitar. Eu já tinha lido e relido sobre isto e sempre achei que tinha cuidado suficiente, mas não. Coloquei-a no muda-fraldas, sentada, enquanto lhe tirava a camisola. Na altura, deitá-la no muda-fraldas era um drama, porque tinha aprendido a sentar-se há pouco tempo e não se queria deitar, por isso tratava dela sentada enquanto fosse possível.
Ela atirou qualquer coisa ao chão e eu baixei-me para apanhar, continuando a segurá-la pelo braço. Foi o suficiente para, em milésimos de segundos, ela espreitar o que eu estava a fazer, inclinar-se e cair do muda-fraldas! Caiu em cima de mim, dando-me uma cabeçada, e escorregou para o chão. Começou a chorar. Não me lembro como, mas acabei no corredor sentada do chão, a olhar-lhe para os olhos (para ver as pupilas), a abraçá-la, a embalá-la. Cheia de calor, em pleno Inverno, acabei despida e a escorrer suor. Ela chorava em plenos pulmões. As pupilas estavam bem, não tinha vómitos, nem desmaios. Tirando o choro, não me parecia que houvesse algum problema. Mas eu interrogava-me. Vou para o hospital? Ligo para a saúde 24? O que preciso de ver mais? Será que partiu alguma coisa? Será que acertou com a parte mole da cabeça? Sou má mãe! Sou uma mãe terrível! Vou presa? Isto é negligência? Digo ao pai? O que faço?
E, enquanto ela chorava em plenos pulmões, uma das gatas aproximou-se para a cheirar. Calou-se imediatamente! Calou-se e quis ir atrás da gata. Percebi logo que o pranto dela era do susto e da minha ansiedade. Acalmei-me, fiquei um pouco mais com ela.
Acabou por correr bem. Não foi preciso ir ao hospital, não aconteceu nada.

No dia seguinte, continuava angustiada e fui ter com uma amiga para café.
"Aconteceu uma coisa horrível.", disse eu. "Ainda nem recuperei do susto.". "O que foi? O que se passou?". "Ontem deixei cair a Carminho. Não foi nada, está tudo bem, mas sinto-me uma mãe horrível". A cara da minha amiga mudou, ficou séria, séria.
"Eu também deixei cair o meu filho e nunca contei a ninguém."


Ilustração "Universal Language" por Andy Westface
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terça-feira, 24 de julho de 2018

1º Giveaway d'A Menina - Kit Praia


É super entusiasmada que vos trago o primeiro giveaway deste blogue!

Eu (A Menina da João XXI), a Lucy's Kids, a MamãoPapaia e a White Lullaby - Handmade, somos quatro mães que se juntaram para organizar este adorável conjunto para irem à praia com os vossos filhotes.

O que inclui este conjunto para a praia (clique nas fotos para aumentar)

  • Balde de praia em silicone e pacotinho reutilizável da Lucy's Kids







Como se tornarem elegíveis para ganhar este colorido "kit praia"
  1. Fazer "gosto" na publicação do giveaway (aqui) e na página de Facebook d' A Menina da João XXI;
  2. "Gostar" da página de Facebook da Lucy's Kids;
  3. "Gostar" da página de Facebook da Mamãopapaia;
  4. "Gostar" da página de Facebook da White Lullaby - Handmade;
  5. Comentar esta publicação dizendo o quão bom e cansativo é ir à praia com as crias ❤
Quais as condições de participação
  • Este giveaway é válido para Portugal e para utilizadores maiores de idade;
  • Podem concorrer até às 24h00 de dia 31 de Julho;
  • O vencedor será seleccionado aleatoriamente através da "The Good Luck Fairy";
  • O vencedor será anunciado no dia 01 de Agosto no blogue e no Facebook d' A Menina da João XXI  será também contactado por mensagem privada e tem 48h para responder (após esse período perde o direito ao prémio)
Boa Sorte!


Este giveaway não é de forma alguma patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook. Nem o Facebook tem qualquer responsabilidade por cada inscrição ou participante.
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sábado, 21 de julho de 2018

Desafio - Alimentação Saudável (Semana 3)



Vamos para mais uma semana do Desafio - Alimentação Saudável?
Estou super engripada, mas vou tentar escrever alguma coisa com pés e cabeça.

Preparemos, então, na  semana 3




Confeccção
É possível que esta semana (ou noutra) já tenham o congelador cheio de vegetais que acabaram por não ser utilizados ou que não consigam encontrar patinava (também conhecida por cheróvia). Não há qualquer problema em substituir o alimento que esteja escrito no menu, por outro que tenham
  1. Pequeno-almoço: A manteiga de amendoim que consumimos cá em casa é 100% caseira e é algo extraordinariamente fácil de fazer. A sério! Podem ver a minha receita aqui  A dos supermercados está cheia de açúcares e conservantes, se não vos apetecer fazer optem por outra coisa. A sério. Repitam as papas de aveia (que também são facílimas de fazer). O amendoim é uma excelente fonte de proteína e, desde que seja caseira, a manteiga de amendoim é uma boa opção para se variar de vez em quando.
  2. Almoços de peixe: Sugiro a corvina, a pastinaca, o pimento e a beringela grelhados e o pepino fresco a acompanhar (tipo salada). Ou fazer um arroz de pimento. Também é bom.
  3. Almoço de ovo: omelete, queques de ovo, panqueca de ovo, bolo, o que vos apetecer. Eu desisti do ovo para a Carminho. Ela não come mesmo, não gosta e eu não vou insistir mais. Talvez faça ovo cozido e fica tudo cortado aos pedacinhos, misturado com o couscous. Deixo a minha confissão - não como alho-francês. Não suporto, mesmo!
  4. Almoço vegetariano: Tal como no dia de ovo, nada como um couscous misturado com vegetais. Pode ser servido frio ou quente.
  5. Almoços de carne: Peito de frango, acompanhado de couscous de vegetais. Não há grande coisa a inventar. Vamos é ver como os couscous ficam nas bolinhas da Carminho.
  6. Jantar: A sopa e a salada co costume.
Agora, deixo-vos a lista de compras e vou voltar para o "molho".
Estou que nem posso, cheia de dores no corpo todo.

Lista de compras



Nota importante: este plano para bebés é feito para a Carminho que tem 1 ano. De acordo com o método Baby-Led Weaning, a partir dos 6 meses já podem comer quase tudo, mas mandem-me mensagem ou questionem o pediatra se tiverem alguma dúvida em relação a qualquer alimento.

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